A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Vossa Graça? – Missandei estava a seu lado, enrolada num roupão, com sandálias de lã nos pés. – Acordei e vi que tinha saído. Dormiu bem? Para onde está olhando?
– Para a minha cidade – disse Dany. – Estava à procura de uma casa com uma porta vermelha, mas à noite todas as portas são negras.
– Uma porta vermelha? – Missandei estava confusa. – Que casa é essa?
– Não é casa nenhuma. Não importa. – Dany pegou na mão da garota mais nova. – Nunca minta para mim, Missandei. Nunca me traia.
– Nunca o farei – prometeu Missandei. – Veja, a alvorada chega.
O céu tinha se tornado azul-cobalto do horizonte ao zênite, e por trás da linha de colinas baixas, a leste, via-se um clarão, de ouro pálido e cor de ostra. Dany ficou vendo o sol subir ao céu, de mãos dadas com Missandei. Todos os tijolos cinza se tornaram vermelhos, amarelos, azuis, verdes e laranja. As areias escarlate das arenas de luta transformaram-se em chagas sangrando perante seus olhos. Em outro local, a cúpula dourada do Templo das Graças refulgia brilhantemente, e estrelas de bronze tremeluziam ao longo das muralhas nos locais onde a luz do sol nascente tocava os espigões dos capacetes dos Imaculados. No terraço, um punhado de moscas agitou-se indolentemente. Uma ave pôs-se a gorjear no caquizeiro, logo seguida por mais duas. Dany inclinou a cabeça para escutar sua canção, mas não demorou muito até que os ruídos da cidade que acordava a submergissem.
Os ruídos da minha cidade.
Naquela manhã convocou seus capitães e comandantes para o jardim, em vez de descer à sala de audiências.
– Aegon, o Conquistador, trouxe fogo e sangue a Westeros, mas depois deu-lhe paz, prosperidade e justiça. Mas tudo que eu trouxe à Baía dos Escravos foi morte e ruína. Fui mais khal do que rainha, esmagando e saqueando, e depois seguindo viagem.
– Não há nada por que valha a pena ficar – disse Ben Mulato Plumm.
– Vossa Graça, os senhores de escravos fizeram a perdição cair sobre si mesmos – disse Daario Naharis.
– Trouxe também a liberdade – fez notar Missandei.
– Liberdade para passar fome? – perguntou Dany em tom cortante. – Liberdade para morrer? Serei eu um dragão ou uma harpia? – Serei louca? Terei a mácula?
– Um dragão – disse Sor Barristan num tom que não admitia dúvida. – Meereen não é Westeros, Vossa Graça.
– Mas como serei eu capaz de governar sete reinos, se não conseguir governar uma única cidade? – ele não tinha resposta para aquela pergunta. Dany deu as costas a eles para voltar a olhar a cidade. – Meus filhos precisam de tempo para curar as feridas e aprender. Meus dragões precisam de tempo para crescer e testar as suas asas. E eu preciso das mesmas coisas. Não permitirei que esta cidade siga o caminho de Astapor. Não permitirei que a harpia de Yunkai volte a acorrentar aqueles que eu libertei. – Virou-se novamente para olhar o rosto deles. – Não me porei em marcha.
– Então o que fará, khaleesi? – perguntou Rakharo.
– Ficarei – disse ela. – Governarei. E serei uma rainha.
JAIME
O rei estava sentado à cabeceira da mesa, com uma pilha de almofadas debaixo do traseiro, assinando cada documento que lhe era apresentado.
– Só mais alguns, Vossa Graça – garantiu-lhe Sor Kevan Lannister. – Este é um decreto de confisco contra Lorde Edmure Tully, despojando-o de Correrrio e de todas as suas terras e rendimentos, por rebelião contra o seu legítimo rei. Este é um decreto semelhante, contra o tio, Sor Brynden Tully, o Peixe Negro. – Tommen assinou-os um após o outro, mergulhando cuidadosamente a pena na tinta e escrevendo o seu nome numa letra grande e infantil.
Jaime observava do fundo da mesa, pensando em todos aqueles senhores que aspiravam a um lugar no pequeno conselho do rei. Podem ficar com a porcaria do meu. Se aquilo era o poder, por que teria sabor de tédio? Não se sentia particularmente poderoso vendo Tommen mergulhar de novo a pena no tinteiro. Sentia-se entediado.
E dolorido. Cada músculo de seu corpo doía, e as costelas e os ombros estavam cheios de hematomas, das pancadas que tinham levado, cortesia de Sor Addam Marbrand. Estremecia só de pensar nisso. Só podia ter esperança de que o homem mantivesse a boca fechada. Jaime conhecia Marbrand desde que este era rapaz, quando serviu como pajem em Rochedo Casterly; confiava mais nele do que em qualquer outro. O suficiente para lhe pedir para pegar em escudos e espadas de torneio. Queria saber se seria capaz de lutar com a mão esquerda.
E agora sei. O conhecimento era mais doloroso do que a surra que Sor Addam lhe dera, e a surra fora tão bem dada que quase não tinha conseguido se vestir naquela manhã. Se tivessem lutado a sério, Jaime teria morrido duas dúzias de mortes. Trocar de mão parecia tão simples. Não era. Todos os seus instintos estavam errados. Tinha de pensar sobre tudo, quando antes bastava se mover. E enquanto estava pensando, Marbrand batia nele. A mão esquerda nem sequer parecia capaz de segurar uma espada longa da maneira certa; Sor Addam desarmara-o três vezes, fazendo sua arma rodopiar pelo ar.
– Este concede as ditas terras, rendimentos e castelo a Sor Emmon Frey e à senhora sua esposa, a Senhora Genna. – Sor Kevan apresentou ao rei outro maço de pergaminhos. Tommen mergulhou a pena no tinteiro e assinou. – Isto é um decreto de legitimação para um filho ilegítimo de Lorde Roose Bolton, do Forte do Pavor. E este nomeia Lorde Bolton como o seu Protetor do Norte. – Tommen punha tinta na pena e assinava, punha tinta na pena e assinava. – Este atribui a Sor Rolph Spicer direitos sobre o castelo de Castamere e eleva-o à categoria de lorde. – Tommen rabiscou seu nome.
Devia ter procurado Sor Ilyn Payne, refletiu Jaime. O Magistrado do Rei não era um amigo como Marbrand, e teria sido bem capaz de espancá-lo até tirar sangue... mas sem língua, não era provável que se vangloriasse disso depois. Não seria preciso mais do que um comentário casual de Sor Addam enquanto bebia, e o mundo inteiro logo saberia como ele se tornara inútil. Senhor Comandante da Guarda Real. Isso era uma piada cruel... embora não tanto quanto o presente que o pai tinha lhe enviado.
– Este é o seu real perdão para Lorde Gawen Westerling, a senhora sua esposa e a filha Jeyne, aceitando-os de volta à paz do rei – disse Sor Kevan. – Isto é um perdão para Lorde Jonos Bracken de Barreira de Pedra. Este é para Lorde Vance. Este é para Lorde Goodbrook. Este para Lorde Mooton, de Lagoa da Donzela.
Jaime pôs-se em pé.
– Parece ter esses assuntos bem controlados, tio. Deixarei Sua Graça com o senhor.
– Como quiser. – Sor Kevan também se levantou. – Jaime, devia ir encontrar o seu pai. Essa discórdia entre vocês...
– ... é obra dele. E não irá remediá-la enviando-me presentes debochados. Diga-lhe isso, se conseguir descolá-lo dos Tyrell durante tempo suficiente.
O tio fez uma expressão angustiada.
– O presente foi sincero. Achamos que poderia encorajá-lo...
– ... a fazer crescer uma mão nova? – Jaime virou-se para Tommen. Embora tivesse os caracóis dourados e os olhos verdes de Joffrey, o novo rei pouco mais tinha em comum com o seu falecido irmão. Tinha tendência a engordar, seu rosto era rosado e redondo, e até gostava de ler. Ainda não tem nove anos, este meu filho. O garoto não é o homem. Passariam sete anos até que Tommen governasse de seu pleno direito. Até lá, o reino permaneceria firmemente nas mãos do senhor seu avô. – Senhor – perguntou –, tenho a sua autorização para sair?