O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]
- Автор: Азимов Айзек
- Год: 1974
- Язык: португальский
- Год: Hemus
- Переводчик: Luiz Carlos Ascencio Nunes
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]». Краткое содержание книги:
— Porque a alteração tornou a Mudança inevitável? — disse Harlan com insegurança.
— Tornou? Você pode voltar atrás e anular a alteração, não pode?
— Creio que sim. Nunca o fiz, contudo. Ou alguém de quem eu tenha ouvido falar.
— Certo. Não há propósito em se anular uma alteração, portanto ela passa como planejada. Mas aqui temos algo mais. Uma alteração não intencional. Você mandou Cooper para o século errado, e agora eu pretendo firmemente anular essa alteração e trazer Cooper de volta para cá.
— Pelo amor do Tempo, como?
— Não estou certo ainda, mas deve haver uma maneira. Se não houvesse jeito, a alteração seria irreversível; a Mudança teria vindo de imediato. Mas não veio. Estamos ainda na Realidade da autobiografia de Mallansohn. Isso significa que a alteração é reversível e será revertida.
— O quê? — o pesadelo de Harlan estava se expandindo e girando, tornando-se mais sombrio e mais engolfante.
— Deve haver alguma maneira de se emendar o círculo no Tempo outra vez, e nossa habilidade quanto a descobrir o modo de fazê-lo deve ser uma coisa de alta probabilidade.
A partir do ponto em que nossa Realidade existe, podemos estar certos de que a solução continua com alta probabilidade. Se a qualquer momento, eu ou você tomarmos a decisão errada, se a probabilidade de se consertar o círculo cair sob alguma magnitude crucial, a Eternidade desaparecerá. Entende?
Harlan não estava certo de entender. Não estava tentando com muito empenho. Levantou-se lentamente e caminhou até uma cadeira. — Quer dizer que podemos trazer Cooper de volta…
— E mandá-lo para o lugar certo, sim. Apanhá-lo no momento em que deixar a caldeira e ele poderá chegar ao seu lugar adequado no século 24, não mais do que algumas fisio-horas depois; fisiodias, no máximo. Isso seria uma alteração, é claro, mas não de grandes dimensões, sem dúvida. A Realidade seria agitada, rapaz, mas não perturbada.
— Mas como o traremos?
— Sabemos que há um modo, ou a Eternidade não estaria existindo neste momento. Quanto a qual seja o modo, é por isso que preciso de você, que fiz esforço para tê-lo de volta ao meu lado. Você é o perito em Primitivo. Diga-me.
— Não posso — suspirou Harlan.
— Pode — insistiu Twissell.
De súbito, sumiram-se os traços de idade ou de cansaço da voz do velho. Seus olhos estavam inflamados com a luz do combate e ele brandia seu cigarro como uma lança.
Mesmo para os sentidos insensibilizados de Harlan, o homem parecia estar divertindo-se, realmente se divertindo, agora que a batalha havia sido iniciada.
— Podemos reconstruir o fato — disse Twissell. — Aqui está o controle de impulso. Você está diante dele esperando pelo sinal. Ele chega. Você aciona o contato e ao mesmo tempo comprime a força de impulso em direção descendente. Até onde?
— Não sei. Estou-lhe dizendo que não sei.
— Você não sabe, mas seus músculos sim. Fique aí e pegue o controle. Fique seguro de si. Pegue-os, rapaz. Você está esperando pelo sinal. Você está me odiando. Odiando o Conselho. Odiando a Eternidade. Você está voltando o seu coração para Noys. Coloque-se de volta àquele momento. Sinta o que sentiu então. Agora colocarei o relógio em movimento outra vez.
Dar-lhe-ei um minuto, rapaz, para lembrarse de suas emoções e forçá-las de volta ao seu tálamo. Então, quando o ponteiro aproximar-se do zero, deixe sua mão direita empurrar o controle como fez antes. Então tire a mão! Não o mova para trás novamente. Está pronto?
— Não creio que possa fazê-lo.
— Você não crê… Pai Tempo, você não tem escolha! Há outra forma de você recuperar sua garota?
Não havia. Harlan forçou-se de volta aos controles, e quando o fez, a emoção retornou. Ele não teve de invocá-la. A repetição dos movimentos físicos trouxe-a de volta. A agulha vermelha do relógio começou a se mover.
O último minuto de vida? — pensou ele desinteressadamente.
Trinta segundos.
Ele pensou: Não vai doer. Isto não é a morte.
Tentou pensar somente em Noys.
Quinze segundos.
Noys!
A mão esquerda de Harlan moveu para baixo um interruptor, em direção ao contato.
Doze segundos.
Contacto!
Sua mão direita moveu-se.
Cinco segundos!
Noys!
Sua mão direita moveu e espasmodiraroente (sic).
Ele pulou para longe, ofegante.
Twissell aproximou-se, examinando o mostrador. — Século Vinte — disse ele. — Mil novecentos e trinta e oito, para ser exato.
— Não sei — desabafou Harlan. — Tentei sentir o mesmo, mas foi diferente. Eu sabia o que estava fazendo e isso fez a diferença.
— Eu sei, eu sei — disse Twissell. — Pode ser que tudo esteja errado. Chame isto de uma primeira aproximação.
Ele fez uma pausa, em cálculo mental, tirou um computador de bolso de seu estojo e colocou-o novamente sem consultá-lo.
— Que vá para o Tempo os pontos decimais. Digamos que é de 0,99 a probabilidade de você tê-lo mandado de volta ao segundo quarto do século 20. Algum lugar entre 1925 e 1950. Está bem?
— Não sei.
— Bem, agora, olhe. Se eu tomar a firme decisão de concentrar nessa parte do Primitivo com exclusão de tudo o mais e estiver errado, corro o risco de ter perdido minha oportunidade de conservar fechado o círculo no Tempo e a Eternidade desaparecerá. A própria decisão será o ponto crucial, a Mínima Mudança Necessária, a M.M.N., para se processar a Mudança. Tomo agora a decisão. Decido, definitivamente…
Harlan olhou em volta com cautela, como se a Realidade tivesse se tornado tão frágil que um movimento súbito da cabeça pudessse abalá-la.
— Estou plenamente consciente da Eternidade — disse Harlan. (A calma de Twissell o havia influenciado a ponto de sua voz soar firme em seus próprios ouvidos.)
— Então a Eternidade ainda existe — disse Twissell de maneira brusca e convicta — e tomamos a decisão certa. Agora nada mais há a fazer aqui, por enquanto. Vamos ao meu escritório e poderemos deixar o subcomitê do Conselho aglomerar-se aqui, se isso os deixar um pouco mais felizes. No que diz respeito a eles, o projeto terminou com sucesso. Se não terminou, eles nunca saberão Nem nós.
Twissell observou seu cigarro e disse: — A pergunta que agora se nos confronta é esta: o que fará Cooper quando descobrir que está no século errado?
— Não sei.
— Uma coisa é óbvia. Ele é bem jovem, inteligente, imaginativo, não concorda?
Bem, ele é Mallansohn.
— Exatamente. E ele pensou na possibilidade de chegar ao lugar errado. Uma de suas últimas perguntas foi: “O que acontecerá se eu não parar no ponto certo?”
Lembra-se?
— Bem? — Harlan não tinha idéia de onde ele queria chegar com isso.
— Então ele está mentalmente preparado para ficar deslocado no Tempo. Ele fará algo. Tentará chegar a nós.
Tentara deixar traços para nós. Lembre-se de que ele foi um Eterno, parte de sua vida. Este é um fato importante.
Twissell soprou um círculo de fumaça, enganchou-o com um dedo e observou-o espiralar-se e dispersar-se. — Ele está acostumado à noção de comunicação através do Tempo.
Não é provável que ele se renda ao pensamento de estar abandonado no Tempo. Saberá que nós o estamos procurando.
— Sem caldeiras e sem Eternidade no século 20 — disse Harlan — como ele faria para comunicar-se conosco?
— com você, Técnico, com você. Use o singular. Você é o nosso perito em Primitivo. Você ensinou a Cooper sobre o Primitivo. Você é a pessoa que ele esperaria ser capaz de encontrar seus vestígios.