A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Jon bebeu outro trago de hidromel. Só há uma história em que ele pode acreditar.
– Disse que estava em Winterfell na noite em que meu pai ofereceu o banquete ao Rei Robert.
– Disse, porque estava.
– Então viu-os todos. O Príncipe Joffrey e o Príncipe Tommen, a Princesa Myrcella, meus irmãos Robb, Bran e Rickon, minhas irmãs Arya e Sansa. Viu-os caminhar pelo corredor central com todos os olhos postos neles e ocupar seus lugares na mesa logo abaixo do estrado onde o rei e a rainha se sentavam.
– Lembro-me.
– E viu onde eu estava sentado, Mance? – inclinou-se para a frente. – Viu onde eles puseram o bastardo?
Mance Rayder olhou o rosto de Jon durante um longo momento.
– Acho que é melhor arranjarmos um novo manto para você – disse o rei, estendendo a mão.
DAENERYS
O lento e constante bater de tambores e o suave sibilar dos remos das galés pairavam sobre a imóvel água azul. A grande coca gemia em seu rastro, com as pesadas cordas bem retesadas entre os navios. As velas do Balerion pendiam, flácidas, caindo desamparadas dos mastros. Mesmo assim, em pé no castelo de proa, observando seus dragões se perseguirem com um céu azul sem nuvens ao fundo, Daenerys Targaryen estava tão feliz como jamais se lembrava de estar.
Seus dothraki chamavam o mar de água venenosa, desconfiando de qualquer líquido que seus cavalos não pudessem beber. No dia em que os três navios tinham levantado âncora em Qarth, seria possível ter pensado que estavam zarpando para o inferno e não para Pentos. Seus bravos e jovens companheiros de sangue fitavam com enormes olhos brancos a linha de costa que minguava, cada um deles determinado a não mostrar medo perante os outros dois, enquanto as aias Irri e Jhiqui se agarravam desesperadamente à amurada e vomitavam borda afora a cada pequeno balanço. O resto do minúsculo khalasar de Dany permanecia sob o convés, preferindo a companhia de seus nervosos cavalos ao aterrorizador mundo sem terra que rodeava os navios. Quando uma súbita tempestade os engoliu no sexto dia de viagem, ouviu-os através das escotilhas; os cavalos relinchando e aos coices, os cavaleiros rezando com vozes agudas e trêmulas a cada vez que o Balerion se elevava ou adernava.
Mas nenhum balanço era capaz de assustar Dany. Era chamada Daenerys, nascida na Tormenta, pois chegara ao mundo, aos gritos, na distante Pedra do Dragão, enquanto a maior tempestade de que se havia memória em Westeros rugia lá fora, uma tempestade tão violenta que arrancou gárgulas das muralhas do castelo e fez a frota do pai em pedaços.
O mar estreito era frequentemente tempestuoso, e Dany atravessara-o meia centena de vezes quando menina, correndo de uma Cidade Livre para a seguinte, meio passo à frente dos assassinos contratados pelo Usurpador. Adorava o mar. Gostava do intenso cheiro salgado do ar e da vastidão do horizonte, limitado apenas por uma abóbada de céu azul-celeste. Fazia-a sentir-se pequena, mas também livre. Gostava dos golfinhos que às vezes nadavam ao lado do Balerion, cortando as ondas como lanças prateadas, e dos peixes-voadores que podiam ser vislumbrados de vez em quando. Até gostava dos marinheiros, com todas as suas canções e histórias. Certa vez, em uma viagem para Bravos, enquanto observava a tripulação que lutava para arriar uma grande vela verde no meio de uma crescente ventania, até tinha pensado em como seria bom ser um marinheiro. Mas, quando disse isso ao irmão, Viserys torcera seus cabelos até fazê-la gritar.
– Você é do sangue do dragão – ele berrou. – Um dragão, não um peixe fedorento qualquer.
Foi um tolo com isso, como com tantas outras coisas, pensou Dany. Se tivesse sido mais sensato e mais paciente, seria ele quem viajaria para oeste a fim de tomar o trono que era dele por direito. Havia chegado à conclusão de que Viserys era burro e mau, mesmo assim às vezes sentia sua falta. Não do homem fraco e cruel em que se transformara por fim, mas do irmão que às vezes a deixava se deitar na cama dele, do garoto que lhe contava histórias sobre os Sete Reinos e falava de como a vida de ambos seria melhor depois de reclamar a sua coroa.
O capitão surgiu junto a ela.
– Seria bom que este Balerion pudesse voar como o seu homônimo, Vossa Graça – disse num valiriano baixo, fortemente temperado pelo sotaque de Pentos. – Então não precisaríamos remar, nem rebocar, nem rezar por vento.
– É verdade, capitão – respondeu ela com um sorriso, satisfeita por ter conquistado o homem. O capitão Groleo era um velho pentoshi como o seu patrão, Illyrio Mopatis, e tinha se mostrado nervoso como uma donzela com a ideia de transportar três dragões em seu navio. Meia centena de baldes de água do mar ainda pendiam da amurada, para o caso de incêndio. A princípio, Groleo quis os dragões engaiolados e Dany consentiu para sossegá-lo, mas a infelicidade dos animais era tão palpável que rapidamente mudou de ideia e insistiu para que fossem libertados.
Agora até o capitão Groleo estava contente com isso. Ocorrera um pequeno incêndio, extinto com facilidade; em compensação, agora o Balerion parecia ter menos ratazanas do que antes, quando velejara com o nome de Saduleon. E a tripulação, antes tão temerosa quanto curiosa, começou a ganhar um estranho orgulho feroz de “seus” dragões. Todos os homens do navio, do capitão ao ajudante de cozinha, gostavam de ver os três voando... embora nenhum gostasse tanto como Dany.
São meus filhos, disse a si mesma, e se a maegi falou a verdade, são os únicos filhos que alguma vez terei.
As escamas de Viserion eram da cor de creme fresco e seus chifres, os ossos das asas e a crista dorsal, de um dourado escuro que relampejava ao sol, brilhante como metal. Rhaegal era feito do verde do verão e do bronze do outono. Voavam por cima dos navios em largos círculos, cada vez mais alto, ambos tentando subir acima do outro.
Dany tinha aprendido que os dragões preferiam sempre atacar de cima. Se algum deles conseguisse se colocar entre o outro e o sol, dobrava as asas e mergulhava, gritando, e caíam ambos do céu, presos numa emaranhada bola escamosa, com as mandíbulas atacando e as caudas chicoteando. Da primeira vez que tinham feito isso, Dany temeu que quisessem matar um ao outro, mas era só brincadeira. Assim que caíam no mar, espirrando água, largavam-se e voltavam a levantar voo, guinchando e silvando, com a água salgada evaporando de sua pele, em nuvens de vapor, enquanto as asas rasgavam o ar. Drogon também andava pelas alturas, mas não se encontrava à vista; devia estar muito à frente ou atrás, caçando.
Seu Drogon andava sempre com fome. Com fome e crescendo depressa. Mais um ano, ou talvez dois, e estará suficientemente grande para montar. Então não terei necessidade de navios para atravessar o grande mar salgado.
Mas esse tempo ainda não tinha chegado. Rhaegal e Viserion eram do tamanho de cães pequenos, Drogon, só um pouco maior, e qualquer cão seria mais pesado do que eles; os dragões eram todos asas, pescoço e cauda, mais leves do que pareciam. E assim Daenerys Targaryen dependia de madeira, vento e vela para levá-la para casa.
A madeira e a vela tinham-na servido bastante bem até agora, mas o inconstante vento tornara-se traidor. Havia seis dias e seis noites que estavam presos numa calmaria, e agora o sétimo dia chegara, e ainda não havia um sopro de ar que enchesse suas velas. Felizmente, dois dos navios que o Magíster Illyrio tinha mandado à sua procura eram galés mercantes, com duzentos remos cada uma e tripulação de remadores de braços fortes para manuseá-los. Mas a grande coca Balerion tocava por outra partitura; um navio imponentemente largo que mais parecia uma imensa porca, com porões gigantescos e enormes velas, mas que era impotente numa calmaria. A Vhagar e a Meraxes tinham-lhe atirado cabos para rebocá-la, mas o avanço era dolorosamente lento. Os três navios estavam repletos de gente e iam muito carregados.