Um Estranho No Espelho [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2008
- Язык: португальский
- Переводчик: ANA LUCIA DEIRO CARDOSO
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Um Estranho No Espelho [em Português]». Краткое содержание книги:
Uma noite, Josephine falou a David de seu sonho de ir para
Hollywood e tornar-se uma estrela. Ele olhou para ela e disse baixinho:
─ Eu não vou deixar você ir.
Ela sentiu o coração bater loucamente. A cada vez que estavam juntos, o sentimento de intimidade entre eles crescia. O fato de Josephine vir de uma família pobre nada significava para David. Era uma pessoa desprovida de esnobismo. Isso fez com que um incidente ocorrido no drive-in, uma noite, ficasse ainda mais chocante.
Estava na hora de fechar, e David estava sentado no carro, esperando por ela. Josephine estava na cozinha com Paco, limpando apressadamente as últimas bandejas.
─ Encontro importante, hein?
Josephine sorriu.
─ Como é que você sabe?
─ Porque você está uma festa. Sua carinha bonita está radiante. Diga a ele por mim que é um hombre de sorte!
Josephine sorriu e disse:
─ Vou dizer. ─ Impulsivamente, ela se inclinou e deu um beijo no rosto de Paco. Um segundo depois, ouviu o rugido do motor de um carro e em seguida o cantar de pneus. Virou-se a tempo de ver o conversível branco de David amassar o pára-choque de outro carro e sair em disparada do drive-in. Ficou parada olhando, sem conseguir acreditar, para as luzes das lanternas traseiras desaparecerem na noite.
Às três horas da manhã, quando se virava de um lado para outro na cama, Josephine ouviu um carro estacionar lá fora. Correu até a janela para olhar. David estava sentado na direção do automóvel. Estava terrivelmente bêbado. Rapidamente Josephine vestiu um robe sobre a camisola e saiu.
─ Entre ─ disse David.
Josephine abriu a porta do carro e se sentou ao lado dele. Houve um silêncio longo e pesado. Quando David começou a falar, estava com a voz embargada, mas não apenas pelo uísque que tinha bebido. Havia uma raiva, uma fúria selvagem que fazia com que as palavras saíssem como pequenas explosões.
─ Eu não sou seu dono ─ disse David. ─ Você é livre para fazer o que quiser. Mas enquanto estiver saindo comigo, não quero que beije nenhum maldito mexicano. Entendeu?
Olhou para ele sem saber o que fazer, depois disse:
─ Quando beijei Paco, foi porque... ele tinha dito uma coisa que me deixou feliz. Ele é meu amigo.
David respirou fundo, tentando controlar as emoções que se agitavam no seu íntimo.
─ Vou lhe contar uma coisa que nunca contei a ninguém.
Josephine ficou sentada ali, perguntando-se o que viria a seguir.
─ Eu tenho uma irmã mais velha ─ disse David. ─ Beth. Eu... eu a adoro.
Josephine tinha uma vaga lembrança de Beth, uma beldade loura, de pele clara, que ela costumava ver quando ia brincar com Mary Lou. Josephine tinha oito anos quando Beth morreu. David devia estar com quinze anos mais ou menos.
─ Eu me lembro de quando Beth morreu.
─ Beth está viva.
Olhou para ele com incredulidade.
─ Mas, eu... todo mundo pensou...
Virou-se para olhar para ela, a voz inexpressiva.
─ Ela foi estuprada por um dos nossos jardineiros, um mexicano. O quarto de Beth ficava defronte ao meu, do outro lado do corredor. Ouvi os gritos e corri para o quarto dela. Ele tinha rasgado sua camisola e estava em cima dela e...
A voz de David ficou embargada pela lembrança.
─ Lutei com ele até que minha mãe apareceu e chamou a polícia. Eles finalmente chegaram e levaram o homem para a cadeia. Ele se suicidou na cela, naquela noite. Mas Beth tinha enlouquecido. Ela nunca vai sair daquele lugar. Nunca. Eu não posso lhe dizer o quanto a amo, Josie. Sinto tanta falta dela. Desde aquela noite, eu... eu... não... posso...
Ela pôs a mão sobre a dele e disse:
─ Sinto muito, David. Eu compreendo. Estou satisfeita por você ter me contado.
Estranhamente, o incidente serviu para uni-los ainda mais. Começaram a conversar sobre coisas de que nunca tinham falado. David sorriu quando Josephine lhe falou sobre o fanatismo religioso da mãe.
─ Eu tinha um tio que era assim ─ disse. ─ Ele foi para um monastério qualquer, no Tibet.
─ Vou fazer vinte e quatro anos no mês que vem ─ disse David um dia. ─ É uma velha tradição da família Kenyon que os homens se casem aos vinte e quatro anos ─ e o coração de Josephine deu um salto.
Na noite seguinte, David tinha comprado bilhetes para uma peça que estava em cartaz no Globe Theatre. Quando chegou para buscar Josephine, disse:
─ Vamos esquecer a peça e conversar sobre o nosso futuro.
No momento em que Josephine ouviu aquelas palavras, soube que tudo por que tinha rezado ia se tornar realidade. Podia vê-lo escrito nos olhos de David. Estavam cheios de amor e de desejo.
─ Vamos até o lago Dewey ─ disse ela.
Queria que fosse o pedido de casamento mais romântico do mundo, de forma que um dia se tornasse a história cheia de encanto que contaria a seus filhos. Queria se lembrar de cada minuto daquela noite.
O lago Dewey era uma pequena extensão de água a cerca de quarenta milhas de Odessa. A noite estava bonita e estrelada, com uma lua resplandecente, quase cheia. As estrelas dançavam na água e a atmosfera transbordava com os sons misteriosos seres invisíveis se amavam e consumiam e eram consumidos e morriam.
Josephine e David ficaram sentados no carro, em silêncio, ouvindo os sons da noite. Ela o observava, sentado na direção do automóvel, o rosto bonito sério e carregado de intensidade. Nunca o amara tanto como naquele momento. Queria fazer alguma coisa maravilhosa para ele, dar-lhe alguma coisa capaz de mostrar o quanto o amava. E de repente soube o que iria fazer.
─ Vamos nadar um pouco, David ─ disse ela.
─ Não trouxemos roupas de banho.
─ Não faz mal.
Ele se virou para olhá-la e começou a dizer alguma coisa, mas ela já tinha saído do carro e estava correndo para a praia na margem do lago. Quando começava a se despir, ouviu-o aproximar-se. Josephine mergulhou nas águas mornas do lago. Um minuto depois David estava ao seu lado.
─ Josie...
Ela se virou para ele, depois o abraçou, seu corpo inteiro ardendo de desejo, ansiando por ele, faminto. Seus corpos se uniram dentro d'água e Josephine sentiu a rigidez do membro ereto de David contra o seu corpo, e ele disse:
─ Nós não podemos, Josie.
Sua voz estava embargada pela intensidade com que a queria.
Josephine tomou o pênis de David nas mãos e disse:
─ Sim. Sim, David.
Voltaram para a praia e ele estava em cima dela e dentro dela e formando um todo com ela e eles eram ambos parte das estrelas e da terra e da noite aveludada.
Ficaram deitados lado a lado durante muito tempo, abraçados. Só muito mais tarde, depois de David tê-la deixado em casa, foi que se lembrou de que ele não fizera o pedido. Mas aquilo não tinha mais importância. O que tinham partilhado juntos era um elo mais forte do que qualquer cerimónia de casamento. No dia seguinte ele faria o pedido.
Josephine dormiu até ao meio-dia, no dia seguinte. Acordou com um sorriso no rosto. Ainda estava sorrindo quando sua mãe entrou no quarto trazendo um lindo vestido de noiva antigo.
─ Vá até a Brubaker e me traga dez metros de tule. A Sra. Topping acabou de me trazer seu vestido de noiva. Tenho que ajustá-lo na medida de Cissy até sábado. Ela e David Kenyon vão se casar.
David Kenyon tinha ido procurar a mãe logo depois de deixar Josephine em casa. Ela estava na cama, uma mulherzinha frágil, que outrora fora muito bonita.
Abriu os olhos quando David entrou no quarto, que estava na penumbra. Sorriu quando viu quem era.
─ Alô, meu filho. É tarde para você estar acordado.
─ Eu saí com Josephine, mamãe.
Ela não disse nada, apenas o observou com os olhos cinzentos inteligentes.