A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– ‘SPERNEOU E CHOROU, A DONZELA TÃO BELA, MAS ELE LAMBEU-LHE O MEL DOS CABELOS. CABELOS! CABELOS! LAMBEU-LHE O MEL DOS CABELOS!
– Quando poderei conhecê-lo? – perguntou Sansa, hesitante.
– Em breve – prometeu Margaery. – Quando for a Jardim de Cima, depois de Joffrey e eu nos casarmos. Minha avó vai levá-la.
– Levarei – disse a velha, dando palmadinhas na mão de Sansa e abrindo um sorriso suave cheio de rugas. – Levarei mesmo.
– ENTÃO SUSPIROU E GUINCHOU E ATÉ ‘SPERNEOU! MEU URSO! CANTOU. MEU URSO TÃO BELO! E DAQUI PARA LÁ FORAM PELO PERCURSO, O URSO, O URSO E A BELA DONZELA. – O Abetouro rugiu o último verso, deu um salto e caiu sobre ambos os pés com um estrondo que fez balançar as taças de vinho sobre a mesa. As mulheres riram e aplaudiram.
– Achava que essa terrível canção nunca mais acabaria – disse a Rainha dos Espinhos. – Mas, olhem, aí vem o meu queijo.
JON
O mundo era uma escuridão cinzenta e fria, com cheiro de pinheiro e musgo. Névoas pálidas erguiam-se da terra negra enquanto os cavaleiros abriam caminho pela confusão de pedras e árvores deformadas na direção das bem-vindas fogueiras que se espalhavam como joias no fundo do vale do rio, lá embaixo. Havia mais fogueiras do que Jon Snow conseguia contar, centenas delas, milhares, um segundo rio de luzes tremeluzentes ao longo das margens do Guadeleite, branco de gelo. Os dedos da mão que manejava a espada se abriram e fecharam.
Desceram a vertente sem estandartes nem trombetas, num silêncio interrompido apenas pelo murmúrio distante do rio, pelo ruído dos cascos e pelos estalidos da armadura de ossos do Camisa de Chocalho. Em algum lugar, lá no alto, uma águia pairava, com grandes asas azul-acinzentadas abertas, enquanto embaixo seguiam homens, cães, cavalos e um gigante lobo branco.
Uma pedra rolou encosta abaixo, perturbado por um casco de passagem, e Jon viu Fantasma virar a cabeça ao ouvir o súbito som. Ele tinha seguido os cavaleiros a distância o dia todo, como era seu costume, mas quando a lua se ergueu sobre os pinheiros marciais, aproximou-se aos saltos, com os olhos vermelhos brilhando. Os cães do Camisa de Chocalho receberam-no com um coro de rosnidos e violentos latidos, como sempre, mas o lobo gigante não lhes deu importância. Seis dias antes, o maior dos cães atacara-o por trás enquanto os selvagens acampavam à noite, mas Fantasma virara-se e mordera-o, colocando o cão para correr com um quadril ensanguentado. Depois disso, o resto da matilha passou a guardar uma distância saudável.
O garrano de Jon Snow relinchou baixinho, mas um toque e uma palavra carinhosa rapidamente aquietaram o animal. Seria bom que seus próprios medos fossem acalmados com tanta facilidade quanto os do animal. Estava todo vestido de preto, o negro da Patrulha da Noite, mas o inimigo acompanhava-o, à frente e atrás. Selvagens, e eu estou com eles. Ygritte usava o manto de Qhorin Meia-Mão. Lenyl tinha a camisa de malha dele; a grande esposa de lanças, Ragwyle, as luvas; um dos arqueiros, as botas. O elmo de Qhorin foi ganho pelo pequeno simplório chamado Lança-Longa Ryk, mas encaixava-se mal em sua cabeça estreita, e ele deu-o também a Ygritte. E o Camisa de Chocalho levava os ossos de Qhorin no saco, bem como a cabeça ensanguentada de Ebben, que tinha partido com Jon para bater o Passo dos Guinchos. Mortos, todos mortos, menos eu, e eu estou morto para o mundo.
Ygritte seguia logo atrás dele. À frente ia o Lança-Longa Ryk. O Senhor dos Ossos tinha feito dos dois seus guardas.
– Se o corvo fugir, também fervo os ossos de vocês – preveniu-os quando partiram, sorrindo através dos dentes tortos do crânio de gigante que usava como elmo.
Ygritte gritou para ele.
– Você quer guardá-lo? Se quer que nos encarreguemos disso, deixe-nos em paz e faremos o que pede.
Este é realmente um povo livre, compreendeu Jon. Camisa de Chocalho podia ser o líder, mas nenhum deles se acanhava em dar resposta a ele.
O líder selvagem fitou-o com um olhar pouco amistoso.
– Pode ser que tenha enganado esses aí, corvo, mas não ache que vai enganar Mance. Ele vai olhar uma vez pra você e ver que é um farsante. E quando isso acontecer, vou fazer um manto com o seu lobo ali, e abrir sua barriga mole de rapaz pra costurá-la com uma doninha lá dentro.
A mão de Jon que manejava a espada tinha se aberto e fechado, flexionando os dedos queimados sob a luva, mas o Lança-Longa Ryk limitou-se a rir.
– E onde é que você ia achar uma doninha na neve?
Nessa primeira noite, após um longo dia a cavalo, tinham acampado numa rasa concavidade de pedra, no topo de uma montanha sem nome, aninhando-se junto à fogueira enquanto a neve começava a cair. Jon observava os flocos derreterem enquanto pairavam sobre as chamas. Apesar das camadas de lã, peles e couro, sentia frio até os ossos. Ygritte sentou-se ao seu lado depois de comer, com o capuz levantado e as mãos enfiadas nas mangas, para aquecâ-las.
– Quando Mance ouvir dizer como você deu cabo do Meia-Mão, vai recebê-lo bem depressa – disse-lhe.
– Receber-me onde?
A moça riu com zombaria.
– Recebê-lo como um de nós. Acha que é o primeiro corvo a fugir da Muralha? Lá no fundo, vocês todos só querem voar livres.
– E quando eu for livre – disse ele lentamente –, serei livre para ir embora?
– Claro que sim. – Ela tinha um sorriso quente, apesar dos dentes tortos. – E ele vai ser livre pra matar você. Ser livre é perigoso, mas a maior parte acaba gostando. – Pousou a mão enluvada em sua perna, logo acima do joelho. – Você vai ver.
Vou ver, pensou Jon. Vou ver e ouvir, e aprender, e quando o tiver feito, levarei as novidades de volta para a Muralha. Os selvagens tinham-no tomado por perjuro, mas em seu âmago ainda era um homem da Patrulha da Noite, cumprindo o último dever que Qhorin Meia-Mão depositara nele. Antes de ser morto por mim.
No fundo da encosta depararam-se com um pequeno riacho que descia do sopé dos montes e ia se juntar ao Guadeleite. Parecia todo feito de pedras e gelo, embora conseguissem ouvir o som da água correndo sob a superfície congelada. Camisa de Chocalho atravessou à frente deles, estilhaçando a fina crosta de gelo.
Os batedores de Mance Rayder cercaram-nos quando subiram para a margem. De relance, Jon verificou quantos eram: oito cavaleiros, tanto homens como mulheres, vestidos de peles e couro fervido, com um elmo ou um pouco de cota de malha aqui e ali. Vinham armados com lanças e arpões endurecidos pelo fogo, todos menos o chefe, um louro corpulento, com olhos lacrimejantes, que usava uma grande gadanha curva de aço afiado. O Chorão, compreendeu de imediato. Os irmãos negros contavam histórias sobre ele. Assim como Camisa de Chocalho, Harma Cabeça de Cão e Alfyn Mata-Corvos, era um célebre assaltante.
– O Senhor dos Ossos – disse Chorão quando os viu. Deu uma olhada em Jon e em seu lobo. – E este, quem é?
– Um corvo que passou pro lado de cá – disse Camisa de Chocalho, que preferia ser chamado de Senhor dos Ossos devido à ruidosa armadura que usava. – Tava com medo que eu roubasse os ossos dele como os do Meia-Mão. – Sacudiu o saco de troféus na direção dos outros selvagens.
– Ele matou Qhorin Meia-Mão – disse Lança-Longa Ryk. – Ele e seu lobo.
– E também deu cabo do Orell – disse Camisa de Chocalho.
– O moço é um warg, ou coisa que o valha – interveio Ragwyle, a grande esposa de lanças. – O lobo dele arrancou um pedaço da perna do Meia-Mão.
Os olhos vermelhos e remelentos de Chorão deram outra olhada em Jon.
– Ah, é? Bom, tem certo ar de lobo, agora que o vejo de perto. Levem-no até Mance, pode ser que fique com ele. – Fez o cavalo dar meia-volta e afastou-se a galope, com os companheiros logo atrás.