Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Caro Sr. Grey
Posso chamar sua atenção para a primeira linha de meu último e-mail, informando que o almoço está de fato quase pronto? Portanto, nada de choramingar que está faminto e definhando. No que diz respeito aos aspectos enlouquecedores da trepada sacana... francamente, tudo. Gostaria de ler suas anotações. E também gosto da minha assinatura entre parênteses.
Bj
(Sua noiva)
PS: Desde quando você é tão loquaz? E você está ao telefone!
Aperto “enviar” e ergo a cabeça. Ele está de pé na minha frente, sorrindo. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele contorna a bancada da cozinha, me pega em seus braços e me beija profundamente.
— Isso é tudo, Srta. Steele — diz, soltando-me, e volta, de calça jeans, pés descalços e camiseta branca para fora da calça, para seu escritório, deixando-me sem fôlego.
* * *
PREPAREI O MOLHO de agrião, coentro e creme de leite para acompanhar o salmão, e arrumei a bancada da cozinha. Odeio interrompê-lo quando está trabalhando, mas agora estou de pé na porta de seu escritório. Ele ainda está ao telefone, descabelado como quem sai de uma boa transa, os olhos cinzentos e brilhantes: um banquete visual completo. Ele ergue o olhar ao me ver e não tira os olhos de mim. Então, franze a testa de leve, e não sei se é por minha causa ou por causa de sua conversa.
— Só deixe eles entrarem e não encha o saco deles. Entendeu, Mia? — Ele chia e revira os olhos. — Ótimo.
Tento imitar uma pessoa comendo, e ele sorri para mim e faz que sim com a cabeça.
— Vejo você mais tarde — desliga. — Só mais um telefonema? — pergunta.
— Claro.
— Esse vestido é muito curto — acrescenta.
— Você gostou? — Dou uma voltinha rápida.
É uma das roupas que Caroline Acton comprou. Um vestido de verão macio azul-turquesa, provavelmente mais adequado para usar na praia, mas o dia está tão bonito em tantos sentidos. Ele franze a testa, e a expressão em meu rosto se desfaz.
— Você fica fantástica nele, Ana. Só não quero que ninguém mais a veja assim.
— Ei! — Faço uma cara feia para ele. — A gente está em casa, Christian. Não tem ninguém aqui além dos funcionários.
Ele contrai a boca. Ou está tentando esconder sua diversão ou realmente não achou graça. Mas ele acaba por fazer que sim com a cabeça, tranquilizado. Balanço a cabeça para ele — ele está mesmo falando sério? Volto para a cozinha. Cinco minutos depois, ele está de novo na minha frente, segurando o telefone.
— Estou com Ray ao telefone, para você — murmura, os olhos cautelosos.
Todo o ar me foge do corpo ao mesmo tempo. Pego o telefone e cubro o bocal.
— Você contou a ele! — sussurro.
Christian faz que sim com a cabeça, e seus olhos se arregalam diante do meu nervosismo óbvio.
Merda! Respiro fundo.
— Oi, pai.
— Christian acaba de me perguntar se ele pode se casar com você — diz Ray.
O silêncio se estende entre nós enquanto tento desesperadamente pensar no que dizer. Ray, como de costume, permanece calado, sem me dar nenhuma pista sobre a sua reação a essa notícia.
— O que você respondeu? — Eu cedo primeiro.
— Eu disse que queria falar com você. É meio repentino, você não acha, Annie? Você não o conhece há muito tempo. Quero dizer, ele é um sujeito bacana, entende de pesca... mas tão cedo assim? — sua voz é calma e controlada.
— É. É repentino mesmo... só um minuto. — Saio depressa da cozinha, afastando-me do olhar ansioso de Christian, e caminho na direção do janelão. As portas da varanda estão abertas, e ando para o lado de fora, até a luz do sol. Não consigo me aproximar da beirada. É alto demais. — Sei que foi de repente e tudo mais... Só que... bem, eu o amo. Ele me ama. Ele quer se casar comigo, e não existe mais ninguém para mim. — Fico vermelha, pensando que essa é provavelmente a conversa mais íntima que já tive com meu padrasto.
Ray permanece em silêncio do outro lado da linha.
— Você já contou à sua mãe?
— Não.
— Annie... Eu sei que ele é rico e é um bom partido e tal, mas casar? É um passo tão grande. Você tem certeza?
— Ele é o meu “felizes para sempre” — sussurro.
— Uau — diz Ray depois de um momento, o tom mais suave.
— Ele é tudo.
— Annie, Annie, Annie. Você é uma jovem tão obstinada. Peço a Deus que você saiba o que está fazendo. Passe o telefone de volta para ele, sim?
— Claro, pai. E pai, você pode entrar comigo na igreja? — pergunto baixinho.
— Ah, querida — sua voz falha, e ele fica quieto por alguns momentos, a emoção em sua voz enchendo meus olhos d’água. — Nada me faria mais feliz — diz, afinal.
Ah, Ray. Amo tanto você... Engulo em seco para não chorar.
— Obrigada, pai. Vou passar para o Christian. Seja gentil com ele. Eu o amo — sussurro.
Acho que Ray está sorrindo do outro lado da linha, mas é difícil saber. Com Ray é sempre difícil saber.
— Pode deixar, Annie. E vê se vem visitar o seu velho, trazendo esse Christian com você.
Volto para a sala — fula da vida com Christian por não ter me avisado — e entrego o telefone para ele, demonstrando pela minha expressão como estou chateada. Ele parece divertido ao pegar o telefone, e caminha de volta para o escritório. Dois minutos depois, reaparece.
— Seu padrasto me deu sua benção um tanto relutante — diz, orgulhoso, tão orgulhoso que me faz rir, e ele sorri de volta. Está agindo como se tivesse acabado de negociar uma grande fusão ou uma aquisição, o que, suponho, não deixa de ser verdade em algum nível.
* * *
— CARAMBA, MULHER, você cozinha bem. — Christian engole a última garfada e ergue o copo de vinho branco para mim.
Fico toda boba com o elogio e me dou conta de que só vou poder cozinhar para ele nos fins de semana. Franzo a testa. Gosto de cozinhar. Talvez eu devesse ter feito um bolo de aniversário para ele. Dou uma olhada no relógio. Ainda tenho tempo.
— Ana? — Ele interrompe meus pensamentos. — Por que você me pediu para não tirar fotos suas? — Sua pergunta me assusta, especialmente porque sua voz é enganadoramente suave.
Ah... merda. As fotos.
Olho para baixo, para meu prato vazio, torcendo os dedos em meu colo. O que posso dizer? Eu tinha prometido a mim mesma que não falaria que achei sua versão caseira da Penthouse.
— Ana — ele resmunga. — O que foi?
Sua voz me faz dar um pulo e olhar para ele. Quando foi que achei que ele não me intimidava mais?
— Achei as suas fotos — sussurro.
Seus olhos se arregalam de choque.
— Você abriu o cofre? — pergunta, incrédulo.
— Cofre? Não. Não sabia que você tinha um cofre.
Ele franze a testa.
— Não estou entendendo.
— No seu armário. A caixa. Estava procurando suas gravatas, e a caixa estava debaixo da sua calça jeans... aquela que você normalmente usa no quarto de jogos. Menos hoje. — Fico vermelha.
Ele me olha boquiaberto, horrorizado, e corre as mãos nervosamente pelo cabelo à medida que assimila essa informação. Esfrega o queixo, perdido em pensamentos, mas não pode esconder o incômodo perplexo em seu rosto.
De repente, balança a cabeça, exasperado — mas também divertido —, e um pequeno sorriso de admiração surge nos cantos de sua boca. Ele junta as mãos numa súplica diante de si mesmo e me encara de novo.
— Não é o que você está pensando. Tinha me esquecido dessas fotos. A caixa foi tirada do lugar. As fotografias normalmente ficam no meu cofre.
— E quem tirou a caixa do lugar? — sussurro.
Ele engole em seco.
— Só tem uma pessoa que poderia ter feito isso.
— Ah. Quem? E o que você quer dizer com “Não é o que eu estou pensando”?