A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Jaime deixava os bordéis e as prostitutas para o irmão Tyrion. Cersei era a única mulher que tinha desejado na vida.
– As garotas deram prazer a alguns dos soldados do senhor meu pai, ao que parece. Talvez tenham servido comida e bebida a eles. Foi assim que ganharam seus colares de traidoras, com um beijo e um copo de cerveja. – Olhou de relance para os dois lados do rio, a fim de se certificar de que estavam sós. – Isto é terra Bracken. Lorde Jonos pode ter ordenado a morte delas. Meu pai queimou o castelo dele, receio que não goste de nós.
– Pode ser obra de Marq Piper – disse Sor Cleos. – Ou do fogaréu dos bosques, Beric Dondarrion, muito embora eu tenha ouvido dizer que ele só mata soldados. Talvez um bando de nortenhos de Roose Bolton?
– Bolton foi derrotado pelo meu pai no Ramo Verde.
– Derrotado, mas não destruído – disse Sor Cleos. – Avançou para sul novamente quando Lorde Tywin se pôs em marcha contra os vaus. Segundo se dizia em Correrrio, tomou Harrenhal de Sor Amory Lorch.
Jaime não gostou nem um pouco daquilo.
– Brienne – disse, concedendo-lhe a cortesia do nome na esperança de fazer com que ela o escutasse –, se Lorde Bolton detém Harrenhal, tanto o Tridente como a estrada do rei provavelmente estão sob vigia.
Pensou ter visto uma ponta de incerteza nos grandes olhos azuis da garota.
– Está sob a minha proteção. Teriam de me matar.
– Não me parece que eles teriam remorso disso.
– Sou tão boa lutadora quanto você – disse ela em tom defensivo. – Era um dos sete escolhidos do Rei Renly. Com as próprias mãos prendeu o manto de seda listrada da Guarda Arco-Íris em minhas costas.
– A Guarda Arco-Íris? Era você e mais seis garotas, não? Um cantor certo dia disse que todas as donzelas são belas vestidas de seda... mas ele nunca a viu, não é?
A mulher ficou vermelha.
– Temos sepulturas para cavar. – E escalou a árvore.
Os galhos mais baixos do carvalho eram suficientemente grandes para ela caminhar sobre eles, depois de ter subido o tronco. Deslocou-se por entre as folhas, de punhal na mão, cortando as cordas que suspendiam os cadáveres. Moscas esvoaçavam em torno dos corpos quando caíam, e o fedor foi piorando à medida que o trabalho avançava.
– Isso é trabalho demais para se ter só por causa de prostitutas – queixou-se Sor Cleos. – Com o que devemos cavar? Não temos pás, e eu não usarei a espada, não...
Brienne soltou um grito. Saltou para o chão em vez de descer pelo tronco.
– Para o barco. Depressa. Uma vela.
Apressaram-se o mais que puderam, embora Jaime quase não conseguisse correr e tivesse de ser puxado para dentro do esquife pelo primo. Brienne empurrou o barco para a água com um remo e içou apressadamente a vela.
– Sor Cleos, vou precisar que reme também.
Ele fez o que Brienne lhe pediu. O esquife começou a cortar as águas um pouco mais depressa; corrente, vento e remos, todos trabalhavam a seu favor. Jaime ficou sentado, acorrentado, olhando atentamente para o sentido da nascente. Só o topo da outra vela estava visível. Devido ao modo como o Ramo Vermelho se contorcia, parecia encontrar-se do outro lado dos campos, movendo-se para o norte por trás de um biombo de árvores, enquanto eles se deslocavam para o sul, mas Jaime sabia que a aparência era enganosa. Levantou ambas as mãos para proteger os olhos do sol.
– Vermelho de lama e azul de água – anunciou.
A grande boca de Brienne movia-se sem som, dando-lhe o aspecto de uma vaca ruminando.
– Mais depressa, sor.
A estalagem desapareceu rapidamente atrás deles, e também perderam de vista o topo da vela, mas isso não queria dizer nada. Assim que os perseguidores fizessem a curva, ficariam de novo visíveis.
– Creio que podemos ter a esperança de que os nobres Tully parem para enterrar as putas mortas. – A ideia de voltar à sua cela não entusiasmava Jaime. Tyrion poderia pensar agora em qualquer coisa inteligente, mas tudo o que vem à minha cabeça é atacá-los com uma espada.
Durante quase uma hora brincaram de esconde-esconde com os perseguidores, navegando pelas curvas do rio e por entre pequenas ilhas arborizadas. Justo no momento em que começavam a ganhar a esperança de que de algum modo tivessem deixado para trás aqueles que seguiam em seu encalço, eis que a vela distante se tornou de novo visível. Sor Cleos fez uma pausa nas remadas.
– Que os Outros os levem. – E limpou o suor da testa.
– Reme! – disse Brienne.
– Aquilo que vem atrás de nós é uma galé de rio – anunciou Jaime depois de observá-la durante algum tempo. A cada remada parecia crescer um pouco mais. – Nove remos de cada lado, o que significa dezoito homens. Mais, se tiverem embarcado soldados além dos remadores. E velas maiores do que as nossas. Não é possível fugir deles.
Sor Cleos congelou nos remos.
– Você disse dezoito?
– Seis para cada um de nós. Eu ficaria com oito, mas estas pulseiras me atrapalham um pouco. – Jaime ergueu os pulsos. – A menos que a Senhora Brienne faça a gentileza de me soltar.
Ela ignorou-o, colocando todos os seus esforços nas remadas.
– Tínhamos meia noite de dianteira – disse Jaime. – Eles têm remado desde a alvorada, descansando dois remos de cada vez. Devem estar exaustos. A visão de nossa vela renovou suas forças, mas isso não durará. Conseguiríamos matar vários.
O queixo de Sor Cleos caiu.
– Mas... eles são dezoito.
– Pelo menos. O mais certo é serem vinte ou vinte e cinco.
O primo gemeu.
– Não podemos esperar derrotar dezoito homens.
– E eu disse que podíamos? O melhor que podemos esperar é morrer de espada na mão. – Estava sendo completamente sincero. Jaime Lannister nunca teve medo da morte.
Brienne parou de remar. O suor tinha colado madeixas cor de linho em sua testa, e sua careta fazia-a parecer mais rústica do que nunca.
– Você está sob a minha proteção – disse, com a voz tão carregada de ira que era quase um rosnido.
Ele não conseguiu não rir de tanta ferocidade. Ela é o Cão de Caça com tetas, pensou. Ou seria, se tivesse algo que desse para chamar de teta.
– Então proteja-me, garota. Ou me solte para que eu possa me protejer.
A galé pairava rio abaixo, como uma grande libélula de madeira. A água ao redor dela havia se transformado em espuma branca pelos furiosos movimentos de seus remos. Estava aproximando-se visivelmente, e os homens no convés aglomeravam-se na dianteira. Metal cintilava nas mãos deles, e Jaime também via arcos. Arqueiros. Detestava arqueiros.
À proa da galé encontrava-se um homem robusto, de cabeça calva, espessas sobrancelhas grisalhas e braços musculosos. Sobre a cota de malha usava um sujo sobretudo branco, com um salgueiro bordado em verde-claro, mas o manto estava preso por uma truta prateada. O capitão dos guardas de Correrrio. Em seu tempo, Sor Robin Ryger fora um lutador notavelmente persistente, mas seu tempo tinha passado; era da mesma idade de Hoster Tully, e envelhecera com o seu senhor.
Quando os barcos se aproximaram e ficaram a cinquenta metros um do outro, Jaime pôs as mãos em concha ao redor da boca e gritou por sobre a água.
– Veio me desejar boa viagem, Sor Robin?
– Vim levá-lo de volta, Regicida – berrou Sor Robin Ryger. – Como foi que perdeu seus cabelos dourados?
– Espero cegar os inimigos com o brilho da cabeça. Funcionou bastante bem com vocês.
Sor Robin não sorriu. A distância entre o esquife e a galé tinha diminuído para quarenta metros.
– Atirem os remos e as armas ao rio, e ninguém se machucará.
Sor Cleos virou-se.
– Jaime, diga a ele que fomos libertados pela Senhora Catelyn... uma troca de cativos, legítima...