A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
Jon não era completamente ignorante em relação à história do reino; seu meistre tinha se assegurado disso.
– Esse foi o ano do Grande Conselho – ele completou. – Os senhores passaram por cima do filho pequeno do Príncipe Aerion e da filha do Príncipe Daeron e deram a coroa a Aegon.
– Sim e não. Primeiro, ofereceram-na, discretamente, a Aemon. E ele, também discretamente, a recusou. Disse-lhes que os deuses queriam que servisse, não que governasse. Que tinha prestado um juramento e não o quebraria, apesar de o próprio Alto Septão ter se oferecido para absolvê-lo. Bem, nenhum homem são queria um pingo do sangue de Aerion no trono, e a filha de Daeron era tola, além de ser mulher. Por isso não tiveram outra escolha que não fosse recorrer ao irmão mais novo de Aemon… Aegon, o Quinto do Seu Nome. Foi chamado de Aegon, o Improvável, nascido quarto filho de um quarto filho. Aemon sabia, e corretamente, que, se ficasse na corte, aqueles a quem o governo do irmão desagradava procurariam usá-lo, por isso veio para a Muralha. E aqui permaneceu, enquanto o irmão, o filho do irmão e o filho deste reinaram e morreram um atrás do outro, até Jaime Lannister pôr fim à linha dos Reis-Dragão.
“Rei”, crocitou o corvo. A ave atravessou o aposento privado e foi pousar no ombro de Mormont. “Rei”, voltou a palrear, pavoneando-se de um lado para outro.
– Ele gosta dessa palavra – Jon sorriu.
– Uma palavra fácil de dizer, e fácil de gostar.
“Rei”, a ave voltou a se manifestar.
– Acho que ele deseja que tenha uma coroa, senhor.
– O reino já tem três reis, e isso são dois a mais para o meu gosto.
Mormont afagou o corvo sob o bico com um dedo, mas os olhos nunca deixaram Jon Snow. Aquilo fez Jon se sentir estranho.
– Senhor, por que me disse isso sobre o Meistre Aemon?
– Preciso ter um motivo? – Mormont mexeu-se na cadeira, franzindo a testa. – Seu irmão Robb foi coroado Rei do Norte. Você e Aemon têm isso em comum. Um rei como irmão.
– E também – Jon completou: – um voto.
O Velho Urso soltou uma sonora bufada, e o corvo levantou voo, batendo as asas em círculo pela sala.
– Dê-me um homem por cada voto que vi quebrado, e a Muralha nunca mais sentirá falta de defensores.
– Sempre soube que Robb seria Senhor de Winterfell.
Mormont soltou um assobio, e a ave voou de novo para ele, instalando-se no seu braço.
– Um senhor é uma coisa, um rei é outra – ele deu ao corvo um punhado de milho tirado do bolso. – Vão vestir seu irmão Robb em sedas, cetins e veludos de cem cores diferentes, enquanto você vive e morre em cota de malha negra. Ele se casará com alguma bela princesa e será pai dos seus filhos. Você não terá esposa, nem segurará nos braços um filho do seu próprio sangue. Robb governará, você servirá. Os homens chamarão você de corvo. Ele, de Vossa Graça. Cantores elogiarão cada coisinha que ele fizer, enquanto os maiores dos seus feitos passarão despercebidos. Diga-me que nada disso o perturba, Jon… e eu chamarei você de mentiroso, e saberei que tenho razão.
Jon endireitou-se, tenso como a corda de um arco.
– E se me perturbar, que posso fazer, bastardo como sou?
– O que você vai fazer? – Mormont o desafiou. – Bastardo como é?
– Ficar perturbado – Jon respondeu. – E respeitar os meus votos.
Catelyn
A coroa do filho ainda estava fresca da forja, e parecia a Catelyn Stark que seu peso pressionava com força a cabeça de Robb.
A antiga coroa dos Reis do inverno tinha sido perdida há três séculos, entregue a Aegon, o Conquistador, quando Torrhen Stark se ajoelhou em submissão. Ninguém saberia dizer o que Aegon fizera dela. O ferreiro de Lorde Hoster fizera bem seu trabalho, e a coroa de Robb parecia-se muito com a descrição da outra nas histórias que eram contadas sobre os reis Stark de antigamente; um anel aberto de bronze martelado, gravado com as runas dos Primeiros Homens, coroado por espigões negros de ferro, forjados em forma de espadas longas. De ouro, prata e pedras preciosas, nada tinha; o bronze e o ferro eram os metais do inverno, escuros e fortes para lutar contra o frio.
Enquanto esperavam no Grande Salão de Correrrio que o prisioneiro fosse trazido até eles, Catelyn viu Robb empurrando a coroa para trás, para que repousasse no espesso esfregão ruivo que era seu cabelo; momentos depois, voltou a puxá-la para a frente; mais tarde, deu um quarto de volta nela, como se isso pudesse fazer com que se assentasse mais facilmente na sua testa. Usar uma coroa não é nada fácil, pensou Catelyn, especialmente para um rapaz de quinze anos.
Quando os guardas trouxeram o cativo, Robb pediu sua espada. Olyvar Frey a ofereceu pelo punho, e o filho de Cat desembainhou-a e a pousou, nua, nos joelhos, uma clara ameaça para que todos vissem.
– Vossa Graça, aqui está o homem que requisitou – anunciou Sor Robin Ryger, capitão da guarda doméstica dos Tully.
– Ajoelhe-se perante o rei, Lannister! – gritou Theon Greyjoy. Sor Robin forçou o prisioneiro a cair de joelhos.
Catelyn refletiu que o homem não parecia um leão. Este Sor Cleos Frey era filho da Senhora Genna, irmã de Lorde Tywin Lannister, mas não possuía nada da afamada beleza dos Lannister, nem o cabelo claro e os olhos verdes. Em vez disso, herdara as viscosas madeixas castanhas, o queixo recuado e o rosto estreito do pai, Sor Emmon Frey, o segundo filho do velho Lorde Walder. Seus olhos eram claros e úmidos, e pareciam não ser capazes de parar de piscar, mas talvez fosse só por causa da luz. As celas sob Correrrio eram escuras e úmidas… E, naqueles dias, cheias de gente.
– Erga-se, Sor Cleos – a voz do filho não era tão gelada como a do pai teria sido, mas também não soava como a de um rapaz de quinze anos. A guerra tinha feito dele um homem antes da hora. A luz da manhã cintilava levemente no gume do aço que tinha sobre os joelhos.
Mas não era a espada que deixava Sor Cleos Frey ansioso; era o animal. Seu filho o tinha chamado Vento Cinzento. Um lobo gigante, tão grande como um cão da raça elkhound, esguio e escuro como fumaça, com olhos que eram como ouro derretido. Quando a fera avançou e farejou o cavaleiro cativo, todos os homens presentes na sala conseguiram sentir o cheiro do medo. Sor Cleos tinha sido capturado durante a batalha do Bosque dos Murmúrios, onde Vento Cinzento rasgou a garganta de meia dúzia de homens.
O cavaleiro levantou-se com dificuldade, afastando-se com tanta rapidez, que alguns dos que assistiam riram alto.
– Obrigado, senhor.
– Vossa Graça – ladrou Lorde Umber, o Grande-Jon, sempre o mais sonoro dos vassalos nortenhos de Robb… e também o mais leal e feroz, ou pelo menos era o que insistia em dizer. Tinha sido o primeiro a proclamar o filho de Catelyn Rei do Norte, e não tolerava nenhuma afronta à honra do seu novo soberano.
– Vossa Graça – corrigiu-se rapidamente Sor Cleos. – Perdão.
Este não é um homem corajoso, pensou Catelyn. Na verdade, mais um Frey do que um Lannister. Com o primo, o Regicida, teria sido bem diferente. Aquela honraria nunca teria passado através dos dentes perfeitos de Jaime Lannister.
– Tirei-o da sua cela para levar uma mensagem minha à sua prima Cersei Lannister, em Porto Real. Viajará sob uma bandeira de paz, com trinta dos meus melhores homens para escoltá-lo.
Sor Cleos ficou visivelmente aliviado.
– Nesse caso, será com grande alegria que levarei a mensagem de Vossa Graça à rainha.
– Compreenda – disse Robb – que não estou lhe oferecendo a liberdade. Seu avô, Lorde Walder, garantiu-me seu apoio e o da Casa Frey. Muitos dos seus primos e tios os acompanharam no Bosque dos Murmúrios, mas o senhor escolheu lutar sob o estandarte do leão. Isso faz de você um Lannister, não um Frey. Quero a sua garantia, pela sua honra como cavaleiro, que depois de entregar minha mensagem retornará com a resposta da rainha e voltará ao cativeiro.