A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Quem é que quer esse rapaz?
Os outros homens de manto dourado estavam desmontando e colocando-se ao lado dos cavalos.
– Por que nós estamos escondidos? – Touro sussurrou.
– Sou eu que eles querem – Arya respondeu, também sussurrando. A orelha dele cheirava a sabão. – Fica quieto.
– É a rainha quem o quer, velho, não que isso te diga respeito – disse o oficial, tirando uma faixa do cinto. – Aqui está, o selo e mandado de Sua Graça.
Atrás da cerca viva, Touro balançou a cabeça, duvidando.
– Por que motivo a rainha haveria de te querer, Arry?
Ela esmurrou seu ombro.
– Fica quieto!
Yoren passou os dedos pela faixa do mandado com a gota de cera dourada.
– Bonito – cuspiu. – Acontece que o rapaz está agora na Patrulha da Noite. O que ele fez lá na cidade não importa mais.
– A rainha não está interessada nas suas opiniões, velho, e eu também não – disse o oficial. – Vou levar o rapaz.
Arya pensou em fugir, mas sabia que não iria longe no seu burro quando os homens de manto dourado tinham cavalos. E estava tão cansada de fugir. Tinha fugido quando Sor Meryn havia ido buscá-la e voltou a fugir quando tinham matado seu pai. Se fosse uma verdadeira dançarina de água, sairia dali com a Agulha na mão, mataria todos, e nunca mais fugiria de ninguém.
– Não vai levar ninguém – Yoren respondeu teimosamente. – Há leis sobre essas coisas.
O homem do manto dourado puxou uma espada curta.
– Aqui está a sua lei.
Yoren olhou para a lâmina:
– Isso não é lei nenhuma, é só uma espada. Acontece que eu também tenho uma.
O oficial sorriu.
– Velho tonto. Eu tenho cinco homens comigo.
Yoren cuspiu.
– Acontece que eu tenho trinta.
O homem de manto dourado soltou uma gargalhada.
– Esses aí? – disse um grandalhão desajeitado com o nariz quebrado. – Quem é o primeiro? – gritou, mostrando o aço.
Tarber puxou uma forquilha de uma pilha de feno.
– Sou eu.
– Não, sou eu – gritou Cutjack, o pedreiro rechonchudo, tirando o martelo do avental de couro que usava sempre.
– Eu – Kurz surgiu com sua faca de esfolar na mão.
– Eu e ele – Koss retesou a corda do seu arco.
– Todos nós – disse Reysen, agarrando o grande bastão de madeira dura em que se apoiava ao caminhar.
Dobber saiu nu da casa de banhos com as roupas numa trouxa, viu o que estava acontecendo e deixou tudo cair, menos a adaga.
– É uma luta? – ele quis saber.
– Parece que sim – disse Torta Quente, caindo de quatro à procura de uma pedra que pudesse atirar. Arya não acreditava no que estava vendo. Odiava Torta Quente! Por que motivo se arriscaria por ela?
O homem do nariz quebrado ainda achava aquilo engraçado.
– Ponham de lado essas pedras e paus, meninas, antes que apanhem. Nenhum de vocês sabe por qual lado se pega numa espada.
– Eu sei! – Arya não os deixaria morrer por ela, como Syrio. Não deixaria! Abrindo caminho através da cerca viva com a Agulha na mão, adotou a pose da dançarina de água.
O de nariz quebrado soltou uma gargalhada roufenha. O oficial olhou-a de cima a baixo.
– Guarde a espada, menininha, ninguém quer machucar você.
– Não sou uma menina! – Arya gritou, furiosa. Qual era o problema deles? Tinham percorrido todo aquele caminho à sua procura, ali estava ela, e limitavam-se a sorrir para ela. – Sou eu quem procuram.
– É a ele que procuramos – o oficial indicou Touro com a espada, que tinha avançado para se colocar ao lado de Arya, com o aço barato de Praed na mão.
Mas foi um erro o oficial tirar os olhos de Yoren, mesmo que por um instante. Foi o tempo que a espada do irmão negro demorou para ser pressionada contra seu pomo de adão.
– Não vai ficar com nenhum deles, a não ser que queira que eu veja se o seu pomo já está maduro. Tenho mais dez ou quinze irmãos naquela estalagem, se ainda precisa ser convencido. Se fosse você, largava esse corta-tripas, botava as bochechas em cima daquele cavalinho gordo e galopava de volta à cidade – Yoren cuspiu, e fez mais pressão com a ponta da espada. – Já.
Os dedos do oficial abriram-se. A espada caiu na poeira.
– Nós ficamos com isso – disse Yoren. – Bom aço sempre faz falta na Muralha.
– Como quiser. Por enquanto. Homens – os homens de manto dourado embainharam as armas e montaram. – É melhor que galope em disparada até essa sua Muralha, velho. Da próxima vez que o apanhar, creio que sua cabeça terá o mesmo destino da do jovem bastardo.
– Homens melhores que você já tentaram.
Yoren bateu na garupa do cavalo do oficial com o lado da espada, fazendo-o desembestar pela estrada do rei afora, enquanto os outros o seguiram.
Quando os perderam de vista, Torta Quente começou a gritar, mas Yoren pareceu mais zangado que nunca.
– Idiota! Acha que estamos livres dele? Da próxima vez, ele não vai se pavonear nem me dar nenhuma faixa maldita. Tirem os outros do banho, temos de ir andando. Cavalgando a noite toda, talvez possamos ficar à frente deles por um tempo – Yoren apanhou a espada que o oficial deixara cair. – Quem quer isto?
– Eu! – Torta Quente berrou.
– Não use no Arry – Yoren entregou a espada ao rapaz, com o cabo para a frente, e dirigiu-se a Arya, mas foi com Touro que falou. – A rainha o quer muito, rapaz.
Arya não entendia nada.
– Por que ele?
Touro olhou bravo para ela.
– E por que iria querer você? Não passa de um ratinho de sarjeta!
– Bom, e você não passa de um garoto bastardo! – ou talvez apenas fingisse ser um rapaz bastardo. – Qual é o seu nome de verdade?
– Gendry – ele respondeu, como se não estivesse muito certo daquilo.
– Não vejo por que alguém haveria de querer algum de vocês – Yoren os interrompeu. – Mas não podem ficar com vocês de qualquer jeito. Montem aqueles dois corcéis. Ao primeiro sinal de um manto dourado, sigam para a Muralha como se um dragão os perseguisse. O resto de nós não têm importância para eles.
– Menos você – Arya o corrigiu. – Aquele homem disse que também queria sua cabeça.
– Bem, quanto a isso, se conseguir arrancá-la dos meus ombros, que faça bom proveito.
Jon
–Sam? – Jon chamou em voz baixa.
O ar tinha cheiro de papel, de pó e dos anos. À sua frente, altas estantes de madeira erguiam-se até desaparecer nas sombras, entulhadas de livros encadernados em couro e caixas de antigos rolos. Um tênue brilho amarelo era filtrado pelas pilhas de livros, vindo de uma lâmpada escondida. Jon apagou com um sopro a vela que trazia, preferindo não correr o risco de uma chama livre no meio de tanto papel velho e seco. E seguiu a luz, ziguezagueando pelas estreitas passagens sob a abóbada cilíndrica do teto. Todo vestido de preto, era uma sombra entre as sombras, com seu cabelo escuro, rosto longo e olhos cinzentos. Luvas negras de pele de toupeira cobriam suas mãos; a direita porque estava queimada, a esquerda porque um homem se sentia meio tolo usando apenas uma luva.
Samwell Tarly estava debruçado sobre uma mesa num nicho esculpido na pedra da parede, iluminado pelo brilho que vinha da lâmpada pendurada sobre sua cabeça. Ergueu o olhar ao ouvir os passos de Jon.
– Passou a noite toda aqui?
– Passei? – Sam pareceu surpreso.
– Não esteve conosco no desjejum, e ninguém dormiu na sua cama.
Rast sugeriu que Sam talvez tivesse desertado, mas Jon nunca acreditou na ideia. A deserção requeria um tipo diferente de coragem, e isso era algo que Sam possuía em quantidade insuficiente.
– Já é de manhã? Aqui embaixo não há como saber.
– Sam, você é um bobo, mas simpático. Vai sentir falta daquela cama quando estivermos dormindo no chão frio e duro, garanto.