A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Que gentileza da parte de Lorde Tywin. E a cera do seu selo é de um tom dourado tão delicado – Varys inspeccionou o selo de perto. – Tem todo o jeito de ser genuíno.
– Claro que é genuíno – Cersei arrancou a carta das mãos do eunuco, quebrou a cera e desenrolou o pergaminho.
Tyrion observou-a enquanto lia. A irmã tinha ocupado a cadeira do rei. Tyrion concluiu que Joffrey não se importava, tanto quanto Robert, em estar presente nas reuniões do conselho, e subiu na cadeira da Mão. Parecia apropriado.
– Isto é absurdo – a rainha disse por fim. – O senhor meu pai enviou meu irmão para ocupar o seu lugar neste conselho. Pede-nos para aceitar Tyrion como Mão do Rei até o momento em que possa se juntar a nós.
O Grande Meistre Pycelle afagou sua longa barba branca e fez um aceno solene:
– Aparentemente, temos que lhe dar as boas-vindas.
– Realmente – Janos Slynt, com seu grande queixo e falta de cabelo, assemelhava-se bastante a uma rã, uma rã presunçosa que tinha subido muito mais alto do que deveria. – Sentimos grandemente a sua falta, senhor. A rebelião grassa por todo o lado, há este sinistro presságio no céu, tumultos nas ruas da cidade…
– E de quem é a culpa disso, Lorde Janos? – atacou Cersei. – Seus homens de manto dourado estão encarregados de manter a ordem. Quanto a você, Tyrion, poderia nos servir melhor no campo de batalha.
Tyrion soltou uma gargalhada:
– Não, chega de campos de batalha para mim, muito obrigado. Sento-me melhor numa cadeira do que num cavalo, e gosto mais de segurar uma taça de vinho do que um machado de batalha. Toda aquela conversa a respeito do rufar dos tambores, da luz do sol brilhando nas armaduras, de magníficos corcéis de batalha resfolegando e empinando? Pois bem, os tambores me dão dor de cabeça, a luz do sol brilhando na minha armadura me cozinha como se fosse um ganso no dia da colheita, e esses magníficos corcéis cagam por todo lado. Não que esteja me queixando. Comparando com a hospitalidade de que desfrutei no Vale de Arryn, tambores, cocô de cavalo e picadas de moscas são as minhas coisas favoritas.
Mindinho soltou uma gargalhada.
– Bem dito, Lannister. Um homem que partilha dos meus sentimentos.
Tyrion sorriu, lembrando-se de um certo punhal com um cabo de osso de dragão e uma lâmina de aço valiriano. Teremos de ter uma conversa sobre isso, e em breve. Perguntou a si mesmo se Lorde Petyr também acharia esse assunto divertido.
– Por favor – disse-lhes então. – Deixem-me ser útil, de qualquer pequeno modo que me seja possível.
Cersei voltou a ler a carta.
– Quantos homens trouxe consigo?
– Algumas centenas. Principalmente homens meus. Meu pai se mostrou renitente em se separar de alguns dos seus. Afinal de contas, ele está travando uma guerra.
– De que servirão algumas centenas de homens se Renly marchar sobre a cidade, ou se Stannis zarpar de Pedra do Dragão? Peço um exército, e meu pai me manda um anão. O rei nomeia a Mão, com o consentimento do conselho. Joffrey nomeou o senhor nosso pai.
– E o senhor nosso pai me nomeou.
– Ele não pode fazer isso. Não sem o consentimento de Joffrey.
– Lorde Tywin está em Harrenhal com a sua tropa, se quiser levar o assunto à sua consideração – disse Tyrion amavelmente. – Senhores, queiram me permitir uma palavra a sós com minha irmã?
Varys pôs-se em pé com um movimento deslizante, exibindo aquele seu sorriso engordurado.
– Como deve ter ansiado pelo som da voz da sua doce irmã. Senhores, por favor, vamos lhes dar uns instantes. As desgraças do nosso perturbado reino esperarão.
Janos Slynt levantou-se com hesitação, e o Grande Meistre Pycelle com solenidade, mas levantaram-se. Mindinho foi o último.
– Devo ordenar ao intendente que prepare aposentos na Fortaleza de Maegor?
– Agradeço, Lorde Petyr, mas ocuparei os antigos aposentos de Lorde Stark na Torre da Mão.
Mindinho soltou uma gargalhada.
– É um homem mais corajoso do que eu, Lannister. Conhece o destino dos dois últimos Mãos?
– Dois? Se deseja me assustar, por que não dizer quatro?
– Quatro? – Mindinho ergueu uma sobrancelha. – Os Mãos anteriores a Lorde Arryn tiveram algum terrível fim na Torre? Creio que era jovem demais para prestar muita atenção neles.
– O último Mão de Aerys Targaryen foi morto durante o saque a Porto Real, embora eu duvide de que tenha tido tempo para se instalar na Torre. Só foi Mão durante uma quinzena. Seu antecessor foi queimado vivo. E antes desse houve outros dois, que morreram sem terras e sem dinheiro no exílio, e ainda consideravam-se sortudos. Creio que o senhor meu pai foi o último Mão a abandonar Porto Real com seu nome, propriedades e corpo intactos.
– Fascinante – Mindinho respondeu. – Mais uma razão para que eu prefira passar as noites na masmorra.
Talvez se possa satisfazer esse seu desejo, Tyrion pensou, mas disse:
– A coragem e a loucura são primas, ou pelo menos foi o que ouvi dizer. Seja qual for a praga que paira sobre a Torre da Mão, rezo para ser suficientemente pequeno para não chamar sua atenção.
Janos Slynt riu, Mindinho sorriu, e o Grande Meistre Pycelle os seguiu para fora da sala, com uma reverência grave.
– Espero que nosso pai não tenha feito você percorrer toda esta distância para me atormentar com lições de história – disse a irmã quando ficaram sós.
– Como ansiei pelo som da sua doce voz – Tyrion suspirou.
– Como ansiei por arrancar a língua daquele eunuco com tenazes em brasa – Cersei respondeu. – Nosso pai perdeu o juízo? Ou será que você falsificou esta carta? – voltou a lê-la, com um aborrecimento crescente. – Por que ele me imporia a sua presença? Queria que viesse em pessoa – amarrotou a carta de Lorde Tywin nas mãos. – Sou regente de Joffrey e dei a ele uma ordem real!
– E ele a ignorou – Tyrion observou. – Tem um exército bastante grande, pode fazer isso. E não é o primeiro. Ou é?
A boca de Cersei apertou-se. Tyrion viu sua cor mudando.
– Se eu declarar que esta carta é uma falsificação e lhes disser para atirá-lo em uma masmorra, ninguém ignorará isso, garanto.
Tyrion sabia que agora caminhava sobre gelo quebradiço. Um passo em falso, e perderia o apoio.
– Ninguém – concordou amigavelmente –, muito menos nosso pai. Aquele que tem o exército. Mas, por que haveria de querer me atirar em uma masmorra, querida irmã, quando percorri todo este caminho para ajudá-la?
– Não pedi sua ajuda. Foi a presença do nosso pai que exigi.
– Sim – Tyrion disse em voz baixa. – Mas quem você quer é Jaime.
Sua irmã achava que era sutil, mas eles tinham crescido juntos. Podia ler seu rosto como se fosse um dos seus livros preferidos, e aquilo que lia agora era raiva, medo e desespero.
– Jaime…
– … é tanto meu irmão como seu – Tyrion interrompeu. – Apoie-me, e prometo que obteremos a libertação e devolução de Jaime, são e salvo.
– Como? – Cersei quis saber. – O rapaz Stark e a mãe não esquecerão facilmente que decapitamos Lorde Eddard.
– É verdade – concordou Tyrion –, mas ainda tem suas filhas, não tem? Vi a menina mais velha no pátio com o Joffrey.
– Sansa – disse a rainha. – Divulguei que também tenho a fedelha mais nova, mas é mentira. Mandei Meryn Trant capturá-la quando Robert morreu, mas o maldito do seu mestre de dança interferiu e a garota fugiu. Nunca mais ninguém a viu. Provavelmente está morta. Morreu muita gente naquele dia.
Tyrion esperava ter ambas as meninas Stark, mas supunha que uma teria de servir.
– Fale dos nossos amigos no conselho.