Conte - Me Seus Sonhos [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:
- Ela é muito pior do que Lizzie Borden. Borden só matou duas pessoas.
O outro acrescentou:
- E ela não castrou ninguém.
- O que será que vão fazer com ela?
- Está brincando? Vai pegar sentença de morte.
- Pena que a Meretriz Sanguinária não possa pegar três sentenças de morte!
É isso que o povo anda dizendo, pensou David. Teve a deprimente impressão de que se desse uma volta pelo restaurante, ouviria comentários parecidos com esse. Brennan havia construído uma imagem monstruosa dela. David chegou a ouvir a voz de Quiller. Se você não a levar ao banco das testemunhas, esta é a imagem que os jurados terão em mente quando se recolherem à sala do júri para chegar ao veredicto.
Preciso correr o risco. Preciso deixar que os jurados vejam por si mesmos que Ashley está dizendo a verdade.
A garçonete estava ao seu lado.
- Já quer fazer o seu pedido, Sr. Singer?
- Mudei de idéia - respondeu ele. - Não estou com fome. - Quando se levantou e saiu do restaurante, percebeu olhos maléficos acompanhando-o. Espero que ninguém esteja armado, pensou.
Capítulo Vinte
Quando voltou ao fórum, David visitou Ashley em sua cela. Ela estava sentada no pequeno catre, olhando para o chão.
- Ashley.
Ela ergueu o rosto, os olhos cheios de desespero.
David sentou-se ao seu lado.
- Precisamos conversar.
Ela ficou olhando para ele, calada.
- Essas coisas horríveis que andam dizendo sobre você... nada disso é verdade. Mas os jurados não sabem. Eles não a conhecem. Precisamos deixar que vejam como você é realmente.
Ashley olhou para ele e falou, desanimada:
- E como eu sou realmente?
- Você é um ser humano decente, que tem uma doença. Eles vão se identificar com isso.
- O que você quer que eu faça?
- Eu quero que você vá para o banco das testemunhas e preste o seu depoimento.
Ela ficou olhando fixamente para ele, horrorizada.
- Eu... eu não posso. Não sei de nada. Não posso lhes dizer nada.
- Deixe isso comigo. Tudo o que você precisa fazer é responder às minhas perguntas.
Um guarda veio até à cela.
- A sessão vai começar.
David se levantou e apertou a mão de Ashley.
- Vai dar certo. Você vai ver.
- Todos de pé. A sessão está começando agora. A meritíssima juíza Williams preside o caso O Povo do Estado da Califórnia contra Ashley Paterson.
A juíza Williams sentou-se à sua mesa.
- Posso me dirigir ao juízo? - perguntou David.
- Pode.
Mickey Brennan foi até à mesa junto com David.
- O que deseja, Sr. Singer?
- Eu gostaria de chamar uma testemunha que não está na lista dos procedimentos probatórios.
- Já estamos bastante avançados com o julgamento para a introdução de novas testemunhas - disse Brennan.
- Eu gostaria de chamar Ashley Paterson como a minha próxima testemunha.
A juíza Williams falou:
- Eu não...
Mickey Brennan disse rapidamente:
- O estado não se opõe, meritíssima.
A juíza Williams olhou para os dois advogados.
- Está bem. Pode chamar a sua testemunha, Sr. Singer.
- Obrigado, meritíssima! - Ele caminhou até onde Ashley estava e lhe estendeu a mão. - Ashley...
Ela ficou sentada, em pânico.
- É preciso.
Ela se levantou, o coração palpitando, e lentamente se encaminhou até o banco das testemunhas.
Mickey Brennan sussurrou para Eleanor:
- Eu estava torcendo para que ele a chamasse.
Eleanor assentiu.
- Acabou-se.
Ashley Paterson estava prestando juramento junto ao oficial de justiça.
- Jura solenemente dizer a verdade, toda a verdade, nada mais Que a verdade, com a ajuda de Deus?
- Juro - disse ela, num sussurro de voz. E foi sentar-se no banco das testemunhas.
David se aproximou dela e falou calmamente:
- Eu sei que isto é muito difícil para você. Foi acusada de crimes hediondos que não cometeu. Tudo o que quero é que o júri saiba a verdade. Você se recorda de ter cometido algum daqueles crimes?
Ashley balançou a cabeça.
- Não.
David olhou de relance para o júri e prosseguiu.
- Você conhecia Dennis Tibble?
- Conhecia. Nós trabalhávamos na mesma empresa, a Corporação Global de Computação Gráfica.
- Tinha alguma razão para matar Dennis Tibble?
- Não. - Era difícil falar - Eu fui ao apartamento dele para dar-lhe alguns conselhos que me havia pedido, e foi a última vez em que o vi.
- Você conhecia Richard Melton?
- Não...
- Ele era um artista. Foi assassinado em São Francisco. A polícia encontrou amostras do seu DNA e de suas impressões digitais no local.
Ashley estava balançando a cabeça de um lado para o outro.
- Eu... não sei o que dizer. Eu não o conhecia!
- E conhecia o delegado Sam Blake?
- Conhecia. Ele estava me ajudando. Eu não o matei!
- Você sabe que tem duas outras personalidades, ou alteres, dentro de si, Ashley?
- Sei.
- Quando ficou sabendo disso?
- Antes do julgamento. O Dr. Salem me contou. Eu não consegui acreditar. Eu... ainda não acredito. ... É uma coisa horrível demais!
- Você não tinha conhecimento prévio desses alteres.
- Não.
- Nunca tinha ouvido falar de Toni Prescottan ou de Alette Peters?
- Não!
- E agora acredita que elas existam dentro de você?
- Acredito... Eu tenho de acreditar. Elas devem ter feito todas... todas essas coisas horríveis...
- Então, você não se lembra de ter conhecido Richard Melton, não tinha motivo algum para matar Dennis Tibble ou o delegado Sam Blake, que estava no seu apartamento para protegê-la?
- Correcto. - Seus olhos percorreram todo o recinto lotado, e ela sentiu um certo pânico.
- Uma última pergunta - falou David. - Já teve algum problema com a justiça?
- Nunca.
David colocou a mão sobre a dela.
- É tudo, por ora. - Ele se dirigiu a Mickey Brennan. - A testemunha é sua.
Brennan se levantou, com um amplo sorriso estampado no rosto.
- Ora, Senhorita Paterson, finalmente temos a chance de falar com todas vocês. A senhorita alguma vez teve relação sexual com Dennis Tibble?
- Não.
- Teve alguma relação sexual com Richard Melton?
- Não.
- Alguma vez, teve relação sexual com o delegado Sam Blake?
- Não.
- Isso é muito interessante. - Brennan olhou de relance para o júri. - Porque resquícios de secreção vaginal foram encontrados nos corpos desses três homens. Os testes de DNA coincidem com os do seu DNA.
- Eu... eu não sei de nada disso.
- Talvez tenha sido vítima de uma armação. Talvez algum demónio tenha posto as mãos nessas secreções...
- Objeção. São considerações tendenciosas - falou David.
- Indeferida.
-... e as tenha colocado sobre aqueles três corpos mutilados. Acaso tem inimigos que estariam dispostos a fazer isso com a senhorita?
- Eu... eu não sei.
- O laboratório de impressões digitais do FBI verificou as digitais que a polícia encontrou nas cenas dos crimes. E eu estou certo de que isto a surpreenderá...
- Objeção - disse David.
- Mantida. Tenha cuidado, Sr. Brennan.
- Pois não, meritíssima!
Dando-se por satisfeito, David tornou a sentar-se, devagar.
Ashley estava à beira de um ataque de nervos.
- Os alteres devem ter...
- As impressões digitais nas cenas dos três assassinatos eram suas, e somente suas.
Ashley ficou ali sentada, em silêncio.
Brennan andou até uma mesa, pegou uma faca de cortar carne embrulhada em papel celofane e a exibiu.
- Senhorita Paterson, reconhece isto aqui?
- Poderia... poderia ser uma das... uma das minhas...
- É uma das suas facas? E é. Já foi recolhida como prova documental. As manchas nela coincidem com o sangue do delegado Blake. Suas impressões digitais estão nesta arma do crime.