A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Não quero que Robb trave uma batalha à sombra dessa fortaleza – Catelyn admitiu. – Mas temos de fazer alguma coisa.
– E logo – concordou seu tio. – Não lhe contei o pior, filha. Os homens que enviei para oeste trouxeram notícias de que uma nova tropa está sendo reunida em Rochedo Casterly.
Outro exército Lannister. A ideia deixou-a doente.
– Robb tem de ser imediatamente informado. Quem a comanda?
– Sor Stafford Lannister, segundo se diz – Sor Brynden virou-se para olhar os rios, com o manto vermelho e azul se agitando com a brisa.
– Outro sobrinho? – os Lannister de Rochedo Casterly eram uma casa odiosamente grande e fértil.
– Um primo – ele corrigiu. – Irmão da falecida esposa de Lorde Tywin, portanto, parente por duas vias. Velho e um pouco estúpido, mas com um filho, Sor Daven, que é mais temível.
– Então, esperemos que seja o pai, e não o filho, quem coloca este exército em campo.
– Ainda dispomos de algum tempo antes que tenhamos de enfrentá-los. Esta leva será de mercenários, cavaleiros livres e rapazes verdes saídos dos lupanares de Lanisporto. Sor Stafford tem de se assegurar de que estejam armados e treinados antes de se arriscar a ir para a batalha… Mas não se iluda, Lorde Tywin não é o Regicida. Ele não se precipitará. Vai esperar pacientemente que Sor Stafford se ponha em marcha antes de sair da proteção das muralhas de Harrenhal.
– A menos que… – Catelyn começou a falar.
– Sim? – Sor Brynden a incitou.
– A menos que tenha de deixar Harrenhal – ela completou. – Para enfrentar outra ameaça qualquer.
O tio a olhou, pensativo:
– Lorde Renly.
– Rei Renly – se quisesse pedir ajuda ao homem, Catelyn teria de lhe conceder o tratamento que ele tinha reivindicado para si.
– Talvez – Peixe Negro deu um sorriso perigoso. – Mas ele vai querer alguma coisa.
– Ele vai querer o que os reis querem sempre – ela disse. – Homenagens.
Tyrion
Janos Slynt era filho de um açougueiro e ria como um homem fatiando carne.
– Mais vinho? – Tyrion perguntou.
– Não me oponho – disse Lorde Janos, estendendo a taça. Tinha a constituição de um barril, e uma capacidade semelhante. – Não me oponho mesmo. É um ótimo tinto. Da Árvore?
– De Dorne – Tyrion fez um gesto, e seu criado serviu. Fora os criados, ele e Lorde Janos estavam sozinhos no Salão Pequeno, sentados em volta de uma pequena mesa à luz de vela, rodeados pela escuridão. – Um belo achado. Os vinhos de Dorne não costumam ser tão ricos.
– Rico – repetiu o grande homem com cara de sapo, bebendo um grande gole. Não era homem de bebericar, Janos Slynt. Tyrion tinha notado isso imediatamente. – Sim, rico é a palavra exata que eu estava procurando. A palavra exata. Tem um dom para as palavras, Lorde Tyrion, se me permite dizer. E conta uma história divertida. Divertida, sim.
– Fico agradecido que pense assim… Mas não sou um lorde, como você. Um simples Tyrion basta para mim, Lorde Janos.
– Como quiser – o homem bebeu outro gole, derramando vinho no peito do seu gibão de cetim negro. Envergava uma meia capa de pano dourado presa com uma lança em miniatura, com a ponta esmaltada vermelho-escura. E estava muito, verdadeiramente bêbado.
Tyrion cobriu a boca e soltou um arroto delicado. Ao contrário de Lorde Janos, tinha maneirado no vinho, mas já estava cheio. A primeira coisa que fizera depois de estabelecer residência na Torre da Mão foi saber quem era a melhor cozinheira da cidade e contratá-la para o seu serviço. Naquela noite tinham jantado rabada, verduras de verão com nozes, uvas, funcho e queijo ralado, empadão quente de caranguejo, abóbora com especiarias e codornas cozidas em manteiga. Cada prato tinha vindo acompanhado com o vinho mais adequado. Lorde Janos admitiu que nunca comera tão bem.
– Sem dúvida tudo isso mudará quando fizer de Harrenhal sua residência.
– Com certeza. Talvez deva pedir a esta sua cozinheira para entrar para o meu serviço. O que me diz?
– Guerras foram travadas por menos – Tyrion respondeu, e os dois partilharam uma boa e longa gargalhada. – É um homem de coragem por aceitar Harrenhal como morada. Um lugar tão sombrio. E enorme… Custoso de manter. E há quem diga também que está amaldiçoado.
– Deveria temer uma pilha de pedras? – Lorde Janos riu da ideia. – Um homem de coragem diz que é preciso ter coragem para subir, como eu fiz. Para Harrenhal, sim! E por que não? Você sabe. Sinto que também é um homem de coragem. Pequeno, talvez, mas corajoso.
– É gentil demais de sua parte. Mais vinho?
– Não. Não, de verdade, eu… Ah, danem-se os deuses, sim. Por que não? Um homem de coragem bebe à sua conta!
– Certamente – Tyrion encheu a taça de Lorde Slynt até a borda. – Tenho passado os olhos pelos nomes que sugeriu para tomar o seu lugar como Comandante da Patrulha da Cidade.
– Bons homens. Belos homens. Qualquer um dos seis servirá, mas eu escolheria Allar Deem. O meu braço direito. Homem bom, bom. Leal. Escolha-o, e não vai se arrepender. Se agradar ao rei.
– Com certeza – Tyrion bebeu um pequeno gole do seu vinho. – Tenho pensado em Sor Jacelyn Bywater. É capitão do Portão da Lama há três anos, e serviu com valor durante a Rebelião de Balon Greyjoy. Rei Robert armou-o cavaleiro em Pyke. E, no entanto, seu nome não aparece na sua lista.
Lorde Janos Slynt sorveu um gole de vinho e bochechou-o por um momento antes de engolir.
– Bywater. Bem. É um homem bravo, com certeza, mas… Esse é rígido. Um cão esquisito. Os homens não gostam dele. E também é aleijado, perdeu a mão em Pyke, foi isso que fez dele cavaleiro. Uma troca ruim, a meu ver, uma mão por um sor – ele gargalhou. – Sor Jacelyn dá valor demais a si mesmo e à sua honra, penso eu. Seria melhor se deixasse esse aí onde está, lor… Tyrion. Allar Deem é o homem que quer.
– Ouvi dizer que Deem é pouco querido nas ruas.
– É temido. É preferível.
– O que foi que ouvi falar dele? Um problema qualquer num bordel?
– Isso? A culpa não foi dele, lor… Tyrion. Não. Ele nunca quis matar a mulher, foi obra dela. Ele a preveniu para se afastar e deixar que cumprisse o seu dever.
– Mesmo assim… mães e filhos... Ele devia ter previsto que ela tentaria salvar o bebê – Tyrion sorriu. – Coma um pouco deste queijo, é ótimo com o vinho. Diga-me, por que escolheu Deem para essa tarefa infeliz?
– Um bom comandante conhece os seus homens, Tyrion. Alguns são bons para um trabalho, outros para outro. Tratar de um bebê, e ainda de colo, isso requer um tipo especial. Não era qualquer um que serviria. Mesmo que fosse só uma puta e a sua cria.
– Imagino que assim seja – Tyrion falou, ouvindo só uma puta, e pensando em Shae, e em Tysha, de muito tempo atrás, e em todas as mulheres que tinham recebido seu dinheiro e seu sêmen ao longo dos anos.
Slynt prosseguiu, absorto.
– Deem é um homem duro para um trabalho duro. Faz o que lhe pedem e, depois, nem uma palavra – o homem cortou uma fatia de queijo. – Isto é bom. Picante. Dê-me uma boa faca afiada e um bom queijo forte, e serei um homem feliz.
Tyrion encolheu os ombros.
– Aproveite enquanto pode. Com as terras fluviais em chamas e Renly rei em Jardim de Cima, bom queijo será em breve difícil de achar. Mas, então, quem o mandou atrás do bastardo da vadia?