A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Quando o vento mudou, Sor Cleos ajudou a grande garota a içar a vela, um triângulo teso de lona com listras vermelhas e azuis. Cores Tully, que lhes causariam problemas na certa se encontrassem alguma força Lannister no rio, mas era a única vela que possuíam. Brienne pegou a cana do leme. Jaime atirou à água a bolina de bordo, e suas correntes chocalharam quando se moveu. Depois disso, a velocidade aumentou, e a fuga passou a ser favorecida tanto pelo vento como pela corrente do rio.
– Poderíamos poupar algum tempo se me entregasse ao meu pai e não ao meu irmão – apontou.
– As filhas da Senhora Catelyn estão em Porto Real. E ou volto com as meninas ou não volto.
Jaime virou-se para Sor Cleos.
– Primo, empreste-me sua faca.
– Não. – A mulher ficou tensa. – Não o quero armado. – A voz era inflexível como pedra.
Ela tem medo de mim, mesmo acorrentado.
– Cleos, parece que terei de pedir que você raspe meu cabelo. Deixe a barba, mas tire o cabelo da minha cabeça.
– Quer raspar o cabelo por completo? – perguntou Cleos Frey.
– O reino conhece Jaime Lannister como um cavaleiro sem barba e com longos cabelos dourados. Um careca com uma barba amarela e imunda pode passar despercebido. Prefiro não ser reconhecido enquanto estiver acorrentado.
O punhal não estava tão afiado como seria desejável. Cleos cortou os cabelos do primo virilmente, abrindo caminho pelos nós e atirando-os na água. Os caracóis dourados flutuaram na superfície da água, ficando gradualmente para trás. Enquanto os cabelos iam desaparecendo, um piolho arrastou-se descendo por seu pescoço. Jaime apanhou-o e esmagou-o na unha. Sor Cleos tirou outros do couro cabeludo do primo e atirou-os na água. Jaime mergulhou a cabeça no rio e obrigou Sor Cleos a amolar a lâmina antes de deixá-lo raspar os últimos dois centímetros de penugem amarela. Quando terminaram essa parte, apararam-lhe também a barba.
O reflexo na água era de um homem que não conhecia. Não só era calvo, também parecia que tinha envelhecido cinco anos naquela masmorra; seu rosto estava mais magro, com covas debaixo dos olhos e rugas de que não se lembrava. Assim não me pareço muito com Cersei. Ela vai detestar isso.
Por volta do meio-dia, Sor Cleos adormeceu. Seus roncos pareciam patos acasalando. Jaime esticou-se para ver o mundo passando; depois da cela escura, cada rochedo e árvore era uma maravilha.
Algumas choupanas de um só cômodo surgiram e desapareceram, empoleiradas em estacas altas que as faziam assemelhar-se a guindastes. Das pessoas que lá viviam não viram nem sinal. Aves voavam no alto, ou soltavam gritos das árvores que cresciam nas margens, e Jaime vislumbrou peixes prateados cortando a água. Truta Tully, aí está um mau presságio, pensou, até ver outro pior – um dos troncos flutuantes por que passaram revelou ser um homem morto, sem sangue e inchado. Seu manto estava emaranhado nas raízes de uma árvore caída, e a cor era inconfundíveclass="underline" o carmesim de Lannister. Perguntou a si mesmo se o cadáver era de algum conhecido seu.
Os ramos do Tridente eram a forma mais simples de transportar bens e homens pelas terras fluviais. Em tempos de paz, teriam encontrado pescadores em seus esquifes, barcaças de cereais sendo conduzidas corrente abaixo por varas, mercadores que vendiam agulhas e rolos de tecido em lojas flutuantes, talvez até um barco de pantomimeiros alegremente pintado, com velas feitas de remendos de meia centena de cores, subindo o rio de aldeia em aldeia e de castelo em castelo.
Mas a guerra havia cobrado seu preço. Passaram por aldeias mas não viram aldeões. Uma rede vazia, cortada, rasgada e pendurada em árvores era o único sinal de pescadores. Uma jovem que dava de beber ao cavalo afastou-se assim que vislumbrou a vela deles. Mais tarde, passaram por uma dúzia de camponeses que escavavam à sombra do esqueleto de uma torre queimada. Os homens olharam-nos com olhos mortiços e regressaram ao trabalho assim que decidiram que o esquife não constituía ameaça.
O Ramo Vermelho era largo e lento, um rio sinuoso de voltas e curvas, salpicado de minúsculas ilhotas arborizadas e frequentemente atravancado por bancos de areia e obstáculos submersos que espreitavam logo abaixo da superfície da água. Mas Brienne parecia ter olho bom para os perigos, e sempre encontrava o canal. Quando Jaime a elogiou por seu conhecimento do rio, ela olhou-o com suspeita e disse:
– Não conheço o rio. Tarth é uma ilha. Aprendi a manejar remos e velas antes de subir em um cavalo.
Sor Cleos sentou-se e esfregou os olhos.
– Deuses, meus braços estão doloridos. Espero que o vento dure. – Farejou-o – Sinto cheiro de chuva.
Jaime acolheria com agrado uma boa chuvarada. As masmorras de Correrrio não eram o lugar mais limpo dos Sete Reinos. Agora devia estar cheirando como um queijo curado demais.
Cleos semicerrou os olhos para a jusante.
– Fumaça.
Um fino dedo cinzento chamava-os, mais adiante. Erguia-se da margem sul, a vários quilômetros de distância, retorcendo-se e enrolando-se. Por baixo, Jaime distinguiu os restos fumegantes de um grande edifício, e um carvalho perenifólio cheio de mulheres mortas.
Os corvos mal tinham começado a atacar os cadáveres. As cordas finas abriam sulcos profundos na pele suave de suas gargantas, e quando o vento soprava, elas viravam e oscilavam.
– Isso não foi cavalheiresco – disse Brienne quando se aproximaram o suficiente para ver com clareza. – Nenhum cavaleiro de verdade perdoaria uma carnificina tão cruel.
– Os verdadeiros cavaleiros veem coisas piores sempre que partem para a guerra, garota – disse Jaime. – E, sim, fazem coisas piores.
Brienne virou o leme para a margem.
– Não deixarei inocentes como comida para corvos.
– Uma garota sem coração. Os corvos também precisam comer. Fique no rio e deixe os mortos em paz, mulher.
Atracaram antes do local onde o grande carvalho se inclinava sobre a água. Enquanto Brienne baixava a vela, Jaime pulou para fora do barco, desajeitado devido às correntes. O Ramo Vermelho encheu suas botas e empapou seus calções esfarrapados. Rindo, ajoelhou-se, mergulhou a cabeça na água e ergueu-se, ensopado e pingando. Tinha as mãos cheias de sujeira seca, e depois de esfregá-las na corrente, pareceram-lhe mais magras e mais pálidas do que se lembrava delas. Sentiu também as pernas tesas e pouco firmes quando apoiou nelas seu peso. Passei tempo demais na maldita masmorra de Hoster Tully.
Brienne e Cleos arrastaram o esquife para a margem. Os cadáveres pendiam sobre suas cabeças, amadurecendo na morte como frutos fétidos.
– Um de nós terá de cortar aquelas cordas – disse a mulher.
– Eu subo – Jaime moveu-se para a terra, tilintando. – Basta que tire estas correntes de mim.
A garota estava fitando uma das mortas. Jaime aproximou-se com seus pequenos e hesitantes passinhos, a única forma que a corrente permitia. Quando viu a tosca tabuleta pendurada no pescoço do cadáver mais alto, sorriu.
– Deitaram-se com Leões – leu. – Oh, sim, mulher, isso foi muito pouco cavalheiresco... mas, foi feito pelo seu lado, e não pelo meu. Pergunto-me quem seriam estas mulheres.
– Garotas de taverna – disse Sor Cleos Frey. – Isto era uma estalagem, recordo agora. Alguns homens de minha escolta passaram a noite aqui quando voltamos a Correrrio. – Nada restava do edifício além das fundações de pedra e de um emaranhado de vigas caídas e negras de carvão. Ainda saía fumaça das cinzas.