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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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– Vamos pegá-lo – disse ele.

– É – comentou Baldwin, ansioso. – Se ele for tratado direitinho, falará tudo.

– Ele falará tudo, não se preocupe – disse McMurdo. Ele tinha nervos de aço, pois, embora toda a responsabilidade do caso fosse dele, seu jeito era frio e despreocupado como sempre. Os outros notaram isso e o cumprimentaram.

– Você é o cara certo para lidar com ele – disse o chefe, de modo aprovador. – Ele não perceberá nada até que você esteja com as mãos em seu pescoço. É uma pena que suas janelas não tenham persianas.

McMurdo puxou as cortinas das duas janelas.

– Bem, ninguém pode nos ver aqui dentro agora. Está quase na hora.

– Talvez ele não venha. Talvez sinta cheiro de perigo – disse o secretário.

– Ele virá, não se preocupem – disse McMurdo. – Ele está tão ansioso para vir quanto vocês para vê-lo. Ouçam!

Todos se sentaram como bonecos de cera, alguns com os copos no ar a caminho da boca. Ouviram três batidas fortes na porta.

– Silêncio!

McMurdo levantou a mão em sinal de advertência. Um olhar de júbilo surgiu em todos do grupo e eles puseram as mãos nas armas ocultas.

– Não façam barulho! – McMurdo sussurrou enquanto saía da sala, fechando a porta com cuidado.

Os assassinos esperavam com o ouvido atento. Contaram os passos do companheiro até a porta. Depois ouviram quando ele abriu a porta. Houve algumas palavras de saudação. Depois ouviram uma outra pessoa andando na casa, e a voz de um estranho. Um instante depois ouviu-se a batida da porta e em seguida o ruído da chave girando na fechadura. A presa estava segura na armadilha. Tigre Cormac deu uma risada alta e o chefe McGinty bateu na boca do outro com a sua mão grande.

– Fique quieto, estúpido! – ele sussurrou. – Você ainda vai estragar tudo.

Ouviu-se um murmúrio de conversa vindo da sala ao lado. Parecia uma conversa interminável. Depois a porta se abriu e McMurdo apareceu, com o dedo sobre os lábios.

Ele foi até a cabeceira da mesa e olhou para os outros. Ocorrera uma mudança sutil nele. Seu comportamento era como o de alguém que tem um trabalho importante a executar. Seu rosto estava rígido como granito. Seus olhos brilhavam com uma excitação feroz atrás dos óculos. Ele se tornara visivelmente um líder. Todos o olhavam com grande interesse, mas ele não disse nada. Com o mesmo olhar estranho com que entrara na sala ele olhou para cada um dos homens.

– Bem – exclamou o chefe McGinty finalmente – ele está aí? Birdy Edwards está aí?

– Sim – McMurdo respondeu lentamente. – Birdy Edwards está aqui. Birdy Edwards sou eu!

Passaram-se dez segundos depois dessas palavras, durante os quais a sala parecia estar vazia, tão profundo era o silêncio ali dentro. O assobio de uma chaleira que estava no fogo pareceu áspero e estridente aos ouvidos de todos. Sete rostos pálidos, todos virados para este homem que os dominava, ficaram imóveis sentindo um grande pavor. Depois, com o ruído de vidros se partindo, surgiram pelas janelas da sala os canos reluzentes de rifles, enquanto as cortinas eram arrancadas de seu suporte. Ao ver isso, o chefe McGinty deu um gemido de urso ferido e partiu na direção da porta meio aberta. Um revólver apontado em sua direção esperava por ele na porta, com os austeros olhos azuis do capitão Marvin, da polícia das minas, encarando-o firmemente. O chefe recuou e caiu sentado em sua cadeira novamente.

– O senhor está mais seguro aí, conselheiro – disse o homem que eles haviam conhecido como McMurdo. – E você, Baldwin, se não tirar as mãos do revólver, terá problemas. Tire a mão daí, ou por Deus que eu... Assim, assim está bem. Há quarenta homens armados em volta da casa e vocês mesmos podem imaginar que chances terão de escapar daqui. Pegue as armas deles, Marvin! – Não havia resistência possível sob a ameaça daqueles rifles. Os homens foram desarmados. Carrancudos, perplexos e muito assustados, eles continuavam sentados em torno da mesa.

– Eu gostaria de dizer uma coisa antes de nos separarmos – disse o homem que os havia enganado. – Acho que não vamos nos encontrar novamente até o dia em que vocês me verão lá no tribunal. Vou dizer algo para que vocês reflitam a respeito daqui até lá. Agora vocês sabem o que eu sou. Finalmente posso pôr as cartas na mesa. Eu sou Birdy Edwards, do grupo de Pinkerton. Fui escolhido para desbaratar essa quadrilha. Eu tinha de jogar um jogo difícil e perigoso. Ninguém, ninguém mesmo, nem a pessoa mais chegada a mim e mais querida sabia que eu estava nesse jogo, exceto o capitão Marvin aqui e os meus patrões. Mas tudo terminou hoje, graças a Deus, e sou o vencedor!

Os sete rostos pálidos e rígidos olharam para ele. Havia um ódio implacável nos olhos desses homens. Ele entendeu aquela ameaça atroz.

– Talvez vocês pensem que o jogo ainda não terminou. Bem, arrisco minha sorte nisso. Contudo, alguns de vocês não terão outra mão* e há mais sessenta que, como vocês, dormirão na cadeia esta noite. Vou lhes confessar uma coisa: quando me encarregaram desse serviço, eu não acreditava que existia uma sociedade como a de vocês. Achei que era história dos jornais, e que eu provaria isso. Disseram-me que tinha a ver com os Homens Livres, e então fui a Chicago e me tornei um deles. Então fiquei com mais certeza do que antes de que tudo não passava de história dos jornais, pois não vi nenhum perigo na sociedade, mas apenas coisas boas. Mesmo assim eu tinha que executar meu serviço e vim para o vale das minas. Quando cheguei aqui, vi que eu estava enganado e que as coisas não eram inventadas. Então fiquei para investigar. Nunca matei ninguém em Chicago. Nunca falsifiquei uma moeda na minha vida. Aquelas moedas que eu dei a vocês eram tão verdadeiras quanto qualquer outra que circule por aí, mas eu jamais gastei dinheiro de maneira melhor. Eu queria cair nas graças de vocês e fingi que a polícia me procurava. Tudo funcionou como eu imaginei.

– Eu me filiei à Loja infernal de vocês e comecei a fazer parte da sociedade. Talvez digam que sou tão mau quanto vocês. Podem dizer o que quiserem, já que consegui agarrá-los. Mas qual é a verdade? Na noite em que eu entrei para a sociedade vocês espancaram o velho Stanger. Eu não consegui avisá-lo, pois não houve tempo, mas segurei suas mãos, Baldwin, quando você já ia matá-lo. Se cheguei a sugerir algumas coisas a fim de manter minha posição entre vocês, eram coisas que eu podia evitar. Não pude salvar Dunn e Menzies, pois eu não sabia o suficiente sobre o caso, mas vou tratar de fazer com que os assassinos deles sejam enforcados. Eu avisei Chester Wilcox, de modo que quando explodi a casa dele, ele e a família estavam longe, escondidos. Houve muitos crimes que não pude evitar, mas se olharem para trás e pensarem quantas vezes a vítima de vocês voltava para casa por outro caminho, ou estava na cidade quando vocês iam procurá-la, ou ficava em casa quando vocês pensavam que a pessoa iria sair. Então vocês verão o meu trabalho.

– Maldito traidor! – McGinty disse baixinho.

– Ah, John McGinty, pode me chamar assim se isso alivia o seu sofrimento. Você e esses outros iguais a você foram inimigos de Deus e dos homens aqui nesta cidade. Foi preciso que um homem se metesse entre vocês e os pobres-diabos desses homens e mulheres que vocês mantinham sob suas garras. Só havia um jeito de fazer isso, e eu fiz. Você me chama de traidor, mas acho que milhares de pessoas me chamarão de salvador. Um libertador que foi ao inferno para salvá-las. Vivi três meses neste inferno. Eu não passaria por tudo isso de novo. Eu tinha de ficar até conseguir tudo, até que cada homem e cada segredo estivesse aqui na minha mão. Eu teria esperado um pouco mais se não tivesse sido informado de que o meu segredo estava começando a se espalhar. Chegou uma carta à cidade que lhes informaria de tudo. Então tive de agir, e agir depressa. Não tenho mais nada a dizer a vocês, a não ser que, quando chegar a minha hora, eu morrerei mais tranqüilo, pois me lembrarei do trabalho que fiz aqui neste vale. Agora, Marvin, não vou retê-lo mais. Leve-os e acabe logo com isso.

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