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READ-E-BOOK » Научная фантастика » O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]
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O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]

Электронная книга - «O fim da eternidade [The End of Eternity - pt]». Краткое содержание книги:

Andrew Harlan é um Eterno: membro da classe dominante do futuro. Seu trabalho é viajar pelos séculos monitorando e alterando realidades, corrigindo assim os erros dos homens. A humanidade estava a salvo. Até que Harlan comete o pior dos pecados: apaixona-se. Tido como um de seus melhores trabalhos, este clássico nos mostra mais uma vez por que Asimov é considerado o grande mestre da ficção científica moderna.
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— É claro.

— Então é exatamente como se você a viveu, não é? Não é? Quero dizer, se você viveu ou não?

— Eu não sei. Terei de pensar a respeito. E daí se amanhã fosse um mundo de sonho novamente, ou uma sombra, ou o que for que você chame isso?

— Então haveria uma nova Realidade e uma nova você, com novas lembranças. Seria exatamente como se nada tivesse acontecido, exceto que o total de felicidade humana teria sido aumentado novamente.

— Não acho isso de forma alguma satisfatório.

— Além disso — disse Harlan precipitadamente — nada lhe acontecerá agora. Haverá uma nova Realidade, mas você está na Eternidade. Você não será mudada.

— Mas você disse que não faz diferença — disse Noys meiancolicamente. — Por que dar-se a todo esse trabalho?

— Porque eu quero você como você é — disse Harlan, com súbito ardor. — Exatamente como você é. Não quero você mudada. Em forma alguma.

Ele chegou ao ponto de quase deixar escapar a verdade, que sem a vantagem da superstição sobre os Eternos e a vida eterna, ela nunca teria se inclinado a ele.

Olhando em volta com leve desagrado, ela disse: — Terei de ficar aqui para sempre, então? Seria… solitário.

— Não, não. Nem pense nisso — disse ele freneticamente, agarrando suas mãos com tanta força que ela estremeceu. — Descobrirei o que você será na nova Realidade do século 482, e você voltará disfarçada, por assim dizer. Tomarei conta de você. Pedirei permissão para ligação formal e cuidarei para que você continue em segurança através de futuras Mudanças. Sou um Técnico, um bom Técnico, e sei a respeito de Mudanças — ele acrescentou severamente — e sei algumas outras coisas, também — e parou aí.

— Isso tudo é permitido? — perguntou Noys. — Quero dizer, você pode trazer as pessoas para a Eternidade e impedi-las de mudar? Isso não parece correto, de forma alguma, pelas coisas que você me contou.

Por um momento Harlan sentiu-se encolhido e frio no imenso vazio dos milhares de séculos que o rodeavam por cima e por baixo. Por um momento, ele se sentiu excluído até mesmo da Eternidade, que era seu único lar e única fé, duplamente banido do Tempo e da Eternidade; e ficava a seu lado somente a mulher pela qual ele havia abandonado tudo isso.

Ele disse, e sentia isso profundamente: — Não, isto é um crime. É um crime muito grande, e estou amargamente arrependido. Mas eu o cometeria novamente, se tivesse de fazê-lo, e qualquer número de vezes, se tivesse de fazê-lo.

— Por mim, Andrew? Por mim?

Ele não ergueu seus olhos para os dela. — Não, Noys, por mim mesmo. Eu não poderia suportar o fato de perder você.

— E se formos apanhados…? — perguntou ela.

Harlan sabia a resposta para aquilo. Ele sabia a resposta desde aquele momento de introspecção, na cama, no século 482, com Noys dormindo ao seu lado. Mas, mesmo assim, não ousava pensar na bárbara verdade.

— Não tenho medo de ninguém — disse ele. — Tenho meios de me proteger. Eles não imaginam quanto sei.

9. INTERLÚDIO

Era, olhando-se para trás, um período idílico que se seguia. Centenas de coisas aconteceram naquelas fisiosemanas, e todas se confundiram inextricavelmente na memória de Harlan, depois, fazendo o período parecer ter durado muito mais do que durara. A coisa idílica dele era, naturalmente, as horas que ele podia passar com Noys, e isso lançava ardor em tudo o mais.

Item Um: No século 482, ele empacotou lentamente os seus bens pessoais; suas roupas e filmes e, mais que tudo, seus queridos volumes delicadamente manuseados de revistas do Primitivo. Ele supervisionou ansiosamente o retorno deles à sua estação permanente no século 575.

Finge estava às suas costas quando o último deles foi levantado para dentro da caldeira de carga pelos homens da Manutenção.

Escolhendo as palavras com imperturbável trivialidade, Finge disse: — Deixando-nos, pelo que vejo.

Seu sorriso era largo, mas seus lábios estavam cuidadosamente fechados, de maneira que só o mais leve traço de dentes ficava à vista. Ele ficou com as mãos juntas nas costas e seu corpo atarracado balançou para a frente nas palmas dos pés.

Harlan não fitou seu superior. Murmurou um monótono: — Sim, senhor.

Finge disse: — Comunicarei ao Computador Sênior Twissell a respeito da maneira inteiramente satisfatória pela qual você desempenhou suas tarefas Observacionais no século 482.

Harlan não conseguiu forçar-se a proferir nem mesmo uma palavra mal-humorada de agradecimento. Permaneceu em silêncio.

Finge continuou, numa voz subitamente muito mais baixa: — Não comunicarei, por ora, sua recente tentativa de violência contra mim.

Embora seu sorriso permanecesse e seu olhar continuasse branco, havia em torno dele um ar de cruel satisfação.

Harlan levantou os olhos repentinamente e disse: — Como queira, Computador.

Item Dois: Ele se restabeleceu no século 575.

Sentiu-se feliz por ver aquele corpo pequeno, coroado por aquele rosto gnômico e enrugado. Estava até mesmo feliz por ver o cilindro branco e fumegante repousando entre dois dedos manchados e sendo levantado rapidamente em direção à boca de Twissell.

— Computador — disse Harlan.

Twissell, emergindo de seu escritório, fitou Harlan vagamente, por um momento, sem reconhecê-lo. Seu rosto estava perturbado e seus olhos piscavam de fadiga.

— Ah, Técnico Harlan — disse ele. — Terminou seu trabalho no século 482?

— Sim, senhor.

O comentário de Twissell foi estranho. Ele olhou seu relógio, que, como qualquer outro da Eternidade, estava ajustando para fisiotempo, dando o número dos dias, assim como o horário do dia, e disse: — Precisamente, meu rapaz, precisamente. Magnífico. Magnífico.

Harlan sentiu seu coração dar um pequeno pulo. Quando tinha visto Twissel pela última vez, não teria sido capaz de entender o sentido daquela observação. Agora sentia-se capaz. Twissell estava cansado, ou não teria chegado tão perto da essência das coisas, talvez. Ou o Computador poderia ter sentido ser a observação tão enigmática a ponto de sentir-se seguro, apesar de sua proximidade da essência.

Harlan disse, falando tão casualmente quanto pôde, para evitar que sua observação parecesse ter qualquer ligação com o que Twissell havia acabado de dizer: — Como está meu Aprendiz?

— Ótimo, ótimo — disse Twissell, com apenas metade da mente, aparentemente concentrada em suas palavras. Deu uma rápida tragada no diminuto tubo de tabaco, cedeu em um rápido aceno de despedida e retirou-se às pressas.

Item três: o Aprendiz.

Parecia mais velho. Pareceu haver nele um maior sentimento de maturidade, quando estendeu a mão e disse: — É um prazer vê-lo de volta, Harlan.

Ou seria que, onde antes Harlan estivera consciente de Cooper apenas como aluno, ele agora parecia mais do que um Aprendiz. Ele agora parecia um gigantesco instrumento nas mãos dos Eternos. Naturalmente, ele não podia deixar de ganhar uma nova estatura aos olhos de Harlan.

Harlan tentou não demonstrar isso. Eles estavam nos próprios aposentos de Harlan, e o Técnico deleitava-se com as superfícies de porcelana creme ao seu redor, satisfeito por estar fora do salpico adornado do século 482. Se tentava, como podia, associar o barroco extravagante do século 482 com Noys, somente conseguia associá-lo com Finge. A Noys ele associava um crepúsculo róseo e acetinado e, estranhamente, a leve austeridade dos Setores dos Séculos Obscuros.

Ele falou precipitadamente, quase como se estivesse ansioso por esconder seus pensamentos perigosos: — Bem, Cooper, o que estiveram eles fazendo com você, enquanto estive fora?

Cooper sorriu, alisou acanhadamente o seu bigode curvado com um dedo e disse: — Mais matemática. Sempre matemática.

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