A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Os sons vinham do lado mais distante do castelo, perto do portão principal. Um grupo de homens encontrava-se junto da porta levadiça enquanto ela se erguia aos solavancos, e nos campos mais além, fora do castelo, viam-se várias centenas de cavaleiros. Quando o vento soprou, levantou seus estandartes, e Catelyn tremeu de alívio ao ver a truta saltante de Correrrio. Edmure.
Passaram-se duas horas até que ele achasse que era hora de vir até ela. O castelo já ressoava ao som de ruidosos encontros à medida que os homens iam abraçando as mulheres e as crianças que haviam deixado para trás. Três corvos partiram da colônia, asas negras batendo no ar enquanto levantavam voo. Catelyn observou-os da varanda do pai. Tinha lavado os cabelos, trocado de roupa e se preparado para as censuras do irmão... mesmo assim a espera era difícil.
Quando enfim ouviu sons junto à porta, sentou-se e dobrou as mãos no colo. Lama vermelha seca salpicava as botas, as grevas e o sobretudo de Edmure. Pelo seu aspecto, nunca seria possível adivinhar que tinha ganhado a batalha. Estava magro e cansado, com o rosto pálido, a barba descuidada e os olhos brilhantes demais.
– Edmure – disse Catelyn, preocupada –, você parece doente. Aconteceu alguma coisa? Os Lannister atravessaram o rio?
– Repeli-os. Lorde Tywin, Sandor Clegane, Addam Marbrand, afastei todos eles. Mas Stannis… – Fez uma careta.
– Stannis? Que há com Stannis?
– Perdeu a batalha em Porto Real – disse Edmure em tom infeliz. – Sua frota foi queimada e seu exército, desbaratado.
Uma vitória Lannister era má notícia, mas Catelyn não podia partilhar a óbvia consternação do irmão. Ainda tinha pesadelos com a sombra que vira deslizar pela tenda de Renly e com o modo como o sangue tinha jorrado através do aço de seu gorjal.
– Stannis não era mais amigo do que Lorde Tywin.
– Você não compreende. Jardim de Cima declarou apoio a Joffrey. Dorne também. Todo o sul. – Apertou os lábios. – E você acha adequado libertar o Regicida. Não tinha o direito.
– Tinha o direito de uma mãe. – A voz dela estava calma, embora a notícia sobre Jardim de Cima constituísse um fortíssimo golpe nas esperanças de Robb. Mas agora não podia pensar nisso.
– Não tinha o direito – repetiu Edmure. – Ele era prisioneiro de Robb, prisioneiro de seu rei, e Robb encarregou-me de mantê-lo a salvo.
– Brienne vai mantê-lo a salvo. Jurou-o pela espada dela.
– Aquela mulher?
– Ela entregará Jaime a Porto Real, e vai nos trazer Arya e Sansa em segurança.
– Cersei nunca abrirá mão delas.
– Cersei, não. Tyrion. Ele jurou fazê-lo, numa audiência aberta. E o Regicida também jurou.
– A palavra de Jaime não vale nada. E quanto ao Duende, dizem que levou uma machadada na cabeça durante a batalha. Estará morto antes de sua Brienne chegar a Porto Real, se é que ela vai chegar.
– Morto? – poderiam os deuses ser assim tão impiedosos? Tinha obrigado Jaime a prestar uma centena de juramentos, mas era à promessa do irmão dele que havia prendido suas esperanças.
Edmure mostrou-se cego para sua aflição.
– Jaime estava a meu cargo, e pretendo tê-lo de volta. Enviei corvos...
– Corvos a quem? Quantos?
– Três – disse ele –, para garantir que a mensagem chegue ao Lorde Bolton. Por rio ou por estrada, o caminho de Correrrio a Porto Real vai levá-los a passar perto de Harrenhal.
– Harrenhal. – A própria palavra parecia escurecer a sala. O horror tornou a sua voz pesada quando disse: – Edmure, você sabe o que fez?
– Não tenha medo, omiti seu papel. Escrevi que Jaime fugiu, e ofereci mil dragões por sua recaptura.
Pior e pior, pensou Catelyn, desesperada. Meu irmão é um tolo. Sem serem convidadas, indesejadas lágrimas encheram seus olhos.
– Se isso fosse uma fuga – disse ela em voz baixa –, e não uma troca de reféns, por que os Lannister entregariam as minhas filhas a Brienne?
– Nunca chegará a esse ponto. O Regicida vai ser devolvido a nós, assegurei-me disso.
– Tudo de que se assegurou foi que eu não volte a ver minhas filhas. Brienne podia tê-lo levado em segurança até Porto Real... desde que ninguém os perseguisse. Mas agora... – Catelyn não conseguiu continuar. – Deixe-me, Edmure. – Não tinha qualquer direito de lhe dar ordens, ali no castelo que em breve seria do irmão, mas o tom que empregou não admitia discussões. – Deixe-me com o pai e a minha dor, não tenho mais nada a dizer a você. Vá. Vá. – Tudo que desejava era deitar, fechar os olhos e dormir, e rezar para que nenhum sonho viesse.
ARYA
O céu estava tão negro quanto as muralhas de Harrenhal atrás deles, e a chuva caía suave e constante, abafando o som dos cascos dos cavalos e escorrendo por seus rostos.
Avançaram para o norte, para longe do lago, seguindo uma estrada rural cheia de sulcos, através de campos destroçados e atravessando bosques e riachos. Arya tomou a dianteira, incitando o cavalo roubado a um imprudente trote rápido até as árvores se fecharem à sua volta. Torta Quente e Gendry seguiram-na o melhor que conseguiram. Lobos uivavam a distância, e ela conseguia ouvir a respiração pesada de Torta Quente. Ninguém falou. De tempos em tempos, Arya lançava um olhar, de relance, por sobre o ombro, para se certificar de que os dois rapazes não tinham ficado muito para trás, e para ver se eram perseguidos.
Sabia que o seriam. Tinha roubado três cavalos dos estábulos e um punhal e um mapa do próprio aposento privado de Roose Bolton, e matado um guarda na poterna, rasgando sua garganta quando ele se ajoelhou para pegar a gasta moeda de ferro que Jaqen H’ghar lhe dera. Alguém iria encontrá-lo jazendo morto numa poça do próprio sangue, e então soaria o alarme. Acordariam Lorde Bolton, e vasculhariam Harrenhal das ameias às adegas, e quando o fizessem, descobririam o desaparecimento do mapa e do punhal, além de algumas espadas do arsenal, pão e queijo da cozinha, um ajudante de padeiro, um aprendiz de ferreiro e uma copeira chamada Nan... ou Doninha, ou Arry, dependendo de quem respondesse.
O Senhor do Forte do Pavor não viria atrás deles pessoalmente. Roose Bolton ficaria na cama, com a pele pálida salpicada de sanguessugas, dando ordens com sua voz sussurrante. Seu subordinado Walton, aquele que chamavam de Pernas de Aço devido às grevas que sempre usava nas longas pernas, poderia comandar a perseguição. Ou talvez fosse o babento Vargo Hoat e seus mercenários, que se chamavam de Bravos Companheiros. Os outros chamavam-nos de Saltimbancos Sangrentos (embora nunca na frente deles) e, às vezes, de Homens dos Pés, devido ao hábito que Lorde Vargo tinha de cortar as mãos e os pés dos homens que lhe desagradavam.
Se nos pegarem, vão cortar nossas mãos e nossos pés, pensou Arya, e depois Roose Bolton vai nos esfolar. Ainda vestia o traje de pajem, e no peito, sobre o coração, tinha cosido o símbolo de Lorde Bolton, o homem esfolado do Forte do Pavor.
Toda vez que olhava para trás quase esperava ver um clarão de archotes reluzindo pelos distantes portões de Harrenhal, ou correndo ao longo do topo das enormes muralhas do castelo, mas nada se via. Harrenhal continuou dormindo, até se perder na escuridão e ficar escondido atrás das árvores.
Quando cruzaram o primeiro riacho, Arya virou o cavalo para o lado e levou-os para fora da estrada, seguindo o sinuoso curso de água ao longo de um quarto de milha até, por fim, subir uma margem pedregosa. Esperava que, se os perseguidores trouxessem cães, isso talvez os fizesse perder o rastro. Não podiam ficar na estrada. Há morte na estrada, disse a si mesma, em todas as estradas.