Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
- Como?
- Meu último cliente da mesma natureza foi um rei.
- Oh! Não tinha nenhuma idéia. Que rei?
- O rei da Escandinávia.
- O quê! Ele perdeu a esposa?
- O senhor deve compreender - disse Holmes com suavidade - que trato os assuntos de meus outros clientes com a mesma discrição que prometo ao senhor.
- Claro! Está certo! Está certo! Por favor me perdoe. Quanto ao meu caso, estou pronto a lhe dar todas as informações que possam lhe ajudar a formar uma opinião.
- Obrigado. Já estou a par do que saiu nos jornais, e nada mais. Presumo que a imprensa está correta. Esse artigo, por exemplo, sobre o desaparecimento da noiva, Lorde St. Simon lançou os olhos no artigo.
- Sim, está correto, até onde vai.
- Mas preciso de muito mais antes de poder formar uma opinião. Acho que poderei chegar aos fatos mais rapidamente se lhe fizer perguntas.
- Por favor, prossiga.
- Quando conheceu a Srta. Hatty Doran?
- Em São Francisco, um ano atrás.
- Estava viajando pelos Estados Unidos?
- Sim.
- Ficou noivo, então?
- Não.
- Mas ficaram amigos?
- Achava sua companhia divertida e ela sabia disso.
- O pai dela é muito rico?
- Dizem que é o homem mais rico na costa do Pacífico.
- Como foi que ele ganhou dinheiro?
- Em mineração. Há poucos anos, não tinha nada. Então encontrou ouro, fez investimentos e enriqueceu rapidamente.
- Bem, qual sua impressão pessoal sobre o caráter da jovem... de sua esposa?
O nobre balançou o pincenê nervosamente e fitou a lareira.
- Sabe, Sr. Holmes, minha esposa tinha vinte anos quando o pai ficou rico. Até então, vivia no acampamento da mina, vagava pelos bosques e montanhas e sua educação vela mais da natureza do que de uma sala de aulas. Ela é uma menina traquinas, com uma personalidade forte, livre e selvagem, liberada de qualquer espécie de tradições. É impetuosa... vulcânica, deveria dizer. Toma uma decisão rapidamente e age sem o menor medo. Por outro lado, ter-lhe-ia dado o nome que tenho a honra de possuir - tossiu discretamente - se não achasse que, no fundo, era uma mulher nobre. Acredito que seja capaz de se sacrificar heroicamente e que qualquer coisa desonesta lhe seria profundamente repugnante.
- Tem uma fotografia dela?
- Trouxe isso comigo. - Abriu um medalhão e mostrou-nos o rosto de uma mulher muito linda. Não era uma fotografia e sim uma miniatura em marfim e o artista conseguira transmitir o efeito do cabelo negro lustroso, os grandes olhos escuros e os lábios encantadores. Holmes contemplou-a por muito tempo, com ar grave. Depois fechou o medalhão e devolveu-o a Lorde St. Simon.
- A moça veio a Londres, então, e se encontraram novamente?
- Sim, o pai a trouxe para tomar parte nessa última temporada social. Encontrei-a várias vezes, fiquei noivo dela e agora nos casamos.
- Trouxe consigo, pelo que soube, um dote considerável.
- Moderadamente. Não mais do que é comum em minha família.
- E esse dote, naturalmente, fica com o senhor, já que o casamento é um feito de compensamento?
- Realmente, ainda não indaguei sobre esse assunto.
- Muito natural. O senhor viu a Srta. Doran na véspera do casamento?
- Sim.
- Ela estava bem, alegre?
- Muito bem. Falou longamente sobre o que íamos fazer no futuro.
- Curioso. Isso é muito interessante. E quanto à manhã do dia do casamento.
- Estava muito animada... isto é, pelo menos até depois da cerimônia.
- E notou alguma mudança, então?
- Bem, para dizer a verdade, notei então os primeiros sinais, que já conhecia, de que estava ficando um pouco mal-humorada. Mas foi um incidente muito trivial e não pode ter nada a ver com o caso.
- Gostaria que me contasse, apesar disso.
- Olhe, é muito infantil. Ela deixou cair o buquê de noiva quando saíamos da igreja. Estávamos passando por um banco e o buquê caiu nele. Demorou um instante, mas o cavalheiro que estava sentado no banco entregou-lhe o buquê, que parecia intato. Mas quando disse qualquer coisa a ela, respondeu-me abruptamente. E no carro, a caminho de casa, parecia estar absurdamente agitada com esse incidente insignificante.
- Ah, sim? Disse que o cavalheiro estava sentado no banco. Então havia outras pessoas presentes, que não os convidados?
- Ah, sim. É impossível evitar isso quando a igreja está aberta.
- Esse cavalheiro não era um amigo de sua esposa?
- Não, não. Chamei-o de cavalheiro por mera cortesia, mas era uma pessoa muito comum. Não reparei muito nele. Mas realmente acho que nos estamos desviando do assunto.
- Então Lady St. Simon voltou do casamento menos alegre do que antes. O que fez quando entrou novamente em casa de seu pai?
- Eu a vi conversando com a empregada.
- E quem é sua empregada?
- Seu nome é Alice. É americana e veio da Califórnia com ela.
- Uma criada pessoal?
- Sim, e me parecia que tomava muitas liberdades. Mas é claro que na América essas coisas são muito diferentes.
- Quanto tempo ficou falando com essa Alice?
- Ah, uns minutos. Não prestei atenção, estava pensando em outras...
- Não ouviu o que estavam falando?
- Lady St. Simon disse qualquer coisa sobre "apossar-se das terra". Usava muito linguagem de mineração. Não tenho a menor idéia do que queria dizer.
- A gíria americana às vezes é muito expressiva. E o que fez sua esposa quando acabou de falar com a criada?
- Entrou na sala de almoço.
- Em seu braço?
- Não, sozinha. Era muito independente nessas pequenas coisas. Quando estávamos sentados uns dez minutos levantou-se de repente, murmurou umas desculpas e saiu da sala. E não voltou.
- Mas essa empregada, Alice, pelo que entendi, declarou que ela foi ao quarto, cobriu o vestido de noiva com um longo casaco, botou um chapéu e saiu da casa.
- Exatamente. E foi depois vista andando em Hyde Park em companhia de Flora Millar, uma mulher que está agora presa e que já havia criado um distúrbio em casa do Sr. Doran naquela manhã.
- Ah, sim. Gostaria de mais detalhes sobre essa moça e suas relações com ela.
Lorde St. Simon encolheu os ombros e levantou as sobrancelhas.
- Somos amigos por muitos anos. Devo dizer, amigos íntimos. Ela costumava dançar no Allegro. Fui bastante generoso com ela, e não tem razão de reclamar, mas o senhor sabe como são as mulheres, Sr. Holmes. Flora era uma pessoa encantadora, mas tinha um gênio violento e era muito dedicada a mim. Escreveu cartas horrorosas quando soube que ia me casar e, para dizer a verdade, a razão por que quis um casamento tão simples foi porque temi que houvesse um escândalo na igreja. Ela foi até a porta do Sr. Doran logo que chegamos da igreja e tentou forçar a entrada, dizendo coisas horríveis de minha esposa e chegando até a ameaçá-la, mas eu previra a possibilidade de suceder algo semelhante e dera instruções aos empregados, que logo conseguiram mandá-la embora. Ficou quieta quando viu que não adiantava fazer escândalo.
- Sua esposa ouviu isso?
- Não, graças a Deus.
- E foi vista andando com essa mesma mulher depois disso?
- Sim. É isso que o Sr. Lestrade, da Scotland Yard, considera muito grave. Acha que Flora atraiu minha esposa e armou alguma cilada horrível para ela.
- Bem, é possível.
- O senhor concorda, então?
- Não disse que fosse provável. E o senhor concorda?
- Acho que Flora não machucaria uma mosca.
- O ciúme é capaz de transformar as pessoas. E qual é sua teoria quanto ao que sucedeu?
- Bem, na verdade vim aqui em busca de uma teoria e não para apresentar uma. Dei-lhe todos os fatos. Já que me pergunta, entretanto, posso dizer que me ocorreu a possibilidade de que toda essa excitação e a consciência de que havia dado um gigantesco passo social causaram algum distúrbio nervoso em minha esposa.
- Em resumo, quer dizer que ela ficou subitamente louca?