A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Há aí uma grande diferença. – A diferença entre o meu crime e a vergonha de Boros Blount.
– Ela tinha jurado protegê-lo. Sor Emmon Cuy, Sor Robar Royce, Sor Parmen Crane, eles também tinham jurado. Como poderia alguém atingi-lo com ela dentro da tenda e os outros à porta? A menos que participassem do ato.
– Havia cinco de vocês no banquete de casamento – ressaltou Jaime. – Como pôde Joffrey morrer? A menos que participassem do ato?
Sor Loras endireitou-se rigidamente.
– Não houve nada que pudéssemos fazer.
– A garota diz o mesmo. Ela chora por Renly, tal como você. Garanto-lhe que nunca chorei por Aerys. Brienne é feia e teimosa como um jumento. Mas falta-lhe a esperteza para ser uma mentirosa, e é leal para lá do bom senso. Prestou um juramento de me trazer para Porto Real, e aqui estou eu. Esta mão que perdi... bem, isso foi tanto obra minha como dela. Pesando tudo o que fez para me proteger, não tenho qualquer dúvida de que teria lutado por Renly, se tivesse havido um inimigo com quem lutar. Mas uma sombra? – Jaime sacudiu a cabeça. – Puxe a espada, Sor Loras. Mostre-me como você lutaria com uma sombra. Gostaria de ver isso.
Sor Loras não fez qualquer movimento para se erguer.
– Ela fugiu – disse. – Ela e Catelyn Stark abandonaram-no afogado em sangue e fugiram. Por que haveriam de fugir, se não fosse obra dela? – fitou a mesa. – Renly atribuiu-me a vanguarda. De outro modo teria sido eu a ajudá-lo a envergar a armadura. Ele muitas vezes confiava essa tarefa a mim. Nós tínhamos... tínhamos rezado juntos naquela noite. Deixei-o com ela. Sor Parmen e Sor Emmon guardavam a tenda e Sor Robar Royce também estava lá. Sor Emmon jurou que Brienne tinha... embora...
– Sim? – instou Jaime, detectando uma dúvida.
– O gorjal tinha sido atravessado. Um golpe limpo, através de um gorjal de aço. A armadura de Renly era do melhor, do mais fino aço. Como ela conseguiria fazer aquilo? Eu mesmo tentei, e não foi possível. Ela é anormalmente forte para uma mulher, mas até a Montanha teria precisado de um machado pesado. E por que vestir-lhe a armadura e só depois cortar a garganta dele? – dirigiu a Jaime um olhar confuso. – Mas se não foi ela... como pode ter sido uma sombra?
– Pergunte-lhe. – Jaime tomou uma decisão. – Vá à cela dela. Faça as suas perguntas e escute as respostas que ela der. Se ainda estiver convencido de que Brienne assassinou Lorde Renly, farei com que ela responda por isso. A decisão será sua. Acuse-a ou liberte-a. Tudo que peço é que a julgue com justiça, por sua honra de cavaleiro.
Sor Loras levantou-se.
– Farei isso. Por minha honra.
– Então terminamos.
O homem mais novo dirigiu-se à porta. Mas aí virou-se.
– Renly a achava absurda. Uma mulher vestida de cota de malha de homem, fingindo ser um cavaleiro.
– Se alguma vez a tivesse visto vestindo cetim cor-de-rosa e renda de Myr, não teria se queixado.
– Perguntei-lhe por que a mantinha por perto, se a achava assim tão grotesca. Ele disse que todos os outros cavaleiros queriam coisas dele, castelos, honrarias ou riquezas, mas tudo que Brienne queria era morrer por ele. Quando o vi todo ensanguentado, com ela fugida e os outros três incólumes... se ela for inocente, então Robar e Emmon... – Não parecia ser capaz de articular as palavras.
Jaime não tinha parado para refletir sobre aquele aspecto do assunto.
– Eu teria feito o mesmo, sor. – A mentira chegou-lhe fácil, mas Sor Loras pareceu grato por ouvi-la.
Quando o cavaleiro saiu, o Senhor Comandante sentou-se sozinho na sala branca, cheio de questões. O Cavaleiro das Flores tinha se sentido tão louco de dor por Renly que abatera dois de seus próprios Irmãos Juramentados, mas nunca ocorreu a Jaime fazer o mesmo aos cinco que tinham falhado a Joffrey. Ele era meu filho, meu filho secreto... Que coisa sou eu, se não ergo a mão que me resta para vingar meu próprio sangue e semente? Devia pelo menos matar Sor Boros, só para se ver livre dele.
Olhou para o coto e fez uma careta. Tenho de fazer qualquer coisa a esse respeito. Se o falecido Sor Jacelyn Bywater podia usar uma mão de ferro, ele devia ter uma de ouro. Cersei pode gostar. Uma mão dourada para afagar seus cabelos dourados e apertá-la bem contra mim.
Mas a mão podia esperar. Havia outras coisas a tratar primeiro. Havia outras dívidas a pagar.
SANSA
A escada que levava ao castelo de proa era íngreme e cheia de lascas, por isso Sansa aceitou ajuda de Lothor Brune. Sor Lothor, teve de recordar a si mesma. O homem tinha sido armado cavaleiro pelo valor demonstrado na Batalha da Água Negra. Embora nenhum cavaleiro de verdade usasse aqueles calções marrons remendados e aquelas botas gastas, nem aquele gibão de couro rachado e manchado pela água. Atarracado, com rosto quadrado, nariz amassado e um emaranhado de fortes cabelos grisalhos, Brune raramente falava. Mas é mais forte do que parece. Ela percebeu isso pela facilidade com que a ergueu no ar, como se não pesasse nada.
Para lá da proa do Rei Bacalhau estendia-se uma costa nua e pedregosa, varrida pelo vento, desprovida de árvores e pouco convidativa. Mesmo assim, era uma visão bem-vinda. Havia bastante tempo que vinham se afastando da costa no caminho de volta. A última tempestade tinha-os varrido para longe da vista da terra, e atirara tamanhas ondas contra os lados da galé que Sansa tivera certeza de que iam todos se afogar. Tinha ouvido o velho Oswell dizer que dois homens haviam sido arrastados borda afora e outro caíra do mastro e quebrara o pescoço.
Ela raramente se aventurava até o convés. Sua pequena cabine era úmida e fria, mas Sansa passara a maior parte da viagem doente... doente de terror, doente de febre, ou doente de enjoo... Não conseguia manter nada no estômago e até o sono custava a vir. Sempre que fechava os olhos via Joffrey rasgando o colarinho, arranhando a suave pele da garganta, morrendo com flocos de crosta de torta nos lábios e manchas de vinho no gibão. E os lamentos do vento no cordame faziam-lhe lembrar o terrível e agudo som de sugar que ele tinha feito enquanto lutava para inspirar ar. Às vezes sonhava também com Tyrion.
– Ele não fez nada – tinha dito ao Mindinho quando ele fez uma visita à sua cabine para ver se ela estava se sentindo melhor.
– Ele não matou Joffrey, é verdade, mas as mãos do anão estão longe de estar limpas. Teve uma esposa antes de você, sabia?
– Ele contou-me.
– E ele contou que, quando se cansou dela, deu-a de presente aos guardas do pai? Podia ter feito o mesmo com você, a seu tempo. Não derrame lágrimas pelo Duende, senhora.
O vento fez correr dedos salgados por seus cabelos, e Sansa estremeceu. Até tão perto da costa, o balanço do barco deixava seu estômago indisposto. Precisava desesperadamente de um banho e de uma muda de roupa. Devo parecer tão descomposta como um cadáver, e cheiro a vômito.
Lorde Petyr surgiu a seu lado, alegre como sempre.
– Bom dia. O ar salgado é tonificante, não lhe parece? Aguça-me sempre o apetite. – Rodeou seus ombros com um braço compreensivo. – Está bem? Parece tão pálida.
– É só a minha barriga. O enjoo.
– Um pouco de vinho será bom para isso. Vamos arranjar uma taça para você, assim que estivermos em terra firme. – Petyr apontou para o local onde uma velha torre de pederneira se delineava contra o céu cinzento sem vida, com as ondas se esmagando nas rochas abaixo dela. – Animado, não é? Temo que aqui não haja ancoradouro seguro. Iremos para a terra num bote.
– Aqui? – não queria ir para a terra ali. Tinha ouvido dizer que os Dedos eram um lugar lúgubre, e havia algo de abandonado e desolado na pequena torre. – Não podia ficar no navio até zarparmos para Porto Branco?