A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
Fora da sala do conselho, Tyrion fez um aceno de cabeça a Sor Mandon e seguiu pelo longo átrio abobadado. Bronn pôs-se a seu lado. De Timett, filho de Timett, não havia sinal.
– Onde está a nossa Mão Vermelha? – Tyrion perguntou.
– Sentiu vontade de explorar. Não é o tipo de homem feito para esperar em salões.
– Espero que não mate ninguém importante.
Os homens dos clãs que Tyrion havia trazido dos seus baluartes nas Montanhas da Lua eram leais, à sua maneira feroz, mas também orgulhosos e brigões, dados a responder com aço a insultos, reais ou imaginários.
– Tente encontrá-lo. E, enquanto isso, certifique-se de que os outros foram aquartelados e alimentados. Quero-os na caserna sob a Torre da Mão, mas não deixe que o intendente instale os Corvos de Pedra perto dos Irmãos da Lua, e diga-lhe que os Homens Queimados precisam ter um salão somente para si.
– Onde você estará?
– Vou voltar para a Bigorna Quebrada.
Bronn exibiu um sorriso insolente.
– Precisa de escolta? Segundo se diz, as ruas estão perigosas.
– Chamarei o capitão da guarda doméstica da minha irmã e vou lembrá-lo de que sou tão Lannister quanto ela. Ele tem de se lembrar de que prestou juramento a Rochedo Casterly, e não a Cersei ou a Joffrey.
Uma hora mais tarde, Tyrion saía da Fortaleza Vermelha acompanhado por uma dúzia de guardas Lannister usando mantos carmesim e meios-elmos com leões em cima. Quando passaram por baixo da porta levadiça, ele reparou nas cabeças espetadas no topo das muralhas. Negras de podridão e alcatrão, já tinham se tornado irreconhecíveis há muito tempo.
– Capitão Vylarr – Tyrion chamou –, quero aquilo tirado dali de manhã. Entregue-as às irmãs silenciosas para que as limpem.
Supunha que seria um inferno fazê-las corresponder aos corpos, mas isso tinha de ser feito. Mesmo no meio de uma guerra, uma certa decência tinha de ser mantida.
Vylarr mostrou-se hesitante.
– Sua Graça disse-nos que deseja que as cabeças dos traidores permaneçam nas muralhas até encher aqueles três últimos espigões que estão ali, na ponta.
– Deixe-me adivinhar. Um é para Robb Stark, e os outros para os Lordes Stannis e Renly. Estou certo?
– Sim, senhor.
– Meu sobrinho fez hoje treze anos, Vylarr. Tente se lembrar disso. Quero aquelas cabeças tiradas dali de manhã; caso contrário, um daqueles espigões poderá ter um inquilino diferente. Compreende aonde quero chegar, capitão?
– Vou me assegurar pessoalmente de que sejam tiradas, senhor.
– Ótimo – Tyrion encostou os calcanhares no cavalo e afastou-se a trote, obrigando os homens de manto vermelho a segui-lo o melhor que pudessem.
Tinha dito a Cersei que pretendia tomar o pulso da cidade. Não era uma mentira completa. Tyrion Lannister não ficou satisfeito com muito do que viu. As ruas de Porto Real sempre tinham sido lugares apinhados, desagradáveis e ruidosos, mas agora fediam a perigo, de um modo que ele não recordava de visitas anteriores. Um cadáver nu estava estatelado na sarjeta perto da Rua dos Teares, e era devorado por uma matilha de cães ferozes, mas ninguém parecia se importar. A patrulha estava bem evidente, deslocando-se aos pares pelas vielas, com seu manto dourado e camisas de cota de malha negra, as mãos sempre perto dos porretes. Os mercados encontravam-se repletos de homens esfarrapados, que vendiam os bens das suas casas por qualquer preço que conseguissem alcançar… e notoriamente vazios de fazendeiros vendendo alimentos. Os poucos produtos que via eram três vezes mais caros do que tinham sido um ano antes. Um vendedor ambulante anunciava ratazanas assadas no espeto. “Ratazanas frescas”, gritava o homem sonoramente, “ratazanas frescas”. Não restavam dúvidas de que ratazanas frescas eram preferíveis a velhas ratazanas fedidas e podres. O que era assustador era que as ratazanas pareciam mais apetitosas do que a maior parte daquilo que os açougueiros vendiam. Na Rua da Farinha, Tyrion viu guardas porta sim porta não. Quando as vacas estão magras, até os padeiros acham mercenários mais baratos do que pão, refletiu.
– Não há comida chegando à cidade, não é? – disse a Vylarr.
– Muito pouca – admitiu o capitão. – Com a guerra nas terras fluviais e Lorde Renly recrutando rebeldes em Jardim de Cima, as estradas estão fechadas para sul e para oeste.
– E o que fez minha boa irmã quanto a isso?
– Está tomando medidas para restaurar a paz do rei – assegurou-lhe Vylarr. –Lorde Slynt triplicou o tamanho da Patrulha da Cidade, e a rainha pôs mil artesãos para trabalhar nas nossas defesas. Os pedreiros estão reforçando as muralhas, os carpinteiros constroem balistas e catapultas às centenas, fabricantes de flechas as produzem, ferreiros forjam lâminas e a Guilda dos Alquimistas prometeu dez mil frascos de fogovivo.
Tyrion remexeu-se desconfortavelmente na sela. Agradava-lhe ver que Cersei não tinha ficado de braços cruzados, mas o fogovivo era um material traiçoeiro, e dez mil frascos eram o suficiente para transformar Porto Real inteiro em brasas.
– Onde minha irmã achou dinheiro para pagar por tudo isso?
Não era segredo para ninguém que Rei Robert deixara a coroa muito endividada, e os alquimistas não costumavam ser confundidos com altruístas.
– Lorde Mindinho sempre acha uma maneira, senhor. Criou um imposto sobre todos aqueles que desejem entrar na cidade.
– Sim, isso deve funcionar – Tyrion respondeu, pensando: Esperto. Esperto e cruel. Dezenas de milhares tinham fugido da luta em troca da suposta segurança de Porto Real. Vira-os na estrada do rei, grupos de mães, filhos e pais ansiosos, que olhavam para os seus cavalos e carroças com olhos cobiçosos. Quando chegassem à cidade, não havia dúvida de que pagariam tudo o que possuíam para colocar aquelas muralhas altas e reconfortantes entre eles e a guerra… Embora, talvez, pensassem duas vezes se tivessem conhecimento do fogovivo.
A estalagem que ficava por baixo do letreiro da Bigorna Quebrada erguia-se à vista dessas muralhas, perto do Portão dos Deuses, por onde tinham entrado nessa manhã. Quando adentraram o pátio, um rapaz correu a fim de ajudar Tyrion a desmontar do cavalo.
– Leve seus homens de volta para o castelo – disse a Vylarr. – Passarei a noite aqui.
O capitão parecia em dúvida.
– Ficará a salvo, senhor?
– Bem, quanto a isso, capitão, quando deixei a estalagem, esta manhã, estava cheia de Orelhas Negras. Nunca se está propriamente a salvo quando Chella, filha de Cheyk, se encontra por perto – Tyrion bamboleou na direção da porta, deixando Vylarr sozinho, tentando compreender aquela resposta.
Uma rajada de alegria o acolheu quando entrou na sala comum da estalagem. Reconheceu o riso gutural de Chella, e a música mais leve da risada de Shae. A moça estava sentada perto da lareira, bebendo vinho, em uma mesa redonda de madeira, com três dos Orelhas Negras, que Tyrion havia deixado guardando-a, e um homem rechonchudo que estava de costas para a porta. Pensou que fosse o estalajadeiro… Até que Shae chamou Tyrion pelo nome, e o intruso se ergueu.
– Meu bom senhor, estou tão contente por ver você – disse efusivamente o homem, com um suave sorriso de eunuco no rosto empoado.
Tyrion tropeçou.
– Lorde Varys. Não esperava encontrar você aqui – que os Outros o carreguem. Como os encontrara tão depressa?
– Perdoe-me a intromissão – disse Varys. – Fui tomado por uma súbita vontade de conhecer sua jovem senhora.
– Jovem senhora – repetiu Shae, saboreando as palavras. – Está meio certo, senhor. Sou jovem.
Dezoito anos, pensou Tyrion. Dezoito anos e uma prostituta, mas com uma inteligência rápida, ágil como uma gata entre os lençóis, com grandes olhos escuros, um belo cabelo negro e uma boquinha doce, suave e faminta… E é minha! Maldito seja, eunuco.