A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Tínhamos uma corda – disse o do manto amarelo. – Isso é direito suficiente.
Dois dos fora da lei agarraram os braços de Merrett e ataram-nos firmemente por trás das costas. Estava num choque profundo demais para oferecer resistência.
– Não – foi tudo que conseguiu dizer. – Eu só vim resgatar o Petyr. Disseram que se tivessem o ouro até o pôr do sol não lhe fariam mal...
– Bem – disse o cantor –, com essa nos pegou, senhor. Acontece que isso foi uma espécie de mentira.
O fora da lei zarolho avançou com um longo rolo de corda de cânhamo. Enrolou uma ponta em volta do pescoço de Merrett, apertou-a bem, e atou um nó forte por baixo de sua orelha. A outra ponta foi atirada por cima do galho do carvalho. O grandalhão do manto amarelo pegou-a.
– O que está fazendo? – Merrett sabia como aquilo parecia estúpido, mas não conseguia acreditar no que estava acontecendo, mesmo então. – Nunca se atreveriam a enforcar um Frey.
O do manto amarelo soltou uma gargalhada.
– Aquele outro, o rapaz das espinhas, disse a mesma coisa.
Ele não fala a sério. Não pode falar a sério.
– Meu pai vai pagá-los. Eu valho um grande resgate, mais do que Petyr, duas vezes mais.
O cantor suspirou.
– Lorde Walder pode estar meio cego e artrítico, mas não é tão burro para morder a mesma isca duas vezes. Temo que da próxima vez envie uma centena de espadas em vez de uma centena de dragões.
– E enviará mesmo! – Merrett tentou soar severo, mas a voz traiu-o. – Enviará mil espadas e matará todos vocês.
– Tem de nos pegar primeiro. – O cantor olhou de relance o pobre Petyr. – E não pode nos enforcar duas vezes, não é? – arrancou um acorde melancólico das cordas de sua harpa. – Vamos, não se borre todo. Tudo que tem de fazer é responder-me uma pergunta, e eu direi para o deixarem partir.
Merrett diria qualquer coisa se isso quisesse dizer que salvaria a vida.
– O que você quer saber? Direi a verdade, juro.
O fora da lei dirigiu-lhe um sorriso encorajador.
– Bem, acontece que andamos à procura de um cão que fugiu.
– Um cão? – Merrett não estava entendendo. – Que tipo de cão?
– Ele responde pelo nome de Sandor Clegane. Thoros diz que se dirigia às Gêmeas. Encontramos os barqueiros que fizeram a travessia do Tridente com ele, e o pobre diabo que assaltou na estrada do rei. Por acaso o viu no casamento?
– No Casamento Vermelho? – Merrett sentia-se como se o crânio estivesse prestes a explodir, mas fez o melhor que pôde para se lembrar. Houve tanta confusão, mas certamente alguém teria falado do cão de Joffrey se o tivessem visto farejando em volta das Gêmeas. – Ele não estava no castelo. Pelo menos não no banquete principal... pode ter estado no banquete bastardo, ou nos acampamentos, mas... não, alguém teria dito...
– Ele estaria acompanhado por uma criança – disse o cantor. – Uma menina magricela, com cerca de dez anos. Ou talvez um garoto da mesma idade.
– Acho que não – disse Merrett. – Que eu saiba, não.
– Não? Ah, que pena. Bem, então vai subir.
– Não – guinchou Merrett sonoramente. – Não, não faça isso, eu dei a sua resposta, disse que me deixaria partir.
– Parece-me que o que eu disse foi que lhes diria para deixarem-no partir. – O cantor olhou para o do manto amarelo. – Limo, deixe-o partir.
– Vá se foder – replicou bruscamente o fora da lei grandalhão.
O cantor ofereceu a Merrett um encolher de ombros impotente e começou a tocar “O dia em que enforcaram o Robin Negro”.
– Por favor. – O resto da coragem de Merrett escorria-lhe perna abaixo. – Eu não lhes fiz mal. Trouxe o ouro, como ordenaram. Respondi à pergunta. Tenho filhos.
– Que o Jovem Lobo nunca terá – disse o fora da lei zarolho.
Merrett quase não conseguia pensar devido ao latejar na sua cabeça.
– Ele envergonhou-nos, o reino inteiro estava rindo, tínhamos de limpar a mancha em nossa honra. – O pai tinha dito tudo aquilo e mais ainda.
– Talvez. O que sabe uma porcaria de um bando de camponeses sobre a honra de um lorde? – o do manto amarelo deu três voltas ao redor da mão com a ponta da corda. – Mas sabemos umas coisas a respeito de assassinato.
– Não foi assassinato. – Tinha a voz esganiçada. – Foi vingança, nós tínhamos direito à nossa vingança. Foi a guerra. Aegon, nós o chamávamos de Guizo, um pobre débil mental que nunca fez mal a ninguém, a Senhora Stark cortou a goela dele. Perdemos meia centena de homens nos acampamentos. Sor Garse Goodbrook, marido de Kyra, e Sor Tytos, filho de Jared... alguém esmagou a cabeça dele com um machado... o lobo gigante do Stark matou quatro de nossos lobeiros e arrancou o braço do mestre dos canis de seu ombro, mesmo depois de o enchermos de dardos...
– E por isso costurou a cabeça dele ao pescoço de Robb Stark depois que os dois estavam mortos – disse o do manto amarelo.
– Foi o meu pai que fez isso. Tudo o que eu fiz foi beber. Não mataria um homem por beber. – Merrett lembrou-se então de uma coisa, uma coisa que podia ser a sua salvação. – Dizem que Lorde Beric sempre concede um julgamento, que não mata nenhum homem a menos que algo seja provado contra ele. O Casamento Vermelho foi obra de meu pai, e de Ryman e de Lorde Bolton. Lothar armou as tendas de maneira a caírem e pôs os besteiros na galeria com os músicos, Walder Bastardo liderou o ataque aos acampamentos... são eles que querem, não eu, eu só bebi um pouco de vinho... vocês não têm testemunhas.
– Pois acontece que aí se engana. – O cantor virou-se para a mulher encapuzada. – Senhora?
Os fora da lei afastaram-se quando ela avançou, sem dizer palavra. Quando abaixou o capuz, algo se apertou no peito de Merrett, e por um momento não conseguiu respirar. Não. Não, eu a vi morrer. Ela esteve morta durante um dia e uma noite antes de despirem-na e atirarem seu corpo no rio. Raymund abriu a garganta dela de orelha a orelha. Ela estava morta.
O manto e o colarinho escondiam o golpe que a lâmina do irmão tinha feito, mas seu rosto estava em estado pior ainda do que ele se lembrava. A carne tornara-se esponjosa na água e tomara a cor do leite coalhado. Metade dos cabelos tinha desaparecido, e o resto ficou tão branco e quebradiço como o de uma velha. Sob o couro cabeludo destroçado, o rosto era feito de pele rasgada e sangue negro, nos locais em que a cortara com as próprias unhas. Mas os olhos eram aquilo que tinha de mais terrível. Os olhos viam-no, e o odiavam.
– Ela não fala – disse o homem grande do manto amarelo. – Vocês, malditos bastardos, cortaram a garganta dela fundo demais para isso. Mas ela lembra-se. – Virou-se para a morta e disse: – O que diz, senhora? Ele participou?
Os olhos da Senhora Catelyn não o deixaram por um instante. Assentiu com a cabeça.
Merrett Frey abriu a boca para suplicar, mas o nó corredio afogou suas palavras. Seus pés deixaram o chão, enquanto a corda cortava profundamente a carne mole por baixo de seu queixo. Subiu, esperneando e torcendo-se, subiu, subiu, e subiu.
APÊNDICE
OS REIS E SUAS CORTES
O REI NO TRONO DE FERRO
JOFFREY BARATHEON, o Primeiro do Seu Nome, um rapaz de treze anos, filho mais velho do Rei Robert I Baratheon e da Rainha Cersei, da Casa Lannister,
– sua mãe, RAINHA CERSEI, Rainha Regente e Protetora do Reino,
– espadas a serviço de Cersei:
– OSFRYD KETTLEBLACK, irmão mais novo de Sor Osmund Kettleblack da Guarda Real,