Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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McMurdo pareceu embaraçado. Então tirou do bolso do casaco um recorte de jornal desbotado.
– O senhor não denunciaria um companheiro? – ele perguntou.
– Eu lhe meto a mão na cara se você disser essas coisas para mim! – McGinty gritou, furioso.
– O senhor está certo, conselheiro – disse McMurdo humildemente. – Devo me desculpar. Falei sem pensar. Sei que estou seguro em suas mãos. Olhe esse recorte.
McGinty passou os olhos pela notícia sobre o assassinato de Jonas Pinto, no Lake Saloon, Market Street, em Chicago, na semana do Ano-novo de 1874.
– Coisa sua? – ele perguntou ao devolver o recorte.
McMurdo assentiu.
– Por que você o matou?
– Eu estava ajudando o Tio Sam a fazer dólares. Talvez o meu ouro não fosse tão bom quanto o dele, mas tinham a mesma aparência e era mais barato. Esse tal de Pinto ajudou-me a fazer o derrame...
– Fazer o quê?
– Isso significa pôr os dólares em circulação. Depois disse que ia deixar o negócio. Talvez fosse mesmo. Não esperei para ver. Eu simplesmente o matei e fugi para as minas de carvão.
– Por que as minas de carvão?
– Porque li nos jornais que por lá o pessoal não era muito exigente. – McGinty riu.
– Primeiro você foi um falsificador de dinheiro e depois se tornou assassino, e vem para cá achando que seria bem-vindo?
– Bem, foi isso que aconteceu – McMurdo respondeu.
– Acho que você irá longe. Diga, você ainda pode fazer esse dinheiro?
McMurdo pegou algumas moedas no bolso.
– Essas nunca passaram pela Casa da Moeda.
– Não diga! – McGinty levou-as até a luz nas suas mãos enormes e tão cabeludas quanto as de um gorila. – Não consigo ver nenhuma diferença! Puxa, você será um irmão muito útil, é o que eu acho. Temos de agir assim com um homem mau, ou quando são dois contra nós, pois às vezes precisamos salvar nossa pele, amigo McMurdo. Logo ficaríamos em dificuldades se não empurrássemos para trás quem estava nos empurrando.
– Acho que vou empurrar os outros com o resto dos rapazes.
– Você me parece ter bastante coragem. Você não se sobressaltou quando eu apontei a pistola para você.
– Não era eu que estava correndo perigo.
– E quem estava?
– O senhor, conselheiro. – McMurdo tirou do bolso lateral do casaco uma pistola engatilhada. – Eu estava apontando para o senhor o tempo todo. Acho que o meu tiro seria tão rápido quanto o seu.
McGinty ficou vermelho de raiva e depois explodiu numa gargalhada.
– Puxa! – disse ele. – Há muito tempo que não temos nenhum perigo assim tão perto. Suponho que a Loja saberá se orgulhar de você. Bem, que diabo você quer? Não posso falar em particular com um cavalheiro durante cinco minutos sem vocês me interromperem?
O bartender ficou embaraçado.
– Sinto muito, conselheiro, mas é o sr. Ted Baldwin. Ele disse que precisa falar com o senhor agora.
O recado era desnecessário, pois o rosto rígido e cruel do outro estava olhando por cima do ombro do empregado. Ele empurrou o bartender para fora e fechou a porta.
– Então – disse ele com um olhar furioso para McMurdo – você chegou aqui antes, não é? Tenho algo a lhe falar, conselheiro, sobre este homem.
– Então diga aqui e agora, na minha frente! – gritou McMurdo.
– Vou falar na hora que eu quiser, do jeito que eu quiser.
– Silêncio, silêncio! – disse McGinty levantando-se do barril onde estava sentado. – Isso não adianta nada. Temos um novo irmão aqui, Baldwin, e não devemos recebê-lo assim. Aperte a mão dele, homem, e dê o caso por encerrado.
– Nunca! – gritou Baldwin, furioso.
– Eu me ofereci para lutar com ele, se ele acha que eu agi mal – disse McMurdo. – Eu lutarei com as mãos, ou, se isso não lhe agradar, lutarei com ele da maneira que escolher. Agora deixarei que o senhor, conselheiro, julgue, como deve fazer um chefe.
– Qual é o caso?
– Uma jovem. Ela é livre para se decidir.
– É? – gritou Baldwin.
– Entre dois irmãos da Loja eu diria que ela é livre – disse o chefe.
– Oh, essa é a sua decisão?
– Sim, é, Ted Baldwin – disse McGinty, com um olhar duro. – É você que vai disputar isso?
– O senhor vai preterir alguém que esteve a seu lado durante anos em favor de um homem que o senhor nunca viu antes? O senhor não é chefe para sempre, Jack McGinty, e quando chegar a hora de votar...
O conselheiro partiu para cima dele como um tigre. Suas mãos se fecharam em torno do pescoço do outro e ele caiu sobre um dos barris. No seu acesso de fúria ele teria acabado com a vida do outro se McMurdo não tivesse interferido.
– Calma, conselheiro! Pelo amor de Deus, tenha calma! – ele gritou enquanto o puxava para trás.
McGinty afrouxou as mãos e Baldwin, assustado, atordoado e arquejante, com o corpo todo tremendo como alguém que tivesse chegado à fronteira da morte, sentou-se no barril sobre o qual fora jogado.
– Você está querendo isso há muitos dias, Ted Baldwin. Agora você conseguiu! – gritou McGinty, com o peito largo arfando. – Talvez você pense que se eu for derrotado na votação para chefe você pegará o meu lugar. A Loja é que decidirá. Mas enquanto eu for chefe, nenhum homem levantará a voz para mim ou desacatará minhas decisões.
– Não tenho nada contra o senhor – murmurou Baldwin, esfregando a garganta.
– Muito bem, então! – gritou o outro, adotando uma falsa jovialidade. – Todos nós somos bons amigos e está tudo encerrado.
Ele apanhou uma garrafa de champanha na prateleira e começou a torcer a rolha.
– Veja bem – ele continuou, enquanto enchia três copos –, vamos beber em nome da Loja. Depois disso, como vocês sabem, não pode correr sangue entre nós. Agora, então, a mão esquerda na minha garganta. Eu lhe pergunto, Ted Baldwin, qual o problema, senhor?
– As nuvens estão carregadas – respondeu Baldwin.
– Mas o sol brilhará para sempre.
– Juro que sim.
Os homens beberam e a mesma cerimônia foi repetida entre Baldwin e McMurdo.
– Pronto – gritou McGinty, esfregando as mãos. – Este é o fim da desavença. Você se submeterá à disciplina da Loja, se tudo der certo, e por aqui a palmatória é pesada, como bem sabe o Irmão Baldwin, e como você descobrirá logo, Irmão McMurdo, se arranjar alguma confusão.
– Acredite, não pretendo fazer isso – disse McMurdo. Ele estendeu a mão para Baldwin. – Sou rápido para brigar e rápido para perdoar. É o meu sangue quente escocês, segundo dizem. Mas pra mim está tudo terminado, e não guardo rancor. Baldwin teve de pegar a mão estendida, pois os terríveis olhos do chefe estavam sobre ele. Mas seu rosto carrancudo mostrava que as palavras do outro não convenceram.
McGinty bateu nos ombros dos dois.
– Hum! Essas moças! Essas moças! – ele disse. – E pensar que a mesma mulher agrada a dois de meus rapazes. Coisas do diabo. É que a moça vai resolver a questão, porque está fora da jurisdição do chefe, e Deus seja louvado por isso. Já temos muitas encrencas por aqui sem as mulheres. Você tem de se filiar à Loja 341, Irmão McMurdo. Temos nossos próprios meios e métodos, muito diferentes de Chicago. Nossa reunião é sábado à noite, e se você vier, nós o livraremos para sempre do Vale Vermissa.
Loja 341, Vermissa
No dia seguinte àquela noite de tantos acontecimentos excitantes, McMurdo mudou-se da casa de Jacob Shafter e foi se instalar na pensão da viúva MacNamara, na periferia da cidade. Scanlan, seu primeiro conhecimento, feito no trem, teve oportunidade, pouco depois, de mudar-se para Vermissa, e os dois moravam juntos. Não havia nenhum outro hóspede e a dona da hospedaria era uma velha escocesa simpática que deixava os dois à vontade, de forma que tinham liberdade de falar e agir, o que era muito bom para homens que tinham segredos em comum. Shafter ficara menos severo, a ponto de deixar McMurdo fazer as refeições em sua casa quando quisesse, de modo que sua ligação com Ettie não foi interrompida. Pelo contrário, a relação tornou-se mais estreita e íntima à medida que passavam as semanas. McMurdo sentiu-se suficientemente seguro no quarto de sua nova casa para mostrar seus moldes de cunhagem e, sob a condição de manter