A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– A Senhora Sansa é sua única testemunha?
– Pensarei em outras a seu tempo.
– É melhor que pense nelas já. Os juízes pretendem dar início ao julgamento dentro de três dias.
– Isso é cedo demais. Vocês me têm aqui fechado e guardado, como vou encontrar testemunhas da minha inocência?
– Sua irmã não teve nenhuma dificuldade em encontrar testemunhas da sua culpa. – Sor Kevan enrolou o pergaminho. – Sor Addam tem homens à procura da sua esposa. Varys ofereceu cem veados por notícias sobre o paradeiro dela, e cem dragões pela própria garota. Se ela puder ser encontrada, será, eu vou trazê-la até você. Não vejo mal algum em marido e mulher partilharem a mesma cela e confortarem-se um ao outro.
– É muita bondade sua. Viu o meu escudeiro?
– Enviei-o aqui ontem. Ele não veio?
– Veio – admitiu Tyrion – e depois foi-se.
– Mandarei que venha até você novamente.
Mas demorou até a manhã seguinte para que Podrick Payne voltasse. Entrou hesitantemente no quarto, com o medo escrito no rosto. Bronn vinha atrás. O cavaleiro mercenário vestia um gibão tachonado de prata e um pesado manto de montar, com um par de luvas de couro bem trabalhadas enfiadas no cinto da espada.
Uma olhada no rosto de Bronn deu a Tyrion uma sensação de náusea no fundo do estômago.
– Levou bastante tempo.
– O rapaz suplicou, senão nem tinha vindo. Esperam-me no Castelo Stokeworth para o jantar.
– Stokeworth? – Tyrion saltou da cama. – E, diga-me, o que há para você em Stokeworth?
– Uma noiva. – Bronn sorriu como um lobo contemplando um cordeiro desgarrado. – Deverei casar com Lollys depois de amanhã.
– Lollys. – Perfeito, perfeito como um raio. A filha idiota da Senhora Tanda arranja um cavaleiro como marido, e uma espécie de pai para o bastardo que traz na barriga, e Sor Bronn da Água Negra sobe mais um degrau. Aquilo tinha os dedos fedorentos de Cersei por todo lado. – A cadela da minha irmã vendeu-lhe um cavalo estropiado. A garota é obtusa.
– Se eu quisesse esperteza, tinha-me casado com você.
– Lollys está esperando o filho de outro homem.
– E quando o botar pra fora, deixo-a esperando um meu.
– Ela nem sequer é herdeira de Stokeworth – ressaltou Tyrion. – Tem uma irmã mais velha. Falyse. Uma irmã casada.
– Casada há dez anos, e ainda estéril – disse Bronn. – O senhor seu esposo evita a sua cama. Dizem que prefere virgens.
– Podia preferir cabras, que não faria diferença. As terras passarão para a esposa do mesmo jeito quando a Senhora Tanda morrer.
– A menos que Falyse morra antes da mãe.
Tyrion perguntou a si mesmo se Cersei faria alguma ideia do tipo de serpente que tinha dado à Senhora Tanda para amamentar. E se soubesse, será que se importaria?
– Então por que está aqui?
Bronn encolheu os ombros.
– Uma vez disse-me que se alguém me pedisse para vendê-lo, duplicaria o preço.
Sim.
– O que quer é duas esposas, ou dois castelos?
– Um de cada deve servir. Mas se quiser que mate Sandor Clegane por você, é melhor que seja um castelo absurdamente grande.
Os Sete Reinos estavam cheios de donzelas bem-nascidas, mas até a mais velha, mais pobre e mais feia solteirona do reino recusaria casar-se com escória malnascida como Bronn. A menos que seja fraca de corpo e fraca de espírito, com um filho sem pai na barriga, gerado por ter sido violada meia centena de vezes. A Senhora Tanda andara tão desesperada por achar um marido para Lollys que até perseguira Tyrion durante algum tempo, e isso tinha sido antes de metade de Porto Real desfrutar dela. Sem dúvida Cersei havia adoçado um pouco a oferta, e Bronn agora era um cavaleiro, o que fazia dele um partido adequado para uma filha mais nova de uma casa menor.
– Encontro-me com uma calamitosa escassez tanto de castelos como de donzelas de nascimento elevado, no momento – admitiu Tyrion. – Mas posso oferecer ouro e gratidão, tal como antes.
– Ouro, já tenho. O que é que posso comprar com gratidão?
– Talvez se surpreenda. Um Lannister paga as suas dívidas.
– A sua irmã também é uma Lannister.
– A senhora minha esposa é herdeira de Winterfell. Se eu sair disso com a cabeça ainda sobre os ombros, posso vir um dia a governar o Norte em nome dela. Arranjaria um grande pedaço para você.
– Se e quando e pode ser – disse Bronn. – E lá em cima faz um frio dos Outros. A Lollys é suave, quente e está perto. Posso estar metendo nela daqui a duas noites.
– Não é uma perspectiva que me deliciasse.
– Ah não? – Bronn deu um sorriso. – Admita, Duende. Se o fizessem escolher entre foder a Lollys e lutar com a Montanha, você abaixaria os calções e poria o pau pra fora antes de eu conseguir piscar.
Ele conhece-me bem demais. Tyrion tentou outra estratégia.
– Ouvi dizer que Sor Gregor foi ferido no Ramo Vermelho, e de novo em Valdocaso. Os ferimentos certamente irão torná-lo mais lento.
Bronn pareceu aborrecido.
– Ele nunca foi rápido. Só brutalmente grande e brutalmente forte. Admito que é mais rápido do que seria de esperar para um homem daquele tamanho. Tem um alcance monstruosamente longo e parece que não sente os golpes como um homem normal sentiria.
– Ele assusta-o tanto assim? – perguntou Tyrion, esperando provocá-lo.
– Se não me assustasse, eu seria um perfeito idiota. – Bronn encolheu os ombros. – Pode ser que conseguisse derrotá-lo. Dançar em volta dele até ele ficar tão cansado de tentar me atingir que já não conseguisse erguer a espada. Arranjar alguma maneira de desequilibrá-lo. Quando estão caídos de costas, não importa a altura que têm. Mesmo assim, é um risco. Um tropeção, e estou morto. Por que haveria de arriscar? Gosto bastante de você, por mais feio e pequeno filho da puta que seja... mas se travar a sua batalha, perco seja qual for o resultado. Ou a Montanha arranca minhas tripas, ou o mato e perco Stokeworth. Eu vendo a minha espada, não a dou. Não sou seu irmão.
– Não – disse tristemente Tyrion. – Não é. – Fez um gesto com uma mão. – Então vá embora. Corra para Stokeworth e para a Senhora Lollys. Que encontre mais alegrias na sua cama de homem casado do que eu encontrei na minha.
Bronn hesitou à porta.
– O que vai fazer, Duende?
– Matar Gregor pessoalmente. Não se faria uma alegre canção com isso?
– Espero ouvir cantá-la. – Bronn sorriu uma última vez e saiu do castelo e da sua vida.
Pod arrastou os pés.
– Lamento.
– Por quê? É culpa sua que Bronn seja um patife insolente de coração negro? Ele sempre foi um patife insolente de coração negro. Era isso que me agradava nele. – Tyrion serviu-se de uma taça de vinho e levou-a para o banco de janela. Lá fora o dia estava cinzento e chuvoso, mesmo assim ainda oferecia melhores perspectivas do que as suas. Supunha que podia enviar Podrick Payne em busca de Shagga, mas havia tantos esconderijos nas profundezas da mata do rei que era frequente os fora da lei levarem décadas até serem capturados. E às vezes Pod tinha dificuldade em encontrar as cozinhas quando o mandava lá embaixo buscar queijo. Timett, filho de Timett estava provavelmente de volta às Montanhas da Lua a essa altura. E apesar do que tinha dito a Bronn, enfrentar Sor Gregor Clegane em pessoa seria uma farsa ainda maior do que os anões lutadores de Joffrey. Não pretendia morrer com rajadas de gargalhadas ressoando aos seus ouvidos. E lá se foi o julgamento por combate.
Sor Kevan fez-lhe outra visita mais tarde nesse dia, e mais uma no dia seguinte. O tio informou-o polidamente de que Sansa não havia sido encontrada. E nem o bobo Sor Dontos, que tinha desaparecido na mesma noite. Desejaria Tyrion convocar mais testemunhas? Não desejava. Como vou provar que não envenenei o vinho, quando mil pessoas me viram encher a taça de Joff?