Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
- "Não vai conseguir arrancar nada de mim", disse com uma violência que nunca pensei pudesse demonstrar. "Se quer chamar a polícia, então eles que descubram o que puderem".
-A essa altura, a casa toda acordara, pois eu gritara de raiva. Mary foi a primeira a correr a meu quarto e quando viu a coroa e a cara de Arthur, compreendeu tudo e, com um grito, caiu desmaiada. Mandei a empregada buscar a polícia e coloquei a investigação em suas mãos imediatamente. Quando o inspetor e um polícial entraram em casa, Arthur, que estava de pé sombriamente com os braços cruzados, perguntou se era minha intenção acusá-lo de roubo. Respondi que não era mais assunto privado, que estava no domínio público, já que a coroa era um bem nacional. Estava decidido que a lei tomaria conta de tudo.
- "Pelo menos", ele pediu, "não me faça prender imediatamente. Seria para seu bem, assim como para o meu, se eu pudesse deixar a casa por cinco minutos".
- "Para poder fugir, ou esconder o que você roubou", respondi. E então, ficando consciente da terrível posição em que me encontrava, implorei que se lembrasse que não só minha honra, mas a honra de alguém muito mais alto que eu, estava em jogo, e que ia causar um escândalo que revolucionaria a nação. Poderia evitar tudo se me dissesse o que fizera com as três pedras que faltavam.
- 'Tem que encarar melhor o fato", supliquei. - Foi pego em flagrante e nenhuma confissão tomaria sua culpa mais odiosa. Se você fizer o que está em seu poder e nos disser onde estão os berilos, tudo será esquecido e perdoado".
- 'Guarde seu perdão para quem o pedir", respondeu, virando as costas com desdém.
Vi que estava por demais endurecido para que minhas palavras o atingissem. Só havia uma coisa a fazer. Chamei o inspetor e mandei prendê-lo. Deram imediatamente uma busca, não só em sua pessoa, como em seu quarto e todos os lugares da casa onde poderia ter escondido as pedras, mas não encontraram vestígios delas, e nem o rapaz abriu a boca, apesar de todas as nossas súplicas e ameaças. Hoje de manhã foi removido para uma cela e eu, depois de passar por todas as formalidades policiais, vim aqui correndo para lhe implorar que use sua perícia para esclarecer o assunto. A polícia confessou abertamente que, no momento, não pode fazer nada. Pode gastar tudo que for necessário. Já ofereci uma recompensa de mil libras. Meu Deus, que vou fazer! Perdi minha honra, minhas pedras e meu filho, tudo em uma noite só. Olha, que vou fazer!
Segurou a cabeça com as mãos e balançou o corpo de um lado para o outro, murmurando baixinho como uma criança cujo sofrimento se tivesse tornado insuportável.
Sherlock Holmes ficou sentado em silêncio por alguns minutos, com a testa franzida e os olhos fixos no fogo.
- O senhor recebe muito? - perguntou.
- Niro, a não ser meu sócio e sua família e ocasionalmente amigos de Arthur. Lorde George Bumwell foi lá várias vezes ultimamente. Ninguém mais, acho.
- Sai muito socialmente?
- Arthur sai. Mary e eu ficamos em casa. Nenhum de nós dois gosta muito de sair.
- Isso não é comum para uma moça.
- Ela é muito quieta. Além disso, não é tão moça assim. Já tem vinte
- O que aconteceu, pelo que disse, parece que a abalou muito também.
- Profundamente! Está pior ainda do que eu.
- Nenhum dos dois tem a menor dúvida de que seu filho é culpado?
- Como podemos ter, quando eu o vi, com meus próprios olhos, com a coroa nas mãos?
- Não considero isso uma prova conclusiva. 0 resto da coroa foi danificado de alguma maneira?
- Sim, ela ficou torcida.
- Não acha, então, que talvez ele estivesse tentando consertá-la?
- Deus o abençoe! Está fazendo o que pode por ele e por mim. Mas é uma tarefa impossível. 0 que estaria fazendo lá, em primeiro lugar? Se era inocente, por que não disse logo?
- Precisamente. E se fosse culpado, por que não inventou uma mentira? Seu silêncio, a meu ver, pode ser pelas duas razões. Há vários pontos singulares nesse caso. 0 que a polícia achou do barulho que o acordou?
- Acharam que poderia ter sido causado por Arthur, fechando a porta de seu quarto.
- Muito pouco provável! Um homem com a intenção de praticar um crime não iria bater uma porta e acordar a casa inteira. E o que disseram do desaparecimento das pedras?
- Ainda estão sondando o assoalho e examinando a mobília na esperança de encontrá-las.
- Pensaram em procurar fora da casa?
- Sim, têm demonstrado uma energia extraordinária. Já examinaram o jardim inteiro minuciosamente.
- Bem, meu caro senhor, - disse Holmes, - não é óbvio para o senhor agora que esse assunto é muito mais complexo do que o senhor ou a polícia pensaram de início? Pareceu-lhe ser um caso muito simples; para mim, parece extremamente complicado. Considere o que sua teoria representa. 0 senhor supõe que seu filho saiu da cama, foi, com grande risco, a seu quarto, abriu sua cômoda, tirou a coroa, quebrou à força um pedaço, foi para outro lugar, escondeu três pedras das trinta e nove tão bem que ninguém conseguiu achá-las e depois voltou com as outras trinta e seis para o quarto onde se expunha ao mais grave risco de ser encontrado. Agora lhe pergunto, essa teoria é válida?
- Mas não existe outra - exclamou o banqueiro, com um gesto de desespero. - Se seus motivos eram inocentes, por que não os explica?
- É nosso dever descobrir isso, respondeu Holmes, por isso agora, se me permite, Sr. Holder, vamos para Streatharn juntos, passar uma hora olhando mais atentamente os detalhes.
Meu amigo insistiu que os acompanhasse em sua expedição, o que estava ansioso por fazer, pois minha curiosidade e compaixão haviam sido despertadas pela história que tínhamos acabado de ouvir. Confesso que a culpa do filho do banqueiro me parecia tão evidente quanto a seu infeliz pai, mas ainda tinha tanta confiança na opinião de Holmes que senti que devia haver bases,se ter esperança, já que ele não estava satisfeito com a explicação dada. Pai não disse uma palavra a caminho do longínquo subúrbio ao Sul da cidade. Ficou sentado com o queixo afundado no peito e o chapéu puxado sobre os olhos, imerso em profundos pensamentos. Nosso cliente parecia ter adquirido novo ânimo com o pequeno vislumbre de esperança que fora apresentado e chegou até a conversar livremente comigo sobre seus negócios. Uma curta viagem de trem e um percurso a pé ainda mais curto nos levaram a Fairbank, a modesta residência do firiancista.
Fairbank era uma casa quadrada de bom tamanho, de pedras brancas, um pouco distante da rua. Uma entrada da largura de duas carruagens e um gramado vestido de neve se estendiam em frente até os dois grandes portões de ferro que barravam a entrada. À direita havia um agrupamento denso de arbustos que levava a um caminho estreito entre duas sebes se estendendo da estrada até a porta da cozinha e- formando a entrada de serviço. À esquerda corria a vereda que levava à estrebaria e que não ficava dentro da propriedade, era uma via pública, embora pouco usada. Holmes nos deixou parados em frente à porta e andou lentamente em redor da casa, cruzou a frente, seguiu a entrada de serviço e, dando a volta pelo jardim, a vereda que ia para a estrebaria. Demorou tanto que o Sr. Holder e eu fomos para a sala de jantar e esperamos junto à lareira. Estávamos sentados em silêncio quando a porta se abriu e uma moça entrou. Era acima da altura média, esbelta, com cabelos e olhos escuros, que pareciam mais escuros ainda em contraste com a pele muito pálida. Acho que nunca vi um rosto de mulher tão pálido. Os lábios também eram descorados, mas os olhos estavam vermelhos de chorar. Quando entrou silenciosamente na sala senti o impacto de sua profunda dor, muito mais do que com o banqueiro de manhã, o que era surpreendente, pois era óbvio que era uma mulher forte, com imensa capacidade de autocontrole. Ignorando minha presença, foi direto ao tio e passou a mão pelos seus cabelos, num gesto meigo e carinhoso.