A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Não vejo o Drogon – disse Sor Jorah Mormont quando se juntou a ela no castelo de proa. – Perdeu-se outra vez?
– Somos nós que estamos perdidos, sor. Drogon não gosta mais do que eu deste rastejar molhado. – Mais ousado do que os outros dois, seu dragão negro tinha sido o primeiro a experimentar as asas por cima da água, o primeiro a pairar de navio em navio, o primeiro a se perder numa nuvem passageira... e o primeiro a matar. Assim que os peixes-voadores rompiam a superfície da água, eram envolvidos numa lança de chamas, apanhados e engolidos. – Ele crescerá até que tamanho? – perguntou Dany com curiosidade. – Você sabe?
– Nos Sete Reinos contam-se histórias de dragões que cresceram tanto que conseguiam arrancar lulas gigantes do mar.
Dany soltou uma gargalhada.
– Isso seria uma visão maravilhosa.
– É só uma história, Khaleesi – disse seu cavaleiro exilado. – Também falam de velhos e sábios dragões que viveram mil anos.
– Bom, e quanto tempo vive mesmo um dragão? – olhou para cima quando Viserion passou em voo rasante por cima do navio, batendo lentamente as asas e agitando as velas murchas.
Sor Jorah encolheu os ombros.
– A vida natural de um dragão é muito mais longa do que a de um homem, ou pelo menos é isso que as canções nos querem levar a crer... mas os dragões que os Sete Reinos conheceram melhor foram aqueles da Casa Targaryen. Eram criados para a guerra, e na guerra morriam. Matar um dragão não é coisa fácil, mas é possível.
O escudeiro Barba-Branca, em pé junto da figura de proa, com uma mão esguia segurando seu rijo bastão de madeira, virou-se para eles e disse:
– Balerion, o Terror Negro, tinha duzentos anos de idade quando morreu durante o reinado de Jaehaerys, o Conciliador. Era tão grande que podia engolir um auroque inteiro. Um dragão nunca para de crescer, Vossa Graça, desde que tenha comida e liberdade. – O nome do homem era Arstan, mas Belwas, o Forte, apelidara-o de Barba-Branca devido à cor dos pelos que cresciam em seu rosto, e agora quase todos o chamavam assim. Era mais alto do que Sor Jorah, embora não fosse tão musculoso; seus olhos eram azul-claros, e sua longa barba era branca como neve e fina como seda.
– Liberdade? – perguntou Dany, curiosa. –O que quer dizer?
– Em Porto Real, seus ancestrais construíram para os dragões um imenso castelo coberto por uma cúpula. Chama-se Fosso dos Dragões. Ainda está de pé no topo da Colina de Rhaenys, embora esteja agora em ruínas. Era lá que os dragões reais moravam nos dias de outrora, e era uma habitação espaçosa, com portas de ferro tão largas que trinta cavaleiros podiam atravessá-las lado a lado. Mas, mesmo assim, notou-se que nunca nenhum dos dragões do fosso atingiu o tamanho de seus ancestrais. Os meistres dizem que isso se deveu às paredes que os rodeavam, e ao grande domo sobre suas cabeças.
– Se as paredes pudessem nos manter pequenos, os camponeses seriam todos minúsculos e os reis, grandes como gigantes – disse Sor Jorah. – Eu vi homens enormes nascidos em casebres e anões que viviam em castelos.
– Homens são homens – respondeu Barba-Branca. –Dragões são dragões.
Sor Jorah fungou de desdém.
– Que profundo. – O cavaleiro exilado não simpatizava com o velho, tinha deixado isso claro desde o início. – De resto, o que você sabe a respeito de dragões?
– Bastante pouco, é verdade. Mas servi durante algum tempo em Porto Real, nos dias em que o Rei Aerys ocupava o Trono de Ferro, e caminhei sob os crânios de dragões que olhavam para baixo, das paredes de sua sala do trono.
– Viserys falava desses crânios – disse Dany. – O Usurpador tirou-os das paredes e os escondeu. Não suportava vê-los olhando-o no trono que havia roubado. – Fez um gesto para que Barba-Branca se aproximasse. – Chegou a conhecer meu real pai? – o Rei Aerys II morrera antes de a filha nascer.
– Tive essa grande honra, Vossa Graça.
– Achou-o bom e gentil?
Barba-Branca fez o seu melhor para esconder os sentimentos, mas eles estavam ali, estampados em seu rosto.
– Sua Graça era... frequentemente agradável.
– Frequentemente? – Dany sorriu. – Mas nem sempre?
– Podia ser muito severo para com aqueles que julgava ser seus inimigos.
– Um homem sensato nunca faz de um rei um inimigo – disse Dany. – Também conheceu meu irmão Rhaegar?
– Dizia-se que homem algum chegou a conhecer realmente o Príncipe Rhaegar. Mas tive o privilégio de vê-lo em torneios e ouvi-o frequentemente tocar a sua harpa de cordas de prata.
Sor Jorah fungou.
– Junto com outros mil em alguma festa das colheitas. A seguir vai dizer que foi o escudeiro dele.
– Não direi uma coisa dessas, sor. O escudeiro do Príncipe Rhaegar foi Myles Mooton, e depois Richard Lonmouth. Quando ganharam suas esporas, foi ele mesmo quem os armou cavaleiros, e permaneceram companheiros próximos. O jovem Lorde Connington também era caro ao príncipe, mas seu amigo mais antigo era Arthur Dayne.
– A Espada da Manhã! – disse Dany, deliciada. – Viserys costumava falar de sua maravilhosa lâmina branca. Dizia que Sor Arthur era o único cavaleiro no reino capaz de se igualar a nosso irmão.
Barba-Branca inclinou a cabeça.
– Não me cabe questionar as palavras do Príncipe Viserys.
– Rei – corrigiu Dany. – Ele foi um rei, embora nunca tenha reinado. Viserys, o Terceiro de Seu Nome. Mas o que quer dizer? – a resposta dele não fora a que esperava. – Sor Jorah certa vez chamou Rhaegar de o último dragão. Ele precisava ter sido um guerreiro ímpar para ser chamado assim, certamente.
– Vossa Graça – disse Barba-Branca –, o Príncipe de Pedra do Dragão foi um guerreiro muito poderoso, mas...
– Prossiga – pediu ela. – Pode falar livremente comigo.
– Às suas ordens. – O velho apoiou-se em seu bastão, com a testa enrugada. – Um guerreiro sem par... essas são belas palavras, Vossa Graça, mas palavras não vencem batalhas.
– As espadas vencem batalhas – disse Sor Jorah sem rodeios. – E o Príncipe Rhaegar sabia usar uma.
– Sabia, sor, mas... vi uma centena de torneios e mais guerras do que desejaria, e por mais forte, rápido ou hábil que um cavaleiro seja, há outros que podem se equiparar a eles. Um homem pode ganhar um torneio e cair rapidamente no seguinte. Um ponto escorregadio na relva, ou aquilo que se comeu na noite anterior, pode significar a derrota. Uma mudança no vento pode trazer a dádiva da vitória. – Olhou de relance para Sor Jorah. – Ou o favor de uma senhora atado em volta de um braço.
O rosto de Mormont obscureceu-se.
– Tenha cuidado com o que diz, velho.
Dany sabia que Arstan vira Sor Jorah lutar em Lanisporto, no torneio que Mormont tinha ganhado com o favor de uma senhora atado ao braço. Tinha conquistado também a senhora; Lynesse, da Casa Hightower, sua segunda esposa, bem-nascida e bela... mas ela arruinara-o e abandonara-o, e a recordação da mulher agora era amarga para ele.
– Seja gentil, meu cavaleiro. – Dany pôs uma mão no braço de Jorah. – Estou certa de que Arstan não teve nenhuma intenção de ofendê-lo.
– Às suas ordens, Khaleesi. – A voz de Sor Jorah mostrava ressentimento.
Dany voltou-se para o escudeiro.
– Sei pouco de Rhaegar. Só as histórias que Viserys contava, e ele era um garotinho quando nosso irmão morreu. Como ele era realmente?
O velho refletiu por um momento.
– Capaz. Isso acima de tudo. Determinado, circunspecto, cumpridor, obstinado. Conta-se uma história sobre ele... mas sem dúvida Sor Jorah também a conhece.