A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Jaime disse, por descargo de consciência.
– Catelyn Stark não governa em Correrrio – gritou Sor Robin de volta. Quatro arqueiros apertaram-se de ambos os lados do velho cavaleiro, dois ajoelhados e dois em pé. – Arremessem suas espadas na água.
– Não tenho espada – retorquiu –, mas se tivesse iria espetá-la em sua barriga e cortaria as bolas desses quatro covardes.
A resposta foi uma chuva de flechas. Uma cravou-se no mastro, duas perfuraram a vela e a quarta não atingiu Jaime por trinta centímetros.
Outra das grandes voltas do Ramo Vermelho aproximou-se à frente deles. Brienne atravessou-a em ângulo, o estaleiro balançou quando viraram e a vela estalou ao se encher de vento. À frente, uma grande ilha estendia-se no meio da calha. O canal principal fluía pela direita. À esquerda, uma corredeira fluía entre a ilha e as escarpas elevadas da margem norte. Brienne moveu a cana do leme e o esquife cortou para a esquerda, com a vela ondulando. Jaime observou seus olhos. Olhos bonitos, pensou, e calmos. Sabia ler os olhos de uma pessoa. Sabia qual era o aspecto do medo. Ela está determinada, não desesperada.
Trinta metros atrás, a galé entrava na curva.
– Sor Cleos, tome o leme – ordenou a moça. – Regicida, pegue um remo e mantenha-nos afastados das rochas.
– Às ordens de minha senhora. – Um remo não era uma espada, mas a pá podia quebrar o rosto de um homem, se bem brandida, e o cabo podia ser usado para parar estocadas.
Sor Cleos enfiou o remo na mão de Jaime e engatinhou até a popa. Passaram pela ponta da ilha e entraram na corredeira em uma curva apertada, atirando uma onda contra a íngreme encosta enquanto o barco se inclinava. A ilha era densamente arborizada, um emaranhado de salgueiros, carvalhos e grandes pinheiros que lançavam profundas sombras sobre a água, escondendo rochas e os troncos apodrecidos de árvores submersas. À esquerda, a falésia erguia-se abrupta e rochosa, e, em seu sopé, o rio espumava, branco, em volta de pedregulhos quebrados e montes de rochas caídos da face da escarpa.
Passaram do sol para a sombra, escondidos da vista da galé pela muralha verde das árvores e pela escarpa rochosa cinza-amarronzada. Alguns momentos livres das flechas, pensou Jaime, afastando-os de um pedregulho meio submerso.
O esquife balançou. Ouviu uma suave pancada na água e quando olhou em volta, Brienne tinha desaparecido. Um momento mais tarde, voltou a vê-la, erguendo-se de dentro da água para a base da escarpa. Ela atravessou um charco raso, subiu algumas rochas e começou a escalar. Sor Cleos arregalava os olhos, de boca aberta. Idiota, pensou Jaime.
– Ignore a garota – exclamou para o primo. – Guie o barco.
Já viam a vela movendo-se atrás das árvores. A galé de rio surgiu, no topo da corredeira, vinte e cinco metros atrás deles. Sua proa oscilou violentamente quando ela virou, e meia dúzia de flechas levantaram voo, mas todas passaram bastante longe. O movimento dos dois barcos estava dando trabalho aos arqueiros, mas Jaime sabia que eles aprenderiam a compensar dentro de pouco tempo. Brienne encontrava-se no meio da escarpa, içando-se de apoio em apoio. Ryger vai vê-la com certeza e, assim que isso acontecer, ordenará àqueles arqueiros que a abatam. Jaime decidiu verificar se o orgulho do velho o tornava estúpido.
– Sor Robin – gritou –, escute-me por um momento.
Sor Robin ergueu uma mão e os arqueiros baixaram os arcos.
– Diga o que quiser, Regicida, mas diga depressa.
O esquife sacudiu por entre uma confusão de pedras quebradas enquanto Jaime gritava:
– Conheço uma maneira melhor de resolver este assunto... combate singular. Você e eu.
– Não nasci esta manhã, Lannister.
– Não, mas é provável que morra esta tarde. – Jaime ergueu as mãos para que o outro pudesse ver as algemas. – Lutarei com você acorrentado. Que tem a temer?
– Não você, sor. Se a escolha fosse minha, nada me agradaria mais, mas recebi ordens de levá-lo de volta vivo, se possível. Arqueiros. – Fez-lhes sinal para avançar. – Encaixar. Puxar. Larg…
A distância era inferior a vinte metros. Os arqueiros dificilmente teriam falhado, mas, no momento em que puxavam os arcos, uma cascata de seixos choveu em volta deles. Pequenas pedras matraquearam no convés, ricochetearam em seus elmos e caíram na água de ambos os lados da proa. Os que tinham cérebro suficiente para compreender levantaram os olhos no exato instante em que um pedregulho do tamanho de uma vaca se desprendeu do topo da íngreme encosta. Sor Robin gritou, consternado. O pedregulho girou no ar, atingiu a face do penhasco, rachou em dois e esmagou-se sobre eles. O pedaço maior quebrou o mastro, atravessou a vela, atirou dois dos arqueiros ao rio e esmagou a perna de um remador no momento em que ele se dobrava sobre o remo. A rapidez com que a galé começou a se encher de água sugeria que o fragmento menor tinha atravessado o casco. Os gritos dos remadores ecoaram na encosta enquanto os arqueiros esbracejavam freneticamente na corrente. Julgando pelo modo como chapinhavam na água, nenhum deles sabia nadar. Jaime soltou uma gargalhada.
Quando emergiram da corredeira, a galé afundava por entre charcos, turbilhões e obstáculos submersos, e Jaime Lannister chegou à conclusão de que os deuses eram bons. Sor Robin e seus triplamente malditos arqueiros teriam uma longa e encharcada caminhada de volta a Correrrio, e também se tinha visto livre da grande garota rústica. Eu mesmo não poderia ter planejado isso melhor. Assim que me livrar destes ferros...
Sor Cleos soltou um grito. Quando Jaime olhou para cima, Brienne deslocava-se pelo topo da encosta bem à frente deles, depois de cortar por um istmo enquanto o barco seguia a curva do rio. Atirou-se do rochedo, e pareceu quase graciosa ao se dobrar para um mergulho. Teria sido descortês ter esperança de que ela esmagasse a cabeça numa pedra. Sor Cleos virou o esquife em sua direção. Felizmente, Jaime ainda tinha o remo. Uma boa cacetada quando ela emergir bracejando, e me livro dela.
Mas, em vez disso, viu-se estendendo o remo por cima da água. Brienne agarrou-se a ele, e Jaime puxou-a para dentro. Enquanto a ajudava a subir para o esquife, água escorreu dos cabelos dela e pingou de suas roupas empapadas, fazendo uma poça no convés. É ainda mais feia molhada. Quem acharia que isso seria possível?
– É uma garota burra demais – disse-lhe. – Podíamos ter continuado sem você. Suponho que espera que lhe agradeça?
– Não quero nenhum agradecimento seu, Regicida. Prestei o juramento de levá-lo a salvo até Porto Real.
– E pretende mesmo mantê-lo? – Jaime concedeu-lhe o mais resplandecente de seus sorrisos. – Isso é de admirar.
CATELYN
Sor Desmond Grell havia servido a Casa Tully por toda a sua vida. Era escudeiro quando Catelyn nasceu, cavaleiro quando ela aprendeu a andar, a montar a cavalo e a nadar, mestre de armas no dia em que ela casou. Tinha visto a pequena Cat do Lorde Hoster transformar-se numa jovem, na senhora de um grande lorde, na mãe de um rei. E agora também viu me tornar uma traidora.
O irmão de Catelyn, Edmure, nomeara Sor Desmond castelão de Correrrio quando partiu para a batalha, por isso coube a ele lidar com o crime dela. A fim de aliviar seu desconforto, trouxe consigo o intendente do pai, o severo Utherydes Wayn. Os dois homens pararam e fitaram-na; Sor Desmond, corpulento, corado, embaraçado, Utherydes, grave, lúgubre, melancólico. Cada um esperava que o outro falasse. Deram a vida a serviço de meu pai, e eu paguei-lhes com a desonra, pensou, exausta, Catelyn.