Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Muito bonita e tem atraído muitos admiradores, que às vezes ficam rondando a casa. É o único defeito que encontrei nela, mas acredito que seja uma boa moça em todos os respeitos.
- Isso é quanto aos empregados. Minha família, em si, é tão pequena que não levará muito tempo para descrevê-la. Sou viúvo e tenho um filho único, Arthur. Ele tem sido um desgosto para mim, Sr. Holmes, um grande desgosto. Não tenho dúvidas de que a culpa é minha. Todos dizem que eu o estraguei. É muito provável que seja verdade. Quando minha querida esposa faleceu, senti que ele era tudo que me restava para amar. Não suportava ver o sorriso desaparecer de seu rosto nem por um instante. Nunca lhe neguei coisa alguma. Talvez tivesse sido melhor para nós dois se eu tivesse sido mais rigoroso, mas só queria o bem dele.
- Naturalmente minha intenção era que ele herdasse meu negócio, mas não tinha inclinação para isso. Era muito instável, muito aloucado e, para dizer a verdade, não lhe podia confiar grandes quantias de dinheiro. Quando era ainda muito jovem, tomou-se sócio de um clube muito aristocrático onde, com suas maneiras encantadoras, logo ficou íntimo de homens com muito dinheiro e hábitos extravagantes. Aprendeu a jogar cartas com paradas muito altas e apostar em cavalos até que teve que vir a mim repetidas vezes implorando que adiantasse algum dinheiro em sua mesada para pagar as dívidas de jogo. Tentou mais de uma vez largar a companhia perigosa dessas pessoas, mas todas as vezes a influência de seu amigo, Lorde George Bumwell, foi forte bastante para trazê-lo de volta.
-E, na verdade, não me espanto de que um homem como Lorde George Bumwell tivesse tanta influência sobre ele, pois o trouxe muitas vezes à minha casa e vi que eu mesmo mal podia resistir à fascinação dele. É mais velho que Arthur, um homem vivido, que já foi a toda parte, já viu tudo e fez tudo, de conversa brilhante e grande beleza pessoal. No entanto quando penso nele friamente, longe da magia de sua presença, tenho a certeza, observando sua maneira cínica de falar e a expressão que às vezes vejo em seus olhos, que é um homem em quem não se pode confiar. É isso que penso e minha querida Mary também, com sua intuição feminina.
- Só falta descrever Mary. É minha sobrinha, mas quando meu irmão faleceu há cinco anos e a deixou sozinha no mundo, eu a adotei e desde então a considero minha filha. É um raio de sol em minha casa. . . doce, meiga, linda, uma excelente dona-de-casa, tudo que se pode querer em uma mulher. É meu braço direito. Não sei o que faria sem ela. Em uma coisa jamais me contrariou. Já duas vezes meu rapaz a pediu em casamento, pois gosta muito dela, mas das duas ela o recusou. Acho que se há alguém que poderia botá-lo no bom caminho, é ela, e que o casamento poderia mudar o curso de sua vida. Mas agora, meu Deus! É tarde demais, tarde demais!
- Agora, Sr. Holmes, o senhor conhece as pessoas que moram em minha casa e posso continuar a minha triste história.
Quando estávamos tomando café na sala aquela noite, após o jantar, contei a Arthur e Mary o que me havia acontecido e que o tesouro precioso estava naquele momento sob nosso teto, suprimindo apenas o nome de meu cliente. Lucy Parr, que servira o café, havia deixado a sala, tenho certeza, mas não posso jurar que a porta estivesse fechada. Mary e Arthur ficaram muito interessados e quiseram ver a famosa coroa, mas achei melhor não mexer nela.
- Onde a botou? perguntou Arthur.
- Em uma gaveta em meu quarto de vestir.
- Bem, espero que não haja um roubo em casa hoje à noite, disse
Arthur.
- Está trancada, observei.
- Ora, qualquer chave serve para abrir aquela sua cômoda velha. Quando era mais jovem eu mesmo a abri com a chave do armário do quarto de depósito.
- Ele muitas vezes dizia coisas desse gênero sem falar a sério e não dei atenção ao que disse. Seguiu-me até meu quarto aquela noite, entretanto, com o rosto muito sério.
- Olhe aqui, papai, disse, de olhos baixos. ‘Pode me dar duzentas libras?’
- Não, não posso! respondi rispidamente.Tenho sido generoso demais com você em matéria de dinheiro.
- Tem sido muito bondoso, respondeu, mas preciso desse dinheiro, ou não poderei jamais aparecer no clube novamente.
- Isso seria ótimo! exclamei.
- Talvez, mas não quer que eu saia de lá desonrado, retrucou. Não aguentaria a desgraça. Tenho de arranjar esse dinheiro de qualquer maneira, e se não vai me dar, tenho de procurar outro jeito.
Fiquei muito zangado, pois era a terceira vez que me pedia dinheiro nesse mês.
- Não verá mais um tostão meu, gritei, e com isso ele deu um cumprimento de cabeça e saiu do quarto sem dizer mais nada.
Depois que ele saiu, destranquei a gaveta da cômoda, vi que meu tesouro estava seguro e tranquei-a novamente. Em seguida percorri a casa para verificar que tudo estava trancado, um dever que cabe geralmente a Mary, mas que achei melhor que eu próprio o fizesse essa noite. Quando descia as escadas, vi Mary junto à janela do hall, que fechou e trancou quando me aproximava.
- Diga-me, papai, disse, parecendo, achei, um pouco perturbada, deu licença a Lucy para sair hoje à noite?
- Claro que não.
- Ela acaba de entrar pela porta dos fundos. Tenho certeza que foi só até o portão do lado para ver alguém, mas acho que isso não é muito seguro não devemos deixar que continue.
- Deve falar com ela de manhã, ou, se preferir, eu mesmo falo. Tem certeza de que está tudo trancado?
- Certeza absoluta, papai. Dei-lhe um beijo de boa-noite e fui para meu quarto, adormecendo quase imediatamente.
Estou tentando contar tudo que se possa relacionar com o caso, Sr. Holmes, mas peço que faça perguntas sobre qualquer coisa que não lhe pareça bastante clara.
- Pelo contrário, sua narrativa é extremamente lúcida.
- A parte a que vou chegar agora é que quero que seja especialmente clara. Não tenho sono pesado e a ansiedade que estava sentindo sem dúvida concorreu para torná-lo mais leve ainda. Cerca de duas horas da manhã, fui acordado por algum ruído dentro de casa. Cessou antes que estivesse totalmente acordado, mas tive a impressão que uma janela fora fechada mansamente em algum lugar. Fiquei deitado com os ouvidos atentos. De repente, para meu horror, ouvi o som distinto de passos no quarto ao lado. Saí da cama tremendo de medo e olhei pelo canto da porta de meu quarto de vestir.
- "Arthur! " gritei, "seu vilão! Ladrão! Como ousa tocar nessa coroa?"
- A lamparina de gás estava baixa, como a deixara, e meu desgraçado filho, vestindo somente a camisa e calças, estava de pé perto da luz com a coroa nas mãos. Parecia estar torcendo a ponta, ou querendo arrancá-la com toda a força. Ouvindo minha voz, deixou-a cair e ficou pálido como um morto. Peguei a coroa e examinei-a. Uma das pontas de ouro, com três berilos, estava faltando.
- "Seu canalha!" gritei, fora de mim de tanta raiva. "Você a destruiu! Desonrou-me para sempre! Onde estão as pedras que você roubou?"
- "Roubei!" exclamou.
- "Sim, seu ladrão"' berrei, sacudindo-o pelos ombros.
- "Não está faltando nenhuma pedra. Não pode estar faltando", disse.
- "Estão faltando três. E você sabe onde estão. Será que vou ter de chamá-lo de mentiroso, além de ladrão? Não vi você com meus próprios olhos tentando arrancar mais um pedaço?"
- "Já me insultou demais", disse, "não vou suportar mais nada. Não direi nenhuma palavra sobre isso, já que resolveu me insultar. Deixarei sua casa de manhã e vou tentar minha vida sozinho".
- "Só a deixará nas mãos da polícia!" gritei, louco de desgosto e raiva. "Vou investigar esse assunto até o fim".