A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Então o sol nascente penetrou por entre as nuvens e arremessou pálidas lanças no quilômetro de terra limpa que se estendia entre a Muralha e o limite da floresta. Em metade de uma noite tinham-na transformado num deserto de grama enegrecida, piche borbulhante, pedra estilhaçada e cadáveres. A carcaça do mamute queimado já começava a atrair corvos. Havia também gigantes mortos no chão, mas atrás deles...
Alguém gemeu à sua esquerda, e ouviu o Septão Cellador dizer:
– Que a Mãe tenha piedade de nós, oh. Oh, oh, oh, que a Mãe tenha piedade de nós.
Sob as árvores estavam todos os selvagens do mundo; corsários e gigantes, wargs e troca-peles, homens das montanhas, marinheiros do mar salgado, canibais do rio de gelo, cavernícolas com o rosto pintado, bigas puxadas por cães vindas da Costa Gelada, homens de Cornopé com suas solas semelhantes a couro fervido, todo o estranho povo selvagem que Mance reunira para quebrar a Muralha. Esta não é a sua terra, Jon quis gritar para eles. Não há lugar para vocês aqui. Vão embora. Conseguia ouvir Tormund Terror dos Gigantes rindo daquilo. “Você não sabe nada, Jon Snow”, teria dito Ygritte. Flexionou a mão da espada, abrindo e fechando os dedos, embora soubesse perfeitamente que as espadas não entrariam em ação ali em cima.
Estava gelado e febril, e de repente o peso do arco foi demasiado. Compreendeu que a batalha com o Magnar não havia sido nada, e a luta da noite, menos que nada, nada mais que uma sonda, um punhal no escuro para tentar apanhá-los desprevenidos. A verdadeira batalha estava começando agora.
– Não sabia que seriam tantos – disse Cetim.
Jon sabia. Já os vira antes, mas não assim, não organizados em ordem de batalha. Durante a marcha, a coluna dos selvagens tinha-se espalhado ao longo de léguas como se fosse um enorme verme, e nunca era vista toda ao mesmo tempo. Agora...
– Aí vêm eles – disse alguém em voz rouca.
Jon viu que mamutes formavam o centro das fileiras dos selvagens, cem ou mais, montados por gigantes armados com malhos e enormes machados de pedra. Mais gigantes corriam ao lado dos animais, puxando um tronco de árvore apoiado em grandes rodas de madeira, com a ponta afiada em bico. Um aríete, pensou friamente. Se o portão ainda resistisse, lá embaixo, alguns beijos daquela coisa em pouco tempo o transformariam em lascas. De ambos os lados dos gigantes vinha uma onda de cavaleiros com couraça de couro fervido e lanças endurecidas pelo fogo, uma massa de arqueiros correndo, centenas de homens com lanças, estilingues, tacapes e escudos de couro. As bigas de osso da Costa Gelada avançavam chocalhando nos flancos, balançando sobre pedras e raízes atrás de parelhas de enormes cães brancos. A fúria da terra bravia, pensou Jon ao ouvir o gemido das gaitas de foles, o ladrar e latir dos cães, o bramido dos mamutes, os assobios e gritos do povo livre, os rugidos dos gigantes no Idioma Antigo. Os tambores ecoavam no gelo como trovões.
Sentia o desespero a toda a volta.
– Devem ser cem mil – gemeu Cetim. – Como poderemos parar tantos?
– A Muralha para-os – Jon ouviu-se dizendo. Virou-se e voltou a dizer isso, mais alto. – A Muralha para-os. A Muralha defende-se. – Palavras ocas, mas precisava dizê-las, quase tanto quanto os irmãos precisavam ouvi-las. – Mance quer nos desencorajar com seus números. Será que acha que somos burros? – estava agora gritando, com a perna esquecida, e todos os homens o escutavam. – As bigas, os cavaleiros, todos aqueles palermas a pé... o que irão fazer conosco aqui em cima? Algum de vocês já viu um mamute escalar uma muralha? – soltou uma gargalhada, e Pyp, Owen e meia dúzia dos outros riram com ele. – Eles não são nada, têm menos utilidade do que os nossos irmãos de palha aqui, não podem chegar até nós, não podem nos fazer mal, e não nos assustam, certo?
– CERTO! – gritou Grenn.
– Eles estão lá embaixo e nós aqui em cima – disse Jon –, e enquanto defendermos o portão não podem passar. Eles não podem passar! – todos já estavam gritando, rugindo de volta suas próprias palavras, brandindo espadas e arcos no ar enquanto as faces se enrubesciam. Jon viu Barricas ali em pé, com um berrante de guerra metido debaixo do braço. – Irmão – disse-lhe –, faça soar o toque de batalha.
Sorrindo, Barricas levou o berrante aos lábios e soprou as duas longas notas que significavam selvagens. Outros berrantes imitaram o chamamento até que a própria Muralha pareceu estremecer e o eco daqueles grandes gemidos guturais afogou todos os outros sons.
– Arqueiros – disse Jon depois de os berrantes se silenciarem –, apontem para os gigantes que trazem o aríete, todos vocês. Disparem às minhas ordens, não antes. OS GIGANTES E O ARÍETE. Quero que chovam flechas sobre eles a cada passo, mas esperaremos até estarem ao alcance. Qualquer homem que desperdiçar uma flecha que seja vai ter de descer a Muralha e ir buscá-la, estão me ouvindo?
– Eu estou – gritou Owen Idiota. – Eu estou ouvindo, Lorde Snow.
Jon riu, riu como um bêbado ou um louco, e seus homens riram com ele. Viu que as bigas e os cavaleiros dos flancos agora estavam bem à frente do centro. Os selvagens ainda não tinham atravessado um terço do quilômetro, mas sua linha de batalha já se dissolvia.
– Carregar o trabuco com estrepes – disse Jon. – Owen, Barricas, virem as catapultas para o centro. Balistas, carregar com lanças incendiárias e disparar às minhas ordens. – Apontou para os rapazes de Vila Toupeira. – Você, você e você, fiquem à espera com archotes.
Os arqueiros selvagens disparavam ao avançar; precipitavam-se para a frente, paravam, disparavam e depois corriam mais dez metros. Eram tantos que o ar estava constantemente cheio de flechas, todas elas em voos lamentavelmente curtos. Um desperdício, pensou Jon. Sua falta de disciplina está se revelando. Os arcos de chifre e madeira do povo livre, menores, tinham um alcance mais reduzido do que os grandes arcos de teixo da Patrulha da Noite, e os selvagens estavam tentando disparar contra homens que se encontravam duzentos metros acima deles.
– Deixem-nos disparar – disse Jon. – Esperar. Aguentar. – Os mantos batiam atrás deles. – Temos o vento na cara, isso irá custar-nos alcance. Esperar. – Mais perto, mais perto. As gaitas de foles gemiam, os tambores trovejavam, as flechas dos selvagens esvoaçavam e caíam.
– PUXAR. – Jon levantou o próprio arco e puxou a flecha até a orelha. Cetim fez o mesmo, e o mesmo fizeram Grenn, Owen Idiota, Bota Extra, Jack Negro Bulwer, Arron e Emrick. Zei levou a besta ao ombro. Jon observava o aríete que se aproximava cada vez mais, com os mamutes e gigantes a acompanhá-lo pesadamente de ambos os lados. Pareciam tão pequenos que Jon poderia esmagar a todos com uma mão. Se ao menos a minha mão fosse suficientemente grande. Começaram a atravessar a extensão coberta de cadáveres. Uma centena de corvos levantou voo da carcaça do mamute morto quando os selvagens passaram trovejando por ela. Mais perto e ainda mais perto até que... – DISPARAR!
As flechas negras silvaram para baixo, como serpentes em asas de penas. Jon não esperou para ver onde caíam. Estendeu a mão para uma segunda flecha assim que a primeira deixou o seu arco.
– ENCAIXAR. PUXAR. DISPARAR. – Assim que a flecha partiu, pegou outra. – ENCAIXAR. PUXAR. DISPARAR. – E outra vez, e depois outra vez. Jon gritou pelo trabuco, e ouviu um rangido e um pesado tum quando uma centena de estrepes de aço cheias de espigões partiram girando pelo ar. – Catapultas – gritou –, balistas. Arqueiros, disparar à vontade. – Flechas dos selvagens atingiam a Muralha, trinta metros abaixo deles. Um segundo gigante girou e cambaleou. Encaixar, puxar, disparar. Um mamute virou de encontro a outro que seguia ao seu lado, derrubando gigantes ao chão. Encaixar, puxar, disparar. Viu que o aríete estava caído e quebrado, com os gigantes que o tinham empurrado mortos ou agonizando. – Flechas incendiárias – gritou. – Quero o aríete queimando. – Os berros dos mamutes feridos e os gritos ressonantes dos gigantes misturavam-se com os tambores e as gaitas, criando uma música horrível, mas seus arqueiros continuavam puxando e disparando, como se todos tivessem se tornado tão surdos quanto o falecido Dick Follard. Podiam ser a escória da ordem, mas eram homens da Patrulha da Noite, ou tão perto disso que não fazia diferença. É por isso que não passarão.