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O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]

Электронная книга - «O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]». Краткое содержание книги:

Andrew Harlan é um Eterno: membro da classe dominante do futuro. Seu trabalho é viajar pelos séculos monitorando e alterando realidades, corrigindo assim os erros dos homens. A humanidade estava a salvo. Até que Harlan comete o pior dos pecados: apaixona-se. Tido como um de seus melhores trabalhos, este clássico nos mostra mais uma vez por que Asimov é considerado o grande mestre da ficção científica moderna.
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— Sim? Coisas bem avançadas, agora, suponho.

— Bem avançadas.

— E que tal?

— Por enquanto, é tolerável. É bastante fácil, sabe. Eu gosto, mas agora eles estão realmente complicando.

Harlan concordou com um gesto e sentiu certa satisfação. — Matrizes de Campo Temporal e tudo aquilo?

Mas Cooper, com suas cores um pouco vivas, voltou-se para os volumes empilhados nas prateleiras e disse: — Voltemos aos Primitivos. Tenho algumas perguntas.

— Sobre o quê?

— Vida de cidade no século 23. Los Angeles, especialmente.

— Por que Los Angeles?

— É uma cidade interessante. Não acha?

— É, mas vamos atingi-la no século 21, então. Ela estava em seu apogeu, no século 21.

— Oh, experimentemos o século 23.

— Bem, por que não? — disse Harlan.

Seu rosto estava impassível, mas se a impassividade pudesse ter sido arrancada, teria havido uma rispidez em torno dele. Sua grande e intuitiva suposição era mais do que uma suposição. Tudo estava conferindo claramente.

Item Quatro: pesquisa. Dupla pesquisa.

Por si mesmo, a princípio. A cada dia, com olhos esquadrinhantes, ele examinava os relatórios da mesa de Twissell. Os relatórios diziam respeito às várias Mudanças de Realidade que estavam sendo planejadas ou sugeridas. As cópias chegavam para Twissell rotineiramente, desde que ele era um membro do Conselho Geral, e Harlan sabia que ele não acharia falta de uma. Procurou primeiro a Mudança vindoura no século 482. Em segundo lugar, procurou outras Mudanças, quaisquer outras Mudanças, que pudessem ter uma falha, uma imperfeição, alguma divergência da excelência máxima, que pudesse ser visível aos seus próprios olhos treinados e talentosos de Técnico.

No sentido mais estrito da palavra, os relatórios não eram para o seu estudo, mas Twissell raramente estava em seu escritório, naqueles dias, e ninguém mais estava apto a interferir com o Técnico pessoal de Twissell.

Esta era uma parte de sua pesquisa. A outra realizou-se na seção de biblioteca do Setor do século 575.

Pela primeira vez ele se aventurou fora daquelas porções da biblioteca que, comumente, monopolizavam sua atenção. No passado, ele havia freqüentado a seção de história Primitiva (bem pobre, na verdade, de maneira que a maioria de suas referências e materiais de informação tiveram de ser obtidas no distante passado do terceiro milênio, como era apenas natural, é claro). Para uma extensão ainda maior, ele havia rebuscado as prateleiras destinadas à Mudança de Realidade, sua teoria, sua técnica e história; uma excelente coleção (a melhor da Eternidade, fora a da própria seção Central, graças a Twissell), da qual ele se havia tornado dono total.

Agora ele passeava curiosamente entre as outras prateleiras de filmes. Pela primeira vez, Observou (no sentido de O maiúsculo) as prateleiras destinadas ao próprio século 575; suas geografias, que variavam pouco de Realidade para Realidade, suas histórias, que variavam mais, e suas sociologias, que variavam ainda mais. Estes não eram os livros ou relatórios sobre o século escritos por Eternos Observadores e Computadores (com esses ele estava familiarizado), mas pelos próprios Tempistas.

Havia trabalhos de literatura do século 575, e estes estimulavam lembranças de tremendos argumentos que ouvira a respeito dos valores das Mudanças alternadas. Seria esta obra prima alterada ou não? Em caso afirmativo, como? Como as Mudanças passadas afetavam as obras de arte?

Por falar nisso, poderia algum dia haver concordância geral a respeito de arte? Poderia ela ser algum dia reduzida a termos quantativos acessíveis à avaliação mecânica pelas máquinas de Computação?

Um Computador chamado August Sennor era o principal oponente de Twissell nesses assuntos. Harlan, movido pelas exaltadas denúncias do homem e seus pontos de vista, havia lido alguns dos documentos de Sennor e tinha-os achado surpreendentes.

Sennor perguntou publicamente e, para Harlan, desconcertantemente, se uma nova Realidade não poderia conter uma personalidade, dentro de si própria, análoga à de um homem que houvesse sido recolhido para a Eternidade em uma Realidade anterior. Ele analisou então a possibilidade de um Eterno encontrar seu análogo no Tempo, conhecendo-o ou não, e especulou os resultados em cada caso. (Isto chegou bem perto de um dos mais fortes temores da Eternidade, e Harlan tremeu e apressou-se inquietamente para terminar a discussão.) E, naturalmente, eles discutiram detalhadamente o destino da literatura e da arte em vários tipos e classificações de Mudanças de Realidade.

Mas Twissell não teria nenhuma das últimas. — Se os valores da arte não podem ser computados — gritaria ele para Harlan — então de que adianta discutir sobre isso?

E os pontos de vista de Twissell, Harlan sabia, eram compartilhados pela grande maioria do Conselho Geral.

Contudo, agora, Harlan estava diante das prateleiras designadas aos romances de Eric Linkollew, normalmente descrito como o escritor proeminente do século 575, e pensando. Contou quinze diferentes coleções de “Obras completas”, cada uma delas, indubitavelmente, retirada de uma Realidade diferente. Cada uma era de alguma forma diferente, ele tinha certeza. Uma coleção era notadamente menor do que todas as outras, por exemplo. Centenas de Sociólogos, imaginou ele, deviam ter escrito análises das diferenças entre as coleções, em termos do conhecimento sociológico de cada Realidade, e com isso obtiveram status.

Harlan passou para a ala da biblioteca que era destinada aos inventos e instrumentação dos vários anos do século 575. Muitos deles, Harlan sabia, haviam sido eliminados do Tempo e permaneceram intatos, como produto do talento humano, somente na Eternidade. O homem tinha de ser protegido de sua própria notabilíssima mente técnica.

Isso mais do que qualquer outra coisa. Nem um fisioano se passava sem que em algum lugar do Tempo a tecnologia nuclear se aproximasse demais do perigo e tivesse de ser afastada.

Ele retornou à biblioteca propriamente dita e às prateleiras de matemática e histórias matemáticas. Seus dedos deslizaram sobre títulos individuais e, após alguma reflexão, ele tirou meia dúzia das prateleiras e assinalou-os.

Item Cinco: Noys.

Esta era a parte do interlúdio realmente importante e toda a parte idílica.

Em suas horas livres, quando Cooper não estava, quando ele poderia comumente ter estado comendo em solidão, lendo em solidão, dormindo em solidão, esperando em solidão pelo próximo dia — ele ia para as caldeiras.

De todo o coração, ele estava grato pela posição de Técnico na sociedade. Ele estava agradecido, como nunca sonhara que pudesse estar, pela maneira pela qual era evitado.

Ninguém interrogava o seu direito de estar numa caldeira, nem se importava se ele a ajustava para cima ou para baixo. Nenhum olhar curioso o seguia, nenhuma mão desejosa se oferecia para ajudá-lo, nenhuma boca tagarela discutia isso com ele.

Ele podia ir onde e quando lhe agradasse.

— Você mudou, Andrew — disse Noys. — Céus, você mudou.

Ele a fitou e sorriu. — Em que aspecto, Noys?

— Você está sorrindo, não está? Este é um dos aspectos. Você nunca se olha no espelho e se vê sorrindo?

— Tenho medo. Eu diria: “Não posso ser assim feliz. Estou doente. Estou delirando. Estou confinado em um hospício, vivendo em sonhos e inconsciente disso.”

Noys inclinou-se para ele para beliscá-lo. — Sente alguma coisa?

Ele puxou a cabeça dela para si e sentiu-se banhado em seus cabelos escuros e suaves.

Quando eles se separaram, ela disse ansiosamente:

— Você mudou nesse ponto, também. Você ficou ótimo, nesse ponto.

— Tenho um bom professor — começou Harlan, e parou bruscamente, temendo que isso implicaria desprazer por pensar sobre as várias pessoas que poderiam ter sido as qualidades de tão bom professor.

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