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Conte - Me Seus Sonhos [em Português]

Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:

Ashley, Toni e Alette têm duas coisas em comum - são bonitas e suspeitas de cometer uma série de assassinatos brutais. A polícia efetua a prisão, que leva a um dos julgamentos mais inusitados já vistos, com a defesa baseando-se em provas médicas bizarras, porém autênticas. De Londres a Roma, de Quebec a São Francisco, a trama de 'Conte-me seus sonhos' é magnética desde o começo até o final surpreendente.
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- Ela é muito pior do que Lizzie Borden. Borden só matou duas pessoas.

O outro acrescentou:

- E ela não castrou ninguém.

- O que será que vão fazer com ela?

- Está brincando? Vai pegar sentença de morte.

- Pena que a Meretriz Sanguinária não possa pegar três sentenças de morte!

É isso que o povo anda dizendo, pensou David. Teve a deprimente impressão de que se desse uma volta pelo restaurante, ouviria comentários parecidos com esse. Brennan havia construído uma imagem monstruosa dela. David chegou a ouvir a voz de Quiller. Se você não a levar ao banco das testemunhas, esta é a imagem que os jurados terão em mente quando se recolherem à sala do júri para chegar ao veredicto.

Preciso correr o risco. Preciso deixar que os jurados vejam por si mesmos que Ashley está dizendo a verdade.

A garçonete estava ao seu lado.

- Já quer fazer o seu pedido, Sr. Singer?

- Mudei de idéia - respondeu ele. - Não estou com fome. - Quando se levantou e saiu do restaurante, percebeu olhos maléficos acompanhando-o. Espero que ninguém esteja armado, pensou.

Capítulo Vinte

Quando voltou ao fórum, David visitou Ashley em sua cela. Ela estava sentada no pequeno catre, olhando para o chão.

- Ashley.

Ela ergueu o rosto, os olhos cheios de desespero.

David sentou-se ao seu lado.

- Precisamos conversar.

Ela ficou olhando para ele, calada.

- Essas coisas horríveis que andam dizendo sobre você... nada disso é verdade. Mas os jurados não sabem. Eles não a conhecem. Precisamos deixar que vejam como você é realmente.

Ashley olhou para ele e falou, desanimada:

- E como eu sou realmente?

- Você é um ser humano decente, que tem uma doença. Eles vão se identificar com isso.

- O que você quer que eu faça?

- Eu quero que você vá para o banco das testemunhas e preste o seu depoimento.

Ela ficou olhando fixamente para ele, horrorizada.

- Eu... eu não posso. Não sei de nada. Não posso lhes dizer nada.

- Deixe isso comigo. Tudo o que você precisa fazer é responder às minhas perguntas.

Um guarda veio até à cela.

- A sessão vai começar.

David se levantou e apertou a mão de Ashley.

- Vai dar certo. Você vai ver.

- Todos de pé. A sessão está começando agora. A meritíssima juíza Williams preside o caso O Povo do Estado da Califórnia contra Ashley Paterson.

A juíza Williams sentou-se à sua mesa.

- Posso me dirigir ao juízo? - perguntou David.

- Pode.

Mickey Brennan foi até à mesa junto com David.

- O que deseja, Sr. Singer?

- Eu gostaria de chamar uma testemunha que não está na lista dos procedimentos probatórios.

- Já estamos bastante avançados com o julgamento para a introdução de novas testemunhas - disse Brennan.

- Eu gostaria de chamar Ashley Paterson como a minha próxima testemunha.

A juíza Williams falou:

- Eu não...

Mickey Brennan disse rapidamente:

- O estado não se opõe, meritíssima.

A juíza Williams olhou para os dois advogados.

- Está bem. Pode chamar a sua testemunha, Sr. Singer.

- Obrigado, meritíssima! - Ele caminhou até onde Ashley estava e lhe estendeu a mão. - Ashley...

Ela ficou sentada, em pânico.

- É preciso.

Ela se levantou, o coração palpitando, e lentamente se encaminhou até o banco das testemunhas.

Mickey Brennan sussurrou para Eleanor:

- Eu estava torcendo para que ele a chamasse.

Eleanor assentiu.

- Acabou-se.

Ashley Paterson estava prestando juramento junto ao oficial de justiça.

- Jura solenemente dizer a verdade, toda a verdade, nada mais Que a verdade, com a ajuda de Deus?

- Juro - disse ela, num sussurro de voz. E foi sentar-se no banco das testemunhas.

David se aproximou dela e falou calmamente:

- Eu sei que isto é muito difícil para você. Foi acusada de crimes hediondos que não cometeu. Tudo o que quero é que o júri saiba a verdade. Você se recorda de ter cometido algum daqueles crimes?

Ashley balançou a cabeça.

- Não.

David olhou de relance para o júri e prosseguiu.

- Você conhecia Dennis Tibble?

- Conhecia. Nós trabalhávamos na mesma empresa, a Corporação Global de Computação Gráfica.

- Tinha alguma razão para matar Dennis Tibble?

- Não. - Era difícil falar - Eu fui ao apartamento dele para dar-lhe alguns conselhos que me havia pedido, e foi a última vez em que o vi.

- Você conhecia Richard Melton?

- Não...

- Ele era um artista. Foi assassinado em São Francisco. A polícia encontrou amostras do seu DNA e de suas impressões digitais no local.

Ashley estava balançando a cabeça de um lado para o outro.

- Eu... não sei o que dizer. Eu não o conhecia!

- E conhecia o delegado Sam Blake?

- Conhecia. Ele estava me ajudando. Eu não o matei!

- Você sabe que tem duas outras personalidades, ou alteres, dentro de si, Ashley?

- Sei.

- Quando ficou sabendo disso?

- Antes do julgamento. O Dr. Salem me contou. Eu não consegui acreditar. Eu... ainda não acredito. ... É uma coisa horrível demais!

- Você não tinha conhecimento prévio desses alteres.

- Não.

- Nunca tinha ouvido falar de Toni Prescottan ou de Alette Peters?

- Não!

- E agora acredita que elas existam dentro de você?

- Acredito... Eu tenho de acreditar. Elas devem ter feito todas... todas essas coisas horríveis...

- Então, você não se lembra de ter conhecido Richard Melton, não tinha motivo algum para matar Dennis Tibble ou o delegado Sam Blake, que estava no seu apartamento para protegê-la?

- Correcto. - Seus olhos percorreram todo o recinto lotado, e ela sentiu um certo pânico.

- Uma última pergunta - falou David. - Já teve algum problema com a justiça?

- Nunca.

David colocou a mão sobre a dela.

- É tudo, por ora. - Ele se dirigiu a Mickey Brennan. - A testemunha é sua.

Brennan se levantou, com um amplo sorriso estampado no rosto.

- Ora, Senhorita Paterson, finalmente temos a chance de falar com todas vocês. A senhorita alguma vez teve relação sexual com Dennis Tibble?

- Não.

- Teve alguma relação sexual com Richard Melton?

- Não.

- Alguma vez, teve relação sexual com o delegado Sam Blake?

- Não.

- Isso é muito interessante. - Brennan olhou de relance para o júri. - Porque resquícios de secreção vaginal foram encontrados nos corpos desses três homens. Os testes de DNA coincidem com os do seu DNA.

- Eu... eu não sei de nada disso.

- Talvez tenha sido vítima de uma armação. Talvez algum demónio tenha posto as mãos nessas secreções...

- Objeção. São considerações tendenciosas - falou David.

- Indeferida.

-... e as tenha colocado sobre aqueles três corpos mutilados. Acaso tem inimigos que estariam dispostos a fazer isso com a senhorita?

- Eu... eu não sei.

- O laboratório de impressões digitais do FBI verificou as digitais que a polícia encontrou nas cenas dos crimes. E eu estou certo de que isto a surpreenderá...

- Objeção - disse David.

- Mantida. Tenha cuidado, Sr. Brennan.

- Pois não, meritíssima!

Dando-se por satisfeito, David tornou a sentar-se, devagar.

Ashley estava à beira de um ataque de nervos.

- Os alteres devem ter...

- As impressões digitais nas cenas dos três assassinatos eram suas, e somente suas.

Ashley ficou ali sentada, em silêncio.

Brennan andou até uma mesa, pegou uma faca de cortar carne embrulhada em papel celofane e a exibiu.

- Senhorita Paterson, reconhece isto aqui?

- Poderia... poderia ser uma das... uma das minhas...

- É uma das suas facas? E é. Já foi recolhida como prova documental. As manchas nela coincidem com o sangue do delegado Blake. Suas impressões digitais estão nesta arma do crime.

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