Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– O senhor perdeu uma de suas botas?
– Meu caro senhor! – exclamou o dr. Mortimer – isso é apenas um extravio. O senhor a encontrará quando voltar ao hotel. O que adianta incomodar o sr. Holmes com ninharias deste tipo?
– Bem, ele me perguntou sobre qualquer coisa fora da rotina.
– Exatamente – disse Holmes –, por mais tolo que o incidente possa parecer. O senhor perdeu uma bota?
– Bem, ela foi extraviada, de qualquer forma. Pus as duas do lado de fora da minha porta ontem à noite, e havia apenas uma de manhã. Não consegui saber nada do sujeito que as limpa. O pior de tudo é que eu só comprei o par ontem à noite no Strand, e nunca as usei.
– Se o senhor nunca as usou, por que precisava deixá-las do lado de fora para serem limpas?
– Eram botas de couro e nunca foram envernizadas. Foi por isso que as deixei do lado de fora.
– Pelo que entendi, ao chegar a Londres ontem o senhor saiu imediatamente e comprou um par de botas?
– Eu comprei uma porção de coisas. O dr. Mortimer foi comigo. O senhor compreende, se vou ser um proprietário rural lá no sul, devo me vestir de acordo, e talvez eu tenha ficado um pouco descuidado em meus hábitos lá no oeste. Entre outras coisas, comprei estas botas marrons, dei 6 dólares por elas, e uma delas foi roubada antes mesmo de usá-las.
– Parece uma coisa especialmente inútil para se roubar – disse Sherlock Holmes. – Confesso que concordo com o dr. Mortimer e acho que a bota desaparecida será encontrada em pouco tempo.
– E agora, cavalheiros – disse o baronete com decisão –, parece-me que já falei bastante sobre o pouco que sei. É hora de os senhores cumprirem sua promessa e fazerem um relato completo a respeito do caso.
– O seu pedido é muito razoável – respondeu Holmes. – Dr. Mortimer, acho que o senhor deveria contar a sua história como contou para nós.
Assim estimulado, nosso amigo científico tirou seus papéis do bolso e apresentou todo o caso como havia feito na manhã anterior. Sir Henry Baskerville ouviu com a maior atenção, e com algumas exclamações de surpresa.
– Bem, parece que recebi uma herança com uma vingança – ele disse quando a longa narrativa terminou. – Naturalmente, ouvi falar do cão desde que era criança. É a história favorita da família, embora eu nunca pensasse em levá-la a sério antes. Mas, quanto à morte do meu tio, bem, tudo parece estar fervendo na minha cabeça, e ainda não consigo entender direito. O senhor parece não ter decidido se isso é um caso para um policial ou um padre.
– Exatamente.
– E agora há este caso da carta para mim no hotel. Suponho que isso se encaixe no seu lugar.
– Isso parece mostrar que alguém sabe mais do que nós sobre o que acontece no pântano – disse o dr. Mortimer.
– E também – disse Holmes – que alguém não está com más intenções a seu respeito, já que o avisa do perigo.
– Ou talvez ele deseje, para seus próprios objetivos, me afugentar.
– Bem, naturalmente isso é possível também. Estou muito grato, dr. Mortimer, por apresentar-me um problema que oferece várias alternativas interessantes. Mas a questão prática que temos de decidir agora, sir Henry, é se o senhor deve ou não ir para a Mansão Baskerville.
– Por que não deveria ir?
– Parece perigoso.
– O senhor quer dizer perigo por parte deste demônio da família ou quer dizer perigo por parte de seres humanos?
– Bem, é isso que temos de descobrir.
– De qualquer modo, minha resposta é a mesma. Não há nenhum demônio no inferno, sr. Holmes, e não há nenhum homem na terra que possa me impedir de ir para o lar da minha própria gente, e o senhor pode considerar esta como a minha resposta definitiva. – Suas sobrancelhas escuras se uniram e seu rosto se ruborizou enquanto falava. Era evidente que o temperamento ardente dos Baskervilles não estava extinto neste seu último representante. – Enquanto isso – ele disse – mal tive tempo de pensar em tudo que os senhores me contaram. É difícil para um homem ter de compreender e decidir tão depressa. Eu gostaria de passar uma hora tranqüila sozinho para decidir. Bem, olhe aqui, sr. Holmes, são 11:30h agora, e vou voltar diretamente para o meu hotel. O que acha de o senhor e seu amigo, o dr. Watson, aparecerem para almoçar conosco às 14 horas? Poderei dizer-lhe mais claramente então o que acho dessa coisa toda.
– Isso é conveniente para você, Watson?
– Perfeitamente.
– Então os senhores podem nos esperar. Devo chamar um cabriolé?
– Prefiro caminhar, porque este caso me perturbou bastante.
– Irei junto com o senhor, com prazer – disse seu amigo.
– Então vamos nos encontrar novamente às 14 horas. Au revoir, e bom-dia!
Ouvimos os passos dos nossos visitantes descendo a escada e a batida da porta da frente. Num instante, Holmes havia se transformado do sonhador lânguido no homem de ação.
– Seu chapéu e botas, Watson, depressa! Não temos um minuto a perder! – Correu para o seu quarto de roupão e estava de volta alguns segundos depois com uma sobrecasaca. Descemos a escada correndo e saímos. O dr. Mortimer e Baskerville ainda eram visíveis a cerca de 180 metros à nossa frente na direção da Oxford Street.
– Devo ir correndo e fazê-los parar?
– Por nada deste mundo, meu caro Watson. Estou absolutamente satisfeito com a sua companhia, se você tolerar a minha. Nossos amigos são espertos, porque certamente a manhã está muito bonita para uma caminhada.
Ele apressou o passo até que reduzimos à metade a distância que nos separava. Depois, ainda permanecendo 90 metros atrás, entramos na Oxford Street e depois na Regent Street. Os nossos amigos pararam uma vez e olharam para uma vitrina, e Holmes fez a mesma coisa. Um instante depois ele deu um grito de satisfação e, seguindo a direção dos seus olhos ansiosos, vi que um cabriolé com um homem dentro, que havia parado do outro lado da rua, estava agora avançando outra vez lentamente.
– Lá está o nosso homem, Watson! Venha! Daremos uma boa olhada nele, se não pudermos fazer mais nada.
Nesse instante percebi uma barba preta cerrada e um par de olhos penetrantes voltarem-se para nós através da janela lateral do cabriolé. Na mesma hora a portinhola do teto foi erguida, alguma coisa foi gritada para o cocheiro e o cabriolé voou como um louco pela Regent Street. Holmes olhou em volta ansioso à procura de outro, mas não havia nenhum vazio à vista. Depois saiu em perseguição numa corrida louca pelo meio da corrente do tráfego, mas a distância era muito grande e o cabriolé já havia desaparecido.
– Esta agora! – disse Holmes, aborrecido quando saiu, ofegante e pálido de vergonha, do meio da maré de veículos. – Já viu tanta má sorte e tanta incapacidade também? Watson, Watson, se você é um homem honesto, irá registrar isto também e contrapor aos meus êxitos!
– Quem era o homem?
– Não tenho a menor idéia.
– Um espião?
– Bem, era evidente, pelo que ouvimos, que Baskerville foi acompanhado muito de perto por alguém desde que está na cidade. De outro modo, como podiam saber tão depressa que ele escolhera o Hotel Northumberland? Se eles o seguiram no primeiro dia, concluí que o seguiriam também no segundo. Você deve ter observado que fui duas vezes até a janela enquanto o dr. Mortimer estava lendo a sua lenda.
– Sim, lembro-me.
– Eu estava procurando ociosos na rua, mas não vi nenhum. Estamos lidando com um homem esperto, Watson. Esta questão penetra muito fundo, e embora eu ainda não tenha decidido se é uma influência benigna ou maligna que está em contato conosco, estou sempre consciente da sua força e determinação. Quando os nossos amigos saíram, eu os segui imediatamente na esperança de identificar seus acompanhantes invisíveis. Ele foi tão astuto que não se arriscou a seguir a pé, mas tomou um cabriolé a fim de poder esperar escondido ou ultrapassá-los depressa, e assim escapar à atenção deles. O método dele teve a vantagem adicional de, se eles tomassem um cabriolé, ele já estar preparado para segui-los. Mas tem uma desvantagem óbvia.