Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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segredo, alguns irmãos de Loja eram recebidos lá para vê-los, e cada um deles carregava no bolso alguns exemplares do dinheiro falsificado, certos de que não haveria a menor dificuldade em passá-lo adiante. Por que, dominando arte tão magnífica, McMurdo continuava trabalhando era um completo mistério para seus companheiros, embora deixasse claro a todos que lhe perguntavam sobre isso que, se não tivesse um emprego para manter as aparências, logo a polícia estaria atrás dele.
Já havia, na verdade, um policial atrás dele, mas o incidente, por sorte, fez-lhe mais bem do que mal. Depois do primeiro encontro, eram raras as noites em que não ia ao saloon de McGinty, a fim de se entrosar melhor com “os rapazes”, que era o título jovial pelo qual a perigosa quadrilha que infestava o lugar era conhecida entre seus integrantes. Seu jeito impetuoso e destemido de falar fez dele um favorito entre o grupo, enquanto que o modo rápido e científico pelo qual eliminava seus antagonistas numa disputa de bar fez com que conquistasse o respeito daquela comunidade rude. Mas um outro incidente fez com que os outros o estimassem ainda mais.
Uma noite, na hora de maior movimento, a porta do saloon se abriu e entrou um homem trajando o uniforme azul da polícia das minas de carvão e ferro. Era uma corporação especial criada pelos proprietários das minas e das ferrovias a fim de ajudar os efetivos da polícia civil, que não tinham condições de combater o banditismo que aterrorizava a região. Houve um silêncio quando o homem entrou, e muitos o olharam com curiosidade, mas as relações entre policiais e criminosos são especiais em algumas regiões dos Estados Unidos, e o próprio McGinty, que estava atrás do balcão, não se mostrou surpreso quando o inspetor se misturou aos seus clientes.
– Um uísque puro, porque a noite está fria – disse o oficial. – Acho que não nos encontramos antes, conselheiro.
– O senhor será o novo comandante? – perguntou McGinty.
– Exatamente. Confiamos no senhor, conselheiro, e em outros cidadãos de destaque para nos ajudar a manter a lei e a ordem nesta cidade. Meu nome é capitão Marvin, da polícia das minas.
– Ficaríamos melhor sem o senhor, capitão Marvin – disse McGinty secamente. – Porque temos a polícia da cidade e não precisamos de coisas importadas. As pessoas da sua corporação são instrumentos pagos pelos homens de dinheiro, contratados por eles para bater ou atirar nas pessoas mais pobres, não é?
– Bem, não vamos discutir sobre isso – disse o policial de bom humor. – Acho que cada um faz seu trabalho, mas não podemos ter a mesma opinião sobre ele. – Ele esvaziou seu copo e virou-se para sair quando seus olhos bateram no rosto de Jack McMurdo, que estava apoiado com cotovelo no balcão. – Olá! – ele gritou, olhando o outro de cima a baixo. – Aqui está um velho conhecido.
McMurdo afastou-se dele.
– Nunca fui seu amigo nem de nenhum outro maldito policial em toda a minha vida – disse ele.
– Ser conhecido não significa ser amigo – disse o policial, sorrindo. Você é Jack McMurdo, de Chicago, tenho certeza, e não tente negar.
McMurdo deu de ombros.
– Não estou negando nada – disse ele. – Acha que tenho vergonha do meu nome?
– Você tem bons motivos para isso.
– Que diabo você quer dizer com isso? – ele gritou, fechando os punhos.
– Não, não, Jack. Gritos não adiantam comigo. Eu era oficial em Chicago antes de vir para esse maldito depósito de carvão, e reconheço logo um criminoso de Chicago quando ponho os olhos nele.
O rosto de McMurdo mostrou espanto.
– Não me diga que você é o Marvin da Central de Chicago! – ele gritou.
– O mesmo Teddy Marvin, às suas ordens. Não esquecemos do assassinato de Jonas Pinto lá.
– Eu não o matei.
– Não? Que testemunho imparcial, não acha? Bem, você fez a coisa de modo notável, do contrário eles o teriam agarrado. Mas vamos deixar de lado essas coisas do passado porque, aqui entre nós (e talvez eu esteja me excedendo ao dizer isso), eles não têm como acusá-lo de nada, e Chicago o espera de braços abertos.
– Estou muito bem onde estou.
– Bem, eu lhe ofereci a sugestão e você é mal-humorado demais para me agradecer.
– É, acho que você tem razão, e realmente lhe agradeço – disse McMurdo, de um modo não muito amável.
– Pra mim está tudo bem, desde que você esteja andando dentro da lei – disse o capitão. – Mas se sair da linha, aí é outra coisa! Então, boa-noite pra você. E boa-noite, conselheiro.
Ele deixou o saloon, mas não sem antes criar um herói ali. O passado de McMurdo em Chicago já fora comentado antes. Ele desestimulara todas as perguntas com um sorriso, como alguém que não desejasse ser enaltecido por seus feitos. Mas agora a coisa toda estava oficialmente confirmada. Os freqüentadores do bar o rodearam e cumprimentaram com entusiasmo, apertando sua mão. Ele estava livre da comunidade a partir de então. Ele conseguia beber muito sem demonstrar embriaguez, mas naquela noite, se seu amigo Scanlan não estivesse por perto para levá-lo para casa, o grande herói certamente teria passado a noite debaixo do balcão.
Numa noite de sábado McMurdo foi apresentado à Loja. Ele pensou que não haveria cerimônia por ter sido iniciado em Chicago; mas em Vermissa havia ritos particulares dos quais todos se orgulhavam, e os postulantes tinham de se submeter a eles. O grupo se reuniu numa grande sala reservada para essa finalidade no sindicato. Cerca de sessenta membros se reuniam em Vermissa, mas esse número nem de longe representava a força total da organização, pois havia várias outras lojas no vale, e ainda outras espalhadas pelas montanhas que delimitavam o vale. Essas lojas intercambiavam seus membros quando havia negócios sérios em andamento, de modo que os crimes podiam ser praticados por homens estranhos à localidade. Ao todo havia cerca de quinhentas lojas espalhadas pelo distrito mineiro.
Na despojada sala de reuniões, os homens sentavam-se em torno de uma mesa comprida. Na lateral ficava uma outra mesa cheia de garrafas e copos e para a qual alguns membros já estavam olhando. McGinty sentou-se na cabeceira com um chapéu achatado de veludo preto sobre o seu cabelo preto emaranhado e uma estola púrpura em torno do pescoço, de modo que parecia um sacerdote presidindo um ritual diabólico. À sua direita e à sua esquerda ficavam os membros mais destacados da Loja, entre eles o rosto cruel e vistoso de Ted Baldwin. Cada membro usava uma estola ou um medalhão como emblema de sua categoria. Eram, em sua maioria, homens de meia-idade, mas o resto do grupo era formado por companheiros mais jovens, entre 18 e 25 anos, e que executavam as ordens dos superiores. Entre os mais velhos havia alguns cujas feições indicavam almas ferozes e desregradas, mas olhando aqueles soldados era difícil acreditar que aqueles jovens vivos e de rosto franco fizessem realmente parte de uma quadrilha de assassinos, cujas mentes sofreram uma tal perversão moral que eles sentiam um tremendo orgulho de sua competência e olhavam com o maior respeito os homens que tinham a fama de fazer o que chamavam de um “trabalho limpo”. Para suas naturezas pervertidas, tornara-se algo divertido e nobre a apresentação voluntária para a execução de serviços contra homens que nunca os ofenderam, e que, em muitos casos, jamais tinham visto antes. Depois de cometido o crime, discutiam quem havia disparado o tiro mortal, e divertiam-se – e divertiam todos os demais – descrevendo os gritos e contorções do morto. No início, haviam mostrado certa discrição em seus trabalhos, mas na época em que se passa esta narrativa seus métodos eram ostensivos, já que as falhas freqüentes da lei lhes mostraram que, por um lado, ninguém ousaria testemunhar contra eles, e, por outro, tinham um número ilimitado de testemunhas de confiança que poderiam utilizar e um tesouro bem forrado do qual poderiam retirar os fundos necessários para contratar os melhores advogados do país. Em dez anos de atuação não ocorrera nenhuma prisão, e o único perigo que sempre ameaçara os Scowrers estava nas próprias vítimas que, embora fossem muitas e apanhadas de surpresas, podiam, como às vezes acontecia, deixar sua marca em seus assassinos.