Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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– Desculpe-me – disse, virando-se para o coronel Ross, que o olhava surpreso. – Estava devaneando.
Havia um brilho em seus olhos e uma excitação contida nas suas atitudes que me convenceram, habituado como eu estava ao seu jeito, de que encontrara uma pista, embora não pudesse imaginar onde.
– Prefere ir logo ao local do crime, sr. Holmes? – perguntou Gregory.
– Acho que prefiro ficar aqui mais um pouco, revendo alguns detalhes. Straker foi trazido para cá, eu presumo.
– Sim. Está lá em cima. A inquirição será amanhã.
– Ele trabalhou para o senhor vários anos, coronel Ross?
– E sempre o considerei um excelente empregado.
– Suponho que tenha feito um inventário do que encontrou nos bolsos dele no momento da morte, inspetor.
– Os objetos estão na sala, caso queira examiná-los.
– Gostaria muito.
Entramos todos na sala da frente e nos sentamos em volta da mesa, enquanto o inspetor abria uma caixa de metal e colocava diante de nós uma pequena pilha de objetos: uma caixa de fósforos, um toco de vela, um cachimbo A. D. P. de raiz de urze branca, uma bolsa de pele de foca contendo alguns gramas de fumo Cavendish , um relógio de prata com corrente de ouro, cinco soberanos de ouro, um estojo de lápis de alumínio, alguns papéis e uma faca de cabo de marfim, de lâmina muito delicada e fixa, com a marca “Weiss & Co., Londres”.
– Uma faca pouco comum – disse Holmes, examinando-a com atenção. – Como está manchada de sangue, presumo que seja a faca encontrada na mão do morto. Watson, isto é especialidade sua, com certeza.
– É o que chamamos faca de catarata – eu disse.
– Foi o que pensei. Uma lâmina muito delicada, destinada a trabalho muito delicado. É um objeto estranho para um homem carregar numa saída que prometia problemas, principalmente porque não se fechava dentro do bolso.
– A ponta estava protegida por um disco de cortiça que encontramos ao lado do corpo – disse o inspetor. – A mulher de Straker disse que a faca estava há dias sobre a penteadeira, e que ele a pegou quando saiu do quarto. Como arma não era grande coisa, mas talvez tenha sido a melhor que ele conseguiu encontrar no momento.
– É possível. E estes papéis?
– Três deles são recibos de fornecedores de feno. Outro é uma carta de instruções do coronel Ross. Este é a conta de uma costureira, no valor de 37 libras e 15 pence, enviada por madame Lesurier, de Bond Street, para William Derbyshire. A sra. Straker disse que Derbyshire era amigo de seu marido e às vezes a correspondência dele era endereçada para cá.
– A sra. Derbyshire tem gostos dispendiosos – observou Holmes, olhando para a conta. – Vinte e dois guinéus é uma quantia elevada por um único vestido. Mas parece que não temos mais nada para descobrir aqui e podemos ir agora até o local do crime.
Quando saíamos da sala, uma mulher que devia estar esperando no corredor aproximou-se e pôs a mão no braço do inspetor. Tinha a fisionomia abatida, magra e ansiosa, com a marca de uma dor recente.
– Pegaram os criminosos? Já os encontraram? – perguntou, ofegante.
– Não, sra. Straker. Mas aqui está o sr. Holmes, que veio de Londres para nos ajudar. Faremos todo o possível para encontrá-los.
– Tenho a certeza de que a conheci em Plymouth, numa , há algum tempo, sra. Straker – falou Holmes.
– Não, senhor. Deve estar enganado.
– Ora, eu seria capaz de jurar. Usava um vestido de seda branca enfeitado com uma pena de pavão.
– Nunca tive um vestido assim, senhor.
– Ah, então estou enganado.
E com um pedido de desculpas, Holmes saiu atrás do inspetor. Depois de uma curta caminhada, chegamos à depressão do terreno onde fora encontrado o corpo. Na borda ficava a moita onde o casaco havia sido pendurado.
– Não ventava naquela noite, segundo eu soube – observou Holmes.
– Exato. Mas chovia muito.
– Nesse caso, o sobretudo não foi atirado pelo vento sobre a moita, e sim colocado ali.
– Sim, foi colocado sobre a moita.
– Isso me interessa bastante. Percebo que o solo tem numerosas marcas de pés. Sem dúvida, muita gente esteve aqui desde a noite de segunda-feira.
– Um pedaço de tapete foi colocado aqui ao lado, e todos nós ficamos sobre ele.
– Excelente.
– Nesta sacola trago as botas que Straker calçava, um dos sapatos de Fitzroy Simpson e uma ferradura de – Meu caro inspetor, o senhor se supera!
Holmes pegou a sacola, desceu até o fundo da depressão e empurrou o tapete mais para o centro. Em seguida, deitando-se de bruços, queixo apoiado nas mãos, examinou atentamente a lama pisada.
– Ora! – exclamou de repente. – O que é isto?
Era um fósforo de cera meio queimado e tão recoberto de lama que a princípio parecia uma lasca de madeira.
– Não sei como me escapou – disse o inspetor, aborrecido.
– Estava invisível, enterrado na lama. Só o encontrei porque eu o estava procurando.
– O quê? Esperava encontrá-lo?
– Achei que seria provável.
Tirando as botas da sacola, comparou as marcas de cada uma com as pegadas impressas no solo. Em seguida subiu até a borda da depressão e pôs-se a rastejar entre as urzes e as moitas.
– Temo que não haja outras pegadas – disse o inspetor. Examinei o solo cuidadosamente por cerca de 200 metros em todas as direções.
– Verdade? – disse Holmes, levantando-se. – Eu não cometeria a impertinência de fazer isso novamente depois do que disse. Mas gostaria de percorrer o pântano antes que escureça, para reconhecer amanhã o terreno, e acho que vou pôr a ferradura no bolso para dar sorte.
O coronel Ross, que mostrava alguns sinais de impaciência diante do método de trabalho silencioso e sistemático do meu amigo, olhou para o relógio.
– Queria que voltasse comigo, inspetor – falou. – Há vários pontos sobre os quais gostaria de ouvir o seu conselho. Preciso saber, principalmente, se, em consideração ao público, devo retirar o nome do nosso cavalo da relação dos participantes da Copa.
– Com certeza não! – exclamou Holmes, decidido. – Eu deixaria o nome na lista.
O coronel inclinou-se.
– É um prazer ouvir a sua opinião, senhor. Poderá encontrar-nos na casa do pobre Straker quando terminar o seu passeio, e então iremos juntos para Tavistock.
Ele voltou junto com o inspetor, enquanto Holmes e eu caminhávamos lentamente pelo pântano. O sol começava a desaparecer por trás das estrebarias de Mapleton, e a vasta planície que se estendia diante de nós coloria-se de dourado, que se transformava em castanho-avermelhado nos lugares onde as urzes e as sarças eram envolvidas pelo poente. Mas as belezas da paisagem pareciam inexistentes para o meu amigo, mergulhado em profunda meditação.
– É por aqui, Watson – disse finalmente. – Podemos deixar um pouco de lado a questão de quem matou John Straker e nos concentrarmos em descobrir que fim levou o cavalo. Suponhamos agora que ele tenha se soltado durante ou depois da tragédia. Para onde iria? O cavalo é um animal muito gregário. Deixado à solta, seus instintos o enviariam de volta a King’s Pyland, ou a Mapleton. Por que ficaria correndo pelo pântano? Já teria sido avistado a essa altura. E por que os ciganos o roubariam? Essa gente sempre desaparece quando ouve falar em complicações, porque não quer ser importunada pela polícia. Não poderiam vender um cavalo daqueles. Correriam um grande risco e não ganhariam nada ficando com ele. Isto é bem claro, com certeza.
– Então, onde ele está?
– Já disse que deve ter ido para King’s Pyland ou para Mapleton. Não está em King’s Pyland, portanto deve estar em Mapleton. Vamos trabalhar com esta hipótese e ver para onde ela nos leva. Nesta parte do pântano, como observou o inspetor, o solo é muito duro e seco. Mas há um declive na direção de Mapleton; e pode-se ver daqui que há uma longa depressão lá adiante, que devia estar muito úmida na noite de segunda-feira. Se a nossa hipótese estiver correta, o cavalo deve tê-la atravessado e é ali que devemos procurar sua pista.