O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]
- Автор: Азимов Айзек
- Год: 1974
- Язык: португальский
- Год: Hemus
- Переводчик: Luiz Carlos Ascencio Nunes
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]». Краткое содержание книги:
— Mas não está feito. Ouça apenas um pouquinho mais — Twissell o estava adulando, quase sussurrando com agoniada gentileza. — Você terá sua garota. Eu prometi isso.
Eu ainda prometo. Ela não será molestada. Você não será molestado. Eu lhe prometo isso. É a minha garantia pessoal.
Harlan fitou-o de olhos arregalados. — Mas é tarde demais. De que adianta?
— Não é tarde demais. As coisas não são irreparáveis. com sua ajuda, podemos ter sucesso ainda. Eu preciso de sua ajuda. Você deve compreender que agiu errado. Estou tentando explicar-lhe isto. Você deve querer desfazer o que fez.
Harlan lambeu os lábios secos com uma língua também seca e pensou: ele está louco. Sua mente não consegue aceitar a verdade — ou será que o Conselho sabe mais?
Saberia? Saberia? Poderia ele inverter o veredicto das Mudanças? Poderiam eles deter o Tempo ou invertê-lo?
— O senhor prendeu-me na sala de controle, deixou-me indefeso até que tudo estivesse terminado, pensou o senhor.
— Você disse que estava com medo de que algo pudesse sair errado com você; que você pudesse não ser capaz de levar adiante a sua parte.
— Isto, por intenção, era uma ameaça.
— Eu a interpretei literalmente. Desculpe-me. Eu preciso de sua ajuda.
Chegou a isso. A ajuda de Harlan era necessária. Estaria ele louco? Estaria Harlan louco? A loucura teria significado? Ou qualquer coisa mais, quanto a isso?
O Conselho precisava de sua ajuda. Por essa ajuda eles lhe prometeriam qualquer coisa. Noys. A posição de computador. O que eles não lhe prometeriam? E quando tivesse terminado com sua ajuda, o que receberia? Ele não seria logrado uma segunda vez.
— Não! — disse ele.
— Você terá Noys.
— Quer dizer que o Conselho quererá infringir as leis da Eternidade uma vez que o perigo tenha passado? Não creio.
Como pode passar o perigo? — perguntou uma parte sã de sua mente. Sobre o que era tudo isso?
— O Conselho nunca saberá.
— O senhor quereria infringir as leis? O senhor é o Eterno ideal. Passado o perigo, o senhor obedeceria as leis. O senhor não poderia agir de modo contrário.
Twissell enrubesceu as bolhas no alto de cada face. Do velho rosto, toda a perspicácia e vigor escoaram-se. Restou apenas uma estranha tristeza.
— Manterei minha palavra a você e transgredirei a lei — disse Twissell — por uma razão que você não imagina. Não sei quanto tempo nos resta antes que a Eternidade desapareça. Poderiam ser horas; poderiam ser meses. Mas gastei tanto tempo na esperança de trazer você ao raciocínio, que gastarei um pouco mais. Quer me ouvir?
Por favor?
Harlan hesitou. Então, por convicção da inutilidade de tudo, tanto quanto por qualquer coisa mais, disse cansadamente: — Está bem.
Tenho ouvido dizer (começou Twissell) que eu já nasci velho, que meus dentes nasceram num Microcomputaplex, que guardo meu computador portátil num bolso especial do pijama, quando durmo, que meu cérebro é composto de pequenos suprimentos de energia em infinitas conexões paralelas e que cada corpúsculo de meu sangue é uma mapa espaço-temporal microscópico flutuando em óleo de computador.
Todas estas estórias chegam a mim eventualmente, e creio que devo estar um pouco orgulhoso delas. Pode ser que eu continue acreditando um pouco nelas. É uma tolice, partindo de um velho, mas isso torna a vida um pouco mais fácil.
Isso o surpreende? O fato de eu ter de achar um modo de tornar a vida mais fácil? Eu, Computador Sênior Twissell, membro sênior do Conselho Geral?
Talvez seja por isso que fumo. Já pensou nisso? Tenho de ter uma razão, sabe. A Eternidade é essencialmente uma sociedade de não-fumantes, e a maioria do Tempo é, também. Pensei nisso diversas vezes. Às vezes acho que isso é uma rebelião contra a Eternidade. Algo para substituir uma rebelião maior que falhou,…
Não, está tudo bem. Uma lágrima ou duas não me farão mal, e não é fingimento, creia-me. Apenas não pensei nisso por muito tempo. Não é agradável.
Uma mulher está envolvida, naturalmente, como no seu caso. Não é coincidência. É quase inevitável, se você parar para pensar. Um Eterno, que deve trocar as satisfações normais da vida familiar por um punhado de perfurações em folha, está propenso a influências. Esta é uma das razões por que a Eternidade deve tomar as precauções que toma. E, aparentemente, é por isso também que os Eternos são tão ingênuos ao burlar as precauções, de vez em quando.
Eu me lembro de minha mulher. É tolice minha fazê-lo, talvez. Não consigo lembrar de nada mais sobre o fisiotempo. Meus velhos colegas são apenas nomes nos livros de registro; as Mudanças que supervisei — todas menos uma — são apenas itens nas combinações de memória do Computaplex. Lembro-me dela muito bem, no entanto. Talvez você possa entender isso.
Eu tinha, há muito tempo, um pedido de ligação nos livros; e depois que alcancei a posição de Computador Júnior, ela me foi cedida. Era uma garota deste mesmo século, o 575. Não a vi antes da permissão, é claro. Ela era inteligente e amável. Não bonita ou mesmo atraente; mas então, mesmo quando jovem (sim, eu fui jovem; não ligue para os mitos), não fui notável por minha própria aparência. Concordávamos bem um com o outro em temperamento, ela e eu, e se eu fosse um Tempista, teria ficado orgulhoso por tê-la como esposa. Eu disse isso a ela várias vezes. Creio que isso a agradava. Sei que esta era a verdade. Nem todos os Eternos, que devem receber suas mulheres quando e como as Computações permitem, são tão afortunados!
Naquela Realidade específica, ela iria morrer jovem, é claro, e nenhuma de suas análogas estava disponível para ligação. A princípio, recebi isso filosoficamente.
Afinal de contas, era o seu curto tempo de vida que possibilitava a ela viver comigo sem afetar a Realidade de modo nocivo.
Estou envergonhado, agora, pelo fato de ter ficado satisfeito por ela ter pouco tempo de vida. Isto é, apenas a princípio. Apenas a princípio.
Visitei-a tantas vezes quanto permitiu o mapa espaçotemporal. Espremi delegada minuto, renunciando a refeições e sono, quando necessário, livrando-me imprudentemente de minha carga de trabalho sempre que podia. A amabilidade dela ultrapassou as minhas esperanças, e eu estava amando. Exponho isso claramente. Minha experiência de amor é muito pequena, e entendê-la através de Observação no Tempo é uma coisa duvidosa. Até onde ia minha compreensão, contudo, eu estava amando.
O que começou como satisfação de uma necessidade física e emocional, tornou-se um bocado mais. A sua morte iminente deixou de ser uma conveniência e tornou-se uma calamidade. Submeti-a a Esboço de Vida. Não fui aos departamentos competentes, contudo. Fi-lo por mim mesmo. Isso o surpreende, imagino. Esta foi uma má conduta, mas não foi nada, comparada com os crimes que cometi depois.
Sim, eu, Laban Twissell. Computador Sênior Twissell.
Por três vezes isoladas, um ponto no fisiotempo veio e passou, durante o qual alguma ação simples de minha parte poderia ter alterado a Realidade pessoal dela. Naturalmente, eu sabia que tal Mudança, por motivos pessoais, não poderia ser autorizada pelo Conselho. Todavia, comecei a sentir-me pessoalmente responsável pela morte dela.
Isso foi parte da minha motivação, mais tarde.
Ela ficou grávida. Eu nada fiz, embora devesse. Eu havia feito seu Esboço de Vida, modificado para incluir sua relação comigo, e sabia que a gravidez era uma conseqüência de alta probabilidade. Como você pode ou não saber, os Eternos engravidam, ocasionalmente, as mulheres Tempistas, apesar das precauções. Isso não é incomum. Todavia, desde que os Eternos não podem ter filhos, tais gestações, quando ocorrem, são eliminadas sem dor e com segurança. Há diversos métodos.
Meu Esboço de Vida tinha indicado que ela morreria antes do parto, portanto não tomei precauções. Ela estava feliz em sua gravidez e eu queria que ela continuasse assim Então apenas observei e tentei sorrir quando ela me disse que podia sentir a vida movendo-se dentro dela.