A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– O rapaz tem cerveja na cabeça, é só isso.
– Não tenho nada. Eles não comem bebês…
– Lá pra fora, rapaz… E vê se fica lá até aprender a calar a boca quando os homens estão conversando – Yoren deu-lhe um empurrão firme, na direção da porta lateral que levava de volta aos estábulos. – Vá. E veja se o cavalariço deu água aos cavalos.
Arya saiu, dura de fúria.
– Não comem – resmungou, chutando uma pedra no momento em que saía. A pedra foi rolando, e só parou debaixo das carroças.
– Menino – chamou uma voz amistosa. – Menino adorável.
Um dos homens presos estava falando com ela. Cuidadosamente, Arya aproximou-se da carroça, com uma mão no cabo da Agulha.
O prisioneiro ergueu uma caneca vazia, tilintando as correntes.
– Um homem faria bom proveito de outro gole de cerveja. Um homem tem muita sede quando usa essas pulseiras pesadas.
Era o mais novo dos três, esguio, com traços delicados, sempre a sorrir. Tinha o cabelo vermelho de um lado e branco do outro, todo embaraçado e sujo da cadeia e da viagem.
– Um homem também não se importaria com um banho – ele disse quando viu o modo como Arya o olhava. – Um garoto poderia fazer um amigo.
– Já tenho amigos – ela respondeu.
– Nenhum que eu consiga ver – disse o que não tinha nariz. Era atarracado e troncudo, com umas mãos enormes. Pelos negros cobriam seus braços, pernas, peito e até mesmo as costas. Fazia Arya lembrar-se de um desenho que tinha visto num livro, de um macaco das Ilhas do Verão. O buraco no seu rosto tornava difícil olhá-lo durante muito tempo.
O careca abriu a boca e silvou, como se fosse um imenso lagarto branco. Quando Arya vacilou para trás, sobressaltada, ele abriu a boca e sacudiu a língua na sua direção, mas aquilo era mais um coto que uma língua.
– Para com isso! – ela exclamou.
– Um homem não escolhe os companheiros nas celas negras – disse o bonito, com o cabelo vermelho e branco. Qualquer coisa no jeito como falava lembrou-lhe Syrio; era o mesmo, mas ao mesmo tempo diferente. – Estes dois não têm educação. Um homem tem de pedir perdão. Chamam você de Arry, não é verdade?
– Cabeça de Caroço – disse o que não tinha nariz. – Cabeça de Caroço, Cara de Caroço, Rapaz Pau. Toma cuidado, Lorath, que ele bate em você com o pau.
– Um homem tem de sentir vergonha das companhias que tem, Arry – voltou a falar o bonito. – Este homem tem a honra de ser Jaqen H’ghar, antigamente habitante da Cidade Livre de Lorath. Bem que gostaria de estar em casa. Os malcriados companheiros de cativeiro deste homem chamam-se Rorge – indicou com a caneca o homem sem nariz – e Dentadas – Dentadas voltou a silvar para ela, mostrando uma boca cheia de dentes amarelos, limados até ficar pontiagudos. – Um homem tem de ter algum nome, não é? O Dentadas não pode falar, e nem sabe escrever, mas seus dentes são muito afiados, e por isso um homem o chama de Dentadas, e ele sorri. Está encantado?
Arya afastou-se da carroça.
– Não – eles não podem me fazer mal, disse a si mesma, estão todos acorrentados.
Ele virou a caneca ao contrário.
– Um homem tem de lamentar.
Rorge, o que não tinha nariz, atirou a caneca nela com uma praga. As algemas o atrapalhavam, mas mesmo assim a teria acertado em cheio na cabeça com a pesada caneca de estanho se Arya não tivesse saltado para o lado.
– Traga-nos cerveja, seu bolha. Já!
– Cala boca! – Arya tentou imaginar o que Syrio teria feito. Puxou a espada de treino, de madeira.
– Chegue perto – disse Rorge –, e eu enfio esse pau pelo seu rabo acima, até ver você sangrar.
O medo golpeia mais profundamente do que as espadas. Arya obrigou-se a se aproximar da carroça. Cada passo era mais difícil que o anterior. Feroz como um glutão, calma como águas paradas. As palavras cantavam na sua cabeça. Syrio não teria medo.
Estava quase perto o suficiente para tocar a roda, quando Dentadas se pôs em pé de um salto, e tentou agarrá-la, fazendo os ferros tinir e chocalhar. As algemas cortaram seu movimento a quinze centímetros da cara dela. O homem silvou.
Arya o atingiu. Com força, bem entre seus pequenos olhos.
Gritando, Dentadas cambaleou para trás e depois atirou todo seu peso contra as correntes. Os aros deslizaram, torceram-se e se retesaram, e Arya ouviu o ranger de madeira velha e seca quando os grandes anéis de ferro forçaram as pranchas do chão da carroça. Enormes mãos brancas tentaram agarrá-la, enquanto veias se projetavam ao longo dos braços de Dentadas, mas os grilhões aguentaram, e, por fim, o homem caiu para trás. Escorria sangue das feridas úmidas que tinha no rosto.
– Um rapaz tem mais coragem do que bom-senso – observou aquele que tinha se identificado como Jaqen H’ghar.
Arya afastou-se da carroça, andando de costas. Quando sentiu uma mão no ombro, rodopiou, voltando a erguer a espada de pau, mas era apenas Touro.
– O que você está fazendo?
Ele ergueu as mãos em defesa.
– Yoren disse que nenhum de nós devia se aproximar daqueles três.
– Eles não me assustam – ela respondeu.
– Então você é estúpido, porque eles me assustam – a mão de Touro caiu sobre o punho da espada, e Rorge desatou a rir. – Vamos sair de perto deles.
Arya o seguiu, arrastando os pés pelo chão, e deixou que Touro a conduzisse ao redor da estalagem até a parte da frente. O riso de Rorge e os silvos do Dentadas seguiram-nos.
– Quer lutar? – Arya perguntou a Touro. Queria bater em qualquer coisa.
Ele olhou para ela, piscando, surpreso. Madeixas de espesso cabelo negro, ainda úmido do banho, caíam sobre seus olhos profundamente azuis.
– Eu machucaria você.
– Não machucaria nada.
– Você não conhece a minha força.
– Você não conhece a minha rapidez.
– Está pedindo, Arry – ele puxou a espada de Praed. – Isto é aço barato, mas é uma espada verdadeira.
Arya desembainhou Agulha.
– Esta é de bom aço, e por isso é mais verdadeira do que a sua.
Touro balançou a cabeça:
– Promete que não chora se eu te ferir?
– Prometo, se você também prometer – Arya virou-se de lado, adotando a pose de dançarina de água, mas Touro não se mexeu. Estava olhando para qualquer coisa atrás dela. – Que foi?
– Homens de manto dourado – ele fechou a cara.
Não pode ser, Arya pensou, mas, quando olhou para trás, viu os homens cavalgando pela estrada do rei, seis, usando a cota de malha negra e os mantos dourados da Patrulha da Cidade. Um deles era um oficial, usava uma placa peitoral esmaltada preta, ornamentada com quatro discos dourados. Pararam os cavalos em frente à estalagem. Olha com os olhos, pareceu sussurrar-lhe a voz de Syrio. Seus olhos viram espuma branca debaixo das selas; os cavalos tinham corrido durante muito tempo, e duramente. Calma como águas paradas, pegou Touro pelo braço e o puxou para trás de uma cerca viva alta e florida.
– O que é isso? – ele perguntou. – O que está fazendo? Me larga.
– Silencioso como uma sombra – ela sussurrou, puxando-o para baixo.
Alguns dos outros a cargo de Yoren estavam sentados em frente à casa de banhos, esperando sua vez de entrar numa tina.
– Vocês, homens – gritou um dos de manto dourado. – São os que partiram para vestir o negro?
– Talvez sejamos – foi a resposta cautelosa.
– Preferíamos nos juntar a vocês, rapazes – disse o velho Reysen. – Ouvimos dizer que faz frio naquela Muralha.
O oficial de manto dourado desmontou.
– Tenho um mandado a respeito de um certo rapaz…
Yoren saiu da estalagem, afagando sua emaranhada barba negra.