A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
Nunca pensara encontrar um castelo de pedra do outro lado da Muralha, mas tinha imaginado algum tipo de fosso com uma paliçada de troncos e uma torre fortificada de madeira. Em vez disso, o que encontraram foi uma pilha de estrume, uma pocilga, um curral de ovelhas vazio e um edifício de pau a pique, sem janelas, que quase não merecia aquele nome. Era longo e baixo, com uma estrutura de troncos de árvores e teto de colmo. O complexo erguia-se no topo de uma elevação modesta demais para receber o nome de colina, rodeada por um dique de terra. Riachos marrons corriam pela vertente nos lugares onde a chuva tinha aberto buracos escancarados nas defesas e iam se juntar a um arroio rápido que se curvava para o norte, com as grossas águas transformadas pela chuva numa torrente lamacenta.
A sudoeste, encontrou um portão aberto flanqueado por um par de crânios de animais enfiados na ponta de grandes mastros: um urso de um lado e um carneiro do outro. Jon notou que pedaços de carne ainda se prendiam ao crânio de urso quando se juntou à fileira de cavaleiros que passava por ele. Lá dentro, os batedores de Jarmen Buckwell e homens da vanguarda de Thoren Smallwood estavam instalando amarradouros para cavalos e lutando para erguer tendas. Um grande grupo de leitões fuçava em volta de três enormes porcas no chiqueiro. Ali perto, uma menina pequena arrancava cenouras de um jardim, nua sob a chuva, enquanto duas mulheres amarravam um porco para a matança. Os guinchos do animal eram agudos e horríveis, quase humanos na sua aflição. Os cães de Chett desataram a latir desenfreadamente em resposta, rosnando e dando mordidas, apesar das pragas do rapaz, com um par de cães de Craster respondendo aos latidos com mais latidos. Quando viram Fantasma, alguns dos cães calaram-se e fugiram, enquanto outros começaram a ladrar-lhe e a rosnar. O lobo gigante ignorou-os, assim como Jon.
Bem, trinta de nós ficarão quentes e secos, pensou Jon depois de dar uma boa olhada no edifício. Talvez cinquenta. O lugar era pequeno demais para abrigar duzentos homens durante a noite, e a maioria teria de permanecer ali fora. Mas onde colocá-los? A chuva havia transformado metade do pátio do complexo em poças onde a água chegava aos tornozelos, e o resto, em lama movediça. Antevia-se outra noite triste.
O Senhor Comandante confiou a montaria a Edd Doloroso, que limpava lama dos cascos do cavalo quando Jon desmontou.
– Lorde Mormont está no edifício – Edd anunciou. – Disse para você se juntar a ele. É melhor deixar o lobo aqui fora, ele parece suficientemente faminto para comer um dos filhos de Craster. Bem, para falar a verdade, eu estou suficientemente faminto para comer um dos filhos de Craster, desde que o sirvam quente. Vá lá, eu trato do seu cavalo. Se lá dentro estiver quente e seco, não me diga, não fui convidado a entrar – ele arrancou uma bola de lama úmida de uma ferradura. – Esta lama não parece merda? Será que toda esta colina é feita da merda de Craster?
Jon sorriu.
– Bem, ouvi dizer que ele está aqui há muito tempo.
– Não me anima. Vai lá encontrar o Velho Urso.
– Fantasma, fica – Jon ordenou. A porta da Fortaleza de Craster era feita de duas abas de pele de veado. Jon enfiou-se entre elas, abaixando-se para passar sob o batente baixo. Duas dúzias dos principais patrulheiros tinham-no precedido e estavam em pé, em volta da fogueira no centro do chão de terra, enquanto poças cresciam em volta das suas botas. O salão fedia a fuligem, esterco e cães molhados. O ar estava pesado de fumaça, mas de algum modo mantinha-se úmido. Entrava chuva pelo buraco para a saída da fumaça que havia no telhado. Era uma sala única, com um sótão para dormir em cima, ao qual se chegava por um par de escadas lascadas.
Jon recordou como se sentira no dia em que tinham partido da Muralha, nervoso como uma donzela, mas ansioso por ver os mistérios e maravilhas que se escondiam para lá de cada novo horizonte. Bem, eis uma das maravilhas, disse a si mesmo, olhando em volta do salão esquálido e malcheiroso. A fumaça acre estava fazendo-o lacrimejar. É uma pena que Pyp e Sapo não possam ver tudo o que estão perdendo.
Craster estava sentado na frente da fogueira, o único homem a desfrutar de uma cadeira individual. Até o Senhor Comandante Mormont tinha de se sentar no banco comum, com o corvo resmungando sobre seu ombro. Jarman Buckwell estava em pé, atrás dele, com a cota de malha remendada pingando e o couro molhado e brilhante, ao lado de Thoren Smallwood, que usava a placa de peito e o manto debruado de zibelina do falecido Sor Jaremy.
O justilho de pele de ovelha e o manto de peles cosidas de Craster contrastavam pobremente, mas em torno de um dos seus grossos pulsos havia uma pulseira pesada que tinha o brilho do ouro. Aparentava ser um homem poderoso, embora já bem avançado no inverno dos seus dias, com a cabeleira cinza tornando-se branca. Um nariz achatado e uma boca descaída davam-lhe um aspecto cruel, e tinha uma orelha a menos. Então isto é um selvagem. Jon lembrou-se das histórias da Velha Ama sobre o povo selvagem que bebia sangue de crânios humanos. Craster parecia estar bebendo uma cerveja diluída e amarela de uma taça de pedra lascada. Talvez não tivesse ouvido as histórias.
– Há três anos que não vejo Benjen Stark – estava dizendo a Mormont. – E para falar a verdade, nunca senti falta dele – meia dúzia de cachorros filhotes pretos e um ou dois porcos ocultavam-se por entre os bancos, enquanto mulheres vestidas com esfarrapadas peles de veado distribuíam cornos de cerveja, avivavam o fogo e cortavam cenouras e cebolas para dentro de uma caldeira.
– Devia ter passado por aqui no ano passado – disse Thoren Smallwood. Um cão veio farejar sua perna, e ele lhe deu um chute e o botou em fuga, ganindo.
Lorde Mormont disse:
– Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
– Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo. Tinha menos orelhas do que eu. O frio as levou, como à minha – Craster soltou uma gargalhada. – Agora dizem que também não tem cabeça. Foi também o frio que fez isso?
Jon recordou um esguicho de sangue vermelho na neve branca e o modo como Theon Greyjoy chutara a cabeça do morto. O homem era um desertor. No caminho de volta a Winterfell, Jon e Robb tinham apostado uma corrida e encontraram seis filhotes de lobo gigante na neve. Parecia ter sido há mil anos.
– Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
– Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos – bebeu um trago de cerveja e pôs a taça de lado. – Há uma noite de urso que não tenho aqui bom vinho do sul. Faria bom uso de algum vinho e de um machado novo. O meu perdeu o gume, e assim não pode ser, tenho mulheres para proteger – passou os olhos pelas esposas que corriam por todo o lado.
– São poucos aqui, e isolados – disse Mormont. – Se desejar, destacarei alguns homens para os escoltarem para sul até a Muralha.
O corvo pareceu gostar da ideia. “Muralha”, gritou, abrindo as asas negras como se fossem um colarinho elevado atrás da cabeça de Mormont.
O anfitrião deu um sorriso desagradável, mostrando uma boca cheia de dentes quebrados e escuros.
– E o que é que nós faríamos lá? Serviríamos o seu jantar? Aqui somos gente livre. Craster não serve a ninguém.
– Estes tempos são ruins para viver sozinho em zonas selvagens. Os ventos frios se levantam.