Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Trevor pai era viúvo, e meu amigo, filho único. Soube que uma irmã morrera de difteria durante uma visita a Birmingham. O pai me despertou muito interesse. Era homem de pouca cultura, mas considerável vigor, tanto físico como mental. Mal abrira um livro, mas viajara muito, conhecia grande parte do mundo e lembrava-se de tudo o que havia aprendido. Era um homem atarracado, vigoroso, de cabeleira grisalha, rosto bronzeado e olhos azuis tão vivos que chegavam a parecer ferozes. No entanto era conhecido na região como um homem bondoso e caridoso, que chamava atenção pela brandura de suas sentenças no tribunal.
– Uma noite, pouco depois da minha chegada, tomávamos vinho do Porto após o jantar, quando Trevor filho começou a falar sobre os hábitos de observação e dedução que eu já sistematizara, embora ainda não percebesse o papel que representariam na minha vida. O velho pensou, evidentemente, que o filho exagerava na descrição de um ou dois dos meus feitos triviais.
– Rindo bem-humorado, ele disse:
– “Sr. Holmes, sou um excelente sujeito. Veja se é capaz de deduzir algo a meu respeito.”
– “Temo que não haja muita coisa a deduzir”, comentei. “Creio que tem estado sob o temor de uma agressão pessoal nos últimos 12 meses.”
– O riso morreu-lhe nos lábios e ele me olhou muito surpreso.
– “Isto é verdade.” E virando-se para o filho: “Vítor, quando desbaratamos aquele grupo de caçadores ilegais, eles juraram nos matar. E Edward Holly chegou a ser agredido. Desde então fiquei de sobreaviso, embora não faça idéia de como descobriu isso.”
– “O senhor tem uma bengala muito bonita”, respondi. “Pela inscrição, observei que a possui há menos de um ano. Mas teve o cuidado de retirar o castão e despejar chumbo derretido no orifício, transformando-a numa arma poderosa. Concluí que só tomaria essas precauções se temesse algum perigo.”
– “Mais alguma coisa?”, perguntou, sorrindo.
– “Lutou boxe durante um bom tempo na juventude.”
– “Certo novamente. Como descobriu? O meu nariz é meio torto?”
– “Não, as orelhas. Elas têm aquele achatamento e a espessura característicos dos lutadores de boxe.”
– “Mais alguma coisa?”
– “E fez muita escavação, a julgar pelas calosidades.”
– “Ganhei toda a minha fortuna em minas de ouro.”
– “Esteve na Nova Zelândia.”
– “É exato.”
– “E visitou o Japão.”
– “Absolutamente correto.”
– “E esteve intimamente associado a alguém cujas iniciais eram J. A., pessoa que o senhor tem se esforçado para esquecer completamente.”
– O sr. Trevor levantou-se devagar, fixou em mim seus grandes olhos azuis de um jeito estranho e depois caiu para a frente, com o rosto entre as cascas de nozes espalhadas pela mesa, num desmaio profundo.
– Você pode imaginar, Watson, o choque que isso representou para o filho e para mim. Mas o desmaio não foi longo. Abrimos o colarinho, jogamos água no rosto dele, que arquejou uma ou duas vezes e retesou o corpo.
– Com um sorriso forçado, ele disse:
– “Espero não tê-los assustado, rapazes! Embora eu seja um homem robusto, tenho um ponto fraco no coração e qualquer coisa me abala. Não sei como consegue isso, sr. Holmes, mas tenho a impressão de que todos os detetives reais e fictícios seriam como crianças em suas mãos. É para isso que deve orientar a sua vida. Ouça a palavra de um homem que conhece boa parte do mundo.”
– E essa recomendação, com a avaliação exagerada do meu talento que a precedeu, foi a primeira coisa que me fez sentir, Watson, que eu poderia transformar em profissão aquilo que até então não passava de um Mas naquele momento eu estava muito preocupado com o repentino mal-estar do meu anfitrião para pensar em outra coisa.
– “Espero não ter dito nada que o magoasse”, falei.
– “Tocou num ponto bastante sensível, sem dúvida. Posso perguntar como soube e quanto sabe?”
– Falava em tom de brincadeira, mas o olhar de pavor voltara às suas pupilas.
– “É muito simples. Quando descobriu o braço para recolher aquele peixe, vi que as letras ‘J. A.’ tinham sido tatuadas na dobra do cotovelo. Eram ainda legíveis, mas pela aparência borrada e pela mancha na pele em volta ficou claro que foram feitas tentativas para apagá-las. Então, era óbvio que aquelas iniciais representavam alguém muito próximo, que mais tarde quis esquecer.”
– “Que olho o senhor tem!”, exclamou com um suspiro de alívio. “É exatamente, como disse. Mas não quero falar no assunto. De todos os fantasmas, os dos velhos amores são os piores. Vamos para a sala de bilhar, fumar tranqüilamente um charuto.”
– A partir daquele dia, apesar de toda a sua cordialidade, havia sempre um traço de desconfiança nas atitudes do sr. Trevor em relação a mim. Até o filho dele percebeu.
– “Pregou um susto tão grande no velho que ele vai ficar sempre em dúvida sobre o que você sabe e o que ignora.”
– Ele não queria demonstrá-lo, tenho certeza, mas a idéia estava tão fixa em sua mente que vinha à tona em cada gesto. Finalmente, convencido de que estava causando embaraços, dei por encerrada a minha visita. Mas um pouco antes da minha partida ocorreu um incidente que posteriormente se revelou muito importante.
– Estávamos sentados no gramado, em cadeiras de jardim, nós três, aproveitando o sol e admirando a vista do vale, quando uma criada apareceu dizendo que havia um homem na porta querendo falar com o sr. Trevor.
– “Como se chama?”, perguntou o meu anfitrião.
– “Não quis dar o nome.”
– “Então, o que é que ele quer?”
– “Disse que conhece o senhor e quer conversar durante alguns minutos.”
– “Mande-o entrar.”
– Um instante depois surgia um homenzinho franzino, de maneiras servis e andar desajeitado. Vestia casaco aberto, manchado de alcatrão na manga, camisa xadrez vermelha e preta, calças de brim e pesadas botas muito gastas. O rosto era magro, bronzeado e astuto, exibindo um sorriso perpétuo que mostrava dentes irregulares e amarelos. As mãos enrugadas estavam meio fechadas, à maneira característica dos marinheiros. Quando se aproximava pelo gramado, ouvi o sr. Trevor fazer um ruído semelhante a um soluço. Saltando da cadeira, correu para a casa. Voltou daí a instantes e senti um cheiro forte de quando ele passou por mim.
– “Então, o que posso fazer por você, meu velho?”
– O marinheiro olhou para ele de pálpebras franzidas, com o mesmo sorriso largo estampado no rosto.
– “Não me conhece?”, perguntou.
– “Ora, é Hudson, sem dúvida!”, exclamou o sr. Trevor em tom de surpresa.
– “Hudson, sim, senhor”, confirmou o marinheiro. “Faz trinta anos ou mais que o vi pela última vez. Está aqui bem instalado na sua casa e eu continuo comendo carne salgada tirada do barril.”
– “Não esqueci os velhos tempos”, disse Trevor, aproximando-se do marinheiro e falando qualquer coisa em voz baixa. Depois, novamente em voz alta: “Vá até a cozinha e lhe darão algo para comer e beber. Não há dúvida de que conseguirei um emprego para você.”
– “Obrigado, senhor”, disse o marinheiro, levando a mão à testa. “Acabo de cumprir um contrato de dois anos num velho navio que faz 8 nós e ainda por cima tem poucos tripulantes. Estou precisando de um descanso. Achei que conseguiria alguma coisa com o sr. Beddoes, ou com o senhor.”