A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Estão todos mortos? – perguntou o Meistre Aemon em voz baixa.
– Sim. Donal foi o último. – A espada de Noye estava profundamente enterrada na garganta do gigante, até o meio da lâmina. O armeiro sempre tinha parecido a Jon um homem tão grande, mas preso aos enormes braços do gigante quase parecia uma criança. – O gigante esmagou sua coluna. Não sei quem morreu primeiro. – Pegou a lanterna e aproximou-se para ver melhor. – Mag. – “Eu sou o último dos gigantes.” Sentia a tristeza que havia ali, mas não tinha tempo para tristezas. – Foi Mag, o Poderoso. O rei dos gigantes.
Sentiu então necessidade do sol. Dentro do túnel estava frio e escuro demais, e o fedor do sangue e da morte era sufocante. Jon devolveu a lanterna a Clydas, esgueirou-se em volta dos corpos e através das barras torcidas e caminhou para a luz do dia, para ver o que havia atrás da porta estilhaçada.
A enorme carcaça de um mamute morto bloqueava parcialmente a passagem. Uma das presas do animal prendeu seu manto e rasgou-o quando passou por ele. Mais três gigantes jaziam lá fora, meio enterrados por baixo de pedras, gelo sujo e piche endurecido. Via os locais onde o fogo derretera a Muralha, onde grandes lençóis de gelo tinham se desprendido com o calor e se estilhaçado no chão enegrecido. Ergueu os olhos para o local de onde tinham vindo. Quando estamos aqui, parece imensa, como se estivesse prestes a nos esmagar.
Jon voltou para dentro, para onde os outros aguardavam.
– Temos de reparar o portão exterior o melhor possível e depois bloquear esta seção do túnel. Entulho, montes de gelo, qualquer coisa. Até o segundo portão, se conseguirmos. Sor Winton terá de assumir o comando, é o último cavaleiro que resta, mas tem de agir já, os gigantes estarão de volta antes de percebermos. Temos de lhe dizer...
– Diga-lhe o que quiser – disse Meistre Aemon em voz baixa. – Ele sorrirá, fará um aceno, e esquecerá. Há trinta anos, Sor Wynton Stout esteve a uma dúzia de votos de ser Senhor Comandante. Teria sido dos bons. Há dez anos ainda podia ter sido capaz. Mas não mais. Sabe disso tão bem quanto Donal sabia, Jon.
Era verdade.
– Então dê você a ordem – disse Jon ao meistre. – Passou a vida inteira na Muralha, os homens vão segui-lo. Temos de fechar o portão.
– Eu sou um meistre acorrentado e juramentado. A minha ordem serve, Jon. Nós damos conselhos, não ordens.
– Alguém tem de...
– Você. Você tem de liderar.
– Não.
– Sim, Jon. Não precisa ser por muito tempo. Só até a guarnição retornar. Donal escolheu-o, e Qhorin Meia-Mão também, antes dele. O Senhor Comandante Mormont fez de você o intendente dele. É um filho de Winterfell, sobrinho de Benjen Stark. Tem de ser você, ou não será ninguém. A Muralha é sua, Jon Snow.
ARYA
Sentia o buraco dentro de si todas as manhãs ao acordar. Não era fome, embora às vezes também houvesse isso. Era um lugar oco, um vazio onde o coração estivera, onde os irmãos e os pais tinham vivido. Sua cabeça também doía. Não tanto como a princípio, mas ainda doía bastante. Arya estava habituada a isso, porém, e pelo menos o galo estava desaparecendo. Mas o buraco dentro de si permanecia mesmo assim. O buraco nunca desaparecerá, dizia a si mesma quando ia dormir.
Em algumas manhãs, Arya não queria sequer acordar. Aninhava-se sob o manto com os olhos bem apertados e tentava voltar ao sono pela força da vontade. Se ao menos o Cão de Caça a deixasse em paz, dormiria todo o dia e toda a noite.
E sonhava. Essa era a melhor parte, os sonhos. Sonhava com lobos quase todas as noites. Uma grande alcateia de lobos, ela à frente. Era maior do que todos os outros, mais forte, mais ligeira, mais rápida. Era capaz de correr mais depressa do que cavalos e de vencer leões em luta. Quando arreganhava os dentes, até os homens fugiam dela, nunca tinha a barriga vazia por muito tempo, e o pelo mantinha-a quente mesmo quando o vento soprava frio. E os irmãos e irmãs acompanhavam-na, muitos e muitos mais, ferozes, terríveis e seus. Nunca a abandonariam.
Mas se as suas noites eram cheias de lobos, os dias pertenciam ao cão. Sandor Clegane obrigava-a a se levantar todas as manhãs, quer quisesse quer não. Amaldiçoava-a em sua voz arranhada, ou punha-a bruscamente de pé e sacudia-a. Uma vez tinha despejado um elmo cheio de água fria por cima de sua cabeça. Ela levantou-se repentinamente, cuspindo água e tremendo, e tentou chutá-lo, mas ele limitou-se a rir.
– Seque-se e dê de comer à merda dos cavalos – ele tinha dito, e ela obedeceu.
Agora tinham dois, o Estranho e uma égua palafrém alazã que Arya batizou de Covarde, porque Sandor disse que o animal provavelmente teria fugido das Gêmeas, tal como eles. Tinham-na encontrado vagueando sem cavaleiro pelo campo, na manhã seguinte ao massacre. Era um cavalo bastante bom, mas Arya não era capaz de amar um covarde. Estranho teria lutado. Apesar de tudo, cuidava da égua o melhor que sabia. Era melhor do que seguir montada no mesmo cavalo de Cão de Caça. E Covarde podia ter feito jus ao nome, mas também era jovem e forte. Arya achava que talvez fosse capaz de correr mais depressa do que Estranho, se fosse preciso.
Cão de Caça já não a vigiava tão atentamente como antes. Às vezes não parecia se importar se ela ficava ou se ia embora, e já não a atava num manto à noite. Uma noite, mato-o enquanto dorme, dizia a si mesma, mas não fazia isso. Um dia, vou embora com a Covarde, e ele não conseguirá me pegar, pensava, mas também não fazia isso. Para onde iria? Winterfell estava destruído. O irmão do avô estava em Correrrio, mas não a conhecia, tal como ela não o conhecia. A Senhora Smallwood talvez a acolhesse em Solar de Bolotas, mas talvez não. Além disso, Arya nem sequer tinha certeza de conseguir encontrar o Solar de Bolotas novamente. Às vezes pensava que podia voltar para a estalagem de Sharna, se as cheias não a tivessem levado. Podia ficar com o Torta Quente, ou talvez Lorde Beric a encontrasse ali. Anguy iria ensiná-la a usar um arco, e ela poderia cavalgar com Gendry e ser uma fora da lei, como Wenda, a Cerva Branca das canções.
Mas isso era uma estupidez, como um sonho que Sansa poderia ter. Torta Quente e Gendry tinham-na abandonado assim que puderam, e Lorde Beric e os fora da lei só queriam obter um resgate por ela, assim como o Cão de Caça. Nenhum deles a queria por perto. Nunca foram a minha alcateia, nem sequer o Torta Quente e o Gendry. Fui burra por pensar que sim, uma menininha estúpida, nem de longe uma loba.
Por isso ficava com o Cão de Caça. Viajavam todos os dias, sem nunca dormir duas vezes no mesmo local, evitando vilas, aldeias e castelos o melhor possível. Uma vez tinha perguntado a Sandor Clegane para onde iam.
– Para longe – disse ele. – É tudo o que tem de saber. Agora não vale uma cusparada para mim, e não quero ouvir as suas lamúrias. Devia tê-la deixado correr para aquele maldito castelo.
– Devia mesmo – concordou ela, pensando na mãe.
– Se tivesse feito isso, estaria morta. Devia me agradecer. Devia cantar uma cançãozinha bonita para mim, como a sua irmã fez.
– Também bateu nela com um machado?
– Bati em você com a parte romba do machado, minha cachorra estúpida. Se a tivesse atingido com a lâmina, haveria pedaços de sua cabeça flutuando pelo Ramo Verde abaixo. Agora feche a merda da boca. Se eu tivesse algum juízo, dava você às irmãs silenciosas. Elas cortam a língua das garotas que falam demais.
Não era justo ele dizer aquilo. Tirando aquela vez, Arya quase nem sequer falava. Passavam-se dias inteiros sem que nenhum dos dois proferisse uma única palavra. Ela estava vazia demais para falar, e Cão de Caça tinha ira demais. Arya sentia a fúria nele; via-a em seu rosto, no modo como sua boca se comprimia e torcia, nos olhares que lhe lançava. Sempre que pegava o machado para cortar um pouco de lenha para uma fogueira, enchia-se de uma fúria fria, golpeando violentamente a árvore viva ou morta, ou o galho partido, até ficarem com vinte vezes mais lenha do que necessitavam. Às vezes, ficava tão dolorido e cansado depois de cortar a lenha que se deitava e adormecia sem sequer acender a fogueira. Arya detestava quando isso acontecia, e detestava-o também. Eram essas as noites em que fitava mais intensamente o machado. Parece terrivelmente pesado, mas aposto que seria capaz de brandi-lo. E não o golpearia com a parte romba.