A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Oh, por que eu tinha de mencionar Sor Robar? pensou Sansa. Estraguei tudo. Ele agora está zangado comigo. Tentou pensar em alguma coisa que pudesse dizer para fazer as pazes, mas todas as palavras que passavam por sua cabeça eram capengas e fracas. Fique calada, senão vai ficar ainda pior, disse a si mesma.
Lorde Mace Tyrell e sua comitiva tinham sido alojados atrás do septo real, na longa fortaleza com telhado de ardósia, que era chamada de Arcada das Donzelas desde que o Rei Baelor, o Abençoado, confinara ali as irmãs, para que a visão delas não o tentasse a ter pensamentos carnais. Junto às suas portas altas e esculpidas encontravam-se dois guardas com meio elmo dourado e manto verde debruado de cetim dourado, com a rosa dourada de Jardim de Cima cosida no peito. Ambos tinham mais de dois metros e dez de altura e eram largos de ombros e estreitos de cintura, magnificamente musculosos. Quando Sansa se aproximou o suficiente para ver seus rostos, não foi capaz de distingui-los um do outro. Possuíam os mesmos maxilares fortes, os mesmos profundos olhos azuis, os mesmos densos bigodes ruivos.
– Quem são eles? – perguntou a Sor Loras, momentaneamente esquecida do embaraço.
– A guarda pessoal de minha avó – disse-lhe ele. – A mãe deles os chamou de Erryk e Arryk. Minha avó não consegue distingui-los, por isso os chama de Esquerdo e Direito.
Esquerdo e Direito abriram as portas, e a própria Margaery Tyrell surgiu e desceu saltitante o pequeno lance de escadas, ao encontro dos recém-chegados.
– Senhora Sansa – gritou –, estou tão contente por ter vindo. Seja bem-vinda.
Sansa ajoelhou aos pés de sua futura rainha.
– A senhora me concede uma grande honra, Vossa Graça.
– Por que não me chama de Margaery? Por favor, levante-se. Loras, ajude a Senhora Sansa a ficar em pé. Posso chamá-la de Sansa?
– Se lhe agradar.
Sor Loras fez o que lhe foi pedido. Margaery mandou-o embora com um beijo fraternal e pegou a mão de Sansa.
– Venha, minha avó a espera, e ela não é a mais paciente das senhoras.
O fogo crepitava na lareira, e esteiras com um cheiro doce tinham sido espalhadas pelo chão. Uma dúzia de mulheres estava sentada em volta da longa mesa de montar.
Sansa só reconheceu a alta e digna esposa de Lorde Tyrell, a Senhora Alerie, cuja longa trança prateada se encontrava presa com anéis incrustados de joias. Margaery fez as outras apresentações. Havia três primas Tyrell, Megga, Alla e Elinor, todas com idades próximas à de Sansa. A roliça Senhora Janna era irmã de Lorde Tyrell, e era casada com um dos Fossoway da maçã verde; a graciosa Senhora Leonette, de olhos brilhantes, era também uma Fossoway, casada com Sor Garlan. A Septã Nysterica possuía um rosto modesto e marcado por varíola, mas parecia alegre. A pálida e elegante Senhora Graceford esperava criança, e a Senhora Bulwer era uma criança, com não mais de oito anos. E “Merry” era como ela chamaria a rude e encorpada Meredyth Crane, mas decididamente não a Senhora Merryweather, uma apaixonante beleza de Myr, de olhos negros.
Após todas as outras, Margaery trouxe-a junto de uma mulher encarquilhada, de cabelos brancos, que mais parecia uma boneca, sentada à cabeceira da mesa.
– Tenho a honra de lhe apresentar a minha avó, a Senhora Olenna, viúva do falecido Luthor Tyrell, Senhor de Jardim de Cima, cuja memória é um conforto para todos nós.
A idosa cheirava a água de rosas. Oh, ela é uma coisinha minúscula. Nada havia na mulher que fosse minimamente espinhoso.
– Beije-me, filha – disse a Senhora Olenna, puxando o pulso de Sansa com uma mão suave e manchada. – É tanta gentileza sua vir jantar comigo e com meu tolo bando de galinhas.
Obedientemente, Sansa beijou a velha no rosto.
– A gentileza foi sua, por me convidar, senhora.
– Conheci seu avô, Lorde Rickard, embora mal.
– Ele morreu antes de eu nascer.
– Sei disso, filha. Dizem que seu avô Tully também está morrendo. Lorde Hoster, certamente lhe disseram, não? Um velho, embora não tão velho como eu. Seja como for, no fim a noite cai para todos nós, e cedo demais para alguns. Deve saber disso melhor do que a maioria das pessoas, pobre criança. Teve a sua cota de luto, eu sei. Lamentamos as suas perdas.
Sansa olhou de relance para Margaery.
– Entristeceu-me saber da morte de Lorde Renly, Vossa Graça. Ele era muito galante.
– É bondade sua dizer isso – respondeu Margaery.
A avó bufou.
– Galante, sim, e encantador, e muito limpo. Sabia como se vestir, sabia como sorrir e sabia como tomar banho, e, não se sabe bem como, arranjou a ideia de que isso o tornava apto a ser rei. Os Baratheon sempre tiveram ideias estranhas, certamente. Vem do sangue Targaryen, creio eu. – Fungou. – Um dia tentaram me casar com um Targaryen, mas rapidamente dei um basta nisso.
– Renly era bravo e gentil, avó – disse Margaery. – O pai também gostava dele, assim como Loras.
– Loras é jovem – disse com vivacidade a Senhora Olenna – e muito bom em derrubar homens dos cavalos com um pau. Isso não faz dele sensato. Quanto ao seu pai, gostaria de ter nascido camponesa com uma grande colher de pau, porque talvez tivesse sido capaz de enfiar na marra algum juízo naquela cabeça gorda.
– Mãe – repreendeu a Senhora Alerie.
– Chiu, Alerie, não fale comigo nesse tom. E não me chame de mãe. Se tivesse dado você à luz, certamente me lembraria. Só podem me culpar por seu marido, o lorde idiota de Jardim de Cima.
– Avó – disse Margaery –, tome tento nas palavras, senão o que Sansa pensará de nós?
– Pode pensar que possuímos alguma inteligência. Uma de nós, pelo menos. – A mulher idosa virou-se para Sansa. – É traição, eu os preveni, Robert tem dois filhos e Renly, um irmão mais velho, como seria possível que ele tivesse alguma pretensão àquela feia cadeira de ferro? Vá lá, diz o meu filho, não quer que a sua querida seja rainha? Vocês, os Stark, um dia foram reis, os Arryn e os Lannister também, e até os Baratheon, pela linha feminina, mas os Tyrell não passavam de intendentes até chegar Aegon, o Dragão, e cozinhar o rei legítimo da Campina no Campo de Fogo. A bem da verdade, até nossa pretensão a Jardim de Cima é um pouco malandra, como aqueles terríveis Florent andam sempre choramingando. “O que importa”, você pode perguntar, e certamente não importa, exceto para idiotas como o meu filho. A ideia de um dia ver o neto com a bunda no Trono de Ferro faz Mace inchar como... como é que se chama? Margaery, você que é esperta, seja boazinha e diga à sua avó meio pateta o nome daquele peixe esquisito das Ilhas do Verão que, quando é tocado, incha como um balão até ficar dez vezes maior.
– Ele é chamado de peixe-balão, avó.
– Claro que sim. O povo das Ilhas do Verão não tem imaginação nenhuma. O meu filho devia adotar o peixe-balão como símbolo, para falar a verdade. Podia pôr uma coroa nele, como os Baratheon fazem com o veado, isso talvez o deixasse feliz. Devíamos ter permanecido bem longe de toda esta sangrenta babaquice, a meu ver, mas depois de ordenhar a vaca não há como enfiar o leite de volta nas tetas. Depois de o Lorde Peixe-Balão colocar aquela coroa na cabeça de Renly, enfiamo-nos na lama até os joelhos, portanto aqui estamos para levar as coisas até o fim. E o que você diz sobre isso, Sansa?
A boca de Sansa abriu e fechou. Também se sentia como um peixe-balão.
– Os Tyrell conseguem traçar a sua genealogia até Garth da Mão Verde – foi o melhor que conseguiu arranjar assim de repente.
A Rainha dos Espinhos fungou e disse:
– Assim como os Florent, os Rowan, os Oakheart e metade das outras casas nobres do sul. Garth gostava de plantar a sua semente em terreno fértil, segundo dizem. Não me surpreenderia que não fosse só a mão que ele tinha verde.