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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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– Ele vem aí – disse.

– Ótimo! – aprovou McGinty. O gigante estava em mangas de camisa, com as correntes e emblemas brilhando no peito por cima do seu enorme colete e um diamante cintilando abaixo da barba eriçada. A bebida e a política haviam feito do conselheiro um homem muito rico, além de poderoso. O mais terrível de tudo, portanto, era a possibilidade de cadeia ou de forca que fora mencionada na noite anterior.

– Você acha que ele sabe de muita coisa? – perguntou, ansioso.

McMurdo sacudiu a cabeça com pesar.

– Ele já está por aqui há algum tempo. Pelo menos há seis semanas. Acho que não veio até aqui para ver a paisagem. Se trabalhou entre nós durante todo esse tempo com o apoio do dinheiro das ferrovias, deve-se esperar que tenha conseguido algum resultado, e que tenha passado isso adiante.

– Não há nenhum homem fraco na Loja! – gritou McGinty. – São todos exemplares. Mesmo assim, ah, meu Deus!, existe aquele pulha do Morris. O que acha dele? Se algum homem tiver que trair a Loja, certamente será ele. Estou pensando em mandar dois rapazes até a casa dele antes de anoitecer para lhe dar uma surra e ver o que conseguem dele.

– Bem, não haveria mal nenhum nisso – disse McMurdo. – Não vou negar que gosto de Morris e lamentaria se algum mal lhe acontecesse. Uma vez ou duas ele falou comigo sobre assuntos da Loja, e embora não pareça encará-lo do mesmo modo que nós, nunca achei que fosse do tipo que delata. Mas não quero me interpor entre o senhor e ele.

– Vou pegar esse velho idiota – disse McGinty, praguejando. – Estou de olho nele desde o ano passado.

– Bem, o senhor sabe mais sobre isso – disse McMurdo. – Mas, seja lá o que o senhor for fazer, tem de ser amanhã, porque precisamos ficar fora de circulação até que o caso Pinkerton esteja resolvido. Não podemos deixar que a polícia nos perturbe hoje.

– É verdade – disse McGinty. – E vamos saber com Birdy Edwards onde ele obteve as informações, nem que ele perca as tripas. Será que ele percebeu que era uma armadilha?

McMurdo riu.

– Acho que eu o peguei pelo ponto fraco – ele disse. – Se ele tiver uma boa pista sobre os Scowrers, é capaz de segui-la até o inferno. Peguei o dinheiro dele – McMurdo sorria enquanto mostrava um maço de notas. – E muito mais depois que eu lhe mostrar meus papéis.

– Que papéis?

– Bem, não há papel nenhum. Mas eu disse que havia estatutos e livros de normas para os membros. Ele espera resolver tudo antes de ir embora.

– Que confiança! – disse McGinty de modo sinistro. – Ele não perguntou por que você não levava os papéis até ele?

– Como se eu pudesse andar por aí com coisas desse tipo. Sou um homem suspeito, ainda mais depois que o capitão Marvin falou comigo hoje de manhã na estação!

– Ah, eu fiquei sabendo – disse McGinty. – Acho que a culpa disso irá recair sobre você. Podemos colocá-lo numa velha mina depois de eliminá-lo, mas, de qualquer modo, não podemos nos aproximar do homem que mora em Hobson’s Patch, já que você esteve hoje lá.

McMurdo deu de ombros.

– Se fizermos tudo direito, nunca poderão provar que houve assassinato – disse ele. – Ninguém poderá vê-lo vindo para a casa depois que escurecer e vou dar um jeito para que ninguém o veja ir. Agora, conselheiro, vou mostrar-lhe meu plano e peço que o senhor passe para os outros. Vocês chegam antes. Muito bem. Ele chega às dez horas. Vai bater três vezes para que eu abra a porta. Então fico atrás dele e fecho a porta. Aí ele é nosso.

– Tudo muito fácil e claro.

– Sim, mas o passo seguinte precisa de reflexão. Ele está bem armado. Eu o enganei, mas, mesmo assim, é provável que esteja alerta. Suponha que eu o leve a um quarto onde estejam sete homens, quando ele esperava me encontrar sozinho. Haverá tiroteio e alguém vai se machucar.

– É verdade.

– E o barulho fará com que todos os guardas da cidade caiam sobre nós.

– Acho que você está certo.

– É assim que devo pensar. Vocês todos ficarão no salão – aquele que o senhor viu quando foi falar comigo. Vou abrir a porta para ele, levo-o para a outra sala e deixo-o ali enquanto vou apanhar os papéis. Isso me dará oportunidade de lhes dizer como estão as coisas. Depois volto para onde ele está com alguns papéis falsos. Enquanto estiver lendo, eu pulo em cima dele e pego sua arma. Vocês ouvem o meu chamado e correm. Quanto mais rápido, melhor, pois ele é forte como eu e pode ser difícil de controlar. Mas acho que posso segurá-lo até vocês chegarem.

– É um bom plano – disse McGinty. – A Loja ficará em dívida com você por isso. Acho que quando eu deixar este posto poderia indicar o homem que me sucederá.

– Bem, conselheiro, sou pouco mais que um recruta – disse McMurdo, mas seu rosto mostrava o que ele pensava do cumprimento do grande homem.

Quando voltou para casa, fez seus preparativos para a noite difícil que teria pela frente. Primeiramente limpou, lubrificou e carregou sua Smith Wesson. Depois examinou a sala em que o detetive seria pego na armadilha. Era um cômodo grande, com uma mesa comprida no centro e o grande fogão num canto. Em cada um dos lados havia uma janela. Não havia postigos, apenas cortinas leves que corriam para os lados. McMurdo examinou-as atentamente. Sem dúvida deve ter-lhe ocorrido que o apartamento era muito devassado para um assunto tão secreto. Mas sua distância da estrada compensava essa desvantagem. Finalmente ele discutiu o assunto com o outro inquilino. Scanlan, embora fosse um Scowrer, era um homenzinho inofensivo, fraco demais para se opor à opinião dos seus companheiros, mas ficava secretamente horrorizado com os atos sanguinários que algumas vezes fora obrigado a assistir. McMurdo contou-lhe resumidamente o que iria acontecer.

– E se eu fosse você, Mike Scanlan, passaria a noite longe, e fora de tudo isso. Vai correr muito sangue por aqui antes de amanhecer.

– Na verdade, Mac – Scanlan disse –, não é a vontade que manda em mim, e sim os nervos. Quando eu vi o gerente Dunn cair lá na mina de carvão, foi demais pra mim. Não fui feito pra isso. Não sou como você ou McGinty. Se a Loja não for pensar mal de mim, farei como você disse. E sairei quando anoitecer.

Os homens chegaram na hora certa, como combinado. Eles eram aparentemente cidadãos respeitáveis, bem-vestidos e limpos, mas um bom conhecedor de fisionomias veria facilmente naquelas bocas e olhos implacáveis que havia poucas esperanças para Birdy Edwards. Não havia um homem naquela sala cujas mãos já não tivessem ficado ensangüentadas antes. Eles eram tão insensíveis para assassinatos quanto um açougueiro para desossar um boi. Em primeiro lugar, tanto em aparência quanto em culpa, estava o terrível chefe. Harraway, o secretário, era um homem magro, mordaz, com um pescoço longo e fino e os membros irrequietos, nervosos – um homem de incorruptível fidelidade no que se referia às finanças da Ordem, e sem noção alguma de justiça ou honestidade em relação às outras pessoas. O tesoureiro, Carter, era um homem de meia-idade com um ar impassível, bastante rabugento, com uma pele amarelada feito pergaminho. Ele era um organizador competente, e todos os detalhes de cada ataque saíam de seu cérebro conspirador. Os dois Willabys eram homens de ação, jovens altos e ágeis, de rostos determinados, enquanto que seu companheiro, Tigre Cormac, um jovem moreno e pesadão, era temido até por seus próprios camaradas pela ferocidade de seu temperamento. Eram esses os homens reunidos aquela noite sob o teto de McMurdo para o assassinato do detetive de Pinkerton.

O anfitrião pusera uma garrafa de uísque na mesa e eles se apressavam em se embebedar antes do serviço que tinham pela frente. Baldwin e Cormac já estavam meio bêbados, e o álcool despertara toda a ferocidade deles. Cormac pôs as mãos sobre a lareira por um instante – ela estava acesa, porque as noites de primavera ainda eram geladas.

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