A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Receio que seja eu o intruso, Lorde Varys – disse com uma cortesia forçada. – Quando entrei, estavam no meio de algo muito divertido.
– O senhor Varys elogiou Chella pelas orelhas e disse que deve ter matado muitos homens para ter um colar tão bonito – Shae explicou. Tyrion ficou irritado ao ouvi-la chamar Varys de senhor naquele tom; era como o chamava entre os travesseiros. – E Chella disse que só covardes matam os vencidos.
– É mais valente deixar o homem vivo, com chance de lavar a humilhação se reconquistar a orelha – explicou Chella, uma pequena mulher escura, cujo macabro colar pendia sob o peso de nada menos que quarenta e seis orelhas secas e enrugadas. Tyrion contara-as uma vez. – Só assim pode provar que não teme os seus inimigos.
Shae soltou uma gargalhada.
– E, então, o senhor diz que se fosse um Orelha Negra nunca dormiria, por causa dos sonhos com homens sem uma orelha.
– Um problema que eu nunca precisarei encarar – Tyrion retrucou. – Os meus inimigos me aterrorizam, portanto mato todos.
Varys soltou um risinho.
– Toma um pouco de vinho conosco, senhor?
– Tomo um pouco de vinho.
Tyrion sentou-se ao lado de Shae. Compreendia o que estava acontecendo ali, ainda que Chella e a moça não. Varys entregava uma mensagem. Quando disse: Fui tomado por uma súbita vontade de conhecer sua jovem senhora, quis na verdade dizer: Tentou escondê-la, mas eu sabia onde ela estava e quem era, e aqui estou. Perguntou-se quem o teria traído. O estalajadeiro, o cavalariço, um guarda no portão… Ou algum dos seus?
– Gosto sempre de voltar à cidade pelo Portão dos Deuses – disse Varys a Shae, enquanto enchia as taças de vinho. – As esculturas na guarita são magníficas, fazem-me chorar sempre que as vejo. Os olhos… tão expressivos, não acha? Quase parecem nos seguir quando passamos por baixo da porta levadiça.
– Nunca reparei, senhor – Shae respondeu. – De manhã volto a olhar, se quiser.
Não se incomode, querida, Tyrion pensou, girando o vinho na taça. Ele não está nem aí para esculturas. Os olhos de que se orgulha são os dele. O que quer dizer é que ele estava observando, que soube que estávamos aqui no momento em que atravessamos o portão.
– Tenha cuidado, menina – advertiu Varys. – Porto Real não está totalmente seguro nos dias que correm. Conheço bem estas ruas, e, no entanto, quase tive medo de vir hoje até aqui, só e desarmado como estou. Há homens sem lei por todo lado nesses tempos escuros, ah, sim. Homens com aço frio e corações mais frios ainda – onde eu posso ir só e desarmado, outros podem ir com espadas nas mãos, ele estava dizendo.
Shae limitou-se a rir.
– Se tentarem me incomodar, ficarão com uma orelha a menos quando Chella botá-los para correr.
Varys riu como se aquilo fosse a coisa mais divertida que já tivesse ouvido, mas não havia riso nos seus olhos quando os virou para Tyrion.
– Sua jovem senhora tem um jeitinho tão agradável. Se fosse você, tomaria conta dela muito bem.
– É o que pretendo fazer. Qualquer homem que tente machucá-la… Bem, eu sou pequeno demais para ser um Orelha Negra, e não me considero valente – vê? Falo a mesma língua que você, eunuco. Se lhe fizer mal, sua cabeça será minha.
– Vou deixá-lo – Varys se levantou. – Sei como deve estar cansado. Só quis lhe dar as boas-vindas, senhor, e dizer como me sinto feliz pela sua chegada. Precisamos demais de você no conselho. Viu o cometa?
– Eu sou baixo, mas não cego – Tyrion devolveu.
Na estrada do rei, parecia cobrir metade do céu, superando em brilho o crescente da lua.
– Nas ruas é chamado de Mensageiro Vermelho – Varys continuou. – Dizem que chegou como um arauto perante um rei, a fim de prevenir do sangue e fogo que estão para vir – o eunuco esfregou as mãos empoadas. – Posso deixá-lo com um pequeno enigma, Lorde Tyrion? – não esperou resposta. – Numa sala estão sentados três grandes homens, um rei, um sacerdote e um homem rico com o seu ouro. Entre eles está um mercenário, um homem pequeno, de nascimento comum e sem grande inteligência. Cada um dos grandes pede a ele para matar os outros dois. “Faça isso”, diz o rei, “pois eu sou seu governante por direito”. “Faça isso”, diz o sacerdote, “pois estou ordenando em nome dos deuses”. “Faça isso”, diz o rico, “e todo este ouro será seu”. Agora, diga-me: Quem sobrevive e quem morre?
Com uma profunda reverência, o eunuco apressou-se em sair da sala comum, os pés com chinelos macios.
Depois de ele sair, Chella fungou, e Shae franziu seu lindo rosto.
– O rico sobrevive, não é?
Tyrion bebericou o vinho, pensativo.
– Talvez. Ou talvez não. Parece que dependeria do mercenário – ele pousou a taça. – Anda, vamos para cima.
Ela teve de esperá-lo no topo da escada, pois tinha pernas magras e flexíveis, ao passo que as dele eram curtas, deformadas e cheias de dores. Mas sorria quando Tyrion a alcançou.
– Sentiu a minha falta? – ela brincou quando pegou a mão dele.
– Desesperadamente – admitiu Tyrion. Shae tinha pouco mais de um metro e meio, e mesmo assim ele era obrigado a olhar para cima… Mas, no caso dela, descobriu que não se importava. Era um motivo lindo para se erguer o olhar.
– Vai sentir a minha falta durante todo o tempo que passar na sua Fortaleza Vermelha – ela disse enquanto o levava para o quarto. – Sozinho, na sua cama fria, na sua Torre da Mão.
– É bem verdade.
Tyrion teria levado Shae junto de bom grado, mas o senhor seu pai o proibira. Não vai levar a prostituta para a corte, ordenara Lorde Tywin. Trazê-la para a cidade era o máximo de desafio que ousava. Toda sua autoridade derivava do pai, e a moça teria de compreendê-lo.
– Não estará longe – prometeu. – Terá uma casa, com guardas e criados, e visitarei você tantas vezes quantas conseguir.
Shae fechou a porta com um chute. Através da moldura enevoada da estreita janela, conseguia ver o Grande Septo de Baelor coroando a Colina de Visenya, mas Tyrion estava distraído por uma vista diferente. Dobrando-se, Shae pegou o vestido pela bainha, despiu-o pela cabeça e o atirou para o lado. Não acreditava em roupa de baixo.
– Nunca vai conseguir descansar – ela disse, em pé, à sua frente, cor-de-rosa, nua e adorável, com uma mão apoiada no quadril. – Vai pensar em mim sempre que for para a cama. Depois, ficará duro, e não terá ninguém para ajudá-lo, e nunca será capaz de dormir, a não ser que… – e sorriu aquele sorriso malicioso de que Tyrion tanto gostava. – É por isso que a chamam de Torre da Mão, senhor?
– Cale a boca e me beije – ele ordenou.
Saboreou o vinho nos seus lábios e sentiu aqueles pequenos seios apertados contra ele, enquanto as mãos dela desciam até o cordão dos seus calções.
– Meu leão – Shae sussurrou quando ele interrompeu o beijo para se despir. – Meu querido senhor, meu gigante de Lannister.
Tyrion empurrou-a sobre a cama. Quando a penetrou, ela gritou alto o suficiente para acordar Baelor, o Abençoado, na sepultura, e as unhas deixaram marcas nas costas dele. Ele nunca sentira uma dor de que gostasse tanto.
Idiota, disse depois a si mesmo, enquanto descansavam no meio do colchão afundado, entre lençóis amarrotados. Nunca aprenderá, anão? Ela é uma prostituta, maldito seja, é o seu dinheiro que ama, não o seu pau. Lembra de Tysha? Mas quando seus dedos roçaram levemente por um mamilo, este endureceu, e Tyrion viu seu seio marcado onde a mordera durante o ato.
– Então, o que vai fazer senhor, agora que é a Mão do Rei? – Shae perguntou, enquanto ele enchia a mão com aquela carne quente e adorável.