Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– O senhor vai saber de tudo antes de sair desta sala, sir Henry. Prometo-lhe isso – disse Sherlock Holmes. – No momento, nós nos limitaremos, com a sua permissão, a este documento muito interessante, que deve ter sido montado e posto no correio ontem à noite. Você tem o Times de ontem, Watson?
– Está aqui no canto.
– Por favor, pode me dar a página de dentro, com os editoriais? – Ele deu uma olhada rápida por ela, correndo os olhos pelas colunas. – Artigo principal, este, sobre o livre comércio. Permitam que eu leia um trecho dele.
Vocês podem ser levados a imaginar que o seu próprio ramo especial de comércio ou a sua própria indústria serão estimulados por uma tarifa protecionista, mas é evidente que essa legislação a longo prazo deve manter a riqueza afastada do país, diminuir o valor das nossas importações e piorar as condições gerais de vida nesta ilha.
– O que acha disso, Watson? – exclamou Holmes com grande alegria, esfregando as mãos com satisfação. – Você não acha que esse é um sentimento admirável?
O dr. Mortimer olhou para Holmes com um ar de interesse profissional, e sir Henry Baskerville virou para mim um par de olhos escuros intrigados.
– Eu não entendo muito de tarifas e coisas desse gênero – ele disse – mas parece-me que saímos um pouco do assunto no que diz respeito a esse bilhete.
– Pelo contrário, acho que estamos particularmente quentes na pista, sir Henry. Watson aqui conhece mais a respeito dos meus métodos do que o senhor, mas receio que nem mesmo ele tenha entendido totalmente a importância desta frase.
– Não, confesso que não vejo nenhuma relação.
– E apesar disso, meu caro Watson, há uma relação tão íntima que uma é extraída da outra. “Vocês”, “sua”, “seu”, “vida”, “valor”, “manter afastado”, “da”. Os senhores não vêem agora de onde estas palavras foram tiradas?
– Com os diabos, o senhor tem razão! Ora, se isso não é esperteza! – exclamou sir Henry.
– Se ainda restou alguma dúvida, isso é resolvido pelo fato de que “mantenha-se afastado” e “da” estão cortadas em um pedaço.
– Ora veja, é isso mesmo!
– Realmente, sr. Holmes, isto supera qualquer coisa que eu pudesse ter imaginado – disse o dr. Mortimer, olhando para o meu amigo com assombro. – Posso compreender que alguém dissesse que as palavras foram tiradas de um jornal, mas que o senhor soubesse qual, e ainda acrescentasse que elas vieram do editorial, é realmente uma das coisas mais notáveis que já vi. Como conseguiu isso?
– Presumo, doutor, que o senhor possa distinguir o crânio de um negro do de um esquimó?
– Com toda certeza.
– Mas como?
– Porque esse é o meu passatempo especial. As diferenças são óbvias. A crista supra-orbital, o ângulo facial, a curva do maxilar, a...
– Mas este é o meu passatempo especial, e as diferenças são igualmente óbvias. Para mim, há tanta diferença entre o tipo burguês pesado de um artigo do Times e a impressão desleixada de um vespertino de meio pêni quanto pode haver entre o seu negro e o seu esquimó. A detecção de tipos é um dos ramos mais elementares de conhecimento para o especialista em crimes, embora eu confesse que certa vez, quando era muito moço, confundi o Leeds Mercury com o Western Morning News. Mas um editorial do Times é completamente diferente, e estas palavras não podiam ter sido tiradas de nenhum outro. Como isso foi feito ontem, a probabilidade maior era a de encontrarem as palavras no exemplar de ontem.
– Até onde posso acompanhá-lo então, sr. Holmes – disse sir Henry Baskerville –, alguém cortou esta mensagem com uma tesoura...
– Tesoura de unha – disse Holmes. – O senhor pode ver que era uma tesoura de lâminas muito curtas, já que quem cortou teve de dar duas tesouradas em “manter afastado”.
– Realmente. Alguém, então, cortou a mensagem com uma tesoura de lâmina curta, colocou-a com goma...
– Cola – disse Holmes.
– Com cola sobre o papel. Mas quero saber por que a palavra “pântano” teve de ser escrita à tinta.
– Porque ele não conseguiu encontrá-la impressa. As outras palavras eram todas simples e podiam ser encontradas em qualquer exemplar, mas “pântano” era menos comum.
– Ora, é claro, isso explicaria o fato. O senhor notou mais alguma coisa nessa mensagem, sr. Holmes?
– Há uma ou duas indicações. No entanto, houve o maior cuidado para eliminar todas as pistas. O endereço, o senhor observa, está escrito em letras de fôrma irregulares. Mas o Times é um jornal que raramente é encontrado em mãos de pessoas que não tenham instrução superior. Podemos concluir, portanto, que a carta foi composta por um homem instruído que desejava passar por não instruído, e seu esforço para disfarçar sua própria caligrafia sugere que o senhor pode conhecê-la, ou vir a conhecer. Novamente, o senhor pode observar que as palavras não estão coladas numa linha precisa, mas que algumas estão muito mais altas do que as outras. “Vida”, por exemplo, está completamente fora do seu lugar adequado. Isso pode indicar descuido ou pode indicar agitação e pressa por parte do autor. De modo geral, acho que a última hipótese é mais forte, já que o assunto era evidentemente importante, e é pouco provável que o autor dessa carta fosse descuidado. Se ele estava com pressa, isso suscita a pergunta interessante do motivo da sua pressa, já que qualquer carta postada até o início da manhã chegaria a sir Henry antes que ele saísse do hotel. Será que o autor receava uma interrupção? E de quem?
– Estamos entrando agora no campo das conjecturas – disse o dr. Mortimer.
– Digamos melhor, no campo em que avaliamos as probabilidades e escolhemos as mais prováveis. Isso é o uso científico da imaginação, mas sempre temos alguma base concreta a partir da qual começamos as nossas especulações. Agora, o senhor pode chamar de palpite, sem dúvida, mas tenho quase certeza de que este endereço foi escrito num hotel.
– Como é que o senhor pode dizer isso?
– Se o senhor examiná-lo com cuidado, verá que tanto a caneta como a tinta causaram problemas ao autor. A caneta respingou duas vezes numa única palavra, e secou três vezes num endereço curto, mostrando que havia pouca tinta no tinteiro. Ora, uma caneta ou tinteiro particular raramente chegam a este estado, e a combinação dos dois deve ser bastante rara. Mas o senhor conhece a tinta de hotel e a caneta de hotel, onde é raro conseguir qualquer outra coisa. Sim, posso dizer quase sem hesitação que se conseguíssemos examinar as cestas de papéis dos hotéis em volta de Charing Cross até encontrarmos os restos do editorial recortado do Times, poderíamos pôr as mãos diretamente na pessoa que mandou esta mensagem estranha. Oh! O que é isto?
Ele estava examinando atentamente o papel almaço sobre o qual estavam coladas as palavras, segurando-o apenas a uns 5 centímetros dos olhos.
– Bem?
– Nada – disse ele, largando-o. – É uma meia folha de papel vazia, sem sequer uma marca d’água. Acho que extraímos o máximo que pudemos desta carta curiosa; e agora, sir Henry, aconteceu mais alguma coisa interessante desde que chegou a Londres?
– Bem, não, sr. Holmes. Acho que não.
– O senhor não observou ninguém segui-lo ou vigiá-lo?
– Parece que entrei direto na trama de um romance barato – disse o nosso visitante. – Por que diabo alguém deveria me seguir ou me vigiar?
– Estamos chegando a isso. O senhor não tem mais nada a nos comunicar antes de entrarmos nesta questão?
– Bem, isso depende do que o senhor considere que mereça ser contado.
– Acho que qualquer coisa fora da rotina normal da vida merece ser comunicada.
Sir Henry sorriu.
– Não conheço muita coisa da vida inglesa ainda, porque passei quase todo o meu tempo nos Estados Unidos e no Canadá. Mas espero que perder uma das botas da gente não faça parte da rotina da vida aqui.