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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Uau. Minha cabeça roda.

Tenho que agarrar o encosto da cadeira. Coquetéis à base de tequila não são uma boa ideia.

No caminho para o bar resolvo ir ao banheiro enquanto ainda estou em pé. Boa ideia, Ana. Ando trôpega no meio da multidão. Claro, tem fila, mas pelo menos está calmo e fresco no corredor. Pego o celular para aliviar o tédio da espera. Humm... Para quem eu liguei por último? Foi para o José? Antes dele tem um número que não reconheço. Ah, sim. Grey, acho que esse número é dele. Sorrio. Não sei que horas são, talvez eu o acorde. Talvez ele possa me dizer por que me mandou aqueles livros com a mensagem enigmática. Desmancho o sorriso embriagado e aperto a tecla “ligar”. Ele atende no segundo toque.

— Anastasia?

Está surpreso com a minha ligação. Bem, francamente, eu estou surpresa com a minha decisão de ligar para ele. Então, meu cérebro atordoado registra... como ele sabe que sou eu?

— Por que me enviou os livros? — pergunto com a voz engrolada.

— Anastasia, você está bem? Está falando de um jeito estranho. — A voz dele parece preocupada.

— A estranha não sou eu, é você.

Pronto, falei. Minha coragem alimentada pelo álcool.

— Anastasia, você andou bebendo?

— O que você tem com isso?

— Estou... curioso. Onde você está?

— Num bar.

— Que bar? — ele parece exasperado.

— Um bar em Portland.

— Como você vai para casa?

— Vou dar um jeito.

Essa conversa não está tomando o rumo que eu esperava.

— Em que bar você está?

— Por que me enviou os livros, Christian?

— Anastasia, onde você está? Diga agora.

O tom dele é muito... muito autoritário, aquela mania de controle de sempre. Imagino-o como um diretor de cinema dos velhos tempos, usando calças de montaria, segurando um megafone antiquado e um chicote. A imagem me faz rir.

— Você é muito... dominador.

Dou uma risadinha.

— Ana, por favor, onde você está, porra?

Christian Grey falando um palavrão. Torno a rir.

— Estou em Portland... bem longe de Seattle.

— Onde em Portland?

— Boa noite, Christian.

— Ana!

Desligo. Rá! Se bem que ele não me falou dos livros. Franzo a testa. Missão não cumprida. Estou muito bêbada mesmo — minha cabeça gira enquanto me arrasto com a fila. Bem, o objetivo era tomar um porre. Consegui. Provavelmente uma experiência a não ser repetida. A fila andou, e agora é a minha vez. Olho inexpressivamente para o cartaz atrás da porta do banheiro que exalta as virtudes do sexo seguro. Que droga, eu acabei de ligar para Christian Grey? Merda. Meu telefone toca e me assusta. Solto um grito de surpresa.

— Oi — atendo timidamente. Não contava com isso.

— Estou indo buscar você — diz ele, e desliga. Só Christian Grey poderia soar tão calmo e tão ameaçador ao mesmo tempo.

Cacete. — Puxo as calças. Meu coração acelera. Vindo me buscar? Ah, não. Vou vomitar... não... estou bem. Aguente firme. Ele só quer me confundir. Eu não disse onde estava. Ele não pode me encontrar. Além do mais, levaria horas para vir de Seattle até aqui, e a essa altura já vamos ter ido embora há muito tempo. Lavo as mãos e me olho no espelho. Estou vermelha e ligeiramente fora de foco. Humm... tequila.

Espero no bar pelo que parece uma eternidade pela caneca de cerveja e acabo voltando para a mesa.

— Você demorou muito — Kate me repreende. — Onde estava?

— Na fila do banheiro.

José e Levi estão tendo uma discussão acalorada sobre o time local de beisebol. José para de falar a fim de servir cerveja para todo mundo, e eu bebo um bom gole.

— Kate, acho melhor ir lá fora tomar um pouco de ar puro.

— Ana, você é muito fraquinha.

— Volto em cinco minutos.

Torno a atravessar a multidão. Começo a ficar enjoada, a cabeça rodando, e estou um pouco desastrada. Um pouco mais que o normal.

Beber no estacionamento, no ar frio da noite, dá a dimensão do quanto estou bêbada. Minha visão foi afetada, e estou realmente vendo tudo duplicado, como nos desenhos antigos de Tom e Jerry. Acho que vou vomitar. Por que me permiti ficar desse jeito?

— Ana. — José veio atrás de mim. — Você está bem?

— Acho que bebi além da conta.

Dou um sorriso sem graça para ele.

— Eu também — murmura ele, e me lança um olhar profundo com seus olhos escuros. — Precisa de ajuda? — ele pergunta e chega mais perto, passando o braço em volta de mim.

— José, estou bem. Está tudo sob controle.

Tento afastá-lo com delicadeza.

— Ana, por favor — murmura, e agora está me abraçando e me puxando para ele.

— José, o que você está fazendo?

— Você sabe que gosto de você, Ana, por favor.

Ele tem uma das mãos na altura da minha cintura, segurando-me contra ele, e a outra no meu queixo, inclinando minha cabeça para trás. Puta merda... ele vai me beijar.

— Não, José, pare. Não.

Dou um empurrão, mas ele é um muro de músculos, e não consigo movê-lo. Sua mão deslizou para o meu cabelo, e ele está segurando minha cabeça.

— Por favor, Ana, cariño — sussurra ele próximo aos meus lábios.

Seu hálito é suave e muito doce — cheira a margarita e cerveja. Ele me beija delicadamente do queixo até o canto da boca. Estou apavorada, bêbada e sem controle. A sensação é sufocante.

— José, não — imploro.

Eu não quero isso. Você é meu amigo e eu acho que vou vomitar.

— Acho que a senhorita disse não — uma voz baixa surge na escuridão.

Puta merda! Christian Grey está aqui. Como? José me larga.

— Grey — diz ele secamente.

Olho aflita para Christian. Ele fuzila José com os olhos, e está furioso. Merda. Estou enjoada, e me encolho, meu corpo não consegue mais tolerar o álcool, e então vomito espetacularmente no chão.

— Uh. Dios mío, Ana! — José dá um pulo para trás, enojado. Grey pega o meu cabelo, puxando-o para fora da linha de fogo e delicadamente me conduz até um canteiro elevado no limite do estacionamento. Vejo, com profunda gratidão, que o canteiro está relativamente no escuro.

— Se for vomitar de novo, vomite aqui. Eu seguro você.

Ele está com um braço em volta dos meus ombros — o outro segura meu cabelo para trás num rabo de cavalo improvisado, tirando-o do meu rosto. Tento afastá-lo de modo desajeitado, mas vomito de novo... e de novo. Ai, merda... quanto tempo isso vai durar? Mesmo quando meu estômago está vazio e nada sai, continuo sentindo ânsias terríveis. Prometo a mim mesma que nunca mais vou beber. Isso é simplesmente horrível demais para descrever. Finalmente, para.

Minhas mãos estão pousadas na parede de tijolos do canteiro, e eu mal consigo me manter em pé. Vomitar profusamente é exaustivo. Grey me solta e me entrega um lenço. Só ele teria um lenço de linho recém-lavado com um monograma. CTG. Eu não sabia que ainda havia desses lenços à venda. Vagamente, me pergunto o que quer dizer o T enquanto limpo a boca. Não consigo olhar para ele. Estou morta de vergonha, com nojo de mim. Quero ser engolida pelas azaleias do canteiro e estar em qualquer lugar, menos aqui.

José continua rondando na entrada do bar, nos observando. Gemo e seguro a cabeça com as mãos. Este tem que ser o pior momento da minha vida. Minha cabeça ainda roda enquanto tento me lembrar de algo pior, e só consigo pensar na rejeição de Christian, o que foi muito pior em termos de humilhação. Arrisco olhar para ele. Ele está me observando, o rosto sereno, sem dizer nada. Quando me viro, vejo José, que parece bastante envergonhado e, como eu, intimidado com Grey. Olho furiosa para ele. Tenho algumas palavras adequadas para o meu pseudoamigo, nenhuma das quais posso repetir na frente de Christian Grey, CEO. Ana, quem você acha que engana? Ele acabou de ver você vomitar por todo o chão e por toda a flora local. Não dá para fingir que você se comporta como uma dama.

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