Um Estranho No Espelho [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2008
- Язык: португальский
- Переводчик: ANA LUCIA DEIRO CARDOSO
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Um Estranho No Espelho [em Português]». Краткое содержание книги:
─ Como é que vou arranjar alguma experiência na tela se ninguém me dá um emprego?
Ele balançou a cabeça.
─ É isso aí. É esse o problema. Boa sorte.
Só restava uma agência na lista de Jill. Havia sido recomendada por uma garota ao lado de quem se sentara no bar Mayflower, no Hollywood Boulevard. A agência Dunning ficava num bangalozinho na altura de La Cienega, numa área residencial. Jill havia telefonado marcando uma entrevista e uma mulher lhe dissera que fosse às seis horas.
Jill entrou num pequeno escritório que fora outrora a sala de visitas de alguém. Havia uma velha escrivaninha toda arranhada e cheia de papéis, um sofá forrado com uma imitação de couro, remendado com esparadrapo branco, e três cadeiras espalhadas pelo aposento. Uma mulher alta, corpulenta, de rosto marcado pela varíola, saiu de um outro cómodo e disse:
─ Alô. Em que posso ajudá-la?
─ Sou Jill Castle. Tenho uma hora marcada para ver o Sr. Dunning.
─ Senhorita Dunning ─ disse a mulher. ─ Sou eu.
─ Oh ─ exclamou Jill, surpreendida. ─ Desculpe-me, eu pensei...
A mulher ri de maneira simpática e amistosa.
─ Não tem importância.
"Mas tem importância", pensou Jill, cheia de uma animação repentina. Por que é que não lhe havia ocorrido antes? "Uma empresária!" Alguém que passara por todos os traumas, alguém que compreenderia o que significava ser uma jovem querendo começar. Ela seria mais simpatia ao seu caso do que qualquer homem poderia ser.
─ Estou vendo que você trouxe seu portfolio ─ disse a Senhorita Dunning. ─ Posso examiná-lo?
─ É claro ─ disse Jill, entregando-o.
A mulher se sentou, abriu o portfolio e começou a virar as páginas, balançando a cabeça de maneira aprovadora.
─ A câmara gosta de você.
Jill não sabia o que dizer.
─ Obrigada.
A empresária examinou as fotografias de Jill em roupa de banho.
─ Você tem um ótimo corpo. Isso é importante. De onde você é?
─ Do Texas ─ disse Jill. ─ Odessa.
─ Há quanto tempo está em Hollywood, Jill?
─ Há cerca de dois meses.
─ Quantos empresários já procurou?
Por um instante Jill se sentiu tentada a mentir, mas só havia compaixão e compreensão nos olhos da mulher.
─ Cerca de uns trinta, acho.
A empresária riu.
─ Então você finalmente veio procurar Rose Dunning. Bem, poderia ter sido pior. Não sou MCA ou William Morris, mas a minha gente tem sempre trabalho.
─ Não tenho nenhuma experiência.
A mulher concordou, sem demonstrar surpresa.
─ Se você tivesse, estaria na MCA ou com William Morris. Eu sou uma espécie de porta de entrada. Dou um empurrão inicial nos jovens de talento e então as grandes agências os tomam de mim.
Pela primeira vez em semanas, Jill começou a sentir alguma esperança.
─ Acha... acha que estaria interessada em ser minha empresária? ─ perguntou.
A mulher sorriu.
─ Tenho clientes trabalhando que não têm nem a metade de sua beleza. Acho que posso conseguir trabalho para você. É a única maneira de conseguir um pouco de experiência, certo?
Jill sentiu-se tomada por gratidão.
─ O problema desta maldita cidade é que eles não dão uma oportunidade a gente jovem como você. Todos os estúdios vivem alardeando que estão loucos atrás de novos talentos e depois levantam um paredão e não deixam ninguém entrar. Bem, nós os enganaremos. Sei de três coisas que você poderia fazer. Um programa cômico vespertino, uma ponta no filme de Toby Temple e um papel secundário no novo filme de Tessie Brand.
A cabeça de Jill estava girando.
─ Mas acha que eles...
─ Se eu recomendar você, eles aceitarão. Eu não mando clientes que não servem. São apenas pontas, mas será um começo.
─ Nem posso lhe dizer como lhe ficaria grata ─ disse Jill.
─ Acho que tenho um script.
Rose Dunning se levantou com esforço e se dirigiu para outro aposento, fazendo sinal a Jill para segui-la.
O aposento era um quarto com uma cama de casal num canto, sob a janela, e um arquivo de metal do lado oposto. Rose Dunning foi até o arquivo, abriu uma gaveta, tirou o script e o levou até Jill.
─ Aqui está. O diretor de elenco é um bom amigo meu e, se você se sair bem nisso, ele a manterá ocupada.
─ Eu me sairei bem ─ prometeu Jill com fervor.
A mulher sorriu e disse:
─ É claro que não posso recomendar o que não conheço. Você se importa de ler isto para mim?
─ Não, é claro que não.
A empresária abriu a pasta com o script e sentou-se na cama.
─ Vamos ler esta cena.
Jill sentou-se na cama ao lado dela e olhou para o script.
─ Sua personagem é Natalie. É uma moça rica, casada com um fracote. Decidiu-se divorciar-se dele, mas ele não concorda. Você entra aqui.
Jill passou os olhos pela cena rapidamente, gostaria de ter tido a oportunidade de estudar o script durante a noite ou pelo menos por uma hora. Estava desesperadamente ansiosa para causar boa impressão.
─ Pronta?
─ Eu... eu acho que sim ─ disse Jill.
Fechou os olhos e tentou pensar como a personagem. Uma mulher rica. Como as mães das suas amigas com quem tinha crescido, que achavam natural ter tudo que quisessem na vida e que as outras pessoas estavam ali para atender às suas conveniências. As Cissy Topping do mundo. Ela abriu os olhos, olhou para o script e começou a ler.
─ Quero falar com você, Peter.
─ Não pode esperar? ─ era Rose Dunning, dando-lhe a deixa.
─ Acho que já esperei tempo demais. Vou apanhar o avião para Reno esta tarde.
─ Assim, sem mais nem menos?
─ Não, venho tentando apanhar este avião há cinco anos, Peter. Desta vez vou conseguir.
Jill sentiu a mão de Rose Dunning batendo de leve na sua coxa.
─ Está muito bom ─ disse ela em tom aprovador. ─ Continue lendo ─ e deixou a mão ficar na perna de Jill.
─ Seu problema é que você ainda não cresceu. Ainda vive brincando. Bem, de agora em diante, vai ter que brincar sozinho.
A mão de Rose Dunning acariciava a sua coxa. Era desconcertante.
─ Ótimo. Continue ─ disse ela.
─ Eu... eu não quero que você tente entrar em contato comigo nunca mais. Estou sendo bastante clara?
A mão acariciava mais rápido, subindo em direção à virilha de Jill. Ela baixou o script e olhou para Rose Dunning. O rosto da mulher estava corado, os olhos vidrados.
─ Continue lendo ─ disse ela com voz rouca.
─ Eu... eu não posso ─ disse Jill. ─ Se você...
A mão da mulher começou a se mover mais depressa.
─ Isso é para que você entre no estado de espírito certo. É uma briga ligada a sexo, sabe. Quero que você sinta o sexo em você.
Agora a mão dela estava pressionando com mais força, movendo-se entre as pernas de Jill.
─ Não! ─ Jill se levantou, tremendo dos pés à cabeça.
A saliva ia escorrendo pelo canto da boca da mulher.
─ Seja boazinha comigo e eu serei com você ─ a voz dela implorava. ─ Venha cá, querida ─ estendeu os braços, tentando agarrá-la, e Jill fugiu correndo.
Na rua, ela vomitou. Mesmo depois que os terríveis espasmos passaram e o estômago se acalmou, não se sentiu melhor. A dor de cabeça tinha começado de novo.
Não era justo. As dores de cabeça não lhe pertenciam, mas a Josephine Czinski.
Durante os quinze meses seguintes, Jill Castle se tornou um membro efetivo dos "sobreviventes", a tribo de pessoas que viviam à margem do mundo dos espetáculos, que passava anos e às vezes uma vida inteira tentando entrar no "negócio", trabalhando temporariamente em outros empregos. O fato de os empregos temporários durarem às vezes dez ou quinze anos não os desencorajava.