A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Lá atrás.
A sala de trás era ainda mais escura. Uma vela tremeluzente ardia sobre uma mesa baixa, ao lado de um jarro de vinho. O homem por trás dela não tinha um aspecto muito ameaçador: baixo – ainda que todos os homens fossem altos para Tyrion –, com cabelos castanhos que rareavam, bochechas rosadas e uma pequena barriga empurrando os botões de osso do seu gibão de pele de veado. Nas mãos suaves, brandia uma harpa de madeira com doze cordas, que era mais mortífera do que uma espada.
Tyrion sentou-se diante do homem.
– Symon Língua de Prata.
O homem inclinou-se. Era calvo no alto da cabeça.
– Senhor Mão – disse.
– Está me confundindo. Meu pai é a Mão do Rei. Receio que eu já nem sequer seja um dedo.
– Vai voltar a subir, estou certo. Um homem como você. Minha querida senhora Shae contou que é recém-casado. Seria bom se tivesse me chamado mais cedo. Iria me sentir honrado por cantar em seu banquete.
– A última coisa de que minha esposa precisa é de mais canções – disse Tyrion. – E quanto a Shae, ambos sabemos que ela não é senhora nenhuma, e eu agradeceria se você não dissesse o nome dela em voz alta.
– Às ordens da Mão – disse Symon.
Da última vez que Tyrion tinha visto o homem, uma palavra ríspida fora o suficiente para deixá-lo suando, mas o cantor parecia ter encontrado alguma coragem em algum lugar. Provavelmente naquele jarro. Ou talvez fosse o próprio Tyrion o culpado por aquela nova ousadia. Ameacei-o, mas nada chegou a se seguir à ameaça, portanto agora pensa que não tenho dentes. Suspirou.
– Dizem que é um cantor muito dotado.
– É muita amabilidade sua dizê-lo, senhor.
Tyrion concedeu-lhe um sorriso.
– Creio que está na hora de levar sua música às Cidades Livres. Em Bravos, Pentos e Lys são grandes amantes de canções, e generosos com aqueles que lhes agradam. – Bebeu um gole de vinho. Apesar de ser uma porcaria, era forte. – Uma turnê por todas as nove cidades seria o melhor. Não quer negar a ninguém a alegria de ouvi-lo cantar. Um ano em cada uma deve bastar. – Enfiou a mão no interior do manto, onde tinha escondido o ouro. – Com o porto fechado, terá de ir a Valdocaso para embarcar, mas Bronn vai lhe arranjar um cavalo, e vou me sentir honrado se permitir que pague sua passagem...
– Mas, senhor – objetou o homem –, nunca me ouviu cantar. Peço que escute por um momento. – Os dedos dele moveram-se habilmente sobre as cordas da harpa, e uma música suave encheu a adega. Symon começou a cantar.
Cavalgou pelas ruas da cidade,
desde o alto de sua colina,
Por becos e degraus e calçadas,
para os braços de sua menina.
Porque ela era o secreto tesouro,
sua vergonha e seu prazer.
E a corrente e o forte nada são,
comparados com beijos de mulher.
– Há mais – disse o homem quando parou de tocar. – Ah, bem mais. O refrão é particularmente bonito, na minha opinião. Porque mãos de ouro são sempre frias, mas há calor em mãos de mulher...
– Basta. – Tyrion puxou os dedos de dentro do manto, vazios. – Isso não é canção que eu queira ouvir novamente. Nunca mais.
– Não? – Symon Língua de Prata pôs a harpa de lado e bebeu o gole de vinho. – É uma pena. Seja como for, cada homem tem a sua canção, como o meu velho mestre costumava dizer quando me ensinou a tocar. Outros podem gostar mais desta minha música. A rainha, talvez. Ou o senhor seu pai.
Tyrion esfregou a cicatriz de seu nariz e disse:
– Meu pai não tem tempo para cantores, e minha irmã não é tão generosa como imagina. Um homem sensato ganharia mais com o silêncio do que com canções. – Não podia deixar as coisas muito mais claras do que aquilo.
Symon pareceu compreender bem depressa o que Tyrion queria dizer.
– Vai achar meu preço modesto, senhor.
– É bom saber. – Tyrion temia que trinta dragões de ouro não seriam suficientes para resolver a situação. – Diga-me qual é.
– No banquete de casamento do Rei Joffrey – disse o homem – deverá haver um torneio de cantores.
– E malabaristas, bobos e ursos dançarinos.
– Só um urso dançarino, senhor – disse Symon, deixando claro que tinha seguido os preparativos de Cersei com muito mais interesse do que Tyrion –, mas sete cantores. Galeyon de Cuy, Bethany Dedos-Belos, Aemon Costayne, Alaric de Eysen, Hamish, o Harpista, Collio Quaynis e Orland de Vilavelha vão competir por um alaúde dourado com cordas de prata... e, no entanto, inexplicavelmente, nenhum convite foi enviado ao homem que é mestre de todos eles.
– Deixe-me adivinhar. Symon Língua de Prata?
Symon sorriu com modéstia.
– Estou preparado para demonstrar a verdade da minha vanglória perante o rei e a corte. Hamish é velho, e esquece frequentemente aquilo que está cantando. E Collio, com aquele absurdo sotaque tyroshi! Se você compreender uma palavra em três, pode se considerar com sorte.
– Foi minha querida irmã quem organizou o banquete. Mesmo se pudesse lhe assegurar este convite, poderia parecer estranho. Sete reinos, sete votos, sete desafios, setenta e sete pratos... mas oito cantores? O que pensaria o Alto Septão?
– Não sabia que era um homem devoto, senhor.
– A questão não é a devoção. Certas formalidades têm de ser seguidas.
Symon bebeu um gole de vinho.
– Apesar disso... a vida de um cantor não é desprovida de perigos. Oferecemos o nosso talento em cervejarias e tabernas, perante bêbados descontrolados. Se um dos sete de sua irmã sofrer algum imprevisto, espero que possa pensar em mim para ocupar seu lugar. – Deu um sorriso astuto, desmesuradamente satisfeito consigo mesmo.
– Seis cantores seria tão despropositado quanto oito, certamente. Tentarei me informar sobre a saúde dos sete de Cersei. Se algum deles estiver indisposto, Bronn vai encontrá-lo.
– Muito bem, senhor. – Symon podia ter deixado as coisas assim, mas, transbordante de triunfo, acrescentou: – Eu vou cantar na noite da boda do Rei Joffrey. Se por acaso for chamado à corte, ora, vou querer oferecer ao rei as minhas melhores composições, canções que cantei mil vezes e que certamente agradarão. Mas se der por mim cantando em alguma triste taberna... bem, essa seria uma ocasião adequada para experimentar a minha nova canção. Porque mãos de ouro são sempre frias, mas há calor em mãos de mulher.
– Isso não será necessário – disse Tyrion. – Tem a minha palavra de Lannister de que Bronn o visitará em breve.
– Muito bem, senhor. – O cantor barrigudo e perdendo cabelos voltou a pegar a harpa.
Bronn esperava junto dos cavalos, na entrada da viela. Ajudou Tyrion a subir para a sela.
– Quando é que levo o homem para Valdocaso?
– Não leva. – Tyrion virou o cavalo. – Dê-lhe três dias, e depois informe-o de que Hamish, o Harpista, quebrou o braço. Diga-lhe que suas roupas nunca servirão para a corte, e que tem de imediatamente arranjar um traje novo. Ele virá com você a toda velocidade. – Fez uma careta. – Pode querer ficar com a língua dele, ouvi dizer que é de prata. O resto dele nunca deverá ser encontrado.
Bronn deu um sorriso.
– Conheço uma casa de pasto na Baixada das Pulgas que faz uma saborosa panela de castanho. Ouvi dizer que tem todos os tipos de carne.
– Certifique-se de que eu nunca coma lá. – Tyrion pôs o cavalo a trote. Gostaria de um banho, e quanto mais quente melhor.
Mas até esse modesto prazer lhe foi negado, pois assim que voltou aos seus aposentos, Podrick Payne informou-o de que tinha sido convocado à Torre da Mão.