O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]
- Автор: Азимов Айзек
- Год: 1974
- Язык: португальский
- Год: Hemus
- Переводчик: Luiz Carlos Ascencio Nunes
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]». Краткое содержание книги:
Ela se moveu para mais perto dele, no banco, ainda sorrindo. — Eu pensei: quem sabe?
— Como os Tempistas acham que podem tornar-se Eternos? — perguntou ele, sem ser totalmente capaz de reprimir a tensão da voz.
O sorriso de Noys desapareceu e seria sua imaginação ou havia realmente um traço de cor intensificada em sua face? — Por que o pergunta? — disse ela.
— Para saber.
— É tolice — disse ela. — Eu preferiria não falar a respeito.
Ela abaixou o olhar para seus dedos graciosos, terminados por unhas que brilhavam de modo incolor na claridade silenciosa da coluna da caldeira. De maneira distraída e totalmente a propósito de nada, Harlan imaginou que, numa reunião noturna, com um toque de ultravioleta suave na iluminação da parede, aquelas unhas brilhariam em um delicado verde-claro ou em vermelho berrante, dependendo do ângulo em que ela colocasse as mãos. Uma garota inteligente, uma como Noys, poderia produzir meia dúzia de sombras com elas e fazer as cores parecerem estar refletindo seus sentimentos. O azul para a inocência, o amareloclaro para a alegria, violeta para a tristeza e escarlate para a paixão.
— Por que você fez amor comigo? — perguntou ele. Ela jogou os cabelos para trás e olhou-o com rosto pálido e sério. — Se quer saber — disse ela — parte do motivo foi a teoria de que, dessa forma, uma garota pode tornar-se Eterna. Eu não me importaria em viver para sempre.
— Pensei que você havia dito que não acreditava nisso.
— Eu não acreditava, mas não fazia mal arriscar. Especialmente…
Ele a estava fitando duramente, buscando refúgio da dor e desapontamento em um frio olhar de desaprovação, do alto da moralidade de seu século natal. — Bem?
— Especialmente desde que eu queria, de qualquer forma.
— Queria fazer amor comigo?
— Sim.
— Por que comigo?
— Porque gostei de você. Achei você engraçado.
— Engraçado!
— Bem, esquisito, se você prefere. Você sempre fez tanto esforço para não me olhar, mas sempre me olhou, de qualquer forma. Você tentou odiar-me, e pude notar que me desejava. Eu estava com um pouco de pena de você, creio.
— Por que você estava com pena? — ele sentiu as faces queimando.
— Porque você deveria ter algum problema quanto a desejar-me. É uma coisa tão simples. Apenas peça para uma garota. É tão fácil ser amigável. Por que sofrer?
Harlan balançou a cabeça. A moralidade do século 482! — Apenas peça para uma garota — murmurou ele. — Tão simples. Nada mais é necessário.
— A garota tem de estar querendo, é claro. Na maioria das vezes, ela está, se não estiver, de certa forma, comprometida. Por que não? É bem simples.
Foi a vez de Harlan de abaixar os olhos. Era bem simples, naturalmente. E nada errado com isso, também. Não no século 482. Na Eternidade, quem saberia disso melhor?
Ele seria um idiota, um completo e indescritível idiota, se perguntasse a ela agora sobre romances anteriores. Poderia ele, da mesma forma, perguntar a uma garota de seu próprio século, se ela alguma vez já havia comido na presença de um homem e como ousara?
Ao invés, ele disse humildemente: — E o que pensa de mim, agora?
— Que você é atraente — disse ela amavelmente — e que se você relaxasse… Não quer sorrir?
— Não há por que sorrir, Noys.
— Por favor. Quero ver se suas bochechas se enrugam direito. Vejamos.
Ela colocou os dedos nos cantos da boca de Harlan e pressionouos para trás. Ele sacudiu a cabeça para trás, em surpresa, e não pôde deixar de sorrir.
— Veja. Suas bochechas nem mesmo se quebram. Você é quase bonito. com bastante prática, ficando em frente ao espelho, sorrindo e dando uma piscadela, aposto que você poderia ser realmente bonito.
Mas o sorriso, frágil demais como começo, desapareceu.
— Estamos em dificuldades, não estamos? — disse Noys.
— Sim, estamos, Noys. Grandes dificuldades.
— Por causa do que fizemos? Você e eu? Naquela noite?
— Não realmente.
— Foi culpa minha, eu sei. Direi isso a eles, se você quiser.
— Nunca — disse Harlan com energia. — Não assuma qualquer culpa nisso. Você não fez nada, nada, pelo que ser culpada. É outra coisa.
Noys olhou preocupadamente o temporômetro. — Onde estamos? Não consigo nem mesmo ver os números.
— Quando estamos? — corrigiu Harlan automaticamente. Diminuiu a velocidade e os séculos tornaram-se visíveis.
Os lindos olhos de Noys arregalaram-se e seus cílios contrastaram com a brancura de sua pele. — Isso está correto?
Harlan olhou casualmente para o indicador. Estava num dos séculos 72.000. — Estou certo de que sim.
— Para onde estamos indo?
— Para quando estamos indo. Para o distante futuro — disse ele severamente. — bom e distante. Onde eles não a encontrarão.
E em silêncio, eles observaram os números aumentarem. Em silêncio, Harlan repetiu várias vezes consigo mesmo que a garota era inocente, quanto à acusação de Finge.
Ela havia reconhecido francamente a verdade parcial de acusação e tinha admitido, com a mesma franqueza, a presença de uma atração mais pessoal.
Ele levantou os olhos, então, quando Noys mudou de posição. Ela havia passado para o lado dele da caldeira e, com um gesto resoluto, fizera com que esta parasse, na mais desconfortável diminuição de velocidade temporal.
Harlan ofegou e fechou os olhos, para deixar a náusea passar. — Qual é o problema? — disse ele.
Ela pareceu pálida e por um momento não respondeu. Então ela disse: — Não quero ir adiante. Os números estão tão altos.
O temporômetro indicava: 111.394.
— Bem longe — disse ele.
Então ele estendeu a mão gravemente: — Venha, Noys. Este será seu lar por uns tempos.
Eles percorreram os corredores como crianças, de mãos dadas. As luzes ao longo das galerias estavam acesas, e as salas escurecidas iluminaram-se ao toque de um contato.
O ar estava fresco e havia uma vivacidade ao redor que, mesmo sem esboço sensível, indicava a presença de ventilação.
— Não há ninguém aqui? — murmurou Noys.
— Ninguém — disse Harlan. Tentou dizê-lo firmemente e em voz alta. Queria quebrar a fascinação de estar num “Século Obscuro”, mas disse-o apenas num sussurro, afinal.
Ele nem mesmo sabia como referir-se a algo tão distante no futuro. Seria ridículo chamá-lo de um-um-um-três-nonagésimo-quarto século. Ter-se-ia de dizer, simplesmente, de maneira indefinida: “Os cem mil.”
Era um problema tolo demais com que se preocupar, mas agora que a exaltação da verdadeira fuga havia terminado, ele se encontrou sozinho numa região da Eternidade onde nenhum pé humano tinha pisado, e não gostou disso. Ele estava envergonhado, duplamente envergonhado, desde que Noys era testemunha, pelo fato de que o ligeiro arrepio dentro dele era o ligeiro arrepio de um leve temor.
— É tão limpo — disse Noys. — Não há poeira.
— Autolimpeza — disse Harlan. com um esforço que pareceu romper suas cordas vocais, ele ergueu a voz até o nível quase normal. — Mas não há ninguém aqui, acima ou abaixo na escala do Tempo, por milhares e milhares de séculos.
Noys pareceu aceitar isso. — E tudo é assim tão bem cuidado? Passamos por depósitos de alimentos e por uma biblioteca de filmes de projeção. Você os viu?
— Vi. Oh, está completamente equipado. Estão todos completamente equipados. Todos os Setores.
— Mas por que, se ninguém vem aqui?
— É lógico — disse Harlan. Falar sobre isso afastava um pouco o medo. Dizer em voz alta o que já sabia na teoria simplificaria o assunto, fá-lo-ia descer ao nível do prosaico. Ele disse: — No princípio da história da Eternidade, um dos séculos 300 apareceu com um duplicador de massa. Sabe o que quero dizer? Estabelecendo-se um campo ressonante, a energia podia ser convertida em matéria, com as partículas subatômicas assumindo precisamente o mesmo padrão de posições, dentro das exigências de dúvida, como aquelas do modelo em uso. O resultado é uma cópia exata.