Um Estranho No Espelho [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2008
- Язык: португальский
- Переводчик: ANA LUCIA DEIRO CARDOSO
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Um Estranho No Espelho [em Português]». Краткое содержание книги:
─ Pode confiar em mim.
E Toby havia sorrido.
As travessas do jantar estavam sendo retiradas, e Downey estava de pé diante do microfone.
─ Senhor presidente, ilustres convidados, tenho o prazer de apresentar-lhes o nosso mestre-de-cerimónia, um de nossos mais brilhante jovens comediantes, Sr. Toby Temple!
O público aplaudiu polidamente quando Toby se levantou e foi andando em direção ao microfone. Olhou para a plateia, depois virou-se para o presidente dos Estados Unidos.
O presidente era um homem simples e caseiro. Não acreditava no que chamava diplomacia de cartola.
─ De pessoa para pessoa, havia dito num pronunciamento à nação, ─ é desse tipo de diálogo que precisamos. Temos que acabar com essa história de viver na dependência de computadores e começar a confiar nos nossos instintos de novo. Quando me sento para conversar com os líderes de potências estrangeiras, gosto de negociar pelos fundilhos das minhas calças.
Esta frase tinha se tornado um dito popular.
Naquele momento Toby olhou para o presidente dos Estados Unidos e disse, com a voz embargada pelo orgulho:
─ Senhor presidente, não posso nem lhe dizer que emoção é para mim estar aqui no mesmo palco que o homem que tem o mundo inteiro diretamente ligado ao seu rabo.
Um murmúrio de horror percorreu a sala por um longo momento. Então o presidente sorriu, depois deu uma gargalhada, e a plateia explodiu de repente, rindo e aplaudindo. Daquele momento em diante, nada que Toby fizesse poderia ter maus resultados. Ele atacou os senadores presentes, a Suprema Corte, a imprensa. Eles adoraram. Gritavam, davam vivas e aplaudiam porque sabiam que Toby não estava falando sério nem por um segundo. Era extremamente engraçado ouvir aqueles insultos da boca daquele rapaz de rosto inocente e infantil. Havia representantes de países estrangeiros à festa, naquela noite. Toby dirigiu-se a eles num arremedo incoerente de seus idiomas, mas cujo som e ritmo eram tão plausíveis e verdadeiros que eles balançavam a cabeça, concordando. Ele era um sábio idiota, fazendo um discurso de insultos que os engrandecia, os repreendia, e o significado daquele louco linguajar inarticulado era tão popular que todas as pessoas presentes naquela sala compreendiam o que estava dizendo.
O público o aplaudiu de pé. O presidente foi até junto dele e disse:
─ Foi brilhante, realmente brilhante. Vamos oferecer um jantar na Casa Branca, na segunda-feira à noite, Toby , e eu ficaria encantado...
No dia seguinte, todos os jornais escreveram a respeito do triunfo de Toby. Seus comentários foram repetidos por toda a parte. Foi convidado a se apresentar na Casa Branca. Lá, causou ainda maior sensação. Convites importantes começaram a chover, vindos do mundo inteiro.
Toby apresentou-se no Paladium de Londres, deu um espetáculo particular para a rainha, foi convidado para ser mestre-de-cerimônias em concertos de caridade e fazer parte do comitê Nacional de Arte. Jogava golfe frequentemente com o presidente e era convidado para jantar na Casa Branca com regularidade. Toby conheceu legisladores, governadores e os homens que comandavam as maiores empresas americanas. Insultou todos eles, e quanto mais os atacava mais encantados ficavam. Adoravam ter Toby presente em suas reuniões, lançando o seu humor cáustico sobre seus convidados. A amizade de Toby tornou-se um símbolo de prestígio.
As ofertas que surgiam eram fenomenais. Clifton Lawrence estava tão entusiasmado com elas quanto Toby, e seu entusiasmo nada tinha a ver com negócios e dinheiro. Toby havia sido a coisa mais maravilhosa que lhe acontecera em anos, pois para ele era como se fosse seu filho. Tinha consagrado mais tempo à sua carreira do que à de qualquer outro cliente, mas valera a pena. O rapaz trabalhava seriamente, aperfeiçoado seu talento até que brilhasse como um diamante. E era reconhecido e generoso, coisa rara naquele ramo de negócio.
─ Todos os grandes hotéis de Las Vegas estão atrás de você ─ disse Clifton Lawrence a Toby. ─ Dinheiro não é problema. Eles querem você e ponto final. Tenho uma série de scripts na minha escrivaninha, da Fox, da Universal, da Pan-Pacific... em todos o papel principal. Você pode fazer uma tournée pela Europa, ou ter o seu show de televisão em qualquer uma das redes. Isso ainda lhe daria tempo para fazer a temporada de Las Vegas e faxer um filme por ano.
─ Quanto é que eu poderia ganhar com um show na televisão, Clifton?
─ Acho que posso fazê-los subir até doze mil por semana por uma hora de espetáculo de variedades. Terão que nos dar um contrato de dois anos, talvez três. Se realmente quiserem você, aceitarão.
Toby recostou-se no sofá, exultante. Dez mil por um show, digamos, quarenta shows por ano. Em três anos aquilo lhe renderia mais de um milhão de dólares, só para dizer ao mundo o que achava dele! Olhou para Clifton. O homenzinho estava tentando manter uma fachada impassível, mas Toby podia ver que ele estava ansioso. Queria que ele fizesse o negócio com a televisão. Por que não? Clifton recebia uma comissão de cento e vinte mil dólares ás custas do talento e do suor de Toby. Será que Clifton merecia uma quantia daquelas? Nunca tivera que trabalhar como um louco em boatezinhas imundas ou aguentar plateias de bêbados atirando garrafas de cerveja vazias, ou então procurar curandeiros gananciosos para se tratar de gonorréia, porque as únicas mulheres disponíveis eram as prostitutas ordinárias e doentes do circuito dos banheiros. Que é que Clifton Lawrence sabia dos quartinhos cheios de baratas, da comida gordurosa e da procissão interminável de viagens noturnas de ónibus, indo de um buraco infernal para outro? Ele nunca poderia compreender. Um crítico havia chamado Toby de sucesso passageiro, e Toby achara graça. Agora, sentado no escritório de Clifton Lawrence, ele disse:
─ Quero o meu show de televisão.
Seis semanas depois, o contrato foi assinado com a Consolidated Broadcasting.
─ A rede de tevê quer que um estúdio faça o financiamento dos custos da produção ─ disse Clifton Lawrence. ─ Gosto dessa idéia porque posso aproveitar a oportunidade para ver se negocio um contrato para um filme.
─ Qual é o estúdio?
─ Pan-Pacific.
Toby franziu o cenho.
─ Sam Winters?
─ Isso mesmo. Para mim, ele é o melhor executivo do ramo. Além disso, ele tem um negócio que eu quero ver se consigo para você, o script de The kid goes west.
─ Servi o Exército com Winters. Está bem. Mas ele fez uma sujeira comigo. Seja duro com ele!
Clifton Lawrence e Sam Winters estavam na sauna do Pan-Pacific Studios, respirando a essência do eucalipto do ar.
─ Isto é que é vida ─ o empresário baixinho suspirou. ─ Quem quer saber de dinheiro?
Sam sorriu.
─ Por que é que você não fala assim quando estamos tratando de negócios, Clifton?
─ Não quero mimar você, meu caro rapaz.
─ Ouvi dizer que você fechou um contrato para Toby Temple com a Consolidated Broadcasting.
─ Pois é. Foi o maior contrato que eles já fizeram.
─ Onde é que você vai fazer o financiamento da produção do show?
─ Por quê, Sam?
─ Isso poderia nos interessar. Eu poderia até juntar uma proposta de contrato de filmagem. Acabei de comprar uma comédia chamada The kid goes west. Ainda não foi anunciado. Acho que seria perfeito para o papel.
Clifton Lawrence franziu o cenho e disse:
─ Merda! Gostaria de ter sabido isso antes, Sam. Já negociei o contrato com a MGM.
─ Mas você já fechou?
─ Bem, praticamente. Eu dei a minha palavra...
Vinte minutos depois, Clifton Lawrence tinha negociado um contrato muito lucrativo para Toby Temple, segundo o qual a Pan-Pacific produziria o Toby Temple Shows, dando-lhe o papel principal no filme The kid goes west.