A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Que se levantem. Minhas raízes são bem fundas – Craster agarrou uma mulher que passava pelo pulso. – Conte-lhe, mulher. Conte ao Lorde Corvo como estamos satisfeitos.
A mulher passou a língua por lábios finos.
– Este é o nosso lugar. Craster nos mantém a salvo. É melhor morrer livre do que viver como um escravo.
“Escravo”, o corvo resmungou.
Mormont inclinou-se para a frente.
– Todas as aldeias por que passamos estão abandonadas. São as primeiras almas vivas que vimos desde que deixamos a Muralha. As pessoas desapareceram… Se estão mortas, fugiram ou foram capturadas, não sei dizer. Os animais também. Não sobrou nada. E, antes de partirmos, encontramos os corpos de dois dos patrulheiros de Ben Stark a apenas algumas léguas da Muralha. Estavam brancos e frios, com mãos e pés pretos, e ferimentos que não sangravam. Mas, quando os levamos para o Castelo Negro, ergueram-se na noite e mataram. Um matou Sor Jaremy Rykker, e o outro me atacou, o que me diz que se lembravam de parte do que sabiam em vida, mas não restava neles nenhuma piedade humana.
A boca da mulher escancarou-se, uma gruta úmida e cor-de-rosa, mas Craster limitou-se a bufar.
– Aqui não tivemos problemas desses… E agradeceria se não contassem histórias malignas como essa debaixo do meu teto. Sou um homem temente aos deuses, e os deuses me mantêm a salvo. Se mortos-vivos vierem até mim, saberei como mandá-los de volta para suas sepulturas. Se bem que não me importaria de ter um machado novo e afiado – ele pôs a mulher para correr com uma palmada na perna e um grito: – Mais cerveja, e rápido.
– Não houve problemas com os mortos – disse Jarmen Buckwell –, mas e os vivos, senhor? E o seu rei?
“Rei!”, gritou o corvo de Mormont. “Rei, rei, rei.”
– Aquele Mance Rayder? – Craster escarrou na fogueira. – Rei-para-lá-da-Muralha. O que os homens livres querem ter a ver com reis? – virou os olhos para Mormont. – Havia muita coisa que podia lhe dizer sobre Rayder e o que ele anda fazendo, se estivesse disposto. Isso das aldeias vazias é trabalho dele. Teria também encontrado este edifício abandonado, se eu fosse homem de fazer reverências a gente assim. Ele mandou um homem a cavalo, disse-me que tinha de largar minha fortaleza para ir rastejando aos pés dele. Mandei o homem embora, mas fiquei com a sua língua. Está ali, pregada na parede – ele apontou. – Pode ser que pudesse lhe dizer onde procurar Mance Rayder. Se estivesse disposto – de novo o sorriso escuro. – Mas teremos tempo suficiente para isso. Talvez queiram dormir debaixo do meu teto e comer meus porcos todos.
– Um teto será muito bem-vindo, senhor – disse Mormont. – A viagem foi dura, e úmida demais.
– Então serão hóspedes aqui por uma noite. Mais não, que não sou assim tão amigo de corvos. O sótão é para mim e para os meus, mas podem ficar com todo o chão que quiserem. Tenho carne e cerveja para vinte, não mais que isso. O resto de vocês, seus corvos negros, pode bicar seu próprio milho.
– Trouxemos nossos abastecimentos, senhor – disse o Velho Urso. – Ficaríamos felizes por partilhar nossa comida e vinho.
Craster limpou sua boca caída com as costas de uma mão peluda.
– Eu provo do seu vinho, Lorde Corvo, isso faço. Mais uma coisa. Qualquer homem que puser uma mão nas minhas mulheres fica sem ela.
– O teto é seu, a lei é sua – disse Thoren Smallwood, e Lorde Mormont anuiu rigidamente, embora não parecesse lá muito contente.
– Então está acertado – Cruster concedeu-lhes um grunhido. – Tem algum homem que saiba desenhar um mapa?
– Sam Tarly sabe – Jon avançou. – Ele adora mapas.
Mormont mandou Jon se aproximar.
– Mande-o aqui depois de comer. Diga-lhe para trazer penas e pergaminho. E procure também Tollett. Diga-lhe para trazer meu machado. Um presente de hóspede para nosso anfitrião.
– Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
– É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
– Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Jon Snow fez uma reverência rígida e se retirou. Sor Ottyn Wythers vinha entrando quando ele ia saindo, e quase se chocaram na porta de pele de veado. Lá fora, a chuva parecia ter abrandado. Tinham surgido tendas por todo o complexo. Jon conseguia ver a parte de cima de mais tendas debaixo das árvores.
Edd Doloroso estava alimentando os cavalos:
– Dar ao selvagem um machado, e por que não? – indicou com um dedo a arma de Mormont, um machado de batalha de cabo curto com arabescos de ouro incrustados na lâmina de aço negro. – Ele vai devolvê-lo, garanto. Provavelmente enfiado no crânio do Velho Urso. Por que não dar todos os nossos machados e as espadas também? Não gosto do modo como matraqueiam e retinem quando cavalgamos. Viajaríamos mais depressa sem eles, direto para a porta do inferno. Pergunto-me se chove no inferno. Talvez Craster queira um bom chapéu em vez do machado.
Jon sorriu.
– Ele quer um machado. E vinho também.
– Vê? O Velho Urso é esperto. Se deixarmos o selvagem bem bêbado, talvez só corte uma orelha quando tentar nos matar com aquele machado. Tenho duas orelhas, mas só uma cabeça.
– Smallwood diz que Craster é amigo da Patrulha.
– Sabe qual é a diferença entre um selvagem que é amigo da patrulha e um que não é? – perguntou o severo escudeiro. – Nossos inimigos abandonam nossos corpos aos corvos e aos lobos. Nossos amigos nos enterram em sepulturas secretas. Eu me pergunto há quanto tempo aquele urso está pregado naquele portão, e o que Craster tinha ali antes de virmos dizer olá – Edd olhou com uma expressão de dúvida para o machado, com a chuva correndo pela sua longa cara. – Está seco lá dentro?
– Mais seco do que aqui fora.
– Se me esgueirar por lá depois, sem chegar muito perto do fogo, talvez não prestem atenção em mim até de manhã. Aqueles que ficarem sob o seu teto serão os primeiros que ele matará, mas pelo menos morreremos secos.
Jon teve de rir.
– Craster é um homem só. Nós somos duzentos. Duvido que ele assassine alguém.
– Alegra-me – Edd disse, com um ar completamente taciturno. – E, além disso, há muito a dizer em favor de um bom machado afiado. Detestaria ser assassinado com uma marreta. Vi uma vez um homem atingido na testa por uma. Quase não arranhou a pele, mas a cabeça dele se tornou mole e inchou até ficar do tamanho de uma abóbora, só que com uma cor vermelho-arroxeada. Um homem bem-apessoado, mas morreu feio. Que bom que não estamos lhe dando marretas – Edd afastou-se balançando a cabeça, com o manto negro encharcado jorrando chuva atrás de si.
Jon alimentou os cavalos antes de parar para pensar no seu jantar. Estava se perguntando onde poderia encontrar Sam, quando ouviu um grito de medo.
– Lobo! – Jon correu na direção do grito, dando a volta no edifício, com a terra prendendo suas botas. Uma das mulheres de Craster estava encostada na parede salpicada de lama da fortaleza. – Fica aí – estava gritando para Fantasma. – Fica aí! – o lobo gigante tinha um coelho na boca e outro morto e ensanguentado no chão à sua frente. – Leve-o para longe, senhor – suplicou a mulher quando viu Jon.
– Ele não lhe fará mal – percebeu imediatamente o que tinha acontecido; uma coelheira de madeira, com as ripas despedaçadas, estava a lado de Fantasma na grama molhada. – Deve ter tido fome. Não encontramos muita caça – Jon assobiou. O lobo gigante devorou o coelho, esmagando os pequenos ossos entre os dentes, e caminhou para junto dele.