Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Antes do café, na manhã seguinte à minha aventura, atravessei o corredor e examinei o quarto em que Barrymore tinha estado na noite anterior. A janela para oeste, pela qual ele ficara olhando tão atentamente, tem, eu notei, uma peculiaridade que as outras janelas da casa não têm, ela domina a vista mais próxima do pântano. Há uma abertura entre duas árvores que permite a alguém, deste ponto de observação, olhar diretamente para ela, enquanto que de todas as outras janelas só se pode ter uma visão distante. Portanto, Barrymore, já que só esta janela era adequada ao seu objetivo, devia estar procurando alguma coisa ou alguém no pântano.
A noite estava muito escura, de modo que não consigo imaginar como ele podia ter esperado ver alguém. Ocorreu-me que era possível estar acontecendo alguma intriga amorosa. Isso teria explicado os seus movimentos furtivos e também a inquietação da sua mulher. O homem é um sujeito bonito, com atributos para roubar o coração de uma moça do campo, de modo que esta teoria parecia ter algo a sustentá-la. Aquela porta se abrindo, que eu ouvi após ter voltado para o meu quarto, podia significar que ele havia saído para ter algum encontro clandestino. De modo que fiquei raciocinando de manhã, e conto-lhe o rumo das minhas suspeitas, por mais que o resultado possa ter mostrado que elas eram infundadas.
Mas qualquer que seja a verdadeira explicação para os movimentos de Barrymore, achei que a responsabilidade de guardá-la para mim até poder desvendá-la era mais do que eu podia suportar. Tive uma entrevista com o baronete no seu escritório após o café e contei-lhe tudo que eu vira. Ele ficou menos surpreso do que eu havia esperado.
– Eu sabia que Barrymore andava por aí à noite, e tive vontade de falar com ele a respeito – disse ele. – Ouvi seus passos duas ou três vezes no corredor, indo e vindo, mais ou menos na hora em que você mencionou.
– Talvez toda noite ele vá até aquela janela – sugeri.
– Talvez. Se assim for, poderemos segui-lo e ver o que procura. Fico imaginando o que o seu amigo Holmes faria se estivesse aqui.
– Creio que ele faria exatamente o que o senhor está sugerindo agora – eu disse. – Ele seguiria Barrymore e veria o que ele faz.
– Então vamos fazer isso juntos.
– Mas ele certamente nos ouvirá.
– O homem é bastante surdo e, de qualquer maneira, devemos arriscar. Vamos ficar sentados em meu quarto esta noite e esperar até ele passar. – Sir Henry esfregou as mãos com prazer, e era evidente que ele saudava a aventura como um alívio para a sua vida um tanto monótona no pântano.
O baronete havia se comunicado com o arquiteto que preparara os projetos para sir Charles, e com um empreiteiro de Londres, de modo que podemos esperar o início de grandes reformas aqui em breve. Apareceram decoradores e vendedores de móveis de Plymouth, e é evidente que o nosso amigo tem grandes idéias e meios para não poupar nenhum sacrifício ou despesa a fim de restaurar a grandeza da sua família. Quando a casa estiver reformada e mobiliada de novo, ele só precisará de uma esposa para torná-la completa. Cá entre nós, há sinais bastante claros de que isto não deve demorar se a dama estiver disposta, porque poucas vezes vi um homem mais enamorado por uma mulher do que ele pela nossa linda vizinha, a senhorita Stapleton. Mesmo assim o fluxo do verdadeiro amor não corre tão suavemente como se poderia esperar nestas circunstâncias. Hoje, por exemplo, sua superfície foi perturbada por uma agitação bastante inesperada que deixou o nosso amigo perplexo e aborrecido.
Após a conversa que mencionei sobre Barrymore, sir Henry pôs o chapéu e preparou-se para sair. Naturalmente, fiz o mesmo.
– O quê! Você vem, Watson? – ele perguntou, olhando para mim de uma forma curiosa.
– Se você estiver indo para o pântano – eu disse.
– Sim, vou.
– Bem, você sabe quais as instruções que eu recebi. Lamento me intrometer, mas você ouviu como Holmes insistiu seriamente para eu não me afastar, e, principalmente, para você não ir sozinho até o pântano.
Sir Henry pôs a mão no meu ombro com um sorriso simpático.
– Meu caro amigo – ele disse –, Holmes, com toda a sua sabedoria, não previu algumas coisas que aconteceram desde que estou no pântano. Você me compreende? Tenho certeza de que você é o último homem do mundo que desejaria ser um desmancha-prazeres. Preciso sair sozinho.
Isso me deixou numa situação muito esquisita. Eu não sabia o que dizer ou fazer, e antes que eu decidisse, ele pegou sua bengala e foi embora.
Mas quando comecei a pensar no assunto, minha consciência me reprovou amargamente por ter permitido, sob algum pretexto, que ele sumisse da minha vista. Imaginei quais seriam os meus sentimentos se tivesse de confessar a você que havia ocorrido uma desgraça devido ao meu pouco caso pelas suas instruções. Minhas faces coraram ao pensar nisso. Mesmo agora podia não ser tarde demais para alcançá-lo, de modo que parti imediatamente na direção da Casa de Merripit.
Corri pela estrada na minha velocidade máxima sem ver sinal de sir Henry até chegar ao ponto onde o caminho do pântano se bifurca. Ali, receando ter tomado a direção errada, subi numa colina de onde podia ter uma visão ampla, a mesma colina cortada pela pedreira escura. Dali, eu o vi imediatamente. Ele estava no caminho do pântano, a uns 400 metros de distância, e ao seu lado havia uma dama que só podia ser a senhorita Stapleton. Era evidente que havia um entendimento prévio entre eles e que o encontro fora marcado. Eles caminhavam devagar, inteiramente absorvidos numa conversa, e eu a vi fazendo pequenos movimentos rápidos com as mãos como se estivesse sendo muito enfática no que estava dizendo, enquanto ele ouvia atentamente e uma ou duas vezes sacudiu a cabeça em sinal de discordância. Eu estava parado entre as rochas observando-os, sem saber direito o que devia fazer em seguida. Segui-los e interromper a conversa íntima deles pareceu-me uma ofensa, mas o meu dever era não perdê-lo de vista um instante sequer. Agir como espião com um amigo era uma tarefa odiosa. No entanto, não consegui ver nenhuma alternativa melhor do que observá-lo da colina e aliviar minha consciência confessando a ele depois o que havia feito. É verdade que se qualquer perigo súbito o tivesse ameaçado, eu estava longe demais para ajudá-lo, mas, apesar disso, tenho certeza de que você concordará comigo que a situação era muito difícil, e que não havia mais nada que eu pudesse fazer.
O nosso amigo, sir Henry, e a dama pararam no caminho e ficaram profundamente absorvidos em sua conversa quando percebi de repente que eu não era a única testemunha do encontro deles. Um farrapo verde flutuando no ar atraiu minha atenção, e outra olhada me mostrou que este era carregado numa vara por um homem que estava se movendo no meio do terreno irregular. Era Stapleton com a sua rede de borboletas. Ele estava muito mais perto do par do que eu, e parecia estar indo na direção deles. Neste instante, sir Henry puxou a senhorita Stapleton para o seu lado. Seu braço a envolveu, mas pareceu-me que ela estava fazendo força para se afastar dele com o rosto virado. Ele inclinou a cabeça para a dela, e ela ergueu uma mão como se estivesse protestando. No momento seguinte os vi se separarem de repente e se virarem apressados. Stapleton era a causa da interrupção. Ele estava correndo como um louco na direção deles, com a sua rede ridícula pendurada atrás. Gesticulava e quase dançava de excitação diante dos amantes. O que a cena significava eu não conseguia imaginar, mas pareceu-me que Stapleton estava repreendendo sir Henry, que dava explicações que se tornaram mais irritadas quando o outro se recusou a aceitá-las. A dama estava parada ao lado num silêncio altivo. Finalmente Stapleton girou nos calcanhares e fez um sinal chamando a irmã de maneira categórica, e ela, após um olhar hesitante para sir Henry, afastou-se ao lado do irmão. Os gestos irritados do naturalista mostraram que a dama estava incluída em sua indignação. O baronete ficou parado por um minuto olhando para eles, e depois caminhou lentamente de volta pelo mesmo caminho da ida, com a cabeça baixa, a própria imagem do abatimento.