A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Não pregou o olho naquela noite.
Em vez de dormir ficou deitado no escuro, fitando o dossel e contando os seus fantasmas. Viu Tysha sorrindo enquanto o beijava, viu Sansa nua e tremendo de medo. Viu Joffrey arranhando a garganta, com o sangue escorrendo pelo pescoço enquanto o rosto enegrecia. Viu os olhos de Cersei, o sorriso lupino de Bronn, o sorriso malvado de Shae. Nem mesmo pensar em Shae conseguiu animá-lo. Acariciou-se, pensando que se acordasse o pau e o satisfizesse, talvez depois conseguisse descansar mais facilmente, mas de nada serviu.
E então chegou a alvorada, e a hora de seu julgamento começar.
Não foi Sor Kevan que veio buscá-lo naquela manhã, mas Sor Addam Marbrand com uma dúzia de homens de manto dourado. Tyrion tinha quebrado o jejum com ovos cozidos, bacon queimado e pão frito, e vestiu a sua melhor roupa.
– Sor Addam – disse. – Achei que meu pai enviaria a Guarda Real para me escoltar até o julgamento. Ainda sou um membro da família real, não sou?
– É, senhor, mas temo que a maior parte da Guarda Real seja testemunha contra o senhor. Lorde Tywin considerou que não seria próprio servirem como seus guardas.
– Os deuses não permitam que façamos algo de impróprio. Por favor, vá à frente.
O julgamento teria lugar na sala do trono, onde Joffrey tinha morrido. Quando Sor Addam o escoltou através das altas portas de bronze e pelo longo tapete, sentiu os olhos postos nele. Centenas de pessoas tinham se aglomerado dentro da sala para vê-lo julgado. Pelo menos esperava que tivesse sido por isso que tinham vindo. Pelo que sei, são todos testemunhas contra mim. Viu a Rainha Margaery na galeria, pálida e bela no seu luto. Duas vezes casada, duas vezes viúva, e só dezesseis anos. A mãe estava em pé, alta, de um dos lados, e a avó, baixa, do outro, com as damas de companhia e os cavaleiros do pai amontoados no resto da galeria.
O estrado ainda se encontrava por baixo do Trono de Ferro vazio, embora todas as mesas menos uma tivessem sido removidas. Atrás dela sentava-se o robusto Lorde Mace Tyrell com uma capa dourada sobre trajes verdes e o esguio Príncipe Oberyn Martell, trazendo leves vestes com riscas laranja, amarelas e escarlate. Lorde Tywin Lannister sentava-se entre os dois. Talvez ainda haja esperança para mim. O dornês e o jardineiro desprezavam-se mutuamente. Se conseguir arranjar maneira de usar isso...
O Alto Septão começou com uma prece, pedindo ao Pai no Céu que os guiasse à justiça. Quando terminou, o pai na terra inclinou-se para a frente para dizer:
– Tyrion, matou o Rei Joffrey?
Não quer perder um segundo.
– Não.
– Bem, isso é um alívio – disse secamente Oberyn Martell.
– Então foi Sansa Stark que fez isso? – quis saber Lorde Tyrell.
Eu teria feito, se fosse ela. Mas estivesse Sansa onde estivesse e fosse qual fosse o papel que tinha desempenhado naquilo, continuava a ser sua esposa. Envolvera seus ombros no manto de sua proteção, muito embora tivesse sido obrigado a empoleirar-se nas costas de um bobo para fazer isso.
– Os deuses mataram Joffrey. Ele sufocou com a sua torta de pombo.
Lorde Tyrell enrubesceu.
– Quer culpar os padeiros?
– A eles ou aos pombos. Só quero que me deixe fora disso. – Tyrion ouviu risos nervosos e compreendeu que tinha cometido um erro. Tento na língua, meu tolinho, antes que cave sua sepultura.
– Há testemunhas contra você – disse Lorde Tywin. – Vamos ouvi-las primeiro. Então, poderá apresentar as suas testemunhas. Só pode falar com a nossa licença.
Nada havia que Tyrion pudesse fazer além de assentir com a cabeça.
Sor Addam tinha falado a verdade; o primeiro homem a ser introduzido na sala foi Sor Balon Swann, da Guarda Real.
– Senhor Mão – começou, depois do Alto Septão ter aceitado o seu juramento de dizer apenas a verdade –, tive a honra de lutar ao lado de seu filho na ponte de navios. Ele é um homem corajoso, apesar do tamanho, e não quero acreditar que tenha cometido este ato.
Um murmúrio percorreu a sala, e Tyrion perguntou a si mesmo que jogo louco estaria Cersei jogando. Por que convocar uma testemunha que me julga inocente? Em breve ficou sabendo. Sor Balon falou relutantemente de como tinha separado Tyrion de Joffrey no dia do tumulto.
– Ele bateu em Sua Graça, é verdade. Foi um ataque de fúria, nada mais. Uma tempestade de verão. A multidão quase nos matou a todos.
– Nos dias dos Targaryen, um homem que batesse em alguém de sangue real perderia a mão que usasse no ato – observou a Víbora Vermelha de Dorne. – Cresceu uma mãozinha nova ao anão, ou vocês, Espadas Brancas, esqueceram o seu dever?
– Ele mesmo é de sangue real – respondeu Sor Balon. – E além disso, era Mão do Rei.
– Não – disse Lorde Twyn. – Ele era Mão do Rei interino, no meu lugar.
Sor Meryn Trant expandiu alegremente o relato de Sor Balon, quando ocupou o seu lugar como testemunha.
– Ele atirou o rei no chão e começou a chutá-lo. Gritou que era injusto que Sua Graça tivesse escapado incólume à multidão.
Tyrion começou a compreender o plano da irmã. Ela começou com um homem sabidamente honesto, e ordenhou dele tudo o que podia dar. Cada testemunha que seguir contará uma história pior, até que eu pareça tão mau quanto Maegor, o Cruel, e Aerys, o Louco, combinados, com uma pitada de Aegon, o Indigno, para dar sabor.
Sor Meryn prosseguiu, relatando o modo como Tyrion tinha interrompido o castigo de Joffrey a Sansa Stark.
– O anão perguntou a Sua Graça se ele sabia o que acontecera a Aerys Targaryen. Quando Sor Boros interveio em defesa do rei, o Duende ameaçou mandar matá-lo.
O próprio Blount veio em seguida, para fazer eco a essa lamentável história. Apesar de qualquer antipatia que Sor Boros pudesse nutrir por Cersei por tê-lo demitido da Guarda Real, mesmo assim disse as palavras que ela desejava.
Tyrion não conseguiu dominar mais a língua.
– Por que não diz aos juízes o que Joffrey estava fazendo?
O grande homem queixudo atravessou-o com os olhos.
– Você disse aos seus selvagens para me matar se eu abrisse a boca, é isso o que vou lhes dizer.
– Tyrion – disse Lorde Tywin. – Pode falar apenas quando solicitarmos. Que isso sirva de aviso.
Tyrion calou-se, fervendo.
Os Kettleblack vieram a seguir, todos os três, um de cada vez. Osney e Osfryd contaram a história de seu jantar com Cersei antes da Batalha da Água Negra e relataram as ameaças que tinha feito.
– Ele disse a Sua Graça que lhe queria fazer mal – disse Sor Osfryd. – Machucá-la.
O irmão Osney detalhou.
– Ele disse que esperaria por um dia em que ela estivesse feliz, e faria com que a alegria se transformasse em cinzas em sua boca. – Nenhum dos dois mencionou Alayaya.
Sor Osmund Kettleblack, um retrato da cavalaria com uma imaculada armadura de escamas e manto branco de lã, jurou que o Rei Joffrey havia muito sabia que o tio Tyrion pretendia assassiná-lo.
– Foi no dia em que me deram o manto branco, senhores – disse aos juízes. – O bravo rapaz disse-me: “Meu bom Sor Osmund, proteja-me bem, pois o meu tio não gosta de mim. Ele quer ser rei no meu lugar”.
Aquilo era mais do que Tyrion conseguia aguentar.
– Mentiroso! – deu dois passos adiante antes que homens de manto dourado o arrastassem para trás.
Lorde Tywin franziu a testa.
– Terei de mandar acorrentar suas mãos e pés como faria a um salteador comum?
Tyrion rangeu os dentes. Um segundo erro, estúpido, estúpido, anão estúpido. Mantenha-se calmo, senão está perdido.