Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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– Não pense que pode me intimidar – disse ele, erguendo-se. – Tenho apenas que levantar a voz e poderia chamar meus criados, e você seria presa. Mas darei um desconto pela sua raiva natural. Saia imediatamente por onde veio e não direi mais nada.
A mulher continuou parada com a mão enfiada no decote e o mesmo sorriso sinistro em seus lábios delicados.
– Não arruinará mais vidas como arruinou a minha. Não torturará mais corações como torturou o meu. Livrarei o mundo de uma coisa venenosa. Tome isto, seu cachorro – e isto! – e isto! – e isto!
Tirara um pequeno revólver brilhante e esvaziou cartucho após cartucho no corpo de Milverton, o cano a menos de 60 centímetros da camisa dele. Ele se curvou e depois caiu sobre a mesa, tossindo furiosamente e se debatendo em meio aos papéis. Depois ficou de pé, recebeu outro tiro e rolou no chão. – Você me pegou! – exclamou, e ficou imóvel. A mulher olhou para ele com atenção e enfiou o salto do sapato no rosto virado para cima. Olhou de novo, mas não havia nenhum som ou movimento. Ouvi um barulho áspero, o ar da noite soprou dentro da sala aquecida e a vingadora foi embora.
Nenhuma interferência de nossa parte poderia ter salvo o homem desta sina, mas quando a mulher descarregou bala após bala no corpo trêmulo de Milverton, estive a ponto de sair, e senti o aperto frio e forte de Holmes no meu pulso. Compreendi todo o argumento daquela pressão firme que me conteve – não era assunto nosso, a justiça alcançara um vilão, que tínhamos nossos próprios deveres e objetivos, que não deveríamos perder de vista. Mas a mulher tinha acabado de sair correndo da sala quando Holmes, com passos rápidos e silenciosos, chegou à outra porta. Girou a chave na fechadura. No mesmo instante ouvimos vozes
na casa e o som de passos apressados. Os tiros de revólver tinham acordado todos na casa. Com absoluta frieza, Holmes deslizou até o cofre, encheu os braços com maços de cartas e os jogou no fogo. Fez isso outra vez e outra vez, até que o cofre ficasse vazio. Alguém mexeu na maçaneta e bateu do lado de fora da porta. Holmes olhou em volta com rapidez. A carta que havia sido a mensageira da morte para Milverton estava sobre a mesa, salpicada com o sangue dele. Holmes atirou-a entre os papéis em chamas. Depois tirou a chave da porta externa, passou comigo por ela e a trancou por fora. – Por aqui, Watson – disse –, podemos escalar o muro do jardim nesta direção.
Eu não podia acreditar que um alarme se espalhasse tão rapidamente. Olhando para trás, a enorme casa parecia uma única luz. A porta da frente estava aberta e pessoas corriam pelo caminho. O jardim inteiro estava cheio de gente, e um sujeito deu um grito quando saímos da varanda e corremos a toda. Holmes parecia conhecer perfeitamente o terreno, e avançou depressa por entre uma plantação de arbustos, eu colado nele, e nosso perseguidor mais próximo bem atrás de nós. Um muro de quase 2 metros de altura barrava o nosso caminho, mas ele pulou para o topo, e daí para o outro lado. Ao fazer o mesmo, senti a mão do homem atrás de mim agarrar meu tornozelo, mas me livrei e pulei sobre uma crista coberta de musgo. Caí de cara entre alguns arbustos, mas Holmes me pôs de pé num instante, e juntos corremos pela grande extensão do campo de Hampstead. Tínhamos corrido quase 3 quilômetros, eu suponho, até que Holmes finalmente parou e ficou escutando atentamente. Atrás de nós tudo era silêncio absoluto. Despistáramos nossos perseguidores e estávamos seguros.
Tínhamos tomado nosso café-da-manhã e estávamos fumando nosso cachimbo matutino, no dia seguinte à incrível experiência que relatei, quando o sr. Lestrade, da Scotland Yard, muito solene, foi conduzido até a nossa modesta sala de estar.
– Bom-dia, sr. Holmes – disse – bom-dia. Posso lhe perguntar se está muito ocupado agora?
– Não tão ocupado que não possa escutá-lo.
– Pensei que, talvez, se não tiver nada especial no momento, pudesse nos ajudar num caso extraordinário ocorrido a noite passada em Hampstead.
– Pobre de mim! – disse Holmes. – O que foi?
– Um assassinato – o assassinato mais dramático e incrível. Sei o quanto se interessa por essas coisas, e consideraria um grande favor se fosse a Appledore Towers e nos ajudasse com o seu conselho. Não é um crime comum. Estávamos de olho nesse sr. Milverton já há algum tempo, e cá entre nós, era meio vilão. Sabe-se que tinha em seu poder papéis que usava para fazer chantagens. Todos esses papéis foram queimados pelos assassinos. Nenhum objeto de valor foi levado, e é provável que os criminosos fossem homens de boa posição, cujo único objetivo seria o de evitar um escândalo público.
– Criminosos? – perguntou Holmes. – Plural?
– Sim, eram dois. Quase foram apanhados em flagrante. Temos as pegadas deles, a descrição deles, aposto dez contra um como os encontraremos. O primeiro era um sujeito muito veloz, mas o segundo foi pego pelo ajudante de jardineiro, e só conseguiu fugir após uma luta. Era um homem de altura média e forte – maxilar quadrado, pescoço grosso, bigode e uma máscara sobre os olhos.
– É muito vago – disse Sherlock Holmes. – Ora, poderia ser a descrição de Watson!
– É verdade – disse o inspetor, confuso. – Poderia ser a descrição de Watson.
– Bem, receio não poder ajudá-lo, Lestrade – disse Holmes. – O fato é que conhecia esse sujeito, Milverton, eu o considerava um dos homens mais perigosos de Londres, e acho que em certos crimes a lei não pode intervir e, portanto, até certo ponto, justificam uma vingança particular. Não, não adianta discutir. Já me decidi. Minhas simpatias estão mais com os criminosos do que com a vítima, e não pegarei este caso.
Holmes não me dissera uma só palavra sobre a tragédia que testemunhamos, mas notei a manhã inteira que estava muito pensativo, e me deu a impressão, pelos seus olhos vagos e o jeito abstraído, de um homem que se esforça para relembrar algo. Estávamos no meio do nosso almoço quando ele se levantou de repente. – Por Deus, Watson, descobri! – exclamou. – Pegue seu chapéu! Venha comigo! – Correu o mais depressa que pôde pela Baker Street e ao longo da Oxford Street, até quase chegarmos ao Regent Circus. Ali, do lado esquerdo, há uma vitrine cheia de retratos das celebridades e beldades do dia. Os olhos de Holmes se fixaram em um deles, e, seguindo seu olhar, vi o retrato de uma dama régia e majestosa, em trajes da Corte, com uma grande tiara de diamantes sobre a nobre cabeça. Olhei para o nariz curvo e delicado, para as sobrancelhas bem delineadas, a boca reta e o pequenino queixo resoluto. Então prendi a respiração ao ler o venerável título do grande nobre e homem de estado de quem ela fora esposa. Meus olhos encontraram-se com os de Holmes, que pôs o dedo nos lábios enquanto nos afastávamos da vitrine.
a aventura dos seis napoleões
Não era raro que o sr. Lestrade, da Scotland Yard, aparecesse para nos visitar à noite, e Sherlock Holmes gostava dessas visitas, pois lhe permitiam saber tudo o que acontecia na chefatura de polícia. Em troca das notícias que Lestrade trazia, Holmes estava sempre disposto a ouvir com atenção os detalhes de algum caso em que o detetive estivesse envolvido e, ocasionalmente, era capaz, sem qualquer interferência ativa, de dar uma idéia ou sugestão extraída de sua vasta experiência e do seu conhecimento.
Nesta noite em particular, Lestrade falara do tempo e dos jornais. Depois ficou em silêncio, pensativo, dando baforadas no seu charuto. Holmes olhou atentamente para ele.
– Algo notável no momento? – perguntou.
– Oh, não, sr. Holmes, nada muito especial.
– Então me fale sobre isso.
Lestrade sorriu.
– Bem, sr. Holmes, é inútil negar que há algo em minha mente. Mas é um negócio tão absurdo que hesitei em incomodá-lo com isso. Por outro lado, embora seja banal, é sem dúvida interessante, e sei que gosta de tudo que seja fora do comum. Mas, na minha opinião, fica mais na linha do dr. Watson do que na nossa.