Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
- Deu ordem para que soltassem Arthur, não foi, papai? - perguntou.
- Não, não, minha filha, temos que levar essa investigação ao fim.
- Mas tenho certeza que ele é inocente. Sabe o que são os instintos de uma mulher. Sei que ele não fez nada de mal e o senhor vai se arrepender de ter sido tão severo.
- Por que ficou calado, se é inocente?
- Quem sabe? Talvez porque estivesse muito zangado de o senhor ter desconfiado dele.
- Como poderia deixar de suspeitá-lo, se o vi com meus próprios olhos com a coroa nas mãos?
- Oh, mas só pegara nela para olhar. Oh, por favor, acredite em mim, sei que é inocente. Deixe isso de lado, não diga nada mais. É horrível pensar em nosso querido Arthur na prisão!
- Não vou deixar nada de lado até as pedras serem encontradas... nunca, Mary! Sua afeição por Arthur a está cegando quanto às horríveis conseqüências para mim. Em vez de abafar o assunto, trouxe um cavalheiro de Londres para fazer uma investigação mais minuciosa.
- Esse cavalheiro? - perguntou, virando para mim.
- Não, seu amigo. Queria ficar só. Está andando pela vereda da estrebaria nesse momento.
- A vereda da estrebaria? - Ergueu as sobrancelhas escuras. - 0 que espera encontrar lá? Ali, deve ser ele que chega. Espero, senhor, que consiga provar o que tenho certeza, é verdade, que meu, primo Arthur é inocente desse crime.
- Concordo inteiramente com a senhora e espero, como a senhora, que possa prová-lo - disse Holmes, voltando para o capacho para sacudir a neve dos sapatos. - Creio que tenho a honra de me dirigir à Srta. Mary Holder. Posso fazer-lhe uma ou duas perguntas?
- Certamente, senhor, se é para ajudar a esclarecer esse horrível mistério.
- Não ouviu nada à noite passada?
- Nada, até meu tio começar a falar em voz alta. Ouvi isso, e desci.
- Fechou todas as janelas e portas a noite anterior. Trancou todas as janelas?
- Sim.
- Estavam todas trancadas esta manhã?
- Estavam.
- Tem uma empregada que tem um namorado? Acho que comentou com seu tio à noite passada que ela saíra para vê-lo?
- Sim, e foi ela que nos serviu na sala e que talvez tenha ouvido os comentários de meu tio sobre a coroa.
- Entendo. Está sugerindo que ela podia ter saído para contar ao namorado e que os dois podem ter planejado o roubo.
- Mas de que adiantam todas essas teorias vagas - exclamou o banqueiro impaciente - quando lhe disse que vi Arthur com a coroa nas mãos?
- Espere um pouco, Sr. Holder. Voltaremos a esse ponto. Com respeito a essa moça, Srta. Holder. A senhora a viu voltar pela porta da cozinha, suponho?
- Sim. Quando fui verificar se a porta estava trancada, encontrei-a entrando sorrateiramente. Vi o homem, também, no escuro.
- A senhora o conhece?
- Sim. É o rapaz que traz nossas verduras. Seu nome é Francis
- Ele estava - disse Holmes - à esquerda da porta, isto é, tinha ido mais longe no caminho do que era necessário para alcançar a porta?
- Sim.
- E é um homem que tem uma perna de pau?
Algo parecido com o medo invadiu os olhos escuros expressivos da moça.
- O senhor é como um mágico - disse. - Como sabia isso? - Sorriu, mas o rosto magro de Holmes continuou completamente sério.
- Gostaria muito de ir lá em cima agora - disse. - Provavelmente vou querer examinar o lado de fora novamente. Talvez seja melhor olhar as janelas de baixo antes de subir.
Foi rapidamente de uma a outra, parando apenas na grande janela que dava do hall para a vereda da cocheira. Esta ele abriu, e examinou cuidadosamente o peitoril com a poderosa lente.
- Agora vamos subir - disse.
O quarto de vestir do banqueiro era mobiliado simplesmente, com um tapete cinza, uma grande cômoda e um espelho longo. Holmes foi primeiro até à cômoda e examinou a fechadura.
- Qual foi a chave que foi usada para abri-la? - perguntou.
- A que meu filho mesmo mencionou, a do armário no quarto que serve de depósito de lenha.
- E onde está essa chave?
- É essa que está aí em cima.
Sherlock Holmes pegou a chave e abriu a cômoda.
- É uma fechadura silenciosa - disse. - Não é de admirar que não o tenha acordado. Esse estojo, presumo, contém a coroa. Vamos dar uma vista de olhos. - Abriu o estojo e, depositou-o sobre a mesa. Era uma amostra magnífica da arte de joalheria e as trinta e seis pedras, mais lindas que já vi. Em um dos lados da coroa havia um pedaço quebrado, deixando uma beira irregular, onde a ponta que segurava três pedras havia sido arrancada.
- Bem, Sr. Holder, - disse Holmes - aqui está uma ponta que corresponde à que foi infelizmente perdida. Peço-lhe que tente quebrá-la.
O banqueiro recuou horrorizado. - Nem pensaria em fazer uma coisa - disse.
- Então eu mesmo faço. - Holmes exerceu a máxima pressão sobre a ponta, mas nada aconteceu. - Senti que cedia um pouco, - disse - mas, embora tenha uma força excepcional nos dedos, levaria um tempo enorme para quebrar um pedaço. Um homem comum não conseguiria. E então, o que pensa que aconteceria se conseguisse quebrar a coroa, Sr. Holder? Haveria um estalo como um tiro de revólver. Vai me dizer que tudo isso aconteceu a poucos passos de sua cama e que o senhor não ouviu nada?
- Não sei o que pensar. Tudo está muito obscuro.
- Mas talvez fique mais claro à medida que prosseguirmos. 0 que a senhora pensa, Srta. Holder?
- Confesso que estou tão perplexa quanto meu tio.
- Seu filho não usava sapatos nem chinelos quando o viu?
- Não usava nada a não ser as calças e a camisa.
- Obrigado. Na verdade fomos favorecidos com uma sorte extraordinária nessa investigação e será inteiramente nossa culpa se não conseguirmos elucidar o mistério. Com sua permissão, Sr. Holder, continuarei minhas investigações lá fora.
Saiu sozinho, a pedido seu, pois explicou que pegadas desnecessárias tornariam sua tarefa mais difícil. Trabalhou por uma hora ou mais, voltando finalmente com os pés carregados de neve e as feições impenetráveis como sempre.
- Acho que vi tudo que há para ver, Sr. Holder - disse. - Posso servi-lo melhor voltando a meus aposentos.
- Mas as pedras, Sr. Holmes. Onde estão elas?
- Não posso dizer.
0 banqueiro torceu as mãos.
- Nunca mais as verei! - exclamou. - E meu filho? 0 senhor me dá alguma esperança?
- Minha opinião não se modificou em nada.
- Mas, pelo amor de Deus, qual foi esse drama que ocorreu em minha casa ontem à noite?
- Se o senhor pode ir me ver na Rua Baker amanhã de manhã entre nove e dez horas terei o prazer de fazer o possível para tornar tudo mais claro. Entendo que me dá carte blanche para agir pelo senhor, desde que recupere as pedras, e que não há limite para a quantia que tenha de despender.
- Daria toda minha fortuna para reaver as pedras.
- Muito bem. Estudarei o assunto de agora até lá. Até logo. É possível que eu tenha de voltar aqui antes de hoje à noite.
Era evidente para mim que meu companheiro já chegara a uma conclusão, embora não tivesse a menor idéia de qual poderia ser. Várias vezes na viagem de volta à casa tentei sondá-lo nesse ponto, mas ele sempre desviou a conversa para outro assunto, até que desisti. Não eram ainda três horas quando nos encontramos novamente em nossa sala. Foi depressa para o quarto e desceu dentro de poucos minutos vestido como um vagabundo. Com a gola do casaco puído e lustroso levantada, uma echarpe vermelha suja e botas gastas, era um perfeito espécime da classe.